Gente invisível

O artista chinês Liu Bolin ficou mundialmente conhecido, graças às suas fotografias, como “o homem invisível”. Em sua arte, há uma constante crítica da sociedade chinesa, seu governo e as relações de consumo – uma sociedade onde pessoas se tornam invisíveis.

Um dos temas mais debatidos no Vozes Mórmons são as causas que levam as pessoas a não frequentarem mais as reuniões de domingo. Será que a “invisibilidade” é uma delas? Que são os homens e mulheres invisíveis na Igreja sud? E como podem voltar a ser vistos?

Escondendo-se na cidade No. 16 e No. 17 — Policial do Povo, 2006.  © Liu Bolin

Escondendo-se na cidade No. 16 e No. 17 — Policial do Povo, 2006. © Liu Bolin

Desafio de história mórmon – estrela

Em que prédio mórmon está este vitral com um hexagrama?

estrela

Imagens do Martírio

Hoje, completam-se 170 anos da morte de Joseph e Hyrum Smith. Um evento sem paralelos na história norte-americana, o martírio – como o santos dos últimos dias preferem chamar – dos dois irmãos foi um fim abrupto e inesperado que deixaria o mormonismo numa encruzilhada, ao mesmo tempo em que se tornaria  uma importante parte do imaginário mórmon para sempre. Muitos artistas, mórmons ou não, buscaram representar o martírio de Joseph e Hyrum. A seguir, algumas obras de arte sobre o tema.

Martyrdom of Joseph and Hiram Smith in Carthage jail, June 27th, 1844, litografia de  G.W. Fasel e C.G. Crehen . Inscrição "Dedicado ao Reverendo Orson Hyde"

“Martírio de Joseph e Hiram Smith na Cadeia de Carthage, 27 de Junho, 1844”, litografia de G.W. Fasel e C.G. Crehen . Inscrição “Dedicado ao Reverendo Orson Hyde”

 

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A Encantadora de Baleias

encantadora1No filme A Encantadora de Baleias, o velho líder de uma tribo maori busca desesperadamente seu sucessor. Sua neta Paikea quer aprender as tradições reservadas aos homens e é duramente rejeitada pelo avô. Mas a pureza e teimosia da menina se provam mais fortes do que a ortodoxia do chefe. É Paikea quem no final faz com que as antigas tradições tenham sentido, tornando real aquilo que era transmitido como mito. Ela recebe uma revelação. O avô, sem outra alternativa,  arrepende-se e reconhece a sua neta como a tão aguardada sucessora. A verdade triunfa. A ignorância é abandonada.

O filme me parece ser uma parábola sobre o sacerdócio. Permitam-me divagar. Continuar lendo

Concurso: Fotografe Sua Capela

Concurso: Fotografe Sua Capela

Capela Mórmon

Uma das missões da Associação Brasileira de Estudos Mórmons é incentivar a documentação da experiência Mórmon cultural no Brasil.

Sendo assim, o Vozes Mórmons está lançando uma campanha para documentar as milhares de capelas Mórmons espalhadas pelo Brasil afora. Uma campanha com premiação, para um incentivo extra, além do simples prazer de montar um acerto arquitetônico e social Mórmon no Brasil. Continuar lendo

Mórmons e o Rock

Não há música no inferno, pois toda boa música pertence ao céu.

Brigham Young¹

1960

Um povo que sempre se dedicou à música como forma de entretenimento e adoração, os santos dos últimos dias não escapam das influências musicais e culturais que os cercam. Inclusive o rock.

O tema é trivial, mas mostra como pronunciamentos de líderes da Igreja podem refletir o pensamento de sua geração e como a Igreja é também capaz de aproveitar de forma positiva uma influência antes denunciada como nefasta.

Em 1972, quando o rock era ainda uma força criativa e contestatória, o apóstolo Ezra Taft Benson advertiu os estudantes da BYU contra a natureza satânica daquele estilo musical: Continuar lendo

Quem são os compositores SUDs?

violãoHá dias eu recebi uma pergunta de um amigo sobre compositores SUDs no mundo. Ele queria saber se existem compositores SUDs na América Latina? Devem existir, eu pensei, pois a música é muitíssimo importante no Brasil. Mas na verdade eu nunca ouvi nada sobre compositores SUDs no Brasil. Quem são?

