Machismo no Mormonismo

Anotem a data: 16 de Dezembro de 2012 é dia das mulheres da Igreja SUD irem às reuniões dominicais vestindo calças!

A campanha ‘Vista Calças Para Sacramental’ foi organizada por um grupo de mulheres SUD ativas que, apesar de valorizar a Igreja em suas vidas, sente-se discriminadas dentro de uma cultura religiosa patriarcal:

Cremos que muito da inigualdade cultural, estrutural, e mesmo doutrinária que persiste na Igreja SUD hoje em dia advém da dependência de — e persistência em — modelos de genêro rígidos que não tem qualquer relação com a realidade.

Vista Calças Pra Sacramental

A opção de vestuária pode parecer uma questão absolutamente trivial e inconsequente, mas infelizmente ela é uma pequena amostra — a proverbial ponta do iceberg — do que é um assunto muito não-trivial e importante.

A Igreja SUD e a cultura Mórmon são, fundamentalmente, machistas.

Dizem que o primeiro passo para se mudar um problema é admitir sua existência.

Algum tempo atrás, num fórum de discussão online para Mórmons, eu mencionei o assunto de poligamia e como essa instituição social impacta negativamente mulheres, quando eu recebi um email com a acusação mais estúpida ridícula que eu já li contra sobre mim: eu sou machista por me opor à poligamia! O raciocínio e a lógica deste jovem SUD chega a ser tão distorcida pela cultura patriarcal onde se insere que, pra ele, é machismo esperar que mulheres tenham os mesmos direitos sociais e culturais que os homens!

Eu imagino que seja muito difícil para a maioria dos Mórmons, especialmente para os homens, compreender o quão machista a cultura Mórmon é, e portanto, gostaria de demonstrar com alguns casos específicos. Eu já sei que alguns reclamarão que os exemplos são apenas anedotas pontuais, como que as exceções à regra. Fosse esse o caso, jamais me ocorreria de acusar (ou de me queixar) dessa atitude machista endêmica, compreendendo que qualquer agremiação de pessoas trará consigo alguns indivíduos que resistem as características básicas do grupo.

Não. Esses exemplos que seguem servem apenas para ilustrar um contexto maior, e ao meu ver, negativo. Ademais, gostaria de levantar uma breve introdução ao contexto histórico e cultural Mórmon para demonstrar, ou ao menos sugerir, que a raíz do problema é, de verdade, institucional e que, possívelmente, só pode ser resolvido institucionalmente.

Nos “Padrões”

Em Fevereiro de 2012, uma aluna da BYU (universidade oficial da Igreja SUD) estudava na biblioteca da faculdade quando recebeu um bilhete de um colega estudante desconhecido. O bilhete continha uma forte reprimenda para a aluna, queixando-se que “[as roupas] que [ela] vestia tinham um efeito negativo nos homens… ao seu redor” e exortava-a a pensar no bem estar emocional e espiritual dos demais alunos Mórmons da BYU. [1][1a]

A jovem aluna Mórmon, além de postar uma foto do bilhete, publicou uma foto de si mesma com as roupas que tanto escandalizaram o jovem estudante Mórmon:

Assim ela não deixa nada para a imaginação!

Assim ela não deixa nada para a imaginação!

Vamos ignorar aqui a completa falta de educação de uma pessoa se julgar na “autoridade” de comentar, gratuitamente, sobre a espiritualidade de outra. Ou de um homem criticar a roupa de uma mulher desconhecida. Duas coisas chamam a atenção imediata nesse episódio: 1) O jovem estudante acredita que é responsabilidade da jovem aluna, baseado em como se veste, os sentimentos que afloram nele — e em demais homens; 2) O jovem estudante acredita que a qualidade pessoal (espiritual, emocional, etc.) da jovem aluna esta intrinsicamente ligada às roupas que ela veste.

Goste ou não do rótulo, o jovem SUD exibiu uma atitude indubitavelmente machista. À mulher não cabe a responsabilidade sobre os sentimentos ou pensamentos de um homem; à ele recai tal responsabilidade, e imputa-la às mulheres é impor-lhes um fardo absurdo e injusto. Igualmente, o caráter de uma mulher não depende de suas roupas, assim como a qualidade de um livro não depende de sua capa.

Contudo, o mais preocupante nessa postura é a objetificação da mulher, que leva a modular como se trata uma pessoa baseado em seus atributos físicos, sua aparência, seu corpo.

Certamente, essa atitude problemática não é exclusividade Mórmon. Há algum tempo atrás, a Secretária de Estado Hillary Clinton — a segunda pessoa com maior autoridade no alto escalão da diplomacia Norte-Americana, atrás apenas do Presidente dos Estados Unidos — se irritou durante uma entrevista no Quirguistão, quando questionada sobre suas preferências de roupas, e retrucou:

Você teria me feito essa mesma pergunta se eu fosse um homem? [2]

E essa é justamente a melhor ferramenta para se determinar se uma atitude é machista ou não: ela teria sido tomada da mesma maneira caso a outra pessoa fosse um homem, ao invés de uma mulher?

Em Maio de 2012, uma mãe de Tooele, Utah, recebeu uma ligação da administração da escola avisando-a para vir buscar sua filha de 14 anos, que havia sido suspensa por “estar vestida de maneira inapropriada para um ambiente escolar”. Ela havia sido suspensa pelo diretor da escola por estar “indecente”. [3]

Contudo, a mãe coincidentemente portava uma câmera digital e registrou o vestuário da filha ainda na escola:

Se lá em casa as roupas fossem todas assim, acabariam-se todos os dramas!

Se lá em casa as roupas fossem todas assim, acabariam-se todos os dramas!

Novamente, um diretor escolar (supostamente Mórmon) enxergou uma jovem (neste caso, uma aluna menor de idade) apenas por seus atributos físicos — um metafórico pedaço de carne — e esta lente simplesmente deturpou sua visão dela como Ser Humano de tal maneira a lhe “autorizar” a humilha-la publicamente de maneira completamente desproporcional, desmedida, e irracional.

Contudo, a objetificação da Mulher não é restrito apenas a homens, da mesma maneira que machismo não é domínio exclusivo deles.

Há alguns meses atrás, circularam-se fotos pela internet de “dicas” para bonecas Barbie® que, para incentivar modéstia e decência em meninas, estariam pintadas para “cobrir sua nudez” com marcações curiosamente similares aos da Investidura (i.e., Garments)! [4]

Será que vão lançar essa versão da boneca nas lojas da Deseret?

Será que vão lançar essa versão da boneca nas lojas da Deseret?

