Abraão Faz 45 Anos

HipocéfaloNesta semana (dia 27) comemoramos o aniversário de 45 anos de quando o Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque devolveu para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias os papiros originais usados por Joseph Smith, jr., para produzir o Livro de Abraão.

Esse evento foi comemorado com grande antecipação e efusivos sentimentos de antecipação, esperança, e até uma sensação de validação. Por mais de um século, estes antigos documentos haviam sido dados como perdidos, e subitamente em 1967 não apenas haviam sido re-encontrados, mas haviam sido retornados à Igreja!

Contudo, tão logo passou a euforia e o regozijo inicial, recaiu sobre a Igreja o que apenas pode ser descrito como “desconforto” sobre o documento, levando a quase silêncio da instituição oficial, e a décadas de esforços intensos (e inúteis) de dúzias de apologistas.

Como houve bastante interesse em comentários passados, em outros posts, sobre discutir a importância desse achado arqueológico, eu acho que essa data importante é a perfeita oportunidade (desculpa) para abrirmos espaço para essa discussão. Segue abaixo apenas uma breve introdução ao tema.

Entre 1798 e 1801, o Primeiro Cônsul Francês Napoleão Bonaparte embarcou na Campanha do Mediterrâneo para estabelecer controle de interesses franceses em rotas de comércio. Durante essa campanha, as forças francesas invadiram (e destruíram) o império Mameluco que controlava o Egito, apenas para serem rechaçados subsequentemente pelos ingleses.

Apesar do enorme fracasso militar e comercial, a expedição teve a boa-aventura de um grande sucesso: Napoleão incluiu na campanha militar um gigantesco grupo de cientistas e acadêmicos (167 intelectuais) com o explícito mandato de espalhar princípios do Iluminismo (i.e., as sementes do que hoje chamamos de Ciência e Racionalismo) e para realizar investigações e experimentos.

O contato súbito e inicial com as ruínas do passado egípcio imediatamente fascinaram muitos destes intelectuais que, por sua vez, trouxeram esse fascínio para a Europa Continental (e, depois, para a Grã-Bretanha) e estudos, investigações, pilhagens, e comércio de relíquias floresceram durante quase todo o século XIX.

Esse fervor cultural alastrou-se para os Estados Unidos, e um período chamado de “Egitomania” espalhou-se como fogo por toda a cultura Norteamericana durante todo o século XIX, afetando todos os aspectos culturais: literatura, arquitetura, arte, e até a academia.

Entre 1818 e 1822, um dos centenas de escavadores e pilhadores no Egito chamado Antonio Lebolo encontrou várias múmias e papiros, entre outras relíquias, em Tebes, e consequentemente foram removidas para a Europa para comercialização. Onze destas múmias, com vários “livros” de papiro (em rolos), foram parar nas mãos de Michael Chandler na Cidade de Nova Iorque no começo dos anos 1830. Conhecedor do lucrativo mercado gerado pela “Egitomania” nos EUA, Chandler passou a viajar pelo país, expondo e vendendo as relíquias egípcias.

Durante o verão de 1835, Chandler transitou pelo estado de Ohio. Ouvindo rumores dos feitos de Joseph Smith, que teria aprendido a decifrar e traduzir os caracteres da escrita egípcia (até então, feito impossível fora de um restrito círculo de acadêmicos franceses, e largamente desconhecido pelo público em geral). Curioso para averiguar as habilidades de Smith, ou espertamente pronto para lucrar com a óbvia fascinação de Smith com o Egito Antigo, Chandler foi até Kirtland encontrar-se com o Profeta Mórmon.

O encontro foi frutífero para ambas partes. Smith imediatamente anunciou que os papiros eram documentos originalmente escritos, de próprio punho, por Abraão, além de José (bisneto de Abraão), e o terceiro era um conto sobre a Princesa Katumin. Considerando os achados arqueológicos como sagrados, Smith iniciou negociações com Chandler para compra-los deste, e angariando uma pequena fortuna entre amigos e membros (estimados entre 50 e 100 mil dólares atuais), a Igreja adquiriu 4 múmias e 4 papiros (3 rolos ou livros, e 1 hipocéfalo).

