Nos próximos dias 06 e 07 de abril, uma mulher poderá orar pela primeira vez numa Conferência Geral
De acordo com o jornal Salt Lake Tribune, mulheres irão orar na próxima Conferência Geral sud. Pela primeira vez na história, até onde se tem registro. A Igreja não confirmou nem negou oficialmente a notícia.
Embora não haja nada na doutrina mórmon que justifique a excluir as mulheres de oferecer orações nas Conferências Gerais, essa tem sido a prática. Convém ressaltar que em 1978, durante a presidência de Spencer W. Kimball, a Igreja reverteu uma prática que perdurou durante parte do séc. XX: mulheres não podiam oferecer orações nas reuniões sacramentais!
É difícil não ligar a possível novidade de abril com a campanha Let Women Pray (“Deixe as Mulheres Orarem”), lançada nos EUA, e que conseguiu reunir mais de 1600 cartas, as quais foram enviadas para Autoridades Gerais, incluindo o apóstolo Jeffrey R. Holland e presidentes de organizações auxiliares. A campanha pedia a inclusão de mulheres nas orações da Conferência Geral, como um símbolo de igualdade dentro da Igreja.
Obviamente,é difícil determinar que influência direta a campanha teve sobre a hierarquia da Igreja ou há quanto tempo a mudança tem sido cogitada. Seja como for, caso haja uma mulher orando em uma sessão geral da Conferência, estará se quebrando uma pequena barreira – que talvez antes tenha passado até despercebida para muitos leitores -, mas de grande valor simbólico.

Vale lembrar que, até a década de 1980, mulher também não podia discursar na conferência geral. Desde então, há uma mulher ou outra discursando aqui e ali nas sessões da conferência geral, em meio a um mar de oradores homens. (Claro que não na sessão do sacerdócio.)
Sem dúvida são passos positivos rumo a uma futura igualdade. Mas em pleno século XXI, esse tipo de notícia chega a ser esquisita… A igualdade deveria ser um direito desde sempre.
Foi como comemorar na Igreja SUD direitos iguais no sacerdócio para os negros em 1978, quando no Brasil a escravidão já tinha sido abolida quase um século antes, em 1888.
Uma igreja que se diz guiada por Deus deveria estar na vanguarda, à frente de seu tempo, mostrando o caminho. E não atrasada, sendo obrigada a correr atrás dos avanços do “mundo” para poder se adaptar e sobreviver.
Susana, Nao vejo assim, as mulheres nao sao tao excluidas na igreja, elas são oficiantes do templo, e realizam muitas outras tarefas imporantes na igreja.
Roberto, eu não disse que as mulheres são totalmente excluídas na Igreja SUD. Eu disse apenas que não há igualdade. E isso é fato. Enquanto no “mundo” as mulheres podem chegar aos mais altos cargos (como nossa presidente Dilma), na Igreja SUD não pode haver apóstolas, profetizas, nem sequer “bispas” (ou episcopisas). Não estou entrando no mérito da questão nem quero ouvir justificativas, só estou enunciando a realidade como ela é.
Susana Chaves, não tem como ser igual o que não é igual, isso dos dois lados. Minha opinião.
Falou e disse, Susana!
Independente da influência da campanha feminista na decisão da Igreja (que teremos confirmada apenas em abril), ela obviamente fortalece esse tipo de ação “popular” entre os membros sud. Por isso, a reivindicação de ordenações de mulheres ao sacerdócio pode ganhar mais força. http://fox13now.com/2013/03/21/feminists-call-for-lds-to-give-women-priesthood/
Parece que na opinião de alguns autores de artigos deste site somente as influências humanas são capazes de causar mudanças na Igreja. Decretaram o fim das revelações e da influência do Espírito Santo.
Parece que na opinião de alguns leitores deste site somente suas pré-concepções são capazes de determinar o sentido de um texto. Decretaram o fim da leitura e da importância do diálogo.