A pergunta vem de Glenn Gordon, o diretor da organização não-governamental LDS Composers Trust (consórcio de compositores SUDs). Sua organização está construindo um banco de dados de todos os compositores SUDs, o qual já contem mais de 600 compositores, 80 dos quais participam regularmente em um rede na Internet. Mas quase ninguém da América Latina encontra-se no banco de dados.

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Glória a Deus; Paz na Terra

JohnMMacfarlaneHá alguns anos, enquanto cantava canções de Natal em um evento não-mórmon, sugeri que o grupo cantássemos “Lá na Judéia, Onde Cristo Nasceu.” Fui recebido com olhares em branco e perguntas: “Qual música?” “Nunca ouvi falar.” Acontece que eu estava tão imerso na cultura mórmon (em grande parte eu ainda estou imerso na cultura) que eu não sabia que “Lá na Judéia, Onde Cristo Nasceu” é um hino SUD, escrito por um autor de Utah no século 19 (de fato é o único hino de natal escrito por um membro da Igreja SUD), e é, portanto, desconhecido pela maioria dos grupos não-mórmons, apesar de sua doutrina ser suficiente universal para a maioria deles.

A história da composição dessa música é interessante, por isso vou resumi-la: seu autor, John Menzies Macfarlane, era um converso escocês que emigrou para Utah em 1852 e para a vila de Cedar City, Utah em 1853. Lá, ele fez de tudo um pouco, enquanto agricultura foi descrita como sua ocupação principal, ele também foi professor de escola, o primeiro agente postal para o vilarejo de Toquerville, foi o primeiro superintendente das escolas para o condado, e foi um topógrafo. E até estudou direito e foi eleito juiz de paz da condado[1].

Mas Macfarlane também era músico, e “ocupou-se zelosamente” como músico, para dizer o mínimo. Ele organizou um coro em Cedar City, fundou uma banda de metais na cidade e liderou os esforços para comprar um órgão para a capela de Cedar City. Os concertos de seus coros eram conhecidos em todo o sul de Utah nas décadas de 1860 e 1870 e os registros da época estão repletos de elogios para os concertos. Um concerto realizado em St. George em 1868 levou o Apóstolo Erastus Snow a pedir-lhe a deslocar-se para St. George—e assim ele fez[2]. Continuar lendo

O Esfinge Joseph Smith

Ontem eu visitei o jardim Gilgal, um sítio Mórmon em Salt Lake City de que eu gosto muito. Gilgal é um jardim de esculturas, criado por um bispo SUD, Thomas Battersby Child, Jr. (1888-1963) durante os últimos 17 anos da sua vida. Este é a melhor conhecida escultura no jardim:

O Esfinge Joseph Smith, no Jardim Gilgal, Salt Lake City

Não sei como os membros da Igreja no Brasil reagirão para tal coisa. Sei que muitos dos membros nos EUA ficam confusos com tal expressão artística; acham estranho mesmo. Mas ainda assim, é uma expressão como poucos que temos — um homem que empregou o pouco que tinha em fazer uma homenagem a sua fé, mesmo sem treinamento artístico.

Tal expressão mostra tanto esforço e fé que penso:

Será que a minha oferta ao Senhor mostrará tanta devoção?

Céus e terra

do pó às palavras

a terra

vã e vazia Continuar lendo

Sem censura

Se uma revista da Igreja hoje chega a modificar uma obra de arte para torná-la mais “recatada” e doutrinariamente correta, no passado essa tendência à censura era ainda mais forte nos antigos periódicos mórmons, certo? Errado! Pelo menos é o que nos sugere esta capa da revista Juvenile Instructor, de 1926.

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Anjos “fora dos padrões”?

A pintura original de Bloch e sua versão com photoshop na revista da Igreja

Na Igreja sud nota-se uma grande preocupação com o vestuário e aparência pessoal, incluindo desde a cor de camisa que homens deveriam usar no domingo até o número de brincos para as mulheres. Tal preocupação algumas vezes parece beirar o exagero, como no exemplo da edição de uma obra de arte ilustrando as revistas da Igreja. Continuar lendo