Joseph Smith passou a expor as múmias como fazia Chandler, cobrando modestos preços de admissão de curiosos e viajantes, porém mais importantemente, começou o processo de tradução pelo Livro de Abraão, usando Oliver Cowdery e William Phelps como escrivões. Smith montou um caderno de traduções, com decifração dos hieróglifos egípcios e anotações sobre as regras gramaticais e pronuncias, e durante vários meses, produziu o que hoje chamamos de Livro de Abraão. Nem o rolo de José, nem o rolo da Princesa Katumin, foram agraciados com tentativas ou esboços de tradução.

A Igreja publicou o Livro de Abraão em 1842, em forma seriada, no jornal oficial Times and Seasons, incluindo cópias das ilustrações (com explicações por Smith) e do Hipocéfalo (também com explicações de Smith), e subsequentemente no jornal oficial da Igreja na Europa Millennial Star 5 e 6 meses depois. Em 1878, a Igreja publicou o Livro de Abraão completo numa coletânea chamada ‘A Pérola de Grande Valor’, que dois anos depois foi canonizada como Escritura Sagrada no jubileu de 50 anos.

Enquanto isso, os papiros originais (junto com as múmias) haviam permanecido em posse da família Smith, que optou por permanecer em Nauvoo, Illinois, durante a migração para o Oeste. Em 1856, Emma Smith decidiu vender os artefatos egípcios para Abel Combs, que os vendeu para o Museu de Saint Louis. Este museu faliu, e vendeu o grosso de sua coleção para o Museu de Chicago, e este, havendo multiplicidade de peças egípcias, vendeu a coleção Smith para o Museu Wood, também localizado em Chicago.

Em Outubro de 1871, uma conflagração desconhecida iniciou um incêndio que destruiu uma enorme parte da cidade, matando 300 pessoas e deixando mais de 100 mil desabrigados (um terço da população total de Chicago). Entre os prédios afetados, o Museu Wood e, presumidamente com ele, a coleção Smith e os livros de Abraão e José.

Aparentemente, em 1878 Apóstolos Orson Pratt e Joseph F. Smith viajaram por Chicago na tentativa de averiguar a sobrevivência dos papiros após a destruição do Museu Wood, e caso positivo compra-los de volta, mas sem sucesso.

Papiros destruídos pelo fogo. Fim de história.

Fim?

Facsimile 1Em 1966, um professor da Universidade de Utah Aziz Atiya estava no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque fazendo pesquisa para um livro quando, fortuitamente, bateu os olhos num papiro comum com uma ilustração comum. Porém, esta ilustração continha uma alteração nada comum: o papiro estava colado numa folha de papel moderna, e faltando-lhe alguns pedaços no papiro original com falhas na ilustração, desenhos haviam sido completados no papel moderno! Atiya, que não era Mórmon mas que havia morado em Utah por décadas, chocou-se com uma percepção súbita: este era o papiro que Joseph Smith havia usado (e desenhado) para o seu Livro de Abraão!

Angustiado e surpreso com sua descoberta, Atiya vasculhou a pilha de documentos onde este papiro havia sido arquivado e a sorte lhe continuou a sorrir: não só encontrou mais fragmentos de papiros que haviam sido posse de Smith (incluindo as demais ilustrações usadas no Livro de Abraão), Atiya encontrou a carta escrita e assinada por Emma Smith para certificar que estes seriam os papiros usados por Joseph Smith!

