“O Evangelho da Esposa de Jesus”

Papiro copta faz referência à esposa de Jesus Cristo

Uma historiadora da Universidade de Harvard, especializada em cristianismo primitivo, identificou um pequeno fragmento de papiro em que Jesus Cristo é citado falando de sua esposa. A Dra. Karen L. King e sua equipe trabalharam sobre o pequeno fragmento de apenas oito linhas, partindo da ideia de que poderia ser uma fraude. Mas a conclusão unânime foi de que não era. O fragmento de “O Evangelho da Esposa de Jesus”, como foi nomeado o texto, é um documento autêntico em um dialeto do copta, idioma egípcio escrito com caracteres gregos, provavelmente do séc. IV.  O recorte do fragmento faz com que nenhuma frase esteja completa. Mas em meio à narrativa de um debate entre Cristo e seus discípulos, é possível ler “Jesus disse a eles: ‘Minha esposa…'”. Essa é a primeira alusão na primeira pessoa ao matrimônio de Cristo em um evangelho apócrifo. Logo abaixo, lê-se “e ela será capaz de ser minha discípula”.

Ao contrário do que foi dito ontem no telejornal de maior audiência no Brasil, a Dra. King declarou em entrevista ao New York Times que não considera o papiro como um prova de que Jesus tenha sido casado. Como historiadora (e não teóloga) analisando um texto (e não o homem histórico do qual ele fala), ela considera o texto como uma evidência de que existia entre os cristãos dos primeiros séculos a crença de que Cristo havia se casado. Essa é uma diferença importante, em termos acadêmicos, especialmente tendo em mente a possível datação do documento e o fato de que nesse mesmo período um autor cristão faz a afirmação de que Jesus não era casado.

De acordo com a pesquisadora, o próprio estado precário do fragmento pode ter sido resultado dos acirrados debates em torno da vida pessoal de Cristo e suas implicações para os cristãos:

É possível que a referência explícita ao estado civil de Jesus (…) tenha sido jogada numa pilha de lixo não (apenas?) porque o papiro em si estivesse gasto ou estragado, mas porque as ideias que continha iam tão fortemente contra as correntes ascéticas para onde corriam as práticas e entendimentos cristãos do casamento e intercurso sexual? Talvez. Nunca saberemos com certeza. (“Jesus said to them, ‘My wife…“, penúltima página)

Aqui o passado parece falar ao presente, uma vez que o universo religioso hoje também debate questões relacionadas a casamento, gênero e sexualidade. E até mesmo a cultura popular reflete e promove esse debate. O Código Da Vinci causou polêmica em anos recentes ao falar de Jesus Cristo ter sido casado e deixado descendentes. Tal debate poderá ser reaceso com a tradução do novo papiro copta? A referência errada no Jornal Nacional já nos indica o potencial de excitar a imaginação de muitos.

Para os santos dos últimos dias, esse debate tem uma enorme relevância, dado o fato de que Joseph Smith foi um proponente da ideia de Cristo ser casado, além da história mórmon nos mostrar o papel mais ativo que mulheres já tiveram no passado, impondo as mãos sobre doentes ou falando em línguas. Será que a pesquisa acadêmica nos ajudará a apreciar melhor ensinamentos já varridos para baixo do tapete?

Não estou certo sobre as possíveis repercussões dessa recente descoberta no mundo mórmon. Ou mesmo para o cristianismo em geral. Talvez não haja nenhuma mudança de percepção. Afinal, há um grande vácuo entre o que transcorre no mundo acadêmico e o que se ensina nas igrejas. Mas torço para que pesquisas como a da Dra. King possam, ao menos, nos traçar um retrato ainda mais claro do rico e tumultuado cristianismo dos primeiros séculos.

83 comentários sobre ““O Evangelho da Esposa de Jesus”

  1. Muito bem dito, Antônio.

    Acho que muitos Santos dos Últimos Dias vão pensar que a idéia que Cristo fosse casado é óbvio e aceitar esse documento como uma prova. Mas não é prova.

