Movimento Rastafári e os Mórmons 3-3

Conhecer um pouco a história e as doutrinas de nossos irmãos Rastafáris me fez pensar em alguns eventos e curiosidades da saga Mórmon. Ambos os movimentos tiveram início no continente americano e conseguiram sintetizar em uma expressão religiosa os sentimentos e expectativas das pessoas de suas respectivas áreas de atuação inicial. A diferença principal entre eles está ligada ao público alvo, seus anseios e o significado que o continente americano tinha para os dois movimentos.

Assim como entre adeptos do movimento jamaicano, os primórdios do Mormonismo foram marcados por uma certa frouxidão doutrinária e precária hierarquia eclesiástica; até mesmo o conceito de igreja parece ter sido menos rígido. Continuar lendo

Programa da IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons

IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons
Conferência Anual da ABEM
(Associação Brasileira de Estudos Mórmons)
Tema: “A Relação entre Sede e Periferia na Igreja SUD”
19 de janeiro de 2013
São Paulo, SP

Programa

08:00 – 08:30 – Cadastramento e Café de manhã
08:30 – 08:35 – Abertura & Oração
08:35 – 08:50 – Mensagem de boas-vindas

09:00 – 10:20 Sessão A – “A entrevista oral nos estudos mórmons no Brasil: um guia prático” – Kent Larsen

10:20 – 10:40 – Intervalo 1 & Exposição

10:40 – 12:00 – Sessão B – Mesa-redonda: Por que a retenção nos EUA é maior que no Brasil?

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12:00 – 13:00 Almoço
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13:00 – 14:20 Sessão C – “A jornada de Andrew Jenson pela América Latina em 1923
Reid Neilson (Departamento de História da Igreja, EUA)

14:20 – 14:40 – Intervalo 2

14:40 – 16:00 – Sessão D – “Colonialismo Político-Religioso: O Impacto Sobre Mórmons Brasileiros da Cruzada Política Contra Gays nos Estados Unidos” – Marcello Jun de Oliveira

16:00 – 16:30 Coffee Break

17:50 – 18:50 – Sessão Sessão E – “Uma história cultural do Livro de Mórmon” – Daymon Smith

18:50 – 19:00 – Encerramento & Oração

Local: A IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons acontecerá na Av. Eng. Armando de Arruda Pereira, 345 (sobreloja), em São Paulo, SP.

Cientista da BYU Descobre Nilo em Lua

Cientista da BYU Descobre Nilo em Lua

Cientista Planetária da BYU Jani Radebaugh

Cientista Planetária da BYU Jani Radebaugh

A cientista planetária Jani Radebaugh, do departamento de Geologia e Ciências Planetárias da Brigham Young University, participou do processo de descobrimento do maior rio extraterrestre do qual temos conhecimento.

A Dra. Radebaugh, SUD de nascença, é formada em Física e Astronomia pela BYU, com Mestrado pela BYU e Doutorado pela Universidade do Arizona em Geologia e Ciências Planetárias, e desde 2006 integra o grupo de cientistas do Projeto Cassini pela NASA.

Em Setembro de 2012, cientistas do Projeto Cassini avistaram uma enorme formação ribeira em Titã, uma das luas de Saturno. O rio, que apresenta uma semelhança visual

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Movimento Rastafari e os Mórmons 2-3

Jamaica e o Início do Movimento Rastafari

Descoberta pelos espanhóis na época de Cristovão Colombo, a Jamaica foi colônia espanhola até a segunda metade do século XVII, quando passou para mãos inglesas. Sob o domínio britânico, esse território caribenho se transformou num grande exportador de açúcar. Assim como no Brasil, houve um grande uso da mão de obra de escravos vindos da África no cultivo da cana de açucar. Essa importação de escravos foi tanta, que a população negra passou a predominar na ilha.