A sexualização precoce de crianças é, sem sombras de dúvida, um problema, tanto cultural para a sociedade em geral, como psicológica para cada menina individualmente. Danças com passinhos eróticos ou programas de novela e televisão com temas sexuais ou adultos podem causar distorções de comportamento e problemas para uma vida inteira quando gravadas em mentes jovens e permeáveis. Não obstante, a obsessão com o tema de sexualidade para crianças e pré-adolescentes, mesmo que para “indoutrina-las” para o oposto, é igualmente danoso e pelos mesmos motivos: encurta-se um período infantil de desenvolvimento neuro-psico-cognitivo para saltar para outro período, sem as ferramentas psico-emocionais adequadas.

A objetificação da Mulher, focando acima de tudo na sua aparência física, seja por homens colegas, homens líderes, ou mesmo mulheres adultas em posição de liderança (i.e., mães, professoras, etc.) despersonaliza a Mulher, e a expõe e relega a situação inferiorizada na sociedade. Mulheres são muito mais que apenas as roupas que vestem ou como as vestem, e devem ser valorizadas baseado no conjunto agregado de suas personalidades, seus valores pessoais, suas inteligências e habilidades, e nas suas capacidades como seres humanos.

Nos “Padrões” Institucionais

O problema da objetificação da Mulher não é nem recente, nem incomum, e ele é reforçado e incentivado pela complacência institucional.

No ano passado, um docente da BYU começou a proibir alunas de fazer provas se estivessem vestindo jeans de um corte específico (o tipo skinny). No mesmo ano, uma estória infantil inteiramente bizarra publicada na revista oficial da Igreja ‘Friend’, e ainda disponível do site oficial da Igreja, lauda uma mãe que ensina a uma menina de 4 anos que um vestidinho sem mangas é “imoral”. Recentemente, uma colunista para o jornal oficial da Igreja ‘Deseret News’ opinou que o ideal para mulheres é casar-se cedo e entupir sua casa de filhos com o argumento absurdo de que o mundo “apresenta escolhas demais” e, ao casar-se e ter filhos, a mulher “limita suas escolhas” de vida e isso é bom porque, com menos opções, ela terá menos “ansiedade… altas expectativas… e depressão”. E, não contente em indoutrinar as jovens e as mulheres de que elas sejam culpadas e responsáveis pelos impulsos sexuais dos homens, a revista oficial da Igreja ‘Ensign’ chega a extremos de dessacrar pinturas clássicas para reforçar esta mentalidade.

Pelo menos a Dona Cecília Gimenez fez sucesso mundial e aumentou a arrecadação financeira da igreja dela!

Ao menos a Dona Cecília Gimenez fez sucesso mundial e aumentou a arrecadação financeira da igreja dela!

Mas nada se compara às expressões proferidas dos púlpitos máximos do Mormonismo. Em plena Conferência Geral, a Presidente Geral da Sociedade de Socorro Julie Beck deu um discurso tão machista (reforçando esteriótipos de que uma boa mulher é aquela que casa-se, limpa a casa, e tem muitos filhos) que desencadeou uma onda de protestos de várias mulheres (e homens) SUD.  Na década de 1970, um dos Bispos Presidentes Vaughn Featherstone defendeu em Conferência Geral um Bispo que, como conselho espiritual para uma adolescente cheia de problemas psicológicos e de auto-estima (lembrando: tratava-se de uma adolescente!), ofereceu esta pérola: “você esta gorda demais, e precisa perder peso!” [5][6][7][8][9][10]

Para mim, pessoalmente, a atitude se ilustra perfeitamente em um evento específico da minha vida. Em 14 de Novembro de 1996, eu tomei um ônibus junto com toda a minha Ala e viajamos 2 horas para ouvir o Presidente da Igreja Gordon Hinckley no Estádio Cícero Pompeu de Toledo. Com uma audiência de dezenas de milhares de membros, muitos dos quais viajaram horas, como nós, para vê-lo, Hinckley admoestou os Brasileiros sobre como viver uma vida Cristã plena. Entre os seus conselhos, uma mensagem clara para as mulheres: casem-se cedo, tenham filhos cedo, abandonem quaisquer carreiras profissionais e dediquem-se à carreira de dona-de-casa.

Na viagem de volta, tive uma conversa longa com uma de minhas melhores amigas na época sobre justamente isso. Ironicamente, ela não se dava conta do quanto ela era o exemplo de vida real perfeito de que Hinckley estava errado. Jovem e com dois filhos pequenos, ela era muito mais inteligente, capaz, e determinada que seu marido, mas viviam sempre com problemas financeiros porque ela não “podia” ter uma carreira e “devia” ter mais filhos, mais cedo do que eram financeiramente capazes de suportar.

Contexto Histórico

A história do Mormonismo é, inteiramente, escrita sobre um patriarcado machista. Com raras exceções, os grandes eventos, as grande decisões, e os grandes personagens do Mormonismo involvem exclusivamente homens.

Pode-se dizer o mesmo da história do mundo. Até o século XX, a humanidade havia sido, via de regra, dominada por homens que subjulgavam as mulheres. De modo geral, a tradição judaica tratava mulheres como propriedade e pessoas de valor secundário (ver Bíblia Hebraica ou “Velho Testamento” inteira), e a tradição Cristã tratava mulheres como subordinadas e menos relevantes (I Co 11:3-5, Ef 5:22, I Tm 2:5-14, II Tm 2:8-15). O mundo Ocidental do século XIX, onde o Mormonismo nasceu, havia progredido pouco, e portanto ele encaixava-se dentro de seu contexto cultural fiel e normalmente (resquícios misóginos persistem no Cristianismo até hoje). [11]

Não obstante, a Igreja passou a distanciar-se do resto da sociedade autóctona. Joseph Smith introduziu poligamia, visto como uma prática barbárica por quase todo o mundo Cristão e, junto com poligamia, vieram todos os problemas sócio-culturais comuns para comunidades poligâmicas: pobreza, isolacionismo, solidão, violência, dependência, e abusos. [12]

Alguns apologistas ignorantemente apontam o pioneirismo do sufrágio feminino (i.e., legalizar o direito a votar para mulheres) em Utah como sinal do quanto a Igreja era “progressista” e não machista. Nada poderia estar mais longe da verdade. Nesta época de intensas batalhas legais para criminalizar a poligamia, Anti-Mórmons pressionavam pelo sufrágio feminino em Utah na esperança de que as mulheres, oprimidas, passariam a se defender eleitoralmente do julgo patriarcal. A Igreja (ou melhor, os líderes homens da Igreja), por sua vez, desesperada para conseguir a legalização — ou impedir a criminalização — da poligamia, enxergou no sufrágio feminino uma oportunidade para passar uma imagem nacional diferente daquela retrógrada e bárbarie enraízada no inconsciente público. [13]