    No entanto, como professor de seminário (no qual estamos estudando o novo testamento este ano) vou sim falar deste texto para os meus estudantes, pois acho que ele mostra algo importante sobre o mundo cristão logo após o tempo de Cristo e sobre o que está dito no novo testamento.

      • Desculpe Irmão, mas você esta equivocado quanto a acreditar que cristo nunca foi casado. Primeiramente como tradição da época, todo homem para se ter o respeito e ministrar era preciso ter barba, depois 30 anos como era a lei da época. O mesmo era para os demais sacerdotes e demais oficios. Assim como cristo antes de ressuscitar não disse de si mesmo ser perfeito, mas somente o Pai Eterno, estava ele embaixo da mesma lei que os demais Homens. Outro ponto interessante que acredito que você não observou, foi que na ressurreição, maria foi a primeira a vê-lo e Ele não a Permitiu toca lo. Momentos depois as demais mulheres que o viram, o fizeram. Espero que reflita sobre isso, Primeiro estude, pondere, ore e pergunte ao Pai sobre estas e quaisquer outras coisas e ele irá lhe confirmar a verdade. Assim, não falaremos asneiras quanto a seriedade do evangelho e de seus assuntos sagrados sem profana-los.

      • Eu sei que a maioria de voces mormons sao sinceros em suas crenças mas examinem estudem bem a Biblia e verao que Cristo jamais foi casado A Biblia menciona a sogra de Pedro mas nao diz nada sobre esposa ou sogra de Cristo O casamento de Cana da Galileia nao poderia ser o de Cristo como voces dizem por que o texto diz que Jesus e seus discipulos foram convidados e um noivo nao e um convidado de seu proprio casamento Siga a Biblia e nao Joseph Smith

      • Sei que existe a dificuldade em acreditar em tal Principio, por mais que não seja ensinado pela igreja de jesus cristo.
        Mas a possibilidade de ter acontecido é maior que 50% ainda mais que, o Proprio Cristo estava abaixo da lei (por isso desceu a baixo de todas as coisas para dar o exemplo) ele nunca ensinou nada sem praticar, mesmo sendo o filho de Deus.
        Não podemos aplicar o conceito de popular: Faça o que eu Digo e não faça o que eu Faço a Jesus Cristo. Por que a Nosso senhor aplicou se a Ele e a nós também o seguinte correto conceito: Faça o que eu digo e Faça o que EU Faço.
        Não quero instigar aqui uma discussão, apenas quero esclarecer como muitos de nós estamos presos a termos, paradigmas instituídos pelos homens que, quando precisamos ser corrigidos, levamos tempo para aceitar tal correção.

        Quanto a Joseph e ao Mormonismo, a Bíblia faz tantas menção a ambos que só quem não estuda, não consegue ver.A nível de conhecimento o velho testamento faz maior referencia ao período de 1800 do que qualquer outra epoca. E como você Disse Marcelo, devemos estudar a Biblia.
        Poderia Citar inúmeras passagens de escrituras e contextos históricos que se referem a esta época, mas assim como o salvador, não basta ensinar, é preciso instigar o pensamento de quem ouve.

        Lembramos que: Informação nunca foi Conhecimento, mas conhecimento foi gerado pela informação!

        Um forte Abraço Marcelo.

    • Jesus Cristo disse que ele nao tinha aonde reclinar a cabeça como que ele podia ser casado sigam a Biblia e nao essas falsas teorias a Biblia esta muito acima desse documento

      • Oi, Marcelo. A parte dele não ter onde reclinar a cabeça é sobre não ter posses materiais, não? Fiquei sem entender onde entra não ter esposa aí.

      • Marcelo meu xara! Infelismente nossa escritura mas antiga foi adulterada, em 307 D.C houve uma reuniao chamada “concilio de niceia” onde o imperador “pagao” Constantino dirigiu, e o motivo dessa reunião foi com varias autoridades da epoca decidir o futuro do cristianismo, e costantino possuia as sagradas escrituras em suas maos, resumindo um pagam decidiu oque iria continuar e oque iria ser excluido. Marcelo pesquise sobre o concilio de niceia vc ficara chocado.

