Dança dos Apóstolos

Primeira PresidênciaDança dos Apóstolos – Sucessão Apostólica na Igreja Mórmon

Agora que 2012 esta chegando ao fim, 2013 cresce no horizonte.

É costume nos finais de ano repensar o ano que passou, nas costumeiras “retrospectivas”.

Também é comum especular o que nos aguarda no ano vindouro, nas infames “previsões”.

Hoje eu gostaria de especular sobre quem será chamado como o novo Apóstolo em 2013.


QUEM SAI?

Simplesmente não é possível prever o futuro, mas certamente pode-se fazer algumas previsões baseado no que parece mais provável. Para um grupo geriátrico, os 15 Apóstolos gozam de boa saúde, e o que é mais importante, excelente cuidado médico e um estilo de vida rico, acessível a talvez 0,5 ou 1% de toda população mundial.

Não obstante, há alguns deles que já apresentam problemas de saúde e idade bem avançada, e os maiores candidatos para serem substituídos em 2013 são (apresentados em ordem de senioridade nos quórums):

1) Thomas Spencer Monson (85 anos)

Jovem, relativamente falando para o Presidente da Igreja, e com moderada boa saúde, porém diz-se que apresenta estágios iniciais — mais progressivos — de demência senil e/ou Alzheimer. Boa chance.

2) Boyd Kenneth Packer (88 anos)

Idoso e frágil, porém com uma vontade de aço de se tornar Presidente da Igreja. Média chance.

3) Lowell Tom Perry (90 anos)

Idoso e frágil. O mais provável a partir, até mesmo em 2013.

4) Russell Marion Nelson (88 anos)

Idoso, embora saudável. Boa chance.

5) Dallin Harris Oaks (80 anos)

Idoso, porém não muito, e com boa saúde. Média chance.

6) Melvin Russell Ballard, jr. (84 anos)

Idoso, mas com boa saúde. Média chance.

7) Richard Gordon Scott (84 anos)

Idoso, mas com boa saúde. Média chance.

8) Robert Dean Hales (80 anos)

Idoso, mas não muito, e com boa saúde. Média chance.

9) Jeffrey Roy Holland (72 anos)

Relativamente jovem, gozando de boa saúde. Baixa chance.

10) Henry Bennion Eyring (79 anos)

Idoso, mas com excelente saúde. Baixa chance.

11) Dieter Friedrich Uchtdorf (72 anos)

Relativamente jovem, gozando de boa saúde. Baixa chance.

12) David Allan Bednar (60 anos)

Jovem, gozando de boa saúde. Baixíssima chance.

13) Quentin LaMar Cook (72 anos)

Relativamente jovem, gozando de boa saúde. Baixa chance.

14) David Todd Christofferson (67 anos)

Jovem, gozando de boa saúde. Baixíssima chance.

15) Neil Linden Andersen (61 anos)

Jovem, gozando de boa saúde. Baixíssima chance.

Baseado no quadro acima, vemos que entre 3 a 6 trocas nos dois quorums são possíveis nos próximos 2 a 5 anos, talvez 8 trocas nos próximos 4 a 6 anos. Muito provavelmente, a próxima década será uma de grandes mudanças na liderança da Igreja; a mais movimentada nos últimos 40 anos.

O que não é nada surpreendente, dado que a liderança da Igreja vem progressivamente ficando mais velha nos últimos 100 anos!

2013 pode ser um ano tumultuoso, nesse sentido. O mais provável é que vejamos uma troca apenas, mas não seria surpreendente ou absurdo se elas viessem em rápida sequência, com 2 a 4 mudanças entre 2013 e 2014, com uma ou duas mudanças na Primeira Presidência inteira!

QUEM ENTRA?

Quando Jonathan Golden Kimball foi chamado em 1892 para servir como Autoridade Geral na Presidência dos Setentas, ele disse:

“Algumas pessoas dizem que um indivíduo recebe um chamado na Igreja através de revelação, e outros dizem que recebem através de inspiração, mas eu digo que eles recebem seus chamados através de relação. Se eu não fosse aparentado de [meu pai] Heber C. Kimball, eu não seria porra nenhuma nesta Igreja.”

O historiador Michael Quinn demonstrou detalhada e exaustivamente que a maioria dos chamados de Autoridades Gerais, especialmente nos primeiros 150 anos da Igreja, ocorreu dentro de uma crescente rede de parentes, seja consanguíneos, seja por casamento. Com o crescimento da Igreja para além da fechada comunidade inter-montanhosa, muito do que se valorizava entre relações de parentesco passou, naturalmente, a acontecer em esferas de conhecimento: elos e contatos formados em relações de trabalho, especialmente entre as muitas empresas e corporações dentro da tenda maior da Igreja.