Abandonando a poligamia em 1904, a Igreja passou a gozar novamente de uma posição “normal” relativo a sociedade em geral no que diz respeito ao tratamento de mulheres, especialmente com os sucessos dos movimentos para sufrágio feminino no início do século XX. Contudo, essa harmonia começou a erodir com a migração das mulheres para o mercado de trabalho com os adventos da II Guerra Mundial (1939-1945) e a Segunda Onda Feminista (1960-1980) e a insistência da Igreja em proibir o uso de contraceptivos e desencorajar a profissionalização das mulheres. Novamente, a Igreja encontrava-se na posição desconfortável de se ver tratando suas mulheres de maneira menos justa, menos equânime, e menos iluminada que a sociedade autóctona.

A situação piorou muito, antes de melhorar! Em 1972, no meio do furor da Segunda Onda Feminista, o Congresso Americano passou uma Emenda Constitucional simples, mas poderosa:

Igualdade de Direitos, sob a Lei, jamais será negada ou limitada pelos Estados Unidos, ou por qualquer Estado, por base do sexo.

Uma frase que poderia, deveria, para sempre proibir a discriminação contra mulheres. Para ratificar uma emenda constitucional nos EUA, necessita-se aprovação por 38 dos 50 estados, e até 1979, data-limite, apenas 35 haviam ratificado. O Congresso Federal mobilizou-se e extendeu a data limite para 1982, e eis que a Igreja entra em ação, e mobilizando centenas (milhares?) de membros-voluntários e dezenas (centenas) de milhares de dólares para derrotar a emenda constitucional que proibiria a discriminação de mulheres. [14][15][16][17][18]

Durante as décadas de 1980 e 1990, a Igreja entrincheirou-se mais ainda contra o que ela (novamente, falamos da liderança masculina) percebia como “os males do avanço do mundo moderno” e a “desintegração da família”. Após enorme pressão, tanto externa como interna, a Igreja mudou na década de 1970 sua política sobre o uso de contraceptivos, e até alterou o desenho dos Garments sagrados para um corte mais “feminino”. Mas esta concessões apenas reforçam a intensidade quanto ao foco redobrado na insistência da não profissionalização das mulheres (com aumento nos temas “donas de casa” e “rainhas do lar”), na obsessão quase maníaca em “padrões” de vestuário e rídiculas regras sobre até quantos brincos se pode ter. [19][20][21][22]

A Igreja passou, então, a vigiar e excomungar acadêmicos que exploravam temas feministas e teológicos, em especial discussões sobre a Mãe Celestial, chegando um Apóstolo a enumerar Feministas como um dos três grandes adversários da Igreja. [23][24][25][26][27]

Desde sua fundação, a Igreja SUD é controlada e gerida por uma liderança exclusivamente masculina, diferentemente do movimento Cristão no primeiro século EC (i.e., “igreja primitiva”) que contava com Apóstolas e Diáconas e Profetisas. Até hoje, nenhuma mulher exerce função de liderança na Igreja, e as parsas posições administrativas (i.e., nas auxiliares) não gozam de independência gerencial ou financeira. [28][29][30]

Para o Futuro

Não obstante todos os problemas, há (discretos) sinais de melhoras. Há pouco mais de três décadas, mulheres voltaram a discursar em Conferências Gerais e a poder orar e discursar em reuniões sacramentais. Como mencionado acima, houve mudanças na liberação do uso de contraceptivos e no corte das roupas íntimas obrigatórias para mulheres. Talvez mais importantemente, em 1990 o ritual do Templo — sacramento máximo da Igreja SUD — foi alterado e o juramento de “ser submissa ao seu marido em todas as coisas” foi substituído por um juramento mais suave, brando, e menos imperial (embora ainda machista). [31][32][33]

Enquanto isso, o mundo avança também e, felizmente, mais rápido e mais progressista que a Igreja.

Outra igreja Mórmon, a Comunidade de Cristo, passou a ordenar mulheres ao Sacerdócio em 1984, contando com Apóstolas e até uma Conselheira na Primeira Presidência. [34]

Felizmente, campanhas mundiais demandando respeito a mulheres vem se proliferando no nosso mundo interconectado pela internet. No Canada, por exemplo, campanhas de conscientização contra estupro voltadas para homens, ao invés de focar no comportamento das mulheres, demonstra avanço no pensamento de que a responsabilidade repouso sobre o estuprador, e não a vítima! No Brasil, o movimento ainda é nascente, mas promete crescimento — e conscientização. Nos Estados Unidos, apesar da morte da Emenda Constitucional, a Lei Lilly Ledbetter assinada pelo Presidente Barack Obama (com oposição do mentiroso profissional candidato Mórmon Mitt Romney) proíbe discriminação financeira contra mulheres. No Brasil, lei similar é discutida no Congresso Nacional. [35][36][37][38][39]

De modo geral, a sociedade Ocidental caminha avante (a passos lentos) para maior igualdade entre os gêneros, e a Igreja também caminha (a passos muito mais lentos), embora sempre dependendo de pressão externa, e mais importantemente, interna. Nenhuma das mudanças mencionadas acima ocorreu sem forte persistência e pressão das mulheres SUD sobre os líderes homens, e talvez parte da letargia entre os homens venha da falta de pressão (interesse? foco? conhecimento?) por parte das mulheres Mórmons.

Vestindo Calças

A campanha ‘Vista Calças Para Sacramental’ já esta causando comoção e controvérsia, o que é excelente para iniciar-se um diálogo sobre um problema que, usualmente, passa desapercebido por muita gente, especialmente por homens. [40][41][42]

A campanha não é sobre que roupas mulheres podem vestir aos Domingos, mas sim sobre o fato de que essa decisão deve ser exclusividade delas, e de cada uma delas. A campanha também é sobre o quanto o corpo delas é de propriedade exclusiva delas, e de como nós homens pensamos nelas é de responsabilidade exclusiva nossa. E, finalmente, a campanha é sobre quão importante as mulheres são para a Igreja, e não apenas como mães e esposas, mas como suas opiniões, suas habilidades, e sua liderança podem e devem ser valorizadas — inclusive com Sacerdócio e lideranças (OK, essa última interpretação é minha, e não das organizadoras da campanha).