Antonio, o que eu disse foi apenas uma impressão do que eu tive e posso estar errado. Mas o fato é que os seus artigos e os do Marcelo Jun me deixaram confuso, a ponto de eu não querer ir mais à Igreja por alguns domingos e pensar se valeria a pena continuar. Não coloco toda a culpa em vocês, pois eu tenho meus problemas pessoais. Mas eu fico pensando o que ainda motiva você e o Marcelo Jun a continuarem serem membros da Igreja, pois vocês discordam de muitos ensinamentos e posições da liderança da Igreja. Talvez eu fique com essa dúvida por não conhece-los melhor e por meus problemas pessoais. De qualquer forma, peço desculpas se os estou julgando mal, e peço também que possa responder a este comentário através de meu e-mail. Ficarei muito grato.
Não poderia concordar mais, muito lúcido seu texto. Não sou membro, mas minha irmã é há mais de 10 anos. O silenciamento das mulheres dentro da Igreja é muito grande, à mulheres ficaram cargos práticos, como cuidar das crianças, não gosto da separação e do machismo que a Igreja mantém de modo velado. Hoje consigo achar muito absurda a máxima de evitar certas roupas para evitar que os homens pequem, usar só saia ou vestido aos domingos, etc. Não cogito mais fazer parte dela por causa disso.
Pedro, como você bem disse, no mormonismo a mulher não pode ter direitos iguais aos dos homens. É a posição oficial da Igreja SUD, que invoca motivos anatômicos intransponíveis para justificar as diferenças estanques nos papéis a serem desempenhados.
Felizmente o “mundo” não pensa assim e, pelo menos no Ocidente, consegue enxergar além da biologia. No “mundo”, mulher pode ser presidente de país, governadora, prefeita, senadora, deputada, CEO de grandes empresas – não precisa se limitar a liderar outras mulheres em organizações exclusivamente femininas (como Soc-Soc e Moças) e crianças (Primária).
No “mundo” as mulheres têm direitos iguais (e o céu ainda não desabou) e podem até dar ordens a homens – elas não precisam se restringir a fritar bolinhos em reuniões “de aprimoramento” e a curvar a cabeça para mostrar que vão seguir os conselhos do marido e dos líderes homens.
Quem perde é a própria Igreja SUD…
Os “direitos iguais” que as mulheres acreditam que alcançaram as tiraram do conforto e segurança de seu lar, fizeram-nas colocar os filhos sob cuidado de estranhas que, na maioria dos casos, têm formação inferior à da mãe, o que, como mãe e mulher, acho que é, sim, o céu desabando. Homens não dão à luz, cada um tem sua função, jamais serão iguais. Deixando o lar e a posição privilegiada de cultivar a mente e o caráter do futuro do mundo, ela apenas desceu de um patamar elevado e se sujeitou a ter que bater um cartão de ponto, trabalhar quando está com cólica, estressar-se com problemas de outros e ver a família “à distância”, pois não está no lar, onde é tão bom estar. A melhor coisa que uma mulher pode fazer é honrar sua feminilidade e entender sua posição honrada de dirigir o mundo ao criar seus filhos com retidão e verdade. Sinto pelas mulheres que não sabem quem são.
E isso tudo você aprendeu na Igreja, né? Porque é o mesmo discurso de várias moças SUD que conheço. Mulheres são seres pensantes, tão capazes quanto os homens, tão cheias de ideias quanto eles. Você acha que seu único papel no mundo é cuidar do lar e ser liderada pelo marido? O trabalho do lar é muito digno, criar os filhos também, mas acho justo que a uma mulher caiba escolher seu papel e lugar, ser dona de casa deve ser uma escolha e não uma imposição mascarada de ”revelação divina’. Se Deus pretendesse que tivéssemos papeis tão distintos, não teria feito mulheres e homens na mesma espécie.
Não poderia concordar mais, muito lúcido seu texto. Não sou membro, mas minha irmã é há mais de 10 anos. O silenciamento das mulheres dentro da Igreja é muito grande, à mulheres ficaram cargos práticos, como cuidar das crianças, não gosto da separação e do machismo que a Igreja mantém de modo velado. Hoje consigo achar muito absurda a máxima de evitar certas roupas para evitar que os homens pequem, usar só saia ou vestido aos domingos, etc. Não cogito mais fazer parte dela por causa disso.