    • Eu também acredito que Cristo foi casado. Mas como afirmo no texto acima, o fragmento encontrado não é uma evidência desse fato; é uma evidência de que cristãos nos primeiros séculos acreditavam nisso. Se for mantido o consenso entre os pesquisadores de que é um papiro autêntico, ele poderá contribuir para esse entendimento maior do cristianismo primitivo como uma religião heterogênea e com seus próprios conflitos entre diferentes grupos.

      Já tinha ouvido antes de outro sud essa ideia de que Cristo casou e não teve filhos. Não sei se aqui se trata da versão sud do “Cristo assexuado”, mas fico imaginando como seria possível um casal judeu à época não ter filhos, sendo fisicamente saudável.

      Sempre achei interessante essa afirmação de que ter filhos não é um requisito para exaltação e gostaria de saber também como seus proponentes explicariam isso através das escrituras. Parece ser uma doutrina mórmon brasileira, acredito, motivada pelas condições e anseios econômicos de hoje.

      • leia a biblia e vera que cristo foi convidado no casamento de cana da galileia se fosse ele o noivo como poderia ser convidado parem com essas blasfemias contra o nosso senhor jesus cristo essa doutrina de joseph smith e espuria do paganismo

      • Desculpe Irmão, mas você esta equivocado quanto a acreditar que cristo nunca foi casado. Primeiramente como tradição da época, todo homem para se ter o respeito e ministrar era preciso ter barba, depois 30 anos como era a lei da época. O mesmo era para os demais sacerdotes e demais oficios. Assim como cristo antes de ressuscitar não disse de si mesmo ser perfeito, mas somente o Pai Eterno, estava ele embaixo da mesma lei que os demais Homens. Outro ponto interessante que acredito que você não observou, foi que na ressurreição, maria foi a primeira a vê-lo e Ele não a Permitiu toca lo. Momentos depois as demais mulheres que o viram, o fizeram. Espero que reflita sobre isso, Primeiro estude, pondere, ore e pergunte ao Pai sobre estas e quaisquer outras coisas e ele irá lhe confirmar a verdade. Assim, não falaremos asneiras quanto a seriedade do evangelho e de seus assuntos sagrados sem profana-los.

      • Gente,vamos esclarecer ao irmão Marcelo Pereira Cândido que esse debate,na verdade ,são opiniões individuais e inteligentes de membros da Igreja que buscam,ponderam,investigam a Doutrina. .Em nenhum momento Marcelo, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias,a quem vc,sem conhecer,de fato,ofende tanto,fez tal afirmação.Mas podemos, pensar,refletir de forma vertical qualquer assunto doutrinário ,porque para isso nos foi dado a capacidade e o potencial para fazê-lo.Isso é Inteligência,a origem da criação do homem.Depois,o próprio Senhor, revelou em Tiago 1:5 que podemos buscar sabedoria e que nos será dado se tivermos fé para perguntar,em nada duvidando.Eu acrescentaria ainda: “e humildade para compreender as respostas quanto aos mistérios de Deus,caso nos seja revelado”.

      • Bem lembrado, Cristiane. Por isso eu falei “a ideia”. Adiante escrevi “eu acho”, indicando que são opiniões pessoais.

      • Tanto não é oficial que a igreja emitiu uma declaração esclarecendo o caso:

        “A crença de que Cristo foi casado nunca foi uma doutrina oficial da igreja. Essa ideia não é nem autorizada nem ensinada pela igreja. Embora alguns líderes da igreja do século XIX expressaram suas opiniões sobre essa questão, a ideia não foi então, e nem é agora, uma doutrina da igreja.” Dale Bills (porta-voz da igreja), como visto em The Salt Lake Tribune, 19 May 2006.

