Poligamia é, historicamente, um dos fatores mais formativos e impactantes para a formação, tanto da Igreja Mórmon, como de toda cultura mórmon.
“Isso não é necessário para a minha exaltação.”
Com essa afirmação, contudo, muitos mórmons evitam discutir assuntos sobre sua própria história, ou mesmo sobre a teologia ou a doutrina mórmon, e até mesmo sobre eventos atuais.

Capa do livro ‘Fastasmas da Poligamia: Assombrando os Corações e o Céu de Mulheres e Homens Mórmons’ de Carol Lynn Pearson, que explora a ansiedade de mulheres mórmons contemporâneas com o conceito de poligamia na vida após a morte
Independente de que cada membro da Igreja, individualmente, opte por ignorar sua história ou teologia ou cultura, seria poligamia um princípio “necessário para exaltação” na fé mórmon?
O que disseram Profetas e Apóstolos da Igreja SUD a respeito disso?
Joseph Smith:
“… a doutrina do casamento plural e celestial é a doutrina mais sagrada e importante já revelada ao homem sobre a terra, e que, sem obediência a este princípio nenhum homem pode jamais alcançar a plenitude de exaltação na glória celestial.” (Diário de William Clayton, 12 Jul 1843, Church History Library, MS 3423)
Brigham Young:
“[O casamento plural] está intimamente ligado com a exaltação do homem, mostrando como ele se torna exaltado para ser um rei e um sacerdote – sim, assim como um Deus, como seu Pai Celestial. Sem a doutrina que esta revelação revela, nenhum homem na terra jamais poderia ser exaltado para ser um Deus.” (Journal of Discourses 6:282)
John Taylor:
“…[O] sistema [de casamento] com apenas uma esposa não apenas degenera a família humana, tanto fisicamente como intelectualmente, mas é inteiramente incompatível com noções filosóficas de imortalidade; é uma isca para tentação, e comprovadamente sempre foi uma maldição para os povos. Portanto, eu vejo a sabedoria de Deus em não tolerar qualquer sistema semelhante entre os dignos [da glória] celestial que serão reis e rainhas em Deus para sempre.” (The Latter-day Saints’ Millenial Star, volume 15, página 227)
John Taylor (Revelação de 1886):
“Meu filho John, hás me questionado sobre o Novo e Sempiterno Convênio e o quão obrigatório deve ser ao meu povo. Assim diz o Senhor: Todos os mandamentos que Eu comando devem ser obedecidos por aqueles que se chamam por Meu nome, a menos que tenham sido por Mim revogados ou por Minha autoridade, e como posso Eu revogar um convênio eterno, pois Eu o Senhor sou eterno e Meus eternos convênios jamais podem ser anulados ou ignorados, mas permanecerão para sempre.
Não dei a Minha palavra com grande clareza sobre este assunto? E não houve grande números do Meu povo sendo negligentes na observância da Minha lei e em guardar os Meus mandamentos, e ainda assim Eu os suportei por todos estes anos; e isto por causa de suas fraquezas, por causa destes tempos perigosos, e ademais, é mais aprazível para Mim que os homens usem de seus livre-arbítrios nestes assuntos.
Não obstante, Eu o Senhor não mudo e Minha palavra e meus convênios e minha lei tampouco. E como Eu já proclamei ao Meu servo Joseph: Todos que desejam entrar na Minha glória devem obedecer a Minha lei. E não comandei aos homens que, sendo da semente de Abraão, e desejando entrar na Minha glória, eles devem fazer as obras de Abraão? Eu não revoguei esta lei, e tampouco o farei, pois é eterna, e aqueles que desejam entrar na Minha glória devem obedecer estas condições; assim será, Amém.” (Manuscrito descoberto entre os documentos pessoais de John Taylor por seu filho, o Apóstolo John W. Taylor, que fez a seguinte anotação: “Meu pai recebeu esta revelação que, contudo, nunca foi apresentada à Igreja.” Arquivos de John W. Taylor, 22 Fev 1911)
Heber C. Kimball:
“Eu não teria medo de prometer a um homem com sessenta anos de idade, se ele ouvir o conselho do irmão Brigham e de seus líderes, que ele vai rejuvenecer-se em sua idade. Eu tenho notado que um homem que tem só uma esposa, e está inclinado a essa doutrina, que logo começa a murchar e secar, enquanto um homem que entra em pluralidade [de esposas] parece refrescado, jovem e enérgico. Por que é assim? Porque Deus ama aquele homem, e porque ele honra Sua obra e Sua palavra. Alguns de vocês podem não acreditar nisso; mas eu não só acredito nisso – eu também sei disso. Para um homem de Deus ser confinado a uma esposa é um mau negócio; pois já é tanto quanto nós podemos aguentar agora para manter-nos sob os fardos que temos de suportar; e eu não sei o que deveriamos fazer se tivéssemos apenas uma esposa cada.” (Journal of Discourses 5:18)
Orson Pratt:
“Haverá muitos que não ouvirão, haverá o tolo no meio dos sábios, que não receberá o novo e eterno convênio em sua plenitude, e nunca irá atingir a sua exaltação …” (Journal of Discourses 1:65)
George Q. Cannon:
“Não é uma barganha cara que eles são convidados a fazer? Trocar toda a esperança de felicidade eterna com esposas e filhos na presença celestial de Deus e do Cordeiro pelo favor miserável do mundo! Tão intimamente entrelaçada é a doutrina [do casamento plural] com a exaltação de homens e mulheres no grande porvir que não pode ser abandonada, sem desistir-se ao mesmo tempo toda a esperança de glória imortal.” (Juvenile Instructor 20:136)
Joseph F. Smith:
“Algumas pessoas têm suposto que a doutrina do casamento plural era uma espécie de superfluidade, ou algo não-essencial, para a salvação ou exaltação da humanidade. Em outras palavras, alguns dos Santos disseram, e acreditaram, que um homem com uma mulher, selada a ele pela autoridade do Sacerdócio para o tempo e a eternidade, receberá uma exaltação tão grande e gloriosa, se ele for fiel, quão ele poderia possivelmente com mais de uma [esposa]. Quero aqui entrar meu protesto solene contra essa idéia, pois sei que é falsa. Não há bênção prometida senão sob específicas condições, e nenhuma bênção pode ser obtida pela humanidade, exceto através do fiel cumprimento das condições, ou lei, sobre as quais a mesma é prometida. O casamento de uma mulher a um homem, para o tempo e para a eternidade pelo poder de selamento, de acordo com a lei de Deus, é um cumprimento da lei celestial do casamento [apenas] em parte – e é bom até onde dá – e conquanto o homem cumpra essas condições da lei, ele receberá sua respectiva recompensa, e essa recompensa, ou bênção, ele não poderia obter por qualquer outro motivo ou condição. Mas este é apenas o começo da lei, não ela toda. Portanto, quem imaginou que poderia obter a plenitude das bênçãos relativas a essa lei celestial, cumprindo apenas uma parte de suas condições, enganou-se. Não se pode fazê-lo.“ (Journal of Discourses 20:28)
Joseph F. Smith:
“O casamento de uma mulher com um homem para o tempo e a eternidade pelo poder de selamento, de acordo com a vontade de Deus, é um cumprimento da lei do casamento celestial em parte – e é bom o suficiente temporáriamente – e assim tanto quanto um homem habita estas condições da lei, ele receberá a sua recompensa por isso, e essa recompensa, ou bênção, ele não poderia obter por qualquer outra razão ou condições. Mas este é apenas o início da lei, e não a totalidade. Portanto, quem imaginou que ele poderia obter a plenitude das bênçãos pertencentes a esta lei celestial, através do cumprimento de apenas uma parte de suas condições, tem enganado a si mesmo. Ele não pode fazê-lo.” (Journal of Discourses 20:28)
Joseph F. Smith:
“Nós, a Primeira Presidência e apóstolos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, pedimos respeitosamente a Vossa Excelência conhecer os seguintes fatos: Nós anteriormente ensinamos ao nosso povo que a poligamia ou Casamento Celestial, conforme ordenada por Deus por intermédio de Joseph Smith estava certa; que era uma necessidade para a maior exaltação do homem na vida futura.” (CPI Reed Smoot v. 1, p. 18)
Bruce R. McConkie:
“… O Senhor freqüentemente comandou seus santos antigos para praticar o casamento plural … toda a história da antiga Israel era uma em que a pluralidade de esposas era a ordem ter divinamente aceita e aprovada de matrimônio. Milhões de pessoas que entraram nesta ordem receberam para si, nela e por ela, exaltação eterna no céu mais alto do mundo celestial … o Profeta e irmãos dirigentes receberam a ordem de entrar na prática, o que fizeram em toda a virtude e pureza de coração … Obviamente, a prática sagrada começará novamente após a Segunda Vinda do Filho do Homem e a inauguração do milênio … “ (Mormon Doctrine, p. 522)
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, março 2019:
Evitar a especulação
Não faça especulações sobre se o casamento plural é um requisito para o reino celestial. Não sabemos se o casamento plural será um requisito para a exaltação. (Doutrina e Convênios e História da Igreja — Manual do Professor do Seminário, publicado no site oficial da Igreja SUD, março 2019)
Sou membro ativo, acredito em Deus mais do que nos homens, apesar de apoiar meus líderes, não os importuno com minhas indagações, creio que o melhor e mais perfeito canal de adoração e diálogo aberto deve ser estabelecido com Deus nosso Pai.
Sobre o tema explorado, os comentários desses líderes não passam de pura especulação. Eles se basearam em práticas ainda comuns em alguns povos no oriente médio, de cultura islâmica, praticantes da poligamia. Povos retrógrados que subjulgam a mulher, em alguns países elas não tem direitos civis, se quer podem dirigir ou adquirir uma profissão. A quantidade de mulheres é um status social, indicando superioridade material e familiar. Portanto erraram em querer por quaisquer razões especular que tal prática fosse um mandamento em pleno séc. XVIII no ocidente.
Alguns comentam com base numa retórica fria da biologia natural, na perpetuação da espécie humana, com objetivo de a poligamia perpetuar a espécie humana, tal qual outras espécies o fazem, criando um dilema, caráter divino versus caráter carnal? Qual argumento puramente biológico se encaixa mais com a tal perspectiva eterna que devemos manter? Sexo é realmente a coisa mais importante?
Lendo a publicação, meu modesto entendimento me remete a reflexão: será que contextos bíblicos de milhares de anos atrás servem para embasar tal prática? Na verdade impressiona é a ousadia em reaproveitar aspectos culturais ou ensinamentos daquelas épocas selencionando-os para aplicá-los sob a premissa de que é uma revelação moderna. A “restauração” de uma prática que caiu em desuso nos tempos pós Cristo, o mesmo advertiu sobre a fornicação e o adultério, nasceu em uma família monogâmica.
Mas agora a igreja nao tem mais aulas de doutrina… Apenas debates…. Pra que temas profundos como esse???? Alienacao total.