Homens também podem participar da campanha desse próximo Domingo:

… vestindo uma camisa, ou gratava, ou meias, ou mesmo um laço, na cor roxa, sendo roxo a cor históricamente associado com o movimento para o sufrágio [de mulheres].

Pessoalmente, eu recomendaria manter posições públicas clara a favor da ordenação da mulheres ao Sacerdócio e o fim da objetificação do corpo feminino, e afins, mas por enquanto, roupas roxas seriam um bom começo.

Gary Oldman, Feminista Mórmon?

Gary Oldman, Feminista Mórmon?

NOTAS E LINKS

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77 comentários sobre “Machismo no Mormonismo

  1. Gostei dessa nova postura do irmão em relação às mulheres e às suas vestimentas. Realmente, confinar as irmãs em roupas femininas quando muitas delas não se sentem muito a vontade para isso e até gostariam de se vestirem como querem, é machismo.

    Sendo assim, nós, as Testemunhas dos Deuses Santos, seguindo o modelo e posição do irmão, também nos adequaremos e deixaremos essa questão como uma das questões pessoal, que a própria irmã deva decidir. Não haverá machismo entre nós com respeito a estas picuinhas de outrora, leis que foram inventadas por líderes religionistas insanos.

    Apóstolo TDS

  2. bobeira…a igreja SUD nao é a única que pede que as mulheres usem saia na igreja.Há muitas outras que impõem que as mulheres usem saia 24 horas por dia ! Totalmente sem sentido essa questão.

    • Como salientado pelo Jun, a obssessão com normas de vestuário é apenas a ponta desse iceberg de exclusão. Reflete na nossa forma de enxergarmos as mulheres e, mesmo, em nossa teologia – ao relegar a Mãe Celestial ao posto de “divindade de segunda classe”.

  3. Este assunto é bem oportuno. Há muitas questões machistas na Igreja, assim como na maioria das igrejas cristãs. Concordo plenamente com as colocações, as quais sempre questionei. O que falta nas mulheres é coragem para uma atitude mais dinâmica de enfrentamento perante estas questões.

    • Boa, irmã Fátima. Tenho dito sempre: coragem cristã – é disso que todos nós precisamos. Parabéns, estou contigo nesta.

  4. É um assunto complicado de se entender e estabelecer uma origem ou um motivo para tal comportamento. Diante de assuntos como este a melhor escolha é ser inteligente.

    • Vou ser totalmente egoísta em minha colocação: considero a melhor escolha aquela que beneficie exclusivamente a mim e a minha família. Ademais, ainda prefiro não fazer lutas de direitos, quero viver minha vida, ser feliz como eu achar melhor e depois o Senhor, e só o Senhor, que me julgue.

  5. A atitude do jovem da BYU que mandou o bilhete para a menina falando de sua vestimenta é reprovável e a igreja não ensina que seja feito esse tipo de atitude.

    As regras de vestimenta da escola de Tooele, Utah, não são de autoria de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, portanto a atitude do diretor não pode ser associada ao mormonismo ou tampouco à Igreja SUD.

    Não existe nenhuma orientação de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, no sentido de incentivar que os membros da igreja pintem as bonecas de seus filhos com garments, sendo assim esta atitude não representa o pensamento de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

    Quanto aos padrões de vestimenta de todos (homens e mulheres), eu penso que seja melhor menos regras e mais bom senso.

    A atitude do docente da BYU não encontra respaldo nas diretrizes gerais da BYU quanto à vestimenta e recato, haja vista não estar previsto que as calças jeans tipo “skinny” sejam desaconselhado para o uso no campus.

    Qual o problema de um bispo aconselhar uma jovem com excesso de peso a emagrecer?
    Obesidade é uma doença. O conselho dele vai ao encontro da palavra de sabedoria.

    Quanto à mensagem do Presidente Hinckley, não sei ao certo se ele passou da maneira que você diz, mas é verdade que a Igreja acredita que a responsabilidade maior da mulher é cuidar de seus filhos e do lar com a ajuda do homem. Se você acha que é machismo é uma opinião individual sua, conheço várias pessoas que não consideram esse pensamento como machista e que seria um preconceito pré-julgar essas pessoas como machistas sem conhecê-las. Mas que fique claro que é uma orientação e não uma regra ou mandamento, haja vista que em vários lares SUD (principalmente brasileiros) as mulheres SUD ajudam na renda familiar, quando não são a principal mantenedora do lar.

    Jun diz: “…a Presidente Geral da Sociedade de Socorro Julie Beck deu um discurso tão machista…”. Novamente a qualificação de machista deixo para cada um julgar, não vou comentar o discurso, recomendo que leiam o discurso e tirem suas próprias conclusões, mas adianto que o discurso segue o entendimento citado acima “que a responsabilidade maior da mulher é cuidar de seus filhos e do lar com a ajuda do homem”. Se é machismo ou não pondere você mesmo antes de aceitar a opinião dos outros como verdade absoluta.

    Quanto à questão de ter filhos muito cedo, prefiro acreditar que tudo vem no tempo certo, como diz Eclesiastes 3:2 “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou”. Na minha estaca a regra é clara: “A decisão de quando ter filhos é exclusivamente do casal.”

    No que tange à ordenação feminina, muitos teólogos entendem que não há base bíblica para tal ordenação. (http://noticias.gospelprime.com.br/ordenacao-feminina-antonio-gilberto/)

    O que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina é que os homens devem amar suas esposas e que cada lágrima que elas derramarem por nossa causa, nosso Pai celestial nos cobrará.

    • Rafael, a atitude de esquivar pontualmente em distinções semânticas não só é ridícula como infantil.

      Se você tivesse lido o texto do artigo com atenção, teria se dado conta que em nenhum momento atribui-se atitudes de indivíduos à Igreja SUD. Não obstante, a própria quantidade, frequência, e consistência dessas atitudes sugerem um contexto cultural compartilhado para qualquer observador adulto. Alia-se à essa constatação o fato de gatilhos sociais para esses tipos de atitudes aparecerem, não filtradas ou editadas, repetidas vezes em publicações oficiais da Igreja, e ainda os fatos históricos passados (poligamia) e presente (exclusão de liderança) na postura oficial da Igreja, e qualquer observador neutro com um mínimo de maturidade e integridade intelectual perceberia que há um problema de misoginia na cultura Mórmon e que parte deste emana da instituição em si.

