Escrituras como “armas”

Muitas vezes escutei na Igreja a metáfora das escrituras como armas. Nunca simpatizei muito com a ideia, mas tampouco havia sentido tão fortemente seu aspecto negativo até ouví-la umas quatro vezes seguidas na mesma aula da Escola Dominical.

Apesar de narrativas sangrentas ou metáforas que evocam imagens bélicas, as escrituras em si não apresentam tal metáfora de serem armas. Armas são feitas para ferir alguém ou destruir algo ou, no mínimo, ameaçar que alguém será ferido ou algo será destruído, ainda que em defesa própria. Fica difícil pensar nas escrituras como tendo semelhante propósito.

Mas é claro que qualquer objeto que não tenha sido originalmente projetado para ferir poderá ser assim usado, como um tijolo ou uma garrafa. Talvez seja justamente esse o maior problema de nossa relação com as escrituras: parece que nem sempre as usamos com a finalidade para a qual foram pensadas. Não é raro que em nossas reuniões sud, ao invés de aplicarmos “todas as escrituras a nós, para nosso proveito e instrução“, tentemos nos projetar como os heróis, enquanto qualquer chamado ao arrependimento cabe aos outros.

Ao invés de pensar nas escrituras como armas, gostaria de propôr algumas outras alternativas, mais positivas:

– ferramentas – coisas que servem para construir e consertar;

– oráculos – funcionam como portais para a revelação;

– pratos – nos oferecem diferentes nutrientes e sabores; nos alimentam espiritualmente.

Mais alguma sugestão?

7 comentários sobre “Escrituras como “armas”

  1. A parte que diz nas escrituras -“não temei aquele que pode ferir-te o corpo etc… mas temei aquele que pode jogar sua alma em um sofrimento sem fim…” Eu vejo que a única pessoa que pode destruir a alma nossa, somos nós mesmos com nossas escolhas. Como diz em tiago, -“do coração do homem nasce toda maldade..” É verdade que “Luficer” é o inimigo de toda retidão, mas , todos que não cumprem a lei são inimigos da retidão como ele? Se eu não cumpro a lei etc… estou destruindo a mim mesmo e sendo inimigo da retidão. Eu sei que existe forças ocultas lutando contra cada “cristão” no momento. Mas, acredito que o arbitrio é de cada um e atra´ves das escolhas feitas é que nos condenamos ou seja, o inimigo não pode fazer nossas escolhas somente nós podemos. somos autores do nosso destino. com cada passo em uma simples escolha. Então, acredito que o mal está dentro da cada um. (que deseja fazer o mal).
    As pessoas não são condenadas porque “stanas” tenta cada indíviduo . Elas são condenadas porque escolhem fazer o mal , e não fazer o bem.

    Quanto a questão de armas é como disse , encontrei várias escrituras referindo-se a armas como instrumento de vingança, morte e castigo.

    Poucas foram as que encontrei como a que citei acima , referindo-se a algo no nível de segurança.

    Mas, referente a escolas dominicais precisaria expor um exemplo mais detalhado.
    Eu sempre vejo as pessoas falarem em Capitão Moroni e violencia , mas não sei se elas percebem que o próprio capitão Moroni , não era a favor da violência e que ele so fez uso por ser necessário.

    No entando um povo mais “evoluído” no mesmo livro. Converte-se a tal ponto , que “enterram as próprias armas.”.

    Então, qual é o nível mais elevado? Lutar? ou Enterrar as armas e morrer?

    Parece, que cada indíviduo ou povo tem um nível de crescimento espiritual.

    Alguns se agarram tanto a esta vida material, que querem sobreviver a qualquer custo.

    Outros, estão tão fora desta realidade , que a morte não significa nada.

    Não consigo imaginar “Yeshua o Cristo” com uma espada na mão matando, defeendendo-se a sí mesmo, para poder viver mais alguns anos neste mundo “decaído”.

    • Eu gostaria, se assim me permitirem, tentar acrescentar algumas poucas palavras ao que você nos disse:
      * Não é “Lúcifer” quem tira o nosso conhecimento, somos nós mesmos que “não os deixamos” entrar em nossa “cabeça”. Como? não nos dedicando ao estudo e ao conhecimento e principalmente à Prática. Sim, quero sempre frizar essa parte da “prática”, pois de nada nos adianta termos o conhecimento da verdade se não o praticarmos em nossas vidas e na vida dos que nos acompanham.
      * Certa vez um assunto que dizia mais ou menos assim: Nossas vidas são como “nadar contra a correnteza de um rio”, explico:
      -> Se nadarmos “bem” contra a correnteza, então estaremos vencendo-a e consequentemente alcançando mais e mais graça nos desafios e aprendizados que a vida nos proporciona (em outras palavras, agirmos naquilo que é certo)
      > Se “pararmos de nadar” ou seja, não fizermos nada, então não estaremos pecando mas tambem não estaremos crescendo, e estaremos entregues “às bofetadas do inimigo”.
      Minha intenção com todas essas palavras é que o simples fato de não estarmos fazendo nada, nadica de nada, pra muitos significa que não está pecando, mas convenhamos que tambem é a consequência de o nosso crescimento estar parado, pausado e sem futuro.

      Espero ter somado ao assunto.

      Obrigado.

  2. Gosto de “A Barra de Ferro” onde devemos segurar com as duas mãos e não soltar. Acho que é bastante comum ouvirmos que as escrituras servem de “alimento” para o espírito, “lâmpada para os pés” iluminando os caminhos, “o pão de todos os dias”…

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