Como os papiros foram parar no Museu de Nova Iorque foi, tanto quanto o achado em si, uma história interessante a se destrinchar. Para encurtar uma longa estória, parece que Abel Combs não vendeu *esses* documentos e *estas* múmias para o Museu de Saint Louis (mas outros papiros e outras múmias), e reteve os papiros de Joseph Smith consigo, deixando-os para a enfermeira que cuidou dele em seus últimos meses de vida. A filha (e neto) desse enfermeira venderam os artefatos ao museu em Nova Iorque após anos (décadas) de negociações.

As negociações e comunicações entre Atiya, a Primeira Presidência da Igreja, e os curadores do Museu, também tardaram, mas não duraram pouco mais de um ano, até que no dia 27 de Novembro de 1967 os papiros foram devolvidos para a Igreja.

Durante um pouco mais de um ano de negociações e conversas secretas confidenciais, algumas das Autoridades Gerais expressaram sentimentos de esperança e antecipação. Por exemplo, durante as negociações, N. Eldon Tanner da Primeira Presidência afirmou que a Igreja tinha enorme interesse nos papiros e que pagaria “qualquer preço” por eles.

A própria Primeira Presidência (David McKay, Hugh Brown, Eldon Tanner) escreveu:

Essa coleção é muito significante porque ela cria um elo distinto com a história inicial da Igreja e apoia completamente a asserção feita pelo Profeta Joseph Smith. Esses documentos importantes… serão valorizados e bem cuidados e ajudarão em pesquisas futuras e adicionar evidências à autenticidade da Pérola de Grande Valor.

Milton Hunter cita, ainda, N. Eldon Tanner regozijando que:

…o fato importante é que agora temos parte do manuscrito original do Livro de Abraão e que certamente comprova o fato de que Joseph Smith escreveu o Livro de Abraão de manuscritos em papiros antigos…

Contudo, não foi isso que ocorreu. Tão logo a Igreja recebeu os papiros, convocou acadêmicos e estudiosos (principalmente da BYU) para analisa-los, e o que se percebeu imediatamente e inequivocadamente foi que os documentos de onde Smith “traduziu” o Livro de Abraão simplesmente não dizem nada sobre Abraão, mas sim são textos funerários comuns. Ademais, as ilustrações foram reconstruídas de maneira equivocadas, completamente sem sentido, e os textos das ilustrações não correspondem em nada às descrições oferecidas por Smith.

Junte-se a isso o fato de que por um século críticos haviam previsto as lacunas nas ilustrações (corretamente) e que o alfabeto e o dicionário de Smith não correspondiam ao que acadêmicos haviam aprendido sobre egípcio antigo desde então (corretamente), e a Igreja viu-se na posição desconfortável de um achado histórico que desconfirma, ao invés de confirmar, afirmações históricas sobre o passado fundacional da Igreja. Inclusive, é muito possível que, movidos ainda pelo desdobramento negativo desse evento, as Autoridades Gerais tenham se esforçado tanto para comprar e esconder documentos históricos sensíveis de modo a se exporem excessivamente ao engodo de Mark Hoffman 15 anos depois.

No frigir dos ovos, a recuperação dos papiros não é hoje celebrada oficialmente. Talvez porque os papiros não apoiam a asserção de que Joseph Smith tenha encontrado, fortuitamente, escritos do profeta Abraão e corretamente traduzido-os no livro que hoje se encontra no cânone SUD oficial. Pelo contrário, os papiros demonstram que Smith “traduziu” o Livro de Abraão de um texto funerário 3000 anos mais novo que Abraão, sem quaisquer conhecimentos da língua ou cultura egípcias antiga.

Como lidar com essa constatação segue sendo um desafio para Mórmons modernos, e claramente, para a Igreja SUD. De qualquer modo, 45 anos atrás esta semana foi um marco importante na história, e para o futuro, da Igreja Mórmon.

Bibliografia

Larson, Stan. Quest for the Gold Plates: Thomas Stuart Ferguson’s Archaeological Search for The Book of Mormon. Freethinker Press, 2004.

Peterson, Donl. The Story of the Book of Abraham. Mummies, Manuscripts, and Mormonism. Deseret Book, 1995.

