Sensibilidade, Ego e Verdade

"Vaidade", de Auguste Toulmouche.

“Vaidade”, de Auguste Toulmouche.

Texto de Graciela Bravo

Se passássemos a enxergar as coisas que passam despercebidas todos os dias, eu acreditaria na possível e esperada mudança. Mudança para sentimentos melhores, de forma bem ampla e eficaz, sem que pequenos gestos e ações tornem-se mecânicos e vazios. Sensibilidade deveria ser a palavra chave em nossas vidas. É aquilo que, muitas vezes, nos falta, é um dos caminhos mais curtos para o amor. Para mim, a companhia do Espírito está fortemente interligada à esse sentimento. Além disso, um pinguinho de noção faz muito bem a quem tem e aos que estão ao redor. Não acho que seja algo simples de desenvolver, e acrescento que minha intenção não é julgar ninguém, embora, às vezes, até pareça. A questão, tampouco, é julgar devida ou indevidamente. Cada um deveria cuidar de suas vidas e preocuparem-se em dar exemplo por meio de suas ações. Eu também luto contra isso e pela minha experiência, particularmente, sei que não é fácil. Acho que agora consigo entender as palavras de Hugh Nibley sobre o sacerdócio com maior clareza. Continuar lendo

John Taylor: expandir nossa educação

jt3Deveríamos expandir nossa educação e conhecimento em todas as áreas; cultivar o gosto literário; quem tem talento para literatura e ciência deveria desenvolvê-lo e todos deveriam desenvolver os dons que Deus lhes deu. (…) Se houver qualquer coisa boa e louvável na religião, moral, ciência ou qualquer coisa arquitetada para elevar e enobrecer o homem, nós a procuraremos. Queremos empenhar-nos ao máximo em obter conhecimento; o conhecimento que emana de Deus.

– John Taylor. The Gospel Kingdom, G. Homer Durham (org.), 1943, p. 277

A autoridade nunca falha

Porque sim’ não é resposta. Quem assistia ao programa infantil Castelo Rá-Tim-Bum deve lembrar dessa frase, tão divertida quanto verdadeira. No cotidiano da Igreja sud muitas vezes nos deparamos com a resposta “porque sim.” Geralmente é traduzida como

– “está no manual”;

– “é o que a igreja ensina”;

– “os líderes decidiram”.

telekid

Para silenciar perguntas, apela-se à autoridade, seja de uma publicação (que ninguém sabe qual é), seja de uma entidade (da qual o indivíduo que questiona também é parte), seja de um grupo de homens (que podem ou não ser apoiados pelo indivíduo). Esse é um vício danoso, que tem causado estragos enormes na cultura mórmon.

Antes do início da Copa do Mundo, eu havia escrito sobre o aparente descontentamento entre membros sud brasileiros sobre o envolvimento do Mãos Que Ajudam no evento da Fifa. Em uma pesquisa informal, mais de 70% dos nosso leitores disseram que tal envolvimento não eram condizente com os propósitos do projeto humanitário e que não seria positivo para a imagem da Igreja no Brasil.

Não deixei de ficar um pouco surpreso, porém, ao ver na página da Sala de Imprensa da Igreja comentários críticos à atuação do Mãos que Ajudam na Copa da Fifa. Vejamos um exemplo: Continuar lendo

É a Igreja um mal necessário?

Church-pewsNão sou e nem me sinto um especialista na área de humanas e comportamento, embora minha vivência como mórmon praticante tenha me dado aval para ter experiências que refinaram minha capacidade de observação sobre mim e as pessoas que me cercam – em especial as pessoas de nossa própria fé.

Minha busca por descobrir quem realmente sou e o quanto desse ‘ser’ tem haver comigo e o quanto foi imposto pelo meio (ideias e comportamentos) tem sido meu desafio já desde algum tempo. Nesse processo minha empatia emocional e espiritual tem crescido, e posso hoje sentir isso. Assim, prefacio meu primeiro post nessa comunidade. Sem contanto desejar dar a impressão de que tenho eu algum desejo ‘oculto nas entrelinhas’ diferente do que tentarei aqui escrever no decorrer dessa aventura de postar opiniões e ouvir as dos demais. Na realidade, sinto-me como Néfi, que sabia ser muito bom no sentido oral da palavra (no meu caso, penso melhor do que falo ou escrevo), mas sentia o peso de sua inabilidade em escrever. O título? Sim, tem o propósito de chamar a atenção mesmo. Mas não se atenha apenas a ele.

Permitam-me iniciar por uma parábola, dessas que se ouvem, mas nunca se sabe de onde saiu… Eu ouvi isso há muito tempo… Continuar lendo

Fofoca é uma forma de revelação

Conte-me tudo.