      A sua qualificação do meu relato do discurso do Gordon Hinckley é, além de ofensivo (por questionar a minha honestidade ao relator a estória — para a qual eu tenho anotações contemporâneas, diga-se) é imbecil (por ser contradito por você mesmo na frase seguinte, por estar plenamente contextualizada por outras inúmeras citações de Hinckley, e pelo fato de haver 10 ou 20 mil outras testemunhas presentes)! Além disso, patético e desnecessário, visto que em nada ajuda a sua (fraca) argumentação. A posição de Hinckley era essa, e esta posição é obviamente machista, e não há choro nem vela que você traga à mesa que possa mudar isso.

      Finalmente, a sua colocação de que “muitos teólogos entendem que não há base bíblica para [ordenação feminina]” é um argumento inútil e ignorante. Inútil porque “muitos teólogos” podem ser encontrados defendendo “base bíblica” para qualquer coisa: escravidão, violência doméstica, trinitarianismo, arianismo, criacionismo de Terra jovem, Terra-planismo, etc. Ignorante porque, bem, ignora o fato de que a própria Bíblia menciona Apóstolas, Diáconas, Profetisas, Missionárias, etc.

      • Essa é uma questão muito cara para mim. Cresci na igreja e pude perceber, enquanto crescia, a posição subalterna dada às mulheres, tanto na organização da igreja quanto na sua importância na sociedade. Pior: tudo isso sob o pretexto de que “as mulheres são muito especiais e, portanto, precisam ser protegidas”, ideia que reforça o quanto somos frágeis e incapazes. Ainda pior, vinha de uma família sem a figura paterna, com uma “mãe solteira” o que já não nos dava o status de família pregado pela igreja. Não me esqueço de uma ocasião, em uma atividade para as moças, com o objetivo de ensinar regras de etiqueta e falar sobre padrões de vestimenta, em que a “palestrante” disse que as moças não deveriam usar calcinhas pequenas porque elas marcariam na roupa e fariam os rapazes terem “maus” pensamentos. Ergui minha mão e perguntei: Mas o que ele está fazendo olhando para a minha bunda? Não seria mais correto se ele fosse ensinado a controlar tais pensamentos? A resposta que me deram foi que “homens são assim” e que eu ainda não entendia…………Em outra situação, quando estava comemorando minha aprovação para um curso da área de Humanidades em uma boa universidade pública, me alertaram sobre os perigos de ser levada à apostasia em um ambiente assim (curso de Humanas em uma universidade pública)……….rs.
        Na verdade, acho que a IJCSUD tem muitos pontos positivos e, em muitos aspectos, foi boa para mim enquanto crescia. Mas hoje não posso coadunar com uma fé que diz que eu não posso questionar líderes ou doutrinas. Olho para a história da igreja e enxergo vários absurdos, não é possível que eu faça cara de paisagem e aja como se eu concordasse. O pior, os membros não aceitam que existam outros que questionem algumas posições assumidas pela igreja. Considero que, hoje, sou mais madura e, caso sinta a necessidade de me filiar a alguma denominação, é possível (bem possível) que eu não concorde com tudo, mas que esteja lá para me sentir espiritualmente fortalecida. Não sei se isso seria possível, pois não posso estar em um lugar que discrimina as pessoas ou nos impede de pensar e não suporto a ideia de que meus filhos sejam pessoas assim e que usem como justifica “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”. Essa frase até me arrepia, pois demonstra a arrogância e a crença de superioridade sobre outras pessoas ou grupos que vivam de forma diferente.

    • Eu sou membro SUD há exatamente 15 anos, sou Missionario Retornado e atualmente sou Presidente do Quorum em minha Ala.
      Confesso que sempre tive muitos questionamentos sobre pontos de doutrina e cultura mórmon, onde muitos desses questionamentos nunca me foram esclarecidos. Esse Site tem me ajudado bastante com muitas coisas, mas até agora não consegui saber se os criadores desse site são SUDs ativos, ex-SUDs ou opositores ao mormonismo.
      Alguém pode me responder isso?

      Obrigado.

      • Obrigado, Marcelo.

        Essas informações lhe devem esclarecer melhor as coisas.

        Não que isso seja importante ou relevante (até porque, para nós, o que importa é a qualidade das idéias e dos argumentos, e nunca as personalidades por trás delas), mas aqui não há (e nem encorajamos) nenhuma publicação explicitamante “opositor[a] ao [M]ormonismo”. Tampouco apologética. A nossa proposta é justamente estimular o debate, a investigação, e a pesquisa. Opositores e apologistas já tem suas conclusões definidas e intransigentes e, portanto, não oferecem nada que seja intelectualmente estimulante.

  6. O fato de as mulheres não poderem ter o sacerdócio na Igreja SUD é uma demonstração cabal de machismo. E o pior é o tom paternalista e condescendente usado pelos membros homens (e até comprado e repetido por muitas mulheres) do tipo: “As mulheres já são espiritualizadas e ‘bem especiais’, logo não precisam do sacerdócio”, “As mulheres já tem uma missão: serem mães”, “As mulheres não querem o sacerdócio” etc.

    Agora pergunto: o fato de ser mãe (e até avó) impede a Dilma de ser presidente? O fato de ser ‘bem especial’ desqualifica a Martha Suplicy para ser senadora e ministra?

    E pergunto também: o fato de ser pai (inclusive existem pais solteiros) impede algum homem de liderar no trabalho ou numa igreja?

    E por que as mulheres podem trabalhar fora (inclusive sendo chefes, diretoras, deputadas, senadoras, prefeitas, governadoras, ministras, presidentes), mas na Igreja elas não podem sequer ter a autoridade de um marmanjinho de doze anos que distribui o sacramento?

    Na Igreja Mórmon, mulher só pode liderar outras mulheres (presidente da Soc Soc, Moças) ou crianças (Primária). Mulher não pode liderar homens, não pode ser presidente de estaca, “bispa” (ou episcopisa), pois por questões anatômicas só homem pode dar ordens a outros homens.

    Claro que algumas mulheres não querem nem fazem questão de liderar. Mas tomar essa decisão por elas é machismo puro. Afinal, elas não são maturas o bastante para agir e decidir por si mesmas, são frágeis e precisam ser “protegidas”, tadinhas… É o mesmo discurso de certos escravocratas, que diziam que os negros não estavam “preparados” para a abolição e até preferiam continuar na senzala. (Embora fosse o caso de alguns, isso não era pretexto para continuar com a escravidão para todos.)

    Além do mais, MUITOS homens também não querem liderar, mas sofrem pressão para isso na Igreja SUD, pois tem “deveres” do sacerdócio. (Por motivos puramente anatômicos.)

    Quem diz que a Igreja SUD não é machista está simplesmente tentando tapar o sol com a peneira.