Peterson, Donl.  Antonio Lebolo: Excavator of the Book of Abraham, em BYU Studies, 1991.

Rhodes, Michael. The Hor Book of Breathings: A Translation and Commentary, Studies in the Book of Abraham. FARMS, 2002.

Ritner, Robert. The Joseph Smith Egyptian Papyri: A Complete Edition. Signature Books, 2012.

90 comentários sobre “Abraão Faz 45 Anos

  1. Marcelo, hoje eu vejo algumas pessoas “estimulando” os membros a lerem tal livro como “um conto”; “uma linda história que foi escrita a partir de “inspiraçao” de Joseph ao olhar para tais escritos”. Hoje sabemos largamente comprovados, que essa “traduçao” nada mais foi do uma estória da, inquestionavelmente fértil, cabeça de Joseph. Ótima matéria. Espero agora os comentários dos irmaos!!!

    • Geninho, eu não diria assim. Porque não podia essa estória ser revelada a Joseph Smith? Concordo que não é tradução dos papíros mesmos. Mas ainda assim, será que vamos perder algo em tratá-lo como revelação? Vamos pular tão facilmente para dizer que é apenas “uma estória da cabeça de Joseph?” Porque?

      • Kent, e “uma estória da cabeça de Joseph” não pode ser uma forma de revelação? Para ser tratado como sagrado ou inspirado, um texto precisa necessariamente ser históricamente válido?

      • Interessante, Marcello Jun.

        Concordo contigo. Com certeza é muito mais fácil aceitarmos e nos apegarmos com aquilo que é historicamente ou cientificamente comprovado. Somente para problematizar: porventura não pode haver ficção inspirada?

      • Marcello :
        Eu não tenho nenhuma duvida de que o Livro de Abraao é verdadeiro.
        Ele é simplesmente fascinante, não caberia na cabeça de Joseph Smith assim como todo o resto da “historia” desse Evangelho.
        Eu confesso que as vezes eu preciso sair do centro da questão do mormonismo e recorrer a outros ensinamentos que recebí, para que possa entender tão bem essa situação mas não é preciso muito esforço (pelo menos da minha parte) para entender que Joseph Smith foi realmente um “Profeta” .
        Se ele “montou’ esse Evangelho, simplesmente ficou uma montagem linda, digna de oscar e best seller, mas não foi assim.
        Eu penso que o “mormonismo” não é para pessoas que buscam o “racionalismo convencional” pois esse contraria facillmente a doutrina todos os dias, mas ele sobrevive.
        Por que será ?
        Por que será que o “mundo” exige que tudo seja “convencional” ?
        Jesus Cristo se enquadra nesse padrão mundano do convencional ?
        Hoje em dia eu entendo porque os livros de Pedro e Tomé não estão na Biblia, a mesma é convencional demais para os dois. Vou soprar aqui até o de Maria Madalena, quem se arriscaria ?
        Falando em convencional, eu estou esperando seu comantario no post “Eu sou um pouco do meu avô”.
        até mais, até logo, felicidades.

      • Marcos, vc é muito inteligente, pegou uma coisa no ar.
        O que é um Profeta ?
        Em todas as citaçoes da Igreja Joseph Smith é reconhecido como Profeta, vidente e revelador.
        Então, veja bem, a palavra Profeta não foi suficiente para definir Joseph Smith, senão bastava dizer:
        Joseph Smith é um Profeta e pronto.
        A parte do Livro de Abraao requeriu mais da parte “vidente e revelador”.
        Quando se fala a palavra “vidente” para alguém, logo vem a imprtessão de um mediun espirita ou algo parecido, um adivinhador etc.
        Vc me sugeriu em outro comentario que se deve abandonar as praticas do passado quando se está seguindo o Evangelho de Cristo.
        Eu respeito sua opinião, só que pra mim, varias ideias concebidas a mim no passado me ajudam muito a compreender esse mesmo Evangelho e o proprio Joseph Smith.
        Joseph Smith tinha um grande dom, isso pra mim está claro e inegavel; ele seria classificado pelos espiritas (e o é) como um grande mediun que trouxe a luz revelaçoes preciosissimas, grandes perolas, perolas essas que infelizmente eu estou vendo muitos mormons até de berço joga-las aos porcos, o que é lamentavel.
        Pra te explicar esse parenteses, eu te digo apenas o seguinte:
        Joseph Smith foi ainda mais do que a palavra “Profeta” pode definir.
        Voce está a fim de ouvir o resto da definição ou já basta pra vc ?
        abraço.