Conte-me.

Entrevistas na igreja podem ser momentos úteis de aconselhamento e alívio. Podem ser também momentos de constrangimento e agressão.

Enquanto lia o texto Há abuso nas entrevistas?, lembrei deste episódio, pequeno mas marcante para mim.

Havia retornado da missão há dois meses e estava lecionando a classe de Doutrinas do Evangelho para os membros adultos solteiros. Um conselheiro do bispado assistia às aulas. O Erasmo era o tipo de líder que inspirava respeito e confiança: respeitoso, sério, dava bons discursos e seu rosto passava um certo ar de tristeza, como se tivesse saído do livro de Eclesiastes. Continuar lendo

Davi, Golias, Néfi e Labão

No Vale de Elá estavam os israelitas e os filisteus num impasse que durou semanas, nem avançavam e nem recuavam, dos dois lados. Até que resolveram o problema da maneira tradicional de combate único, sem precisar entrar em batalha e derramar muito sangue.

E o filisteu enviado para o combate era o seu gigante. Ele tinha 2,05 metros, vestido com uma armadura de bronze, uma espada, um escudo e uma lança e bradou por 40 dias:

“Hoje desafio as companhias de Israel, dizendo: Dai-me um homem, para que ambos pelejemos.”

Nenhum israelista desejou enfrentá-lo. E finalmente, o único que se apresenta para enfrentar Golias é um jovem pastor de ovelhas; Davi disse a Saul:

“Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu servo irá, e pelejará contra este filisteu”

Mas você ainda é moço e sem experiência de batalha, dizia Saul. Mas Davi argumentava que ele estava preparado, pois já matara ursos e leões. Então você usa esta armadura e este capacete, orientava Saul. “Não posso andar com isto, pois nunca o experimentei”, disse Davi

Davi pega seu cajado. Escolhe cinco pedras e guarda na sua bolsa de pastor. Segura a sua funda e caminha em direção ao gigante filisteu “Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas do campo.”, insultou Golias

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Confissões de um Anti-Mórmon

Eu tenho uma confissão a fazer.

O termo anti-Mórmon é muito popular entre os membros da Igreja SUD. Muitas fiéis SUD usam este termo liberalmente como adjetivo ou substantivo para alertar, condenar, julgar, denegrir, insultar, ou ignorar pessoas e ideias com as quais não concordam ou não se sentem à vontade. Há um outro termo, este mais técnico e oficial, que se usa com os mesmos intuitos, mas o popular mesmo é o “Anti-Mórmon”.

Mas, dificilmente se tira o tempo ou se dá o trabalho para definir precisamente o que significa o termo Anti-Mórmon, e o que (ou quem) se pode classificar como Anti-Mórmon. Naturalmente, como com conceitos tão subjetivos e tão pessoais como crenças, opiniões, e impressões, há tantas definições sobre o que constitui Anti-Mórmon quanto há pessoas expostas ao Mormonismo.

Sendo assim, eu gostaria de fazer uma confissão, e aproveitar para oferecer uma explicação.

Eu sou um Anti-Mórmon, confesso e assumido.

O que, pra mim, significa isso?

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Cientista Explica Diferenças [Vídeo]

neil tysonDurante uma conferência sobre educação científica, o Astrofísico Neil deGrasse Tyson respondeu uma pergunta sobre a participação de mulheres na Ciência.

Sua resposta merece a reflexão de todo Mórmon sobre como expectativas sociais dentro da Igreja e da cultura Mórmon estimulam a participação e inclusão de todos os Mórmons sob sua enorme tenda.

Para ler mais sobre isso dentro de um contexto Mórmon, leia aqui, aqui, e aqui.

 

 

 

Crianças Na Sacramental

Só quem nunca teve filhos pequenos não sabe a dificuldade que é manter crianças reverentes e/ou ocupadas durante tediosas e intermináveis espirituais e calmas reuniões sacramentais.

Ken Jennings, Mórmon famoso por ser o recordista na famosa competição televisiva Jeopardy! (similar ao “Show do Milhão”, só que mais competitivo e mais inteligente), tuitou neste domingo uma foto de sua filha de 8 anos em situação “lúdica” durante as reuniões dominicais.

 

 

Evidentemente, Jennings sabe levar toda a ocasião com bom humor, o que Continuar lendo

Progresso Entre Reinos – parte II

byO progresso espiritual é eterno? Ou encontra um ponto final? Como discutimos na primeira parte desta série, várias afirmações feitas por autoridades gerais no séc. XIX apontam para a possibilidade de progresso do ser humano por toda a eternidade, sem um ponto final.