Sendo assim, vejamos se há rastros históricos recentes que possamos averiguar como possíveis pistas para tendências passadas e futuras:

I. Dos últimos 5 chamados para Apóstolos, nos últimos 15 anos, apenas 1 não servia na Presidência dos Setenta (ou Apóstolos-Assistentes), e este 1 não servia como Autoridade Geral (mas trabalhava para o SEI).

II. Dos últimos 10 chamados para Apóstolos, nos últimos 25 anos, apenas 3 não serviam na Presidência dos Setenta (ou Apóstolos-Assistentes), e destes 1 não servia como Autoridade Geral (mas trabalhava para o SEI).

III. Dos últimos 22 chamados para Apóstolos, nos últimos 50 anos, apenas 7 não serviam na Presidência dos Setenta (ou Apóstolos-Assistentes), e destes 4 não serviam como Autoridades Gerais (destes, apenas 2 não tinham trabalhado para o SEI, mas um era médico pessoal do Presidente da Igreja e o outro trabalhava para a Igreja junto com 2 Apóstolos).

Assim sendo, nota-se claramente que há uma ascendência óbvia, ou carreira por assim dizer, a ser cumprida como o caminho mais comum. Dos 22 últimos Apóstolos nos últimos 50 anos, 15 (70%) haviam subido na carreira de Autoridades Gerais até Apóstolo-Assistente (até 1976, quando Spencer Kimball eliminou o cargo) ou Presidente dos Setenta (após 1976, quando Spencer Kimball organizou o Primeiro Quorum dos Setenta). Do restante, 3 (12%) serviam como Autoridades Gerais no Primeiro Quorum, e apenas 4 (18%) ascenderam pulando todas as outras etapas — sendo apenas 1 (4%) nos últimos 28 anos. Mesmo assim, todos estes poucos “saltadores” trabalhavam para a Igreja, seja oficialmente (no Sistema Educacional da Igreja — SEI), seja para uma publicadora da Igreja (i.e., Deseret News) junto com 2 Apóstolos, ou como sendo médico particular do Presidente da Igreja.

Com isso em mente, as apostas mais óbvias seriam nas Autoridades Gerais (de carreira, isto é, no Primeiro Quorum), e as ainda mais certeiras incluiriam um dos 7 membros da Presidência dos Setenta (embora membros do Bispado Presidente não sejam más apostas).

Portanto, anotemos esses nomes para futura referência (em ordem baseado nos meus palpites completamente subjetivos). Quando vierem os chamados, voltemos todos aqui para averiguar as taxas de acertos. E vamos fazer um “bolão” na seção de comentários para os “chutes” de vocês!

1) Craig Cloward Christensen (56 anos)

Mais novo dos “candidatos”, fala espanhol fluente, jogou futebol americano na BYU e é contador com um MBA. Na frente pela idade e carisma.

2) Walter Fermín González Núñez (60 anos)

Não-Americano e hispânico, o segundo mais jovem do grupo, além de ex-SEI! Eu o conheço pessoalmente, e não há SUD mais gente fina! Leva vantagem demográfica, já que a Igreja precisa muito quebrar a impressão de regionalismo e americanismo, além da falta de diversidade racial.

3) Tad Richards Callister (66 anos)

Neto do Apóstolo LeGrand Richards. Advogado da California com títulos da BYU, NYU, e UCLA. Leva vantagem no currículo (eles podem perder um advogado de peso entre os 15, e podem precisar repo-lo) e ainda leva muita vantagem no parentesco, mas perde pontos pela idade.

4) Donald Larry Hallstrom (63 anos)

Jovem, economista da BYU, com longa carreira de trabalho em empresas de fins-lucrativos da Igreja! Se abrirem 2 ou 3 vagas em rápida sucessão, é provável que uma vá para Hallstrom. Compreensão dos interesses financeiros e comerciais da Igreja é seu ponto mais forte.

5) Ronald Anderson Rasband (61 anos)

Jovem, com boa educação, excelente currículo empresarial e fortes contatos com a família Huntsman.

6) Lyndon Whitney Clayton III (62 anos)

Fala espanhol fluente, é jovem, com excelente educação (advogado) e currículo empresarial.

7) Richard John Maynes (62 anos)

Fala espanhol fluente, é jovem, com excelente educação e currículo empresarial.