    E usar saia é só mais um lembrete de que as mulheres devem se resignar a seu “devido” lugar de fêmeas, e não ousar aspirar a direitos iguais.

    • O mais incrível para mim é o fato das mulheres sud possuírem o sacerdócio e não saberem disso. Na organização da Sociedade de Socorro, Joseph Smith prometeu que aquele grupo receberia chaves do sacerdócio. A promessa foi cumprida com o ingresso das mulheres no Quórum dos Ungidos. Ele também fez questão de esclarecer que não havia nenhuma impropriedade na bênção ministrada por uma mulher, pela imposição de mãos.

      Na investidura, a mulher recebe os símbolos, palavras-chave e vestimentas do sacerdócio e ministra a outras mulheres pela mesma autoridade do sacerdócio. Nas segundas unções, ela se torna uma rainha e sacerdotisa sobre a Casa de Israel.

      “As irmãs era também apostólicas num sentido sacerdotal. Elas partilhavam do sacerdócio em igualdade com os homens. Elas também “possuíam as chaves da ministração de anjos” (…) A mulher também em breve se torna sumo-sacerdotisa e Profetisa. Ela o era oficialmente. ( …) O espírito de um sacerdócio patriarcal naturalmente fez dela uma adjuntora apostólica para o homem. Se não a víssemos no púlpito ensinando a congregação, ela estava no templo, administrando para vivos e mortos! Mesmo nos santos dos santos ela era encontrada. Como uma sumo-sacerdotisa, ela abençoava com a imposição de mãos! Como uma profetiza, ela era um oráculo em lugares santos! Como uma administradora da investidura, ele era uma maçom, da ordem hebraica, cujo Grão-Mestre é o Deus de Israel e aquele que a unge é o Espírito Santo. Ela possuía as chaves da ministração de anjos e dos “selamentos” pertencentes aos “céus e à terra.” (Eliza R. Snow, citada em Women of Mormondon, p. 22-23)

      Desnecessário dizer que com o passar do tempo, as mulheres foram convencidas de que não possuíam o sacerdócio e não tinham autoridade para ministrar bênçãos; e o sacerdócio aarônico passou a ser um “programa” de desenvolvimento pessoal para pré-adolescentes; e o sacerdócio de Melquisedeque, algo que qualifica um homem a ocupar cargos administrativos na igreja; e o sacerdócio patriarcal deixou de existir até mesmo na teoria.

      O sacerdócio foi deturpado de alto a baixo e se esqueceu para que ele serve.

      • Excelente contribuição, Antônio.

        No Domingo passado eu comentava com alguns parentes que são membros da Igreja, sobre essa questão do Sacerdócio ser possuído pelas mulheres, na época de Joseph Smith. Claro que foi de uma maneira sutil, porque eles ainda pensam como grande parte dos membros, que o Sacerdócio é exclusividade dos homens. Então, eu mostrei a eles algumas palavras de Joseph Smith sobre a irmãs da Sociedade de Socorrro daquela época, que abençoavam e curavam doentes pela imposição de mãos. É muito significativa esta parte do livro “Ensinamentos do Profeta Joseph Smith” porque o próprio Joseph acreditava que Deus havia concedido este dom às irmãs da Sociedade de Socorro.

      • Antônio, eu acho que você levantou uma questão importante sobre o uso do Sacerdócio na época de Joseph Smith.

        Antes de discorrer sobre o assunto, eu gostaria de dividir o Sacerdócio em duas partes, por motivos didáticos: 1) Sacerdócio Carismático, e 2) Sacerdócio Administrativo.

        Enquanto Smith realmente encorajou o compartilhamento do #1 com mulheres, ele nunca havia realmente dividido o #2 com elas. Quando a Sarah Cleveland e sua costureira decidiram montar, completamente independentemente, uma associação feminina de caridade, Smith as trouxe para debaixo de sua supervisão e controle oficial. Enquanto lhes entregou o #1, fez questão absoluta de reter controle último do #2. Quando Emma Smith começou a usar a Sociedade de Socorro para coibir as operações clandestinas de promoção de Poligamia por Joseph Smith, este rapidamente assumiu controle e esvaziou-a de real autoridade.

        Da mesma maneira, Brigham Young exibiu manejo similar, autorizando-a maior autonomia quando lhe provia mais útil, e restringindo-a quando sentia que gozavam de poder ou liberdade demais.

        Vendo, então, a questão sob o prisma histórico, eu proporia que a disponibilidade atual do Sacerdócio Carismático seria, embora um passo avante (ou remotada de uma passo já dado no passado) do que temos hoje, insuficiente para estabelecer igualdade entre os sexos num sentido geral. Não enquanto não houver equiparação no Sacerdócio Administrativo, como ocorre hoje na Comunidade de Cristo.

      • Acredito que é justamente o precedente histórico do uso “carismático” do sacerdócio pela mulher que que poderia tornar tal uso uma bela porta de entrada para uma conquista de espaço pela mulher sud contemporânea, inclusive o governo/administração da igreja. E ao exercer o sacerdócio, quem sabe, as mulheres poderiam salvá-lo e retomar seu significado!

        Ao começar pelo aspecto administrativo, será muito fácil colocar Julies Becks da vida para “representar” as mulheres.

      • so jesus cristo possui o sacerdocio de melquisedeque sigam a biblia ao inves de seguirem joseph smith

    • Irmão Antonio Trevisan, como sempre, só exprime sabedoria !
      Com esses fatos abordados pelo irmão e mais um monte de comentarios muito significativos no que tange a mudanças na igreja, eu concluo rapidamente que existe hoje um ABISMO entre a doutrina recebida e ensinada por Joseph Smith e o que nós temos hoje todos os domingos em nossas Capelas.
      Se Joseph Smith pudesse voltar “fisicamente” à Terra e asistir uma reunião dominical de “sua” Igreja, ele certamente ficaria espantado com certas coisas que ocorrem hoje, principalmente a confusão que se faz com recato e espiritualidade, com padroes e espiritualidade e principalmente com o “excesso de falacia e falta de ação”, principalmente no quesito “CARIDADE E AMOR AO PROXIMO”.
      É como se o fato de vestir uma saia comprida pudesse cobrir a falta de dignidade “espiritual” que certas irmãs tem, ou uma gravta pudesse adornar melhor certos corpos imundos espiritualmente, que paseiam pelos corredores da Igreja de Jesus Cristo, Esse então….se descesse agora à Terra….
      A Sociedade de “SOCORRO !!” deveria se preocupar mais em ajudar as irmãs carentes do que organizarem um “16 de dezembro das calças compridas”
      SOCORRO !!! ALGUÉM “TE” AJUDE !

