Por Que Tantos Mórmons Mentem e Xingam nas Redes Sociais?

Por que tantos mórmons mentem e xingam outras pessoas nas redes sociais apenas por relatar fatos ou expressar suas opiniões? Esse é o tipo de comportamento que se espera de um seguidor de Joseph Smith? Acreditam eles que isso é o verdadeiro espírito do cristianismo como pregado no Novo Testamento?

Consideremos alguns exemplos recentes. Ontem, publicamos um artigo sobre os comentários públicos de uma celebridade mórmon e ex-deputado federal. Jason Chaffetz foi à televisão comentar sobre a trágica morte de uma criança de 7 anos que morreu enquanto sob custódia do governo federal estadunidense. Ao invés de expressar consternação ou revolta de que políticas públicas criaram artificial e desnecessariamente as condições que levaram a uma morte facilmente evitável, Chaffetz decidiu utilizar essa morte para enviar uma mensagem pública contra refugiados.

Naturalmente, os comentários de Chaffetz causaram condenações e repúdios entre comentaristas e figuras públicas. Enquanto figura pública mórmon, naturalmente nós cobrimos seus comentários e suas repercussões. Não esperávamos, contudo, que a reação do público mórmon brasileiro fosse de nos xingar por cobrir esse evento público, e muito menos que mentissem para defender algo – o que, exatamente, defendiam não ficou muito claro. A Igreja? Não, porque o artigo nada falava da Igreja SUD. A si mesmos? Não, porque o artigo não falava de mórmons em geral. A Chaffetz? A morte da criança?

Vejamos alguns exemplos concretos:

Vcs são exs mórmons? Me parece ser e escumungados. Pois é muita informação tendenciosas a denegrir a igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos dias. Lamentável !

Nós somos “e escumungados”!

Vc são um lixo sensacionalista!!!!!

Não somos apenas “lixo sensacionalista (sic)”. Nós somos “lixo sensacionalista!!!!!”.

O pessoal da ABEM, deveria procurar o que fazer, do que ficar postando tantas asneiras, na igreja cada um faz da sua vida o que querem, temos o livre arbítrio, e tantas outras religiões, que roubam matam! Estupram e vocês acham lindo, respeitem as pessoas, o que a igreja fez contra vocês? Judas era discípulo de Cristo, e o mesmo o traiu, e ai Cristo o condenou? Vocês gostam de condenar e julgar, se acham deuses.

Nós somos deuses e achamos lindo estupro!

Muita besteira satanás sempre se esforçando pra levar uns com ele afff

Nós escrevemos “muita besteira satanás” apenas para “levar uns com ele afff”.

Vcs dessa associação são uns escrotos vivem querendo denegrir a imagem da igreja vai caçar o que fazer

Nós somos “uns escrotos”.  A “imagem da igreja vai caçar o que fazer”?

Acho que vocês são não tem muito o que fazer não. Porque não publicam as coisas boas que a igreja faz? E as milhares de almas que a igreja, ajudou a tirar da obscuridade, e tantas pessoas no mundo, que a igreja através dos serviços sociais. E de ajuda humanitária.

Não temos “muito o que fazer não”. E deveríamos publicar só o que ele quer.

Bom, publicamos sobre a “ajuda humanitária” da Igreja SUD.

E, por último, temos essa gema preciosa, que ousou complementar com mais detalhes.

Gente, quanto lixo escrito em um lugar só. A pessoa que escreveu isso simplesmente deturpou TODA a noticia. NADA escrito aqui é verossímil ou faz sentido. Não se deixem levar por notícias falsas. Estudem. Chequem os fatos. Sejam mais inteligentes.

Após nos haver xingado de “lixo”, acusou-nos de “deturp[ar] TODA (sic) a noticia (sic)”, de publicar “notícias falsas” e categoricamente afirmar que “NADA (sic) escrito” no artigo “é verossímil”, respondeu ao nosso desafio de especificar o que ele achava que havia sido “deturpado” no artigo.

Deixando de lado de que nenhuma pessoa sensata sai histericamente gritando que “NADA” era “verossímil” em qualquer artigo pelo simples fato lógico que estatisticamente isso beira o impossível (e.g., acertamos o nome da criança, acertamos o nome do ex-deputado, acertamos o destino final da criança, etc.), vejamos quantas mentiras ele precisa contar para defender suas acusações.