      • Porque Chandler não tinha nenhum interesse religioso em buscar um “profeta”, mas apenas interesse comercial em explorar o interesse de Smith em documentos antigos. Chandler provavelmente não acreditava que Smith fosse um profeta de verdade, ou nem que pudesse ser um, de tal modo que jamais explorou Mormonismo nem mesmo por curiosidade. Para ele, Smith era um possível alvo financeiro com cunhos religiosos, nada mais.

      • Kent, entendo a questao, entao porque o próprio profeta nao usou esse termo (revelaçao) em seu diário? Voce é conhecedor que durante o período em questao o próprio Joseph usava o termo TRADUÇAO (qdo escrevia em seu diário, e por mais de uma vez ele escreveu isso).

        A grande pergunta é pq? pq nao tratou o assunto como uma revelaçao desde o início?
        pq a igreja esperou os papíros reaparecerem para cogitar outras possibilidades? e a maior de todas elas, pq o próprio Joseph nao foi claro, transparente e honesto o bastante em dizer que nao era uma traduçao e sim uma (usando seu termo) revelaçao do Senhor?

        Eu hoje tenho uma posiçao qto ao assunto e a igreja que vivi por mais de 20 anos. Tudo foi sim criado pela cabeça de Joseph, o LM até hoje nao tem a mínima sustentabilidade no mundo real (povos, escrita, achados etc), o Livro de Abraao, depois de desvendada tao bem a história nunca foi uma TRADUÇAO e com isso o profeta tem seu legado mais que questionado.

    • É muito fácil aceitar que Joseph não traduziu nada e que os estudiosos estiveram sempre certos. Mas, E SE Joseph traduziu corretamente, e TODAS as traduções feitas pelos estudiosos até hoje estiverem erradas?…

      • Mas isso não é justamente a estória da mãe que vê o filho marchando fora de compasso e conclama que ele é o único a marchar correto, e todos os demais estão sincronizados mas errados?

        Acontece que as traduções (como você escreveu, “TODAS as traduções”) feitas pelos estudiosos seguem regras claras e evidentes de lógica e racionalidade. Além de serem coerentes com as análises arqueológicas, antropológicas, culturais, históricas, e científicas.

        Você esta familiarizado com o têrmo “Navalha de Occam”?

      • “Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor”
        — William de Ockham

        Nem sempre meus caros William e Marcello Jun…
        Você disse:
        “as traduções feitas pelos estudiosos seguem regras claras e evidentes de lógica e racionalidade. Além de serem coerentes com as análises arqueológicas, antropológicas, culturais, históricas, e científicas.”

        Meu amigo, a própria história mundial e filosófica e regada de idas e vindas do que é do que não é racional, lógico e natural, a guerra de Razão-Lógica versus Natureza-Sentidos não foi minada nem pelas belas sínteses de Kant, assim como você me perguntou sobre a Navalha de Occam eu lhe pergunto se você conhece o Método de Hegel…

      • Adriano, você óbviamente não entendeu a Navalha de Occam.

        Explicado da maneira mais simples, ela postula que ceteris paribus (i.e., todos os outros fatores sendo iguais ou equivalentes), de todas as hipóteses a mais provável é a que depende de menos variáveis e menos desconhecíveis.