      • Minha intençao nao foi ofendera fe a crença de ninguem E que ja li em livros e artigos da internet que os primeiros lideres mormons ensinaram que Cristo era casado e poligamo e que ate Deus Pai e casado e poligamo Sou evangelico da Igreja do Evangelho Quadrangular e procuro ficar em comunhao com pessoas de outras denominaçoes sem querer discutir ofender Nao sou de ofender a fe e crença de ninguem Se as vezes sou veemente na discussao e por zelo ao Nosso Jesus Cristo

      • Não tive a intenção de ofender mas tudo bem somos irmãos em Cristo apesar de algumas opiniões divergentes

  2. Embora ter filhos não seja pré-requisito, tê-los também não impede. Portanto, que foi pluralmente casado, prática comum na época, é possível argumentar, e mesmo que ainda não seja possível argumentar se deu tempo Dele ter tido filhos, nada também é dito que se oponha a esta possível condição de paternidade física.

    • Olá David Marques e Antônio Trevisam, conheço os dois, sei que são gigantes em conhecimento e eu sou um simples plebeu rs… Mas a questão é interessante, o Homem que dá as Leis precisa vivê-las, e acredito que Cristo pra criar força e poder no Mandamento precisou dá o exemplo. Doutrina e Convênios 122:6-7, dá uma grande Luz de compreensão sobre esse assunto pois nesses versículos diz que Cristo desceu abaixo de todas as coisas descritas, e isso serviria de experiência para Joseph… Agora, se deu tempo Dele ter tido filhos, acredito que sim. Agora algo é bem claro e lógico, tanto que o próprio nome já diz: “Poder de Procriação”. É pra ser usado com o Divino propósito de prover Tarbenáculos. Sou muito grato por meus Pais terem deixado eu nascer, e por quê eu seria agora egoista de não fazer pro outros o que foi feito por mim?… Claro que não é fácil a responsabilidade de ser pai, mas se tenho Saúde e Condição financeira, por quê não? Sei claramente que também preciso dar o exemplo no assunto, mas estou aqui compartilhando meu pensamento sobre esse assunto.
      Um abraço Caros amigos.

  3. Eu acredito que Cristo foi casado e não vejo nada demais nisso, pelo contrário… se ele veio a terra cumprir todos os mandamentos, acho que ele deve ter sido casado sim…

  4. Oi Márcio Gomes… Que saudades!!!

    Conheço bem o Antonio, por isso entendo que a voz de Sócrates soa muito bem por mim e pelo ele: “Só sei que nada sei”! rsrsrs

    Continuando…

    Acredito que Cristo ter sido casado e consequentemente tido filhos (Sarah e outros) já está se tornando de comum aceitação entre os crentes mais intelectualizados, a despeito de as páginas especulativas somar montantes imensos quase sem valor ao meio acadêmico.

    Como já dito no texto, a abordagem SUD já é bem clara… No entanto, é possível que a questão d’Ele não só ter sido casado, mas PLURALMENTE casado, seja de conhecimento menos difundido, e no meu entender, valeria um rico debate.

    Vejam:

    “Lembramos que certa vez houve um casamento em Canaã da Galiléia; e com uma leitura cuidadosa do acontecimento, será descoberto que ninguém menos que Jesus Cristo se casou naquela ocasião. Se ele nunca foi casado, sua intimidade com Maria e Marta e a outra Maria a quem Jesus também amou deveria ter sido altamente inadequado e inapropriado, para dizer o melhor. Aventuro-me a dizer que Jesus Cristo passasse hoje pelos mais pios países da cristandade com um grupo de mulheres tal como o que costumava segui-lo, dando-lhe carinho, penteando seu cabelo, o ungindo com precioso óleo, lavando seus pés com lágrimas, e os secando com seus cabelos, sem serem casadas, ou mesmo sendo casadas, ele seria linchado, coberto de piche e penas, e não andaria sobre um jumento, mas sobre uma vagão.” (Orson Hyde, J.D. 4:259)

    “A grande razão para o estouro do sentimento público em anátemas contra Cristo e seus discípulos, causando sua crucificação, foi evidentemente baseado na poligamia, de acordo com o testemunho de filósofos que viveram na época. Uma crença na doutrina da pluralidade de esposas causou a perseguição de Jesus e seus seguidoes. Podemos até pensar que eles eram “mórmons”.” (Jedediah Grant, J.D. 1:346)