Vou escrever por partes, para ser específico e claro.

Primeiro ponto: Escrever que a retrospectiva de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias do ano de 2018 é resumida em um ex-deputado comemorar a morte de uma criança é um absurdo tremendo. Um ano cheio de mudanças positivas, como a ministração, os novos manuais, as milhares de ajudas a pessoas necessitadas e um novo profeta marcaram 2018. Já começaram errado.

Mentira #1: Em nenhum momento escrevemos que se tratava de uma “retrospectiva de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. O título da postagem no Facebook é, literalmente, “Retrospectiva Mórmon 2018”.

Nossos leitores assíduos, que são inteligentes e bem informados, sabem que nem todos mórmons são membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Nossos leitores assíduos, que são inteligentes e bem informados, sabem que mórmons representam uma cultura, uma sociedade, uma comunidade, interações pessoais e crenças populares que são independentes d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mesmo que haja intersecções ora mais intensas, ora mais superficiais.

Mentira #2: Em nenhum momento escrevemos que o “ano de 2018 é resumida em um ex-deputado comemorar a morte de uma criança”.

Nossos leitores assíduos, que são inteligentes e bem informados, viram que publicamos vários artigos nessa última semana sobre eventos de 2018 relacionados à cultura mórmon sob a égide “Retrospectiva Mórmon 2018”. Publicamos, por exemplo, esse sobre um posicionamento do Senador Federal Orrin Hatch. Publicamos esse sobre o reconhecimento público ao Profeta Dallin Oaks. Publicamos esse sobre uma revelação do Profeta Russell Nelson.

Além do contexto, facilmente checado por um rápido scroll pra baixo, nunca escrevemos nada remotamente sugestivo de que o “ano de 2018” de mórmons, da Igreja SUD, ou mesmo de Chaffetz fora “resumid[o]” por esse evento único.

Segundo ponto: me digam aonde que Jason Chaffetz comemorou a morte da criança? Essa é uma interpretação totalmente errônea e de má-fé. Esse título “Ex-Deputado Mórmon Comemora Morte de Criança” e a frase no artigo de vocês “…comemorou a morte de Jakelin…” já mostra que o autor não vê problema em mentir e distorcer mensagens para conseguir cliques/likes/causar no Facebook.

Mentira #3: Nós incluímos um parágrafo no artigo, alguns minutos após sua publicação, justamente para refutar essa mentira de que teríamos “menti[do]” ou “distorc[ido]” ou mesmo oferecido uma “interpretação totalmente errônea e de má-fé”. Ademais, incluímos uma tradução completa dos comentários de Chaffetz e o vídeo de seu comentário.

“A triste realidade é que temos uma menina de 7 anos que morreu, e ela nunca deveria ter feito aquela jornada. E essa deve ser a mensagem, não faça essa jornada, ela vai te matar.”

Um leitor honesto e atento teria, portanto, não apenas tido acesso ao vídeo e áudio do comentário em questão, como uma tradução plena, e seguido de explicação exata e precisa da questão justamente para evitar tais acusações mentirosas de “distorção” ou “má-fé”.

Você pode ler no artigo original essas explicações, porém por motivos didáticos, inclui-las-emos aqui:

Ao leitor que nos acusou de “sensacionalismo” no artigo acima, explicamos três pontos.

Em primeiro lugar, apontamos que o verbo “comemorar” literalmente significa “lembrar”, “trazer à lembrança”, e “recordar”. Chaffetz obviamente está defendendo utilizar a morte da criança para “mandar uma mensagem” e, portanto, está usando a lembrança dessa tragédia para seus fins ideológicos. Ou seja, ao invés de comiserar ou  expressar luto por sua morte, Chaffetz se aproveita dela.

Em segundo lugar, a natureza vil e imoral do comentário de Chaffetz foi notada por vários jornalistas, inclusive o artigo que nós havíamos citado originalmente que categoricamente afirma que Chaffetz “celebra a morte” da criança. Entre muitas reações (ver abaixo), o jornal de Utah The Salt Lake Tribune publicou editorial chamando-o de “vergonha para o estado de Utah” e uma “ironia [que ele seja] membro de, inclusive converso de, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias” por causa de seus comentários “repreensíveis” sobre a falecida criança.