        A citação da natureza mutável (e progressiva) do conhecimento humano é usualmente utilizada por ignorantes que desconhecem o inexorável fato de que o avanço nunca elimina o prévio, mas constrói sobre ele, e nunca retorna a períodos de ignorância e trevas.

        Aqui você explicitamente espera que se creia que, num futuro vindouro, todo o conhecimento acumulado em história, arqueologia, linguística, biologia, astronomia, e antropologia esteja quase 100% equivocado e que suposições de 200-300 anos atrás sejam validados. Em todas estas áreas de conhecimento. Concomitantemente. Você pode até acreditar nisso, e depositar sua fé e esperança nisso, mas não espere que essa postura seja vista como racional ou lógica. E, por favor, não invista dinheiro nisso!

        Trazer Hegel para essa conversa é simplesmente ridículo! Seria o mesmo se trouxéssemos Lamarck para um simpósio de biólogos, ou Copérnico para um de Astrofísicos.

      • Para Hegel somente o que é real resiste ao tempo, mentiras, probabilidades, especulações, deduções são deixadas para trás a medida que a história segue seu curso. A história primitiva dos egípicios já era um mistério para eles mesmos. Muito se perdeu e muito pouco se sabe e apenas um vidente tem o poder de trazer luz a verdades há muito tempo esquecidas.

        Em tempo, vou lhe contar uma pequena historinha:
        Niels Bohr certa vez pendurou uma ferradura na porta de sua casa. Um dia um amigo seu foi visitá-lo e exclamou: “Quer dizer que VOCÊ acredita NESSAS COISAS?!”, Bohr respondeu: “É claro que não!… Mas me disseram que apeasr disso a coisa funciona mesmo…”

      • Nossa, Adriano! A sua falta de conhecimento e/ou compreensão de Física Quântica básica, ou mesmo a história da evolução da Física Quântica na primeira metade do século XX, é estarrecedora. Não fosse assim, você teria percebido que a citação de Bohr não tem absolutamente nada a ver com a discussão em pauta!

        Primeiro, a citação é disputada, e provavelmente nunca foi dita. Mas eu acho que é em caráter, e ele poderia ter dito isso.

        Segundo, Bohr e sua escola de Copenhagen mudaram completamente todos os paradigmas de Ciência (e realidade, e epistemologia, e cosmologia, etc.) nos 20 anos mais intelectualmente acelerados da história da humanidade! Muitos físicos e cientistas na época, inclusive o maior deles (Albert Einstein) tinham dificuldades para acompanhar — e aceitar — essas mudanças. O próprio Bohr, assim como a maioria dos maiores físicos quânticos da época, admitiam que sequer eles compreendiam plenamente os modelos teóricos que estavam construindo.

        Terceiro, os conceitos mais relevantes — e mais revolucionários — de Bohr e a Escola de Copenhagen provaram-se empírica, cientifica, e racionalmente corretos.

        Quarto, nenhum desses conceitos ignorou ou desconsiderou ou destruiu as descobertas e os conhecimentos regentes até então. Simplesmente os consumiu e os suplantou!

        Sendo assim, a evocação de Niel Bohr e Física Quântica demonstra o quanto o seu modelo fantasioso esta errado.

        Ademais, Georg Hegel estava errado. Suas contribuições foram muito importantes, sem dúvida nenhuma, mas ele já esta ultrapassado… há uns 150 anos.

      • “A citação de Bohr não tem absolutamente nada a ver com a discussão em pauta!Sendo assim, a evocação de Niel Bohr e Física Quântica demonstra o quanto o seu modelo fantasioso esta errado.”

        Sobre a história de Bohr:
        Pouquissímo importa se foi ou não verossímil, a história de Bohr é apenas uma forma de dizer que até mesmo os homens mais racionais, lógicos, geniais, possuem o BOM SENSO de não desmerecer uma possível realidade ou verdade daquilo que não podem comprovar empiricamente.

    • E só você conhece essa tradução e só você tem acesso a ela?

