Reunião das Mulheres fará parte da Conferência Geral

Mulheres na saída da reunião de 27 de setembro. Imagem: Rick Egan, The Salt Lake Tribune.

Mulheres na saída da reunião de 27 de setembro. Imagem: Rick Egan, The Salt Lake Tribune.

Após contradições e uma oração censurada, Igreja muda o status da reunião feminina

A Reunião Geral das Mulheres que aconteceu este ano uma semana antes da Conferência Geral de outubro passou a ser considerada uma sessão da Conferência geral da Igreja sud. A mudança já pode ser vista no site oficial trazendo o conteúdo da Conferência, onde a reunião feminina é a última sessão listada. A decisão aconteceu depois de afirmações contraditórias em relação ao status da reunião.

Dieter F. Uchtdorf, conselheiro da primeira Presidência, havia se referido à reunião do dia 27 de setembro como sendo a abertura da Conferência Geral semianual. Mas na manhã de 04 de outubro, Henry B. Eyring, primeiro conselheiro da Primeira presidência, em seu discurso, e Bonnie Oscarson, presidente da Organização das Moças, durante sua oração, afirmaram estar na primeira sessão do evento. A surpresa maior aconteceu na Sessão Geral do Sacerdócio, a qual seria a terceira sessão, quando o setenta Bruce A. Carlson orou dizendo “Nós nos regozijamos com o convite de estar nesta quarta sessão desta conferência especial”. Posteriormente, o vídeo da Conferência foi editado, cortando a “quarta sessão” da oração. A oração original em inglês pode ser ouvida neste vídeo; a versão editada encontra-se aqui. Em português, a “quarta sessão” não foi mencionada por erro na tradução simultânea. Apesar da decisão da Igreja ter provado que Carlson estava correto sobre aquela ser a quarta sessão, o vídeo de sua oração permanece editado.

A inclusão da Reunião Geral das Mulheres no evento de maior importância da Igreja sud tem sido considerado um gesto significativo para uma maior valorização das mulheres mórmons.

3 comentários sobre “Reunião das Mulheres fará parte da Conferência Geral

  1. Para quem é casado, vai provavelmente entender o que escrevo a seguir:

    [1]. Quando você pergunta para sua esposa (aqueles que tem ou tentam ter esse costume) a opinião dela sobre alguma coisa, basicamente duas coisas acontecem (claro, com diversos e distintos desdobramentos posteriores): (1) Ela diz não saber (ou seja, ‘faz o que você achar melhor’), ou (2) a resposta dela é prontamente argumentada por você (pois em geral você gostaria que ela sugerisse algo que você já havia pensado em fazer). [Claro, pessoal, que fique claro, isso não acontece somente em casamentos, mas é bem comum neles].

    [2]. E, por mais que não nós homens não saibamos nada a respeito do gênero oposto, a maioria de nós já percebeu a premissa verdadeira que a maioria das mulheres é atenta a pequenos detalhes de como agimos com elas, e que seja uma coisa costumeira. Em geral elas reagem bem a isso [novamente, não é regra, afinal, homem e mulher sabem muito pouco a respeito do gênero oposto].

    Então concluo: sendo assim, porque os discursos nas capelas discorre-se tanto sobre essa parceria homem x mulher, mas na prática, inclusive nas próprias reuniões de liderança e coisas do gênero, isso muitas vezes não ocorre? [Esta minha pergunta é apenas para reflexão, não estou acusando alguém ou o grupo do qual aqui nos referimos. Há pouco tempo atrás sequer eu pensava a respeito dessas coisas].

    O que me leva a observar o seguinte: É cultural. Em geral as mulheres de outras épocas faziam o papel para o qual foram ‘doutrinadas’ a cumprir, e quando você pergunta algo pra elas, elas não julgam que realmente tenham algo a oferecer, e preferem ficar quietas ou deixar a cargo dos maridos as decisões. Lembrando que a própria estrutura patriarcal molda isso nas pessoas. [Mais uma vez, estou apenas refletindo, não tenho predileção ou desgosto pelo sistema patriarcal ou matriarcal nem vejo qualquer deles com maus olhos, não é isto que está em análise agora].

    E pra quem aguentou ler o que escrevi até aqui [Parabéns!], deixa claro que a Igreja poderia e pode fazer coisas bem mais simples (do que ordenar as mulheres ao sacerdócio) para demonstrar que lhes tem o devido apreço, fugindo do mero discurso e indo para coisa simples e práticas:
    a) Deixar as esposas assistirem as reuniões dos maridos (que eu saiba isso não rouba ‘o sacerdócio’ de ninguém);
    b) Chamar desde sempre a reunião das mulheres de ‘sessão geral da conferência’;
    c) Realmente ouvir e fazer o que as irmãs sugerirem nas reuniões ‘do sacerdócio’ e liderança;
    d) Tirar delas o medo ou pensamento de que sua opinião não é importante, por exemplo, incluindo o ‘alto escalão’ de líderes mulheres na ‘proclamação da família’ (coisa que foi dita aqui que não ocorreu);

    COISAS PEQUENAS E SIMPLES, que parecem só terem sido percebidas agora depois que algumas mulheres resolveram dizer que: ‘não, vocês dizem que fazem, até acreditamos que ingenuamente pensam que fazem, mas vocês [homens da igreja] não sabem nos fazer incluídas e valorizadas’. E ainda acrescento, ‘e se outras dizem não saber nada sobre isso, ou é porque nunca passaram por esse tipo de coisa ou porque acham que (culturalmente) as coisas são assim mesmo e não é nosso direito questionarmos nossos maridos e ‘líderes”.

    Bem, espero que compreendam o que eu quis dizer.

  2. Bem isso,

    O problema é que fomos criados de tal forma que basta questionar qualquer coisa, mesmo na mais ingênua intenção, sem qualquer dolo ou intenção de provocar escândalos, e já te observam com outros olhos: descrente, “está no caminho da apostasia…”, “é coisa do senhor e isso é rebeldia…”.

    Como se pensar para o bem comum e por conta própria fosse algo errado e ainda ficam todos bravos quando nos acusam de ‘lavagem cerebral’.

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