      • Só para arrematar:
        onde se lê “saia comprida” pode-se ler também “calça comprida”, dá no mesmo.
        Aliás,essa turma tá parecendo vereador que só discute projeto de “nome de rua” e esquece das dificuldades do povo, lia-se “PROXIMO”, pra ficar mais espiritual…

      • Existe um certo toque de humor, Maurício, nesse convite para usar calças. Não se trata de uma bandeira em si (“usemos calças”). É como se um grupo de homens nos convidassem a ir à igreja sem gravata, como uma forma de expressar que nossa dignidade/espiritualidade não precisasse ser determinada por um código de vestuário.

      • Tá bom irmão, se é pra falar em humor la vai:
        Na porta da sala da Sociedade de Socorro da minha (?) Ala estava escrito na porta apenas os dizeres: “SOCORRO”.
        Ao terminar a aula da “Socorro”, o proximo entrar na sala sou eu com minha aula dos Principios.
        Um certo dia já passava das 10:05 e a aula do SOCORRO ainda não havia terminado.
        Não tive duvidas, em meio às risadas e bate-papos ainda em curso, mesmo após a oração de encerramento, entrei na sala falando em voz alta:
        – O que aconteceu ? Tem alguém passando mal ? Ta pegando fogo ?
        As irmãs, sem entender nada, disseram:
        – Não houve nada irmão, por que está falando isso ?
        – É porque na porta estava escrito um pedido de socorro, então não perdí tempo e entrei correndo, estão todas bem ?
        O povo caiu na risada e eu pude, finalmente começar minha aula, como sempre com uns dez minutos de atraso.

      • É claro irmão, não devemos levar esse assunto a extremos.
        Eu só elucidei alguns pontos escassos em nosso meio nos dias de hoje e que deveriam receber mais enfase afinal, somos a Igreja de Cristo ou não somos ?
        Voce assistiu o filme “Do outro lado do céu” ?
        Lembra da roupa do Bispo de Tonga em dia de reunião ?
        Acho que cada pais ou região deveria adotar as “vestimentas” que mais agradsssem a todos os santos dalí.

      • Maurício, certamente gastar tempo e dinheiro ajudando os pobres e necessitados é mais importante do que discutir regras de vestuário.

        Não obstante, você esta completamente se esquivando do assunto em questão. Por que há outros problemas no mundo não significa que machismo e misoginia não seja um problema real.

        Além do que, eu vou lhe dizer, gasta-se MUITO mais tempo discutindo vestuário nas reuniões da Igreja do que discutindo como ajudar os pobres e necessitados. E certamente gasta-se MUITO mais dinheiro na Igreja construindo shoppings e apoiando leis anti-gays do que ajudando os pobres e necessitados.

  7. Olá Jun,
    Este é um tema interessante e concordo com muitas coisas ditas. Somente teria um pouco de cuidado com a frase:
    “Igualmente, o caráter de uma mulher não depende de suas roupas”

    Basta por esta frase a prova numa entrevista de emprego para sabermos que não é bem assim. Apesar do caráter de alguém não se traduzir integralmente pelas roupas que usa, ele infelizmente ainda é assim avaliado em nosso mundo, mesmo porque nem sempre termos tempo suficiente para efetuarmos avaliações mais profundas. Como diz o ditado, “Você tem apenas uma chance de causar uma primeira boa impressão!”, depois do que são 2as, 3as impressões e talvez não mais tenha mais estas chances…

    Quando estudei um pouco de linguística e semi-ótica na USP aprendi que tudo está constantemente transmitindo mensagens, e estas mensagens são decodificadas diferentemente por indivíduos à nossa volta. Assim uma garota que sai com uma roupa mais sexy para a balada, apesar dela poder estar pensando apenas em transmitir algo como “Vejam como eu sou bonita!”, sua mensagem pode ser decodificada por alguns como “Hoje eu quero sexo!”, ou “Perigueti, ariranha…!”. Sim, a roupa, seus gestos e até a entoação de suas palavras transmitem um mensagem muito maior do que as suas palavras. E isto vale tanto para homens como mulheres. Jesus de Sirac, no século II AC escreveria:
    “As vestes de um homem, o seu sorriso, e seu modo de andar revelam quem ele é!” (Sirácida 29: 30)

    Vivemos numa sociedade ocidental extremamente orientada para o sexo, quer seja na pornografia gratuita na Internet, quer seja nas músicas ou nas novelas e filmes. Recentemente minha sobrinha de 7 anos foi ao médico por sentir uma pequena dor e incômodo nos seus mamilos. A resposta do médico foi surpreendente: “Seus hormônios foram ativados mais cedo e estão forçando o desenvolvimento precoce dos mamilos”, em resumo o médico aconselhou ela e a seus pais a dormirem mais cedo e não a deixar assistir a mais nenhuma novela, seu cérebro estava recebendo constantemente mensagens que foram decodificadas inconscientemente como “preciso amadurecer o quanto antes”. O médico não era mórmon nem tinha qualquer religião regular, mas sabia perfeitamente o que estava dizendo e indicou vários estudos onde mostrava o índice cada vez mais precoce da 1a menstruação, do desenvolvimento dos mamilos, etc. nas meninas de cultura ocidental.

    Então eu creio que o padrão “modéstia”, que deve ser lembrado tanto para homens quanto para mulheres (apesar de geralmente ser requerido mais das mulheres), pode ser antes uma forma de valorização ou proteção ante a decodificação oposta de vulgarização e objetivação do corpo do sexo oposto.

    • Marcelo, enquanto eu concorde com você sobre os perigos da vulgarização, objetificação, e sexualização precoce, eu acredito que a preocupação excessiva apenas exacerba o problema. Pode-se combater toda esse processo cultural pernicioso sem a fixação mono-maníaca e intransigente que vemos hoje em dia (ver acima) na cultura Mórmon.

      Na verdade, o próprio princípio de se estabelecer um “padrão” me parece, francamente, cretino. O foco deveria ser discutir a sexualidade humana com adolescentes e adultos jovens de maneira aberta e honesta, e guia-los e ajuda-los para que eles escolham o que eles sentem, em suas consciências, ser adequado ou não.

      Afinal, de quem era o plano para liberdade de escolha, e de quem era o plano para obrigar a todos a seguir um padrão pré-estabelecido?

      E não foi Joseph Smith quem disse: “Ensino-os princípios, e eles governam a si mesmos”?