      Porque nenhum historiador, SUD e não SUD, encontrou até hoje nenhum sinal ou evidência de que ele houvesse realizado essa tradução. Que dirá encontrado a própria tradução!

      • “só você conhece essa tradução e só você tem acesso a ela?”

        Quem me dera Marcello…
        Mas eis aqui a fonte:
        “Néfi menciona as profecias de José, registradas nas placas de Labão, e conclui que “E não há muitas profecias MAIORES do que as que ele escreveu.” (2ºNéfi 4:2). Mas onde se encontram as profecias de José? Por que não se encontram no Antigo Testamento.
        O registro de Abraão, traduzido pelo Profeta, foi subsequente publicado, e agora é conhecido como o Livro de Abraão, na Perola de Grande Valor. Atradução do Livro de José, entretanto, AINDA não foi publicada. EVIDENTEMENTE O PROFETA TRADUZIU ESSE REGISTRO,mas talvez ainda não tenha sido publicado, porque as grandes profecias ali contidas eram ‘grandes demais’ para o povo desta época.”
        (Ludlow, A Companion to Your Study of Book of Mormon, pp.130-31.)

        E concluo dizendo:
        TOLO É O PROFETA QUE NÃO DEIXOU UM LEGADO ESCRITO.

      • Hahahahahahaha! Eu não sabia que o Daniel Ludlow era mentiroso!!!

        Nenhum historiador SUD e não-SUD, nenhum documento, nenhum testemunho de nenhuma Autoridade Geral, nenhuma anotação nos diários de Joseph Smith ou de quaisquer de seus secretários ou escrivões, ou qualquer outro artefato histórico, sugere que Smith tenha “traduzido” o Livro de José.

        Ludlow simplesmente inventou essa estória e ele não tem nem um dado concreto, nem nenhuma especulação, de que não esteja mentindo.

        Hilário! Adorei.

      • Posso até sentir o gosto da sua ironia…

        Você disse: “nenhum testemunho de nenhuma Autoridade Geral…”

        Acontece que a citação acima foi retirada de um manual simplório da Igreja: O Manual do Aluno do Instituto de Religião do Livro de Mórmon, eu ACHO que a Primeira Presidência deva ter autorizado isso em algum momento… pois o manual está aí há décadas… e lembre: Só o que é real resiste ao tempo.

        Abraços Marcellinho Pão & Vinho (ou Água se prefirir… rsrsrsrs) 😉

      • Na verdade, isso é uma falácia comum entre SUDs, especialmente no Brasil, que são largamente ignorantes de como a Igreja funciona como uma corporação.

        Manuais, a despeito do que muita gente crê, são escritos e publicados através de comitês enormes e burocráticos, e recebem supervisão apenas cursória dos (poucos) Apóstolos designados para cubrir aqueles manuais para aquele ano. Manuais da Igreja não são 1) doutrinários, 2) canônicos, 3) acadêmicos, e 4) criteriosos.

        Ache-me, por favor, uma citação de um único líder da Igreja, ou testemunha ocular, escrito ou proferido antes de 1870 que testifique que Joseph Smith traduziu o Livro de José. Ache-me um único líder ou historiador ou faxineiro que tenha testificado, entre 1835 e 2013, ter visto e/ou lido e/ou achado o manuscrito da tradução do Livro de José no famoso Cofre da Primeira Presidência.

      • “Isso é uma falácia comum entre SUDs, especialmente no Brasil, que são largamente ignorantes de como a Igreja funciona como uma corporação.”

        Concordo. É um grande Reino Corporativo! Porém guiado e dirigido por meio de Ordem e Revelação.

        “Ache-me, por favor, uma citação de um único líder da Igreja…”
        Não posso, pois não conheço. Porém creio por meio de uma fé que a razão não pode explicar nem tomar de mim, e prego a favor dela tão veementemente, quanto aqueles que pregam o oposto desta crença.

        Abraços! 😉

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