Ainda antes da chegada dos ingleses, escravos que conseguiam fugir formavam assentamentos independentes equivalentes aos nossos quilombos. Esses escravos refugiados eram os “Maroons”. Símbolos de resistência contra a dominação europeia, os maroons sempre estiveram presentes no imaginário dos jamaicanos, com significado especial para os descendentes dos escravos, uma vez que a abolição da escravatura, ocorrida na década de 1830, não resultou no fim do sofrimento do povo negro.

Em 1914, após viajar por diversas partes da América e passar dois anos em Londres, o jamaicano Marcus Mosiah Garvey formou a Associação Universal para o Desenvolvimento do Negro (UNIA) que, entre outras coisas, lutava pelo desenvolvimento da África e a união dos afrodescendentes espalhados pelo mundo – entendidos como africanos em diáspora – em uma nação livre naquele continente.

Reza a lenda que, inicialmente, a mãe de Garvey quis dar-lhe o nome do meio de Moses (Moisés), explicando profeticamente: eu espero que ele seja como Moisés e conduza este povo.[1]O pai de Marcus Garvey tinha seu mesmo nome; era descendente dos maroons e tinha muito orgulho desse fato.[2] Continuar lendo

Movimento Rastafári e os Mórmons

Ao ler o excelente artigo do amigo Rolf Straubhaar no qual ele menciona ouvir Bob Marley desde o ventre, lembrei-me da adolescência, quando me questionava o porquê de várias canções de reggae usarem tantas expressões que eu só via nas escrituras. Babilônia era o termo mais recorrente; outras falavam sobre Sião, iniquidade, Leão da tribo de Judá. Aos poucos notava que existia algo religioso naquelas músicas.

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Quanto Ganha um Apóstolo Mórmon?

Primeira Presidência

Henry Eyring tenta ler o extrato bancário de Thomas Monson. Ele também quer saber…

Quanto Ganha um Apóstolo Mórmon?

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Santos dos Últimos Dias se orgulha de depender de um clero exclusivamente voluntário, não profissional e não remunerado.

Embora isso seja verdade em âmbito local e regional, onde as funções eclesiásticas são preenchidas por líderes voluntários, a estrutura administrativa da Igreja depende de um exército de profissionais e a liderança máxima da Igreja constitui claramente um clero remunerado.

Pergunte a qualquer Mórmon (i.e., SUD ou membro da Igreja), e ele invariavelmente rechaçará a afirmação de que o clero máximo da Igreja seja profissional e remunerado porque eles recebem apenas uma “ajuda de custo” para manter-se (afinal, ninguém se mantém com apenas 5 pães e 2 peixes por um ano inteiro). E este Mórmon não estaria errado, visto que essa é a posição oficial da Igreja, que afirma não pagar salários a seus líderes religiosos mas apenas “ajudas de custo”.

Será, contudo, essa afirmação uma explicação realmente adequada? Em realidade, quanto recebe da Igreja o Presidente da Igreja? Os Conselheiros da Primeira Presidência? Os Apóstolos? Os Setenta nas Presidência dos Setenta? Os Setenta do Primeiro Quórum?

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América Latina e a “perfeita liberdade religiosa”

Conferência Brasileira de Estudos Mórmons contará com a apresentação do Diretor Administrativo do Departamento de História da Igreja
Reid Neilson. (Mormon Channel)

Reid Neilson. (Mormon Channel)

Está confirmada a apresentação de Reid Neilson, Diretor Administrativo do Departamento de História da Igreja, sediado em Salt Lake. Por teleconferência, Reid Neilson falará sobre a viagem de Andrew Jenson à América Central e do Sul, em 1923, e sua influência sobre a Igreja sud à época. Imigrante dinamarquês, Andrew Jenson serviu como Historiador Assistente da Igreja.