No ano de 1855, Wilford Woodruff ouviu Brigham Young falar a respeito do tema, após terem realizado um círculo de oração: Continuar lendo

Quando Seu Cônjuge Perde A Fé

Texto por Robert Kirby

 

Foto: kronick_

Foto: kronick_

A coluna de hoje é um teste. Um teste curto, ainda. Consiste de apenas uma pergunta. Você está pronto?

Eis a pergunta: Todas as outras coisas na sua vida permanecendo iguais, você se divorciaria de seu cônjuge se ele ou ela parasse de (ou começasse a) acreditar em Deus? Continuar lendo

Apóstolo Dallin Oaks Ofende Neozelandeses

Texto por Gina Colvin

Dallin OaksDurante a Conferência Geral de Outubro de 2010, o Apóstolo Boyd K. Packer fez alguns comentários controversos. Primeiramente, ele afirmou que a Proclamação da Família era fruto de revelação. Depois, ele sugeriu que homossexualidade não é congênita, ao exclamar:

“Alguns supõe que eles foram predefinidos e não podem superar o que crêem ser tendências congênitas pelo impuro e antinatural. Não é verdade! Por que o Pai Celestial faria isso com alguém? Lembrem-se, Ele é nosso Pai Celestial.”

Debates se sucederam e logo após o texto publicado do discurso de Packer leria apenas que a Proclamação é um “guia” ao invés de revelação, enquanto que a citação proferida acima foi alterada substancialmente:

“Alguns supõe que eles foram predefinidos e não podem superar o que crêem ser tentações congênitas pelo impuro e antinatural. Não é verdade! Por que o Pai Celestial faria isso com alguém? Lembrem-se, Ele é nosso Pai Celestial.”  (repare na ênfase)

Esta é a beleza da Conferência Geral. Porque todos os olhos estão voltados para o Centro de Conferências, os discursos são construídos com maior cuidado em grande parte porque a mídia está observando, assim como toda a Igreja – o que significa que há todo um cuidado especial para evitar criar controvérsias públicas.

Na Nova Zelândia tivemos hoje (18/05/2014) uma Transmissão de Conferência Regional. Estas ocorrem bienalmente no lugar de uma Conferência de Estaca. A sessão do Domingo de manhã inclui o voto de apoio para os líderes da Estaca, um discurso pelo Presidente da Estaca seguido de uma transmissão simultânea de Lago Salgado para todas as Estacas e Distritos do país.

Dallin Oaks, do Quórum dos Doze, discursou primeiro. Diferentemente dos discursos da Conferência Geral, nada de seu discurso será editado para uma edição final. Na verdade, ele deixou muitos de nós com um gosto ruim Continuar lendo

A Política Racial e o Perfil Socioeconômico dos Conversos Brasileiros

nordeste

 

O mormonismo chegou ao nordeste brasileiro em 1960. Naquela década, alcançaria boa parte das capitais da região. A política de discriminação racial da Igreja era um grande obstáculo à sua expansão, já que mais da metade da população nordestina, segundo o censo de 1950, era formada por negros e pardos, para quem o sacerdócio mórmon não era conferido. [1]

Os mais de três séculos de importação de escravos, aliados à natureza da colonização ibérica em nosso país, proveram uma intensa miscigenação entre portugueses, índios e africanos. As economias açucareira e mineradora absorveram uma grande quantidade de escravos trazidos da África, sobretudo em cidades como Recife, Salvador, Rio de Janeiro e partes de Minas Gerais. Continuar lendo

Usando As Escrituras

Como você lê as escrituras diz muito mais sobre quem você é do que sobre as escrituras.

“A Bíblia: Apenas Mais Um Tijolo Na Parede” pelo pastor David Hayward

“A Bíblia: Apenas Mais Um Tijolo Na Parede” pelo pastor David Hayward

O pastor David Hayward se inspira nas letras da canção de Pink Floyd Continuar lendo

A Encantadora de Baleias

encantadora1No filme A Encantadora de Baleias, o velho líder de uma tribo maori busca desesperadamente seu sucessor. Sua neta Paikea quer aprender as tradições reservadas aos homens e é duramente rejeitada pelo avô. Mas a pureza e teimosia da menina se provam mais fortes do que a ortodoxia do chefe. É Paikea quem no final faz com que as antigas tradições tenham sentido, tornando real aquilo que era transmitido como mito. Ela recebe uma revelação. O avô, sem outra alternativa,  arrepende-se e reconhece a sua neta como a tão aguardada sucessora. A verdade triunfa. A ignorância é abandonada.

O filme me parece ser uma parábola sobre o sacerdócio. Permitam-me divagar. Continuar lendo