Ex-Bispo Mórmon Solicita Transparência

Em janeiro de 2011, o Bispo Stephen Bloor da Ala de Helston, Estaca Plymouth Inglaterra, subitamente abordou o seu presidente de estaca e lhe pediu desobrigação imediata do cargo onde servira por mais de 7 anos.  Bloor, nascido e criado na Igreja SUD como membro multigeracional, havia decidido que suas crenças pessoais não eram compatíveis com sua posição de Bispo e que não poderia prosseguir no cargo com honestidade intelectual e espiritual.

Former Mormon Bishop of Helston in Cornwall, Steve Bloor, had his name removed as an LDS member

Ex-Bispo Mórmon da Ala de Helston, Stephen Bloor, teve seu nome removido à revelia

Não obstante, Bloor deixou claro que não desejava abandonar a sua religião de infância, e especialmente não tinha intenção de ferir os sentimentos e as sensibilidades de todos os seus amigos e familiares mórmons. Por isso, quando seu presidente de estaca lhe pediu ordenou que não falasse em público sobre suas leituras em historiografia mórmon ou seus questionamentos sobre homofobia institucional da Igreja SUD, Bloor imediatamente removeu o seu blog pessoal do ar, protegendo-o com senha para acesso apenas daqueles seus amigos íntimos, e não dos membros em geral.

Contudo, seus líderes não se satisfizeram com isso, e em uma reunião secreta, e em completa violação das próprias regras internas da Igreja, excomungaram-no, sem quaisquer notificações formais. Bloor simplesmente descobriu o fato há um ano atrás através de uma conversa informal entre algum líder e seus pais. Ao tentar acessar sua conta de membro no site oficial, Bloor percebeu que seu nome havia sido removido dos registros, apesar de repetidas afirmações verbais e por escrito que não desejava resignar da Igreja ou remover seu nome dos registros.

Bloor apelou da decisão sorrateira e ilegal à Primeira Presidência, porém teve seu pedido de apelação negada. Não se sabe ao certo se o pedido foi enviado e rejeitado em Salt Lake, ou se simplesmente nem fora enviado. Tampouco se sabe se Bloor fora formalmente excomungado ou se alguém forjou uma solicitação de remoção de nome. De qualquer modo, é

“A excomunhão é o pior castigo que pode ser entregue dentro da fé mórmon – é reservado para as piores ações e para um mórmon crente é visto como um destino pior do que a própria morte. E, no entanto, acredito que isso é efetivamente o que aconteceu comigo – é a excomunhão pela porta dos fundos porque a igreja não quer má publicidade. Disse repetidamente que desejava manter minha filiação e nunca fui informado de nenhum procedimento formal que pudesse levar à excomunhão. E, no entanto, meu nome foi removido como membro da igreja. Eu não acho que a excomunhão deva ter qualquer lugar em uma sociedade moderna. É uma punição medieval. O mormonismo é parte da minha identidade e eu não acho que a igreja deva ser capaz de erradicá-lo só porque eu tenho falado publicamente sobre minhas diferenças com suas crenças. A igreja quer controlar as pessoas e silenciar a liberdade de expressão. (…) Quando eu decidi falar publicamente foi me dito que eu perderia todos meus amigos. É uma fé que não se apodera apenas de sua vida religiosa, mas também de sua vida social. Você não tem tempo para outros amigos. E eu receio que o que me foi dito foi provado verdadeiro – dos mais de 300 mórmons que eu conhecia localmente, apenas um me contactou nos últimos 12 meses. É a forma final de humilhação tribal.”

O ex-Bispo, que se descreve pessoalmente como um mórmon descrente, relatou que fora convidado por seus líderes eclesiásticos para uma reunião informal para discutir o estado de sua relação à Igreja no dia 6 próximo futuro.

 

Bloor cita o amigo Ty Lundell, que reagiu forçosamente quando a Igreja SUD decidiu excomungar John Dehlin por advogar publicamente por uma política mais caridosa com a comunidade LGBT:

“Os presidentes de estaca consideram a excomunhão como uma maneira de proteger a Igreja. É bom para a igreja excomungar seus pensadores, praticantes e pessoas corajosas o suficiente para fazer perguntas difíceis e apontar deficiências óbvias?

Colocar o medo da separação eterna de Deus e da família em seus membros não é correto, e revela quanto medo e vergonha que a Igreja está abrigando. Colocar esse medo, o medo de não ter amor na vida após a morte, em seus membros não é a solução para as pessoas que iluminam as partes sujas da Igreja e perguntam “o que é isso?”