Como missionário ou historiador, Jenson havia visitado partes da Ásia, Europa, Oriente Médio, Escandinávia e Sul do Pacífico. Sua viagem à América Latina aos 72 anos de idade, no entanto, teria implicações para o futuro início da obra missionária no continente. Além de estar interessado em possíveis localizações geográficas de eventos do Livro de Mórmon, Jenson coletou dados demográficos e linguísticos de 19 países, que foram depois apresentados à Primeira Presidência –  Heber J. Grant, Charles W. Penrose e Anthony W. Ivins. A eles, Jenson relatou com entusiasmo a “perfeita liberdade religiosa” de que desfrutavam os países centro e sul-americanos.
A apresentação do Dr. Neilson terá tradução simultânea ao português.
A IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons acontece no dia 19 de janeiro de 2013 (sábado) e tem entrada franca. Veja aqui a programação completa da Conferência.

Edições históricas do Livro de Mórmon

s-BOOK-OF-MORMON-largeO site Book of Mormon Online traz diversos recursos para os leitores do Livro de Mórmon em inglês, incluindo mapas, áudio e uma apresentação cronológica da narrativa. O maior mérito do site, porém, parece ser o de reunir em um só local diversas edições históricas do Livro de Mórmon em inglês, desde o manuscrito de 1828, com a caligrafia de Oliver Cowdery, até a edição sud de 1981.

Podem ser vistas também as três edições do Livro de Mórmon que passaram pelas mãos de Joseh Smith (em Palmyra, Kirtland e Nauvoo), as primeiras edições com divisão de capítulos (feita na cidade inglesa de Liverpool) e  de versículos (em Salt Lake) , bem como a primeira edição da Igreja Reorganizada (em Lamoni).

A edição mais recente incluída no site é de 2005, uma edição independente chamada Mormon’s Book que utiliza o texto sud de 1981 mas no formato original de parágrafos, tal como nas primeiras edições. Eu desconhecia tal edição e acho digno de nota que ela se insere numa recente tendência (ver, por exemplo, as edições de Grant Hardy e Daymon Smith¹) sentida por leitores do Livro de Mórmon de retomar a fluidez da narrativa original ao revisitar sua formatação original.

Nota

1 O antropólogo Daymon Smith participará da IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons, falando sobre a história cultural do Livro de Mórmon. Veja o programa da Conferência aqui.

Machismo no Mormonismo

Anotem a data: 16 de Dezembro de 2012 é dia das mulheres da Igreja SUD irem às reuniões dominicais vestindo calças!

A campanha ‘Vista Calças Para Sacramental’ foi organizada por um grupo de mulheres SUD ativas que, apesar de valorizar a Igreja em suas vidas, sente-se discriminadas dentro de uma cultura religiosa patriarcal:

Cremos que muito da inigualdade cultural, estrutural, e mesmo doutrinária que persiste na Igreja SUD hoje em dia advém da dependência de — e persistência em — modelos de genêro rígidos que não tem qualquer relação com a realidade.

Vista Calças Pra Sacramental

A opção de vestuária pode parecer uma questão absolutamente trivial e inconsequente, mas infelizmente ela é uma pequena amostra — a proverbial ponta do iceberg — do que é um assunto muito não-trivial e importante.

A Igreja SUD e a cultura Mórmon são, fundamentalmente, machistas.

Dizem que o primeiro passo para se mudar um problema é admitir sua existência. Continuar lendo

Maçonaria e Mórmons, Lojas e Templos, Morgan e Smith

Sobre o livro que revelaria segredos maçônicos, mas acabou revelando segredos mórmons.

Em 1827, David Cade Miller publicou um livro escrito por Willian Morgan que profundamente impactou o mormonismo para sempre e que documentou uma das grandes influências na formação mórmon para toda posteridade.

William Morgan nasceu no estado da Virginia, em 1774. Através de uma série de revézes da vida, Morgan acabou mudando-se em 1821 para Batavia, no estado de Nova Iorque, a menos de 100 km de Palmyra, junto com sua esposa então de 18 anos, Lucinda Pendleton Morgan.