(…)

E, finalmente, em terceiro lugar, se sua primeira reação ao ler esse artigo é tentar defender Chaffetz, ou a Igreja, ou qualquer posição política, ou mesmo minúcias jornalísticas, então sugerimos aproveitar o período de renovação para um novo ano para rever seus princípios morais e éticos.

Não culpamos ninguém por não saber todos os significados de todas as palavras da língua portuguesa, mas nossos leitores assíduos costumam estar familiarizados com a moderna invenção conhecida como dicionário.

Não obstante, quando nosso artigo explicitamente cita e referencia tal dicionário em defesa do linguajar deste mesmo artigo, acusações de distorções linguísticas soam nada aquém de desonestas.

Terceiro ponto: A pressão popular e o FBI pressionaram o ex-deputado como a esquerda tem feita com TODOS os políticos/pessoas que apoiam Donald Trump. Dizer que a Fox News é conhecida por JORNALISTAS SÉRIOS de Trump TV é um absurdo completo. Quem são os jornalistas sérios? Aqueles que apoiam o que VOCÊS concordam? Quem diz quem é sério e quem não é? A visão de esquerda/progressistas tem tomado conta de vários veículos de notícias, e tratar eles como jornalistas sérios é mostrar o seu completo viés.

Mentira #4: Nós nunca escrevemos que o “FBI pression[ou] o ex-deputado”.

Mentira #5: “Dizer que a Fox News é conhecida por JORNALISTAS SÉRIOS de Trump TV é um absurdo completo.”

Gritar histericamente não altera os fatos! Nossos leitores assíduos, inteligentes e bem informados, sabem que quando as palavras em um texto brilham numa cor diferente é porque ali está incluído um hyperlink, e sabem que podem clicar nesse hyperlink que encontrarão documentação para o texto que está ali, brilhando numa cor diferente.

Então, quando escrevemos que o canal Fox News é “conhecido entre jornalistas sérios como ‘TV Trump’“, leitores inteligentes e bem informados saberão que o texto “TV Trump” brilhando em outra cor inclui um hyperlink que documenta justamente isso: jornalistas sérios chamando Fox News de TV Trump! Neste caso específico um artigo da The New Republic. Mas poderia ter sido da Foreign Policy. Poderia ter sido do Los Angeles Times. Poderia ter sido da CNN ou da The Hill. Poderia ter sido do The Washington Post. Poderia ter sido da Esquire. Poderia ter sido da MSNBC. Poderia ter sido da New Statesman. Poderia ter sido de um jornalista da Fox News admitindo sofrer ao repetidamente ouvir essa crítica de seus colegas e competidores. Poderia ter sido da Al Jazeera com a chamada:

Trump TV: Como é a abordagem da Fox com más notícias de Trump

Como a Fox News cria uma realidade alternativa e como ela minimiza os indiciamentos contra assessores de Donald Trump.

Mentira #6: “Quem são os jornalistas sérios? Aqueles que apoiam o que VOCÊS concordam? Quem diz quem é sério e quem não é? A visão de esquerda/progressistas tem tomado conta de vários veículos de notícias, e tratar eles como jornalistas sérios é mostrar o seu completo viés.”

CNN. The Washington Post. Al Jazeera. Los Angeles Times. New Statesman. Foreign Policy. The Hill. MSNBC.

Nós não escolhemos quem são os jornalistas sérios. Eles se escolhem. Como qualquer pessoa inteligente e bem informada, nós procuramos ler jornais distintos, de viés distintos, e apenas depois formar nossas opiniões e narrativas, ao invés de escolher um viés (e.g., como alguém que parece ter raiva explícita de “esquerda/progressistas”) antes de ler para escolher quais vai ler e quais não vai ler.

Quarto Ponto: Jason Chaffetz falou a verdade. Não façam a viagem de milhares de km sem comida, água e descanso. Não façam crianças pequenas fazerem essa viagem tortuosa. A viagem sim mata. É perigoso, o risco de morte é alto. Fatos.

Mentira #7: Como explicamos claramente no artigo, e como incluímos hyperlinks para artigos que explicam isso ainda mais a fundo:

  1. A criança estava bem até o último trecho da viagem;
  2. O último trecho da viagem foi de apenas 90 minutos a pé pelo deserto;
  3. A criança começou a adoecer sob custódia dos agentes federais;
  4. A criança passou 48 horas em custódia dos agentes federais antes de falecer;
  5. A criança poderia ter se apresentado a um dos portos regulares de imigração sem ter que atravessar o deserto fosse 3 anos atrás, exceto que o governo federal vem dificultando acesso aos tais portos regulares de imigração, o que acaba forçando refugiados a buscar acessos mais arriscados;
  6. O “risco de morte é alto” por causa das políticas do governo federal dos EUA em dificultar acesso aos portos de entrada, o que pode ser demonstrado facilmente com o aumento súbito e progressivo dos eventos fatais com o concomitante aumento progressivo da restrição federal.