    • Adendo: o médico da sua sobrinha não sabe o que esta falando. Ou, ao menos, não esta falando nada que tenha valor científico comprovado! Estudos (centenas de estudos) demonstram que a redução na idade da Menarca esta fortemente relacionada com o aumento do índice de massa corporal, dieta (e falta de exercício), e exposição hormonal (na dieta e com o aumento do IMC) que vem ocorrendo em todo o mundo, e mais marcadamente no mundo Ocidental. Há, também, relação (porém mais fraca) com alguns fatores sociais, como presença masculina familiar, distribuição familiar, distúrbios e/ou violência doméstica, tabagismo ou uso de drogas, etc.

      A “sabedoria popular” que implicaria novelas e músicas (e.g., funk) não tem nenhum respaldo científico, e ignora o acumulado de décadas de estudos históricos, sociológicos, e antropológicos.

      • “A “sabedoria popular” que implicaria novelas e músicas (e.g., funk) não tem nenhum respaldo científico, e ignora o acumulado de décadas de estudos históricos, sociológicos, e antropológicos.”

        achei o seu texto por acaso na internete ao procurar por machismo e o achei muito interessante,porém,é meio fora da realidade estas desculpas que vc dar para a questão da nossa objetificação.Você acredita mesmo que musicas que nos chama de “cachorras” e nos incentivam a nos vestir como pedaços de carnes tem impacto positivo sobre nós?Nunca fomos tão vulgarizadas e desrespeitadas e muitas outras mulheres se sentem na mesma situação.E incentivar uma mulher a se auto-objetificar e chamar tal incentivo de escolha é tão machista quanto nos exigir vestimentas de freiras.

        Como não sou mormon,não imagino o que seria “indecente” para os padrões estipulados por este,mas não vejo nada de liberal no fato de mulheres e meninas adotarem o que se convencionou chamar de “visual periguete”.O Marcelo Silva não está errado em nenhum momento e estes estudos podem ser encontrados na internete,no site da American Pscology Association(APA).

        Sempre fico feliz quando vejo homens indo contra a moral machista de sua religião,porém,não adianta em nada lutar por uma suposta liberdade que só tem nos cuasado mais problemas.

        abraços

  8. Quanto ao sacerdócio, concordo plenamente que ele devia ser estendido às mulheres. Na verdade as mulheres tinham muito maior participação no sacerdócio no mormonismo do século XIX. Elas davam bênçãos de conforto e cura invocando o sacerdócio de seus maridos, elas podiam participar do círculo em uma benção do sacerdócio até que da 1a metade do século XX estes privilégios lhe foram gradualmente retirados:
    https://www.sunstonemagazine.com/pdf/115-6-30-43.pdf

    A ênfase da Igreja SUD na valorização da família tem o efeito colateral de alienar muitas mulheres da vida profissional em um mundo capitalista que exige cada vez mais o trabalho de ambos, marido e esposa, para que sustentem um lar de classe média. A Igreja sempre se mostrou preocupada em mulheres que preferissem uma vida profissional e relegassem a criação dos filhos a um segundo plano. Apoiava-se na tese que uma mãe mais presente no lar formaria famílias mais fortes. Contudo, o mundo é muito mais complexo e algumas situações nos forçam a rever alguns conceitos.

    Recentemente em nossa estaca tivemos alguns problemas de mulheres que ficaram sozinhas para tomar conta de seus filhos, quer seja pela viuvez precoce com a morte prematura de seus maridos, quer seja pelo desemprego ou doença do marido ou por uma questão de divórcio. Muitas dessas mulheres de repente se viram completamente impotentes e não preparadas para serem agora responsáveis pelo sustento de seu novo lar. A estaca preparou um serão intitulado: “E agora, Maria!”, exatamente com o intuito de incentivar as mulheres a se preparem para situações adversar na vida, a buscarem profissões que poderiam suprir a família em casos de necessidade, a continuarem com seus estudos, etc. O grande problema do serão e da recepção da mensagem foi resumido pelo comentário de uma irmã:
    ” Sempre fomos educadas para ficar em casa e cuidar dos filhos, a não buscarmos uma vida profissional, agora a Estaca vem e nos diz o contrário, que devemos estudar e buscar um trabalho para ajudar no sustento de nossas famílias”.

    O intuito da Estaca era que não deveria ser 8 nem 80, mas que as irmãs poderiam escolher profissões que poderiam ajudar no orçamento familiar e mesmo assim não exigiria que ficassem muito longe do lar. No nosso mundo moderno há muitas profissões que podem ser totalmente desenvolvidas dentro do lar e rendem um bom dinheiro (uma tradutora juramentada, por exemplo). Mas a nossa mensagem perdeu exatamente força e não foi bem decodificada exatamente por anos de mensagens indo exatamente na direção oposta.

    att.

    • Concordo.

      Sobre a exposição de mulheres SUD ao Sacerdócio no século XIX, eu comentei brevemente acima.

      Existe um adicional que eu não comentei, e ninguém comentou, sobre ordenar mulheres ao Sacerdócio. A liderança da Igreja seria enormemente enriquecida pela participação administrativa e decisória em seus mais altos conselhos pela presença de mulheres. Não que mulheres sejam melhores, ou mais inteligentes, ou mais espirituais. A simples presença da perspectiva única que elas tem do mundo e seus problemas, que muitas vezes é invisível para homens, traria mais textura e profundidade aos conselhos eclesiásticos!

      Abraços.

  9. Quanto a “modéstia”, gostaria que alguém mórmon me explicasse como um terno feminino é mais “imodesto” do que uma saia ou um vestido.

    Gostaria de saber como uma saia (que costuma mostrar muito mais a pernas, exceto as longuíssimas, que são raras) é mais recatada que uma calça comprida.

    Até lá, vou continuar achando que usar saia na Igreja é puro conservadorismo exacerbado e nada tem a ver com “modéstia”, recato, respeito a Deus, primeiras impressões, dignidade, pureza ou o que o valha.

    • Na verdade, Susana, há não muitas décadas o termo “modéstia” entre os sud também se referia ao princípio de viver com simplicidade e humildade. Esse sentido parece ter entrado em desuso.

      Eu acho que essa ênfase exagerada nas roupas serve para substituir a verdadeira busca espiritual e acaba, claro, por criar uma uniformidade entre os membros (que por sinal é maior para os homens do que as mulheres).

      Tomara que um dia alguma mulher na igreja incentive o uso de saias e vestidos entre suas irmãs por motivos higiênicos, juntamente com peças íntimas de algodão.

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