    “Uma coisa é certa: havia diversas mulheres santas que amavam grandemente Jesus – Maria e Martha, sua irmã, e Maria Madalena; e Jesus as amou grandemente, e muito se associava a elas; e quando levantou dos mortos, ao invés de se mostrar primeiro à Suas testemunhas escolhidas, os apóstolos, Ele apareceu primeiro a essas mulheres, ou pelo menos a uma delas, Maria Madalena. Agora, seria muito natural para um esposo na ressurreição aparecer primeiro às suas queridas esposas, e então se mostrar a seus outros amigos. Se todos os atos de Jesus estivessem escritos, não há dúvida que saberíamos que essas mulheres amadas eram Suas esposas.” (Orson Pratt, The Seer, p. 159)

    “Joseph Smith falou sobre estas passagens para mostrar que Maria e Marta manifestavam uma relação muito mais próxima do que simples crentes.” (Wilford Woodruff, Diário, 22 de julho de 1883)

    Portanto, assim como Adão viveu o casamento celestial “[trazendo] consigo uma de suas esposas, Eva.” (Doutrinas de Salvação Vol 1 pag. 105) e Lilith, tal como aprendemos que “o Profeta Joseph Smith ensinou que Adão teve duas esposas.” (H.W. Naisbitt, Journal of Discourses 26:115, 8/3/1885), não seria de surpreender que Cristo, O Unigênito na carne, seguisse os passos do Pai da Humaninade.

  5. É importante notar, David, que todas essas citações datam de uma época em que os mórmons praticavam casamento plural e faziam de tudo para que aquela prática fosse, de algum modo, palatável. Para eles, um Jesus casado não era suficiente; melhor ainda que fosse polígamo! Sendo assim, eles buscaram de todas as formas evidências para defender sua tese; inclusive, no discurso de Jediah Grant que vc citou, em alguns parágrafos antes ( dá uma olhada no J.D.), ele nomeia o filósofo que acusou jesus de poligamia: Celso.

    O que sabemos hoje sobre Celso vem, não por seus escritos, mas pelos de seu detrator, Orígenes. Em seu famoso ” Contra Celso”, Orígenes rebate as várias críticas do filósofo ao Cristianismo; porém, não há menção, até onde sei, sobre Jesus ter tido mais de uma esposa( eu tenho o livro aqui em casa, vou olhar melhor); o que mostra que aqueles líderes do passado se valeram de uma fonte falsa para pintarem um Jesus “mórmon”, como claramente falou o pai de Heber J. Grant.

  6. Apesar da poligamia ser uma prática corriqueira entre os patriarcas bíblicos, já estava em relativo desuso na época de Cristo. Não duvido da possibilidade do Cristo casado e até mesmo que tenha tido filho(s), porém vejo nas citações de líderes do passado a tentativa de legitimar uma prática (o casamento plural) utilizando-se de evidência rasa. Até onde sei, esse não é o discurso de Joseph Smith (o Cristo polígamo).

  7. Quanta cultura Emanuel… súper interessante sua réplica!
    Jedediah Grant citou “fiósofos”, o que nos leva a crer que mais de um tenha citado o casamento plural de Cristo, então, além de Celso, outros devem também ter tido a mesma abordagem, seja a favor ou contra… Mas com certeza, é digno de pesquisa e estudo! vlw

    A meu ver, embora você e o Leonel pensem o contrário, o fato dos líderes terem usado este argumento na tentativa de explicar e tornar louvável a prática do casamento celestial, não o torna fantasioso ou falso, somente explica a necessidade de se ensinar algo não-compreendido na época, como em outras épocas outros temas se tornam de difícil compreensão, e os líderes tem a resposanbilidade de esclarescer…

    • Ademais, em modesto desacordo ao comentário do meu amigo Leonel, dizer que a prática do casamento plural na época de Cristo estava em relativo desuso é um tanto infundada, pois sabemos que a prática era comum entre os judeus conteporâneo.