Quinto ponto: a menina morreu de sepsis. O pai da menina disse que ela não comia nem bebia água a dias, ANTES de chegar na fronteira. Ela chegou a fronteira com uma febre alta. A falta de cuidado do pai matou a filha. Fatos.

Mentira #8: O pai nunca “disse que ela não comia nem bebia água a (sic) dias”. Aliás, ele disse exatamente o contrário.

Mentira #9: A criança só começou a apresentar febre 8 horas após estar sob custódia dos agentes federais.

Mentira #10: A causa da morte não foi confirmada porque resultados da autópsia não foram disponibilizados ainda. Portanto afirmar “sepsis” (sic) como causa de morte é nada mais que especulação irresponsável. Dito isso, é curioso lembrar que se a autópsia realmente confirmar que ela faleceu por sepse, então poder-se-ia categoricamente descartar desidratação ou desnutrição como causa de morte.

Sexto ponto: O governo federal estadunidense vem criando enormes dificuldades para a imigração legal. Essa foi a unica coisa que vocês acertaram. E os EUA fazem isso pq é a LEI. É a LEI AMERICANA entrar nos EUA nas medidas corretas, coisa que os imigrantes hoje pouco fazem.

Mentira #11: “Essa foi a unica (sic) coisa que vocês acertaram” expõe a mentira gritada de que “NADA (sic) escrito” no artigo “é verossímil”!

Mentira #12: Como havíamos explicado no artigo de ontem, refugiados centro-americanos têm o direito, tanto pelas leis norte-americanas, como pelas leis internacionais, a chegar à fronteira dos EUA e solicitar asilo. Foi exatamente o que a criança e os demais 161 refugiados com ela fizeram. Chegaram à fronteira dos EUA e se entregaram às autoridades federais, solicitando asilo, de acordo com a lei.

Mentira #13: O Comitê de Direitos Humanos da ONU vem criticando como ilegal “as enormes dificuldades” que o governo estadunidense vem impondo nos refugiados e reclamantes a asilo e/ou imigração legal.

Contudo, muito além da questão de legalidade ou ilegalidade, resta a questão de moralidade e ética. É moral ou ético propositadamente expor a riscos de vida crianças e famílias fugindo de violência, guerra, e fome?

Mórmons se dizem cristãos. É da filosofia cristã arriscar a vida de crianças para “proteger o que é seu”, por algum conceito de “soberania nacional”, ou para garantir “as leis”? Por que mórmons como Chaffetz creem que é aceitável arriscar a vida de crianças por tais argumentos? Por que mórmons brasileiros, quando confrontados com essas questões filosóficas e morais, preferem xingar e mentir ao invés de discuti-las?


Para ouvir os choros de crianças separadas a força de seus pais “para enviar mensagem”, como diz Chaffetz, clique aqui. Para ler as reações de jornalistas e figuras públicas às declarações de Chaffetz, clique aqui.

11 comentários sobre “Por Que Tantos Mórmons Mentem e Xingam nas Redes Sociais?

  1. Sabe aquele rapaz com quem a namorada termina; que posteriormente encontra outra namorada, diz que é feliz/pleno com ela… mas não para de falar da ex, não esquece ela e se concentra em tudo que ela faz… sabe esse cara?
    Pois é… o exemplo acima, simplíssimo, mas fundado na pura psicologia comportamental, bem como numa visão analógica das teorias de Saviani e Vygostky, explica o porquê de um site como esses: “Associação Brasileira de Estudos Mórmons”.
    Seria cômico se não fosse trágico.

    • Falando de experiência pessoal, Vinícius? Não seja esse cara.

      Bom, ao menos no nosso site todos os hyperlinks funcionam, e não são de mentirinha apenas para inglês ver.

      Agora, falando sério. Agradecemos o seu comentário que nada mais prova o ponto do artigo acima. Corroboração, e documentar tais corroborações, sempre é importante.

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