William Morgan

William Morgan, cujo desaparecimento e suposto assassinato desencadeou um fervor anti-maçônico no século 19, e cuja viúva se tornou uma das primeiras esposas polígamas do Profeta Joseph Smith

Por causa de conflitos pessoais mal documentados, Morgan anunciou no começo de 1826 que havia escrito, e estava prestes a publicar, um livro expositório sobre os rituais maçônicos iniciais, incluindo os sinais, as palavras-chaves, e os apertos-de-mão secretos da fraternidade (famosamente) secreta da maçonaria.

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Abraão Faz 45 Anos

HipocéfaloNesta semana (dia 27) comemoramos o aniversário de 45 anos de quando o Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque devolveu para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias os papiros originais usados por Joseph Smith, jr., para produzir o Livro de Abraão.

Esse evento foi comemorado com grande antecipação e efusivos sentimentos de antecipação, esperança, e até uma sensação de validação. Por mais de um século, estes antigos documentos haviam sido dados como perdidos, e subitamente em 1967 não apenas haviam sido re-encontrados, mas haviam sido retornados à Igreja!

Contudo, tão logo passou a euforia e o regozijo inicial, recaiu sobre a Igreja o que apenas pode ser descrito como “desconforto” sobre o documento, levando a quase silêncio da instituição oficial, e a décadas de esforços intensos (e inúteis) de dúzias de apologistas.

Como houve bastante interesse em comentários passados, em outros posts, sobre discutir a importância desse achado arqueológico, eu acho que essa data importante é a perfeita oportunidade (desculpa) para abrirmos espaço para essa discussão. Segue abaixo apenas uma breve introdução ao tema.

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Parley P. Pratt: Profetas

Parley P. Pratt

O que é um profeta? O que torna alguém um profeta ou profetisa?

A seguinte citação do Apóstolo Parley P. Pratt, feita na sala celestial do templo de Nauvoo, extrapola a ideia de um profeta como um membro da hierarquia da Igreja de Jesus Cristodos Santos dosÚltimos Dias.

Um homem pode ser um profeta e vidente e não estar na igreja ou mesmo ser batizado; e o próprio Joseph era um profeta, vidente e revelador antes mesmo de ser batizado ou ter qualquer Sacerdócio.¹ Continuar lendo

A Nova História Mórmon

Quando a biografia de Joseph Smith Rough Stone Rolling (Pedra áspera tombando) foi publicado em 2005, havia alguns membros da Igreja nos EUA que pensaram: “é outro livro anti-mórmon.” Ficavam suspeitos por que o livro foi publicado por A. A. Knopf, uma editora não-Mórmon de New York City, e não por Deseret Book. Nem estava disponível no Deseret Book, pensaram. Também o autor, Richard Bushman, é professor de história na Universidade Columbia, de New York City. E quem já leu descrições do livro ficou sabendo que ele fala dos erros e falhas de Joseph Smith. Portanto, tem que ser um livro anti-mórmon, não é?

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Prepare-se para a IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons

Você já se agendou para a IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons? Ela acontece no dia 19 de janeiro de 2013, em São Paulo.

O tema da Conferência de 2013 será “A Relação entre Sede e Periferia na Igreja SUD”.

A Conferência é gratuita e aberta a todos os interessados. Continuar lendo

Livros da Conferência Geral

Como na primavera, tenho compilado uma lista dos livros e outros fontes citados nos discursos da conferência geral. Ao examinar essa lista, devemos notar que os oradores mais acadêmicos citam mais fontes em seus discursos. E quando esses oradores discutem um assunto que requer uma grande quantidade de fontes externas, a lista relatada aqui fica muito comprida. Durante esta conferência geral, três discursantes – o Élder Oaks, o Élder Christofferson e o Élder Cook – citaram muitas fontes externas, a uma taxa que supera qualquer taxa que eu tenha visto nos 5 anos em que compilo estas listas. Em geral, o número de obras citadas aumentou de 51 no ano passado e 62 na Primavera passada para 93 agora.

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