Qualquer instituição que expulsa pessoas que jogam luz nos seus lugares mais escuros e fazem perguntas desconfortáveis tem um problema perigoso. A Igreja não vem de um lugar de amor, mas de medo e vergonha. A Igreja não tem amor, porque não tem fé no diálogo aberto. Somente fé em controlar a mensagem.”

 

Bloor opõe-se ao conceito de excomunhão em princípio, articulando esses motivos:

1. É errado, por princípio, tentar apagar a cultura de alguém;

2. É errado tentar silenciar a liberdade de expressão;

3. É errado usar medo para manter membros sob controle;

4. É errado humilhar alguém publicamente por falar abertamente sobre suas crenças diferentes, ou por questionar dogmas estabelecidos;

5. É errado para uma corporação rica se mascarar como igreja e assegurar-se status legal de caridade e benefícios como isenção de impostos e não ser regulada por lei; [Leia mais sobre isso aqui]

6. É errado tentar vingar-se de mim por ter sido convocado como testemunha em um processo criminal por suposta fraude corporativa. [Leia sobre esse caso aqui]

Consequentemente, Bloor está publica e formalmente peticionando a Igreja para cumprir a lei do Reino Unido e liberar acesso aos documentos referentes à sua excomunhão, bem como as comunicações entre a Estaca de Plymouth e a Primeira Presidência concernentes ao seu caso. [Leia a petição online aqui]

 

10 comentários sobre “Ex-Bispo Mórmon Solicita Transparência

  1. irmãos, na verdade a igreja ensina e doutrina seus membros a não se aproximarem de pessoas que tem opiniões divergentes com os ensinamentos dos manuais. Se vc começar a contestar ou até mesmo a expressar sua opinião, será logo deixado de lado. Os “líderes” da ala pedem para os mais “firmes” que tomem cuidado com o irmão (ã) fulano (a), pois ele não sabe o que está dizendo. Assim como começam a se afastar daquele que tem opinião divergente. Falo isso por ser ´vítima dessas atitudes. Sempre fui firme na igreja, mas com os estudos e as orações que venho fazendo, percebi o quanto a igreja manipula seus membros. Resolvi entregar meu cargo na estaca, fui logo perguntado por meu presidente de Estaca se eu tava com problema, apenas disse que não concordava com certas opiniões e decisões que tinham nas reuniões de liderança. Não fui levado em consideração. O meu passou um ano sem me entrevistar, ocorrendo apenas no fim do ano, com acontece com muitos, onde é feito a entrevista para acerto do dízimo. Não consigo entender como o líder da ala apenas se preocupa com o membro se ele estiver pagando o dízimo certinho. Isso sempre fiz, mas em nenhum momento da entrevista foi falado sobre o assunto, apenas perguntou se eu estava com problema. Respondi que não posso concordar com o que não tem respaldo nas escrituras.
    Com isso resolvi testar o sistema, fiquei sem ir para a igreja. Nesse meio tempo, praticamente todos os líderes se afastaram. Não vem ninguém na minha casa, eu continuo participando de todas as atividades recreativas, mas nas reuniões dominicais eu resolvi não ir. Fui praticamente esquecido. Infelizmente, nos tornamos “Persona non grata”, simplesmente porque quis debater assuntos das reuniões dominicais e de quorum. Não tinha a intensão de contradizer ninguém, apenas somar aos debates das aulas. mas não fui bem interpretado.
    Se for para fazer parte de uma igreja em que não podemos expressar nossa opinião, prefiro aprender somente os ensinamentos puros de Cristo e não a orientação de líderes que não aceitam divergências.

    • Jrsilva, é bem isso mesmo que acontece, e aconteceu comigo e minha esposa. Vinte e dois anos de igreja e só duas pessoas vieram saber o porquê da resignação: o Pres. de estaca preocupado com a igreja e um membro preocupado em saber o motivo.

  2. Servi como Bispo da Igreja e aprendi que tem que ter muita sabedoria para excomungar alguém, na verdade a excomunhão só funciona em caso de reincidência de um pecado grave e quando a pessoa não quer parar de fazer o pecado grave. Nunca me interessei em usar meu chamado para humilhar e perseguir as pessoas. Na verdade se o fizesse seria destruido da pior forma como aconteceu com o Bispo do missionário retornado acima.

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