Mangas nos Padrões

Jovens d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são ensinados desde muito jovem que aparência física é um atributo fundamental para uma pessoa Mórmon.

Aparência É Tudo!

A Igreja Mórmon estabalece regras de vestuários bastante específicas. Além de machistas e extremistas, essas regras não parecem ser aplicadas consistentemente.

Recebemos recentemente uma carta de uma leitora pedindo ajuda ou orientações justamente sobre essa rigidez e essa inconsistência e gostaríamos de compartilhar sua estória e sua dúvida para que mais pessoas pudessem oferecer sugestões.

Por que não podemos usar roupas sem mangas? Pode parecer ridícula essa pergunta mas eu ando um pouco intrigada com esse padrão. Desde que fui batizada na Igreja, sempre ouvi que não podemos usar blusas ou vestidos sem mangas por que é uma preparação para o uso dos garments e que os mesmos não devem ficar à mostra. Eu concordo que eles não devem ficar à mostra, mesmo porque as pessoas achariam estranho se vissem essas “roupinhas” por baixo de nossas roupas. Essa dúvida me ocorreu quando vi que uma ex missionária gringa, que veio morar aqui depois da missão. Ela usa blusas e vestidos sem mangas e vai até mesmo às reuniões de domingo assim. Eu achei o máximo, visto que aqui onde moro, é muito quente e úmido (no meio da amazônia). Eu já ouvi diversas mensagens de líderes locais e não líderes também, que diziam que não se pode usar roupas sem mangas por que o braço não pode ficar todo a mostra, e isso vale para os homens também. Aliás, eu ouvi cada coisa sobre vestimentas desde minhas primeiras semanas como membro, certa vez uma irmã chegou pra mim e outra moça recém batizada: “está na hora de vocês duas começarem a vir de saia pra Igreja”, ou até mesmo missionárias medindo o tamanho de nossas saias pra ver se estavam abaixo dos joelhos, e tem também as famosas palavras do Profeta Joseph Smith (pelo menos dizem que é de autoria dele) dizendo que pra ver se uma mulher está vestida nos padrões é quando se ajoelha e a saia toca o chão. Sei que a mulher tem muito mais tendência de se vestir fora dos padrões pelos variados modelos de roupas, mas é mesmo necessário usar roupas somente com mangas? Vejo que existem modelos de vestidos e blusas sem mangas que são nos “padrões” diga-se de passagem, não são escandalosos que mostram partes que realmente não devem aparecer, cobrem muito bem, são apenas sem mangas! Eu não uso roupas assim, por respeito ao que já aprendi na Igreja, mas vejo umas poucas irmãs, que ainda não foram ao templo, que usam e não parecem estar fora dos padrões da Igreja. Bom, pelo que já vi, aqui no Brasil é muito rigoroso quanto a esse tipo de vestimenta, mas parece que lá fora não é tão rigoroso assim. Eu não quero sair por aí vestida fora dos padrões da Igreja, mas tenho essa dúvida, por que não pode, nesse calor horrível amazônico de ano inteiro, usar roupa sem mangas. Me desculpem se a pergunta é tola, mas é minha dúvida.

Como vocês responderiam à essa pergunta? Uma blusinha sem manga é um pecado? Deveríamos estar focando em peças de vestuários para avaliar dedicação espiritual? Os ensinamentos de Jesus têm alguma relevância nesta questão?

“Sim, ai de vocês, mestres da lei e fariseus, fingidos! Pois dão o dízimo da última folha de hortelã do vosso quintal, mas esquecem as coisas importantes, como a justiça, a compaixão, a fé. Sim, devem dar o dízimo, mas não devem esquecer as coisas de maior monta. Guias cegos! Tiram um mosquito que cai na comida, mas seriam capazes de engolir um camelo! Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, fingidos! Tão cuidadosos em polir o copo por fora, enquanto que por dentro está todo sujo de roubos e de cobiça! Fariseus cegos! Limpem primeiro o interior do copo e então todo ele ficará limpo. Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! São como jazigos — belos, mas cheios de ossadas e de podridão. Procuram parecer santos, mas por baixo dos vossos mantos de piedade escondem­se corações manchados por toda a espécie de fingimento e pecado.”

27 comentários sobre “Mangas nos Padrões

  1. Respondendo mais ou menos a mesma coisa que respondi na ABEM:
    Cresci aprendendo sobre recato no vestir e no falar e isso só me fez bem. Minha autovalorizaçao desde a primária foi afetada por estes princípios que minha mãe me ensinou. Vejo isso como algo de muito valor, um ensinamento valioso para todos os membros da Igreja, sobretudo para a juventude, num mundo em que a exposição do corpo e a hiperssexualizaçao são tão banalizadas. No entanto, se mal aplicado, pode causar outro resultado, muito comum: a supervalorizaçao dos aspectos exteriores da religião em detrimento do interior; o apego demasiado a padrões duramente estabelecidos como sinal de santidade, o que foge aos ensinamentos de Cristo. Já vi pessoas serem estupradas psicologicamente para mudarem seu padrão de vestimenta, ao se batizarem, ao ponto de rapidamente decidirem nunca mais voltar lá. Já vi também pessoas serem insultadas ou simplesmente mal faladas por alguns centímetros a menos. Também já vi pessoas perfeitamente vestidas como mandam os “padrões”, mas com condutas impensáveis, fora dos limites da capela. “Sepulcros caiados” diria o Cristo.
    Com este apego exacerbado a estes aspectos físicos, com caráter persecutório e acusador, não concordo. Para mim, o recato ao vestir é algo natural, mas claro, passei a vida toda assim, então para mim é fácil falar. Faz parte de mim. Para as pessoas que se filiam à Igreja, é um processo, às vezes longo, ao qual elas precisam de acostumar aos poucos e ter liberdade de erro e acerto, de mudança de opinião e de escolha. Atropelar este processo geralmente causa o afastamento.
    Usar roupas com manga é um dos padrões impostos pela Igreja sim, pelo menos aqui no Brasil. A justificativa que sempre ouvi é uma variação daquela que a irmã expôs na carta: se os garments tem determinado comprimento, significa que o ideal de recato é aquele e que todos devemos segui-lo, independente de já usarmos ou não os garments. Para mim faz sentido. Entretanto, minha mãe não me impôs padrões, ela me ensinou princípios. Isso me fez livre para realizar minhas próprias escolhas, e, nas poucas vezes que usei algo diferente deste modelo, o fiz com consciencia do momento e da ocasião, sem culpa, sem me sentir errada, escolhendo ao invés de ser forçada ou constrangida. Eu não concordo com este tipo de imposição, estas regras que nos transformam em peças institucionais. Sou livre para escolher, e ainda assim escolho o recato, pois aprendi por princípios, ao invés de ser forçada a padrões. Fazendo uma retrospectiva de minha vida a este respeito, fui muito feliz ao segui-los. Senti calor algumas vezes, mas senti muito mais gratidão, por minha mãe, meus líderes e pelo Senhor. Mas se tivessem tentado me encaixar à forceps, obviamente, eu teria feito tudo ao contrário.

    • Forçam muito a barra de conversos. A mudança vem aos poucos, só pararmos com o sexo e o café já é elogiável, mas querem impor mais ainda. Alguns exigem demais principalmente líderes (mais que bispo) acho que eles serão padrastos celestiais no futuro.

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