Claro que há a possibilidade de que chamem uma das outras Autoridades Gerais, ou mesmo alguém que nunca serviu como Autoridade Geral. Estatisticamente, e a história recente, não sugerem isso como uma tendência, mas não esta fora das possibilidades reais.

De qualquer modo, esse é apenas um exercício especulativo. Pessoalmente, eu preferiria que estivesse completamente errado, e que convocassem pessoas de fora do círculo fechado, para que trouxesse ao grupo ideias e perspectivas novas, e fugisse um pouco da mentalidade de grupo que é comum em grandes corporações e quaisquer agremiações de pessoas com perfis tão similares.

Os desafios para as próximas décadas não são pequenos, e eu gostaria de ver isso levado em consideração muito mais que carreira religiosa, familiaridade, ou parentesco.

98 comentários sobre “Dança dos Apóstolos

  1. Durante a escola secundária, eu fiz um análise semelhante dos membros do Politburo da URSS, buscando saber quem seria o próximo líder da União Soviética. Depois de meu professor de Latim perguntar o que era, expliquei, e imediatamente ela exclamou “Que mórbida!”

    Pode ser. Mas creio que também é muito interessante, enquanto não o levamos muito a sério. Somente o Senhor sabe sobre esses assuntos mórbidos [Sorriso!!]

    Mas, como acho engraçado, dexie-me opinar um pouco.

    Na verdade, acho a saúde do Élder Packer muito mal, e parece-me que ele vai morrer bem antes do Pres. Monson (mas talvéz depois do Élder Perry). Quanto aos outros, acho sua análise mais ou menos certa. Veremos.

    • Concordo. Não obstante, eu aprendi a nunca subestimar o poder da vontade e da obstinação do Boyd Packer! 😉

      Realisticamente falando, a ordem deve ser Perry, Packer, Nelson, Monson.

      E é inteiramente possível que o Monson dure bastante tempo ainda, mas com funções cognitivas comprometidas — o que trará um cenário interessante novamente após muito tempo: Se Monson ficar mentalmente incapacitado, o que farão os demais? Mante-lo-ão como uma figura decorativa, como fizeram com o Kimball e com o Benson (e a sua alusão ao poliburo fica ainda mais apta!)? Ou tentarão um “golpe de estado”, como tentaram com o Fielding Smith e o Lee?

      • Eu sei lá o que farão nesse caso. E, é possível que nem vamos saber (pelo menos não no momento)!

    • A igreja segue os mesmos principios do antigo testamento, o membro mais velho é que assume a responsabilidade de responder e orientar seus membros no que condizem com as verdades.

      • Maria, no Antigo Testamento lemos sobre um “membro mais novo” enganando um “membro mais velho” para assumir a liderança espiritual do chamado “povo de Deus”. Lemos, também, de “membros mais velhos” vendendo para escravidão um “membro mais novo” que havia sido designado por revelação como líder espiritual no lugar dos “membros mais velhos”. Esses seriam os “mesmos princípios do Antigo Testamento” ao qual você faz alusão?

  2. Será que o Cláudio Costa não entra em uma vaga? Terceiro mais velho no quórum dos 70, ex SEI, e boa pinta brasileiro. Acho que chega lá.

    • Eu tenho a impressão — inteiramente pessoal, subjetiva, e baseada em nenhum dado concreto ou racional — que o Cláudio Costa não tem o élan vital que eles gostam para juntar-se aos Doze. Ademais, se o crescimento da Igreja no Brasil fosse bom, justificar-se-ia a inclusão de um Apóstolo brasileiro, mas como a Igreja não anda tão bem por aqui, ele entra na “corrida” sem essa “vantagem”.

      • Marcello,

        realmente o Cáudio R. M. Costa tem como aspecto negativo o fato de a Igreja não vir crescendo “assustadoramente” aqui no Brasil. Por outro lado este mesmo aspecto eu acredito que possa ajudá-lo, porque ele foi desobrigado da Presidência dos 70 para ser o presidente da Área Brasil, e em minha opinião, tal fato se deu em razão da extrema confiança que a Primeira Presidência e o próprio Quórum dos 12 têm nele. Vale lembrar ainda a carreira dele no SEI em São Paulo e que o mesmo foi o primeiro presidente da Missão Manaus no início dos anos 1990.

        Além de tudo isso, o Cláudio Costa tem a seu favor o fato de ser conhecido por um grande número de membros brasileiros, não de agora, mas de no mínimo 15 à 20 anos atrás desde o seu chamado para o quórum dos 70.

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