      No diário virtual do Marcelo Todaro, encontramos um excelente embasamento:
      “Já nos tempos de Jesus, por Marcos 12:18-22 vemos que a Lei do Levirato estava em pleno vigor entre os judeus, a qual implicava em casamento plural: o cunhado, fosse casado ou não, tinha de tomar a esposa de seu irmão falecido a fim de lhe levantar posteridade. Alguns dos primeiros cristãos devem ter sido igualmente polígamos. Mesmo depois da total abolição da lei judaica entre os cristãos, a poligamia ainda existia na Igreja primitiva, tanto que um dos cânones do Concílio de Laodicéia discorre:
      Cânon 1: “Está certo, de acordo com o cânon eclesiástico, que a comunhão deva ser dada por indulgência àqueles que espontânea e legalmente uniram-se em segundos casamentos, não tendo antes entrado em casamento secreto (ou seja, que não adulteraram antes do segundo casamento ser legalizado) após um breve espaço de tempo o qual deve ser por estes devotados ao jejum e à oração.”
      Vemos então, por este cânon, que membros bígamos gozavam de perfeita comunhão com os outros membros. Aliás, a Igreja cristã primitiva nunca condenou a prática do casamento plural, que somente seria condenada muito mais tarde, no Concílio de Trento, realizado entre 1545-1563.” http://marcelotodaro.info/?p=1076

      Achei que seria uma interessante contribuição…

      • Afirmar que a prática estava em “relativo desuso” não é o mesmo que afirmar que a prática era inexistente. Tanto que o apóstolo Paulo recomenda em I Timóteo 3:2 que “o bispo seja (…) marido de uma mulher”;

        Concordo que havia uma imposição da Lei que o irmão do falecido, caso este não tivesse filhos, era obrigado a tomar a viúva para gerar semente (reconhecida por Jesus) – que seria atribuída “vicariamente” ao falecido. Assim, é natural acreditar que haviam cristão submetidos à essa lei, principalmente entre os primeiros conversos. Os apostólos não lhe negariam a comunhão, assim como não negaram comunhão àqueles que eram circuncidados conforme a Lei (que, vale ressaltar, foi sonelenemente abandonada apesar de estar estabelecida como sinal da aliança divina no código judaíco).

        Cristo estabeleceu como ideal do casamento o modelo estabelecido no Gênesis, declarando que qualquer prática que fugisse desse modelo “não era assim no princípio” – modelo que passou a ser difundido entre os cristãos até a virtual extinção da prática da poligamia (e sua posterior interdição pelo Concílio de Trento).

      • O cristianismo, para poder se expandir e despontar como uma religião universal, teve que se adaptar a uma diversidade de correntes culturais e religiosas. Muitos elementos foram rejeitados; outros,foram absorvidos, e houve alguns que os cristãos fizeram vistas grossas. A poligamia parece ter sido esse terceiro caso.

        No texto que você citou, vemos que no Concilio de Laodiceia, o cristão bígamo podia desfrutar da comunhão. Porém, isso não mostra que o Cristianismo levantava a bandeira da poligamia; apenas, era indulgente com as culturas/pessoas que a praticava. Em outras palavras, até o Concílio de Trento, um homem não seria impedido de ser cristão se tivesse mais de uma esposa; o que é diferente de dizer que ele era polígamo porque o cristianismo exigiu isso dele. O que os mórmons fizeram foi transformar monogamistas em poligamistas. Enquanto a mensagem do Concilio de Laodiceia era “ Deus não exige que vc tenha só uma esposa para ser cristão”; a mensagem mórmon para muitos indivíduos foi “ Deus exige que vc tenha mais de uma esposa como parte de sua jornada espiritual”.

  8. Obrigado amigos… Inteligentes exposições! Agradeço os comentários….

    Se me permitem continuar e me aventurar a me explicar melhor…

    Caso não tenha ficado claro, minha abordagem foi a de citar trechos históricos que fundamentam que a prática do casamento plural era comum, o que aumenta a probabilidade de Cristo ter também adotado a prática, além de apenas permitido, embora o Leonel insista em dizer ter sido “casos raros”, eu gentilmente me oponho com embasamento, de que eram práticas comums, e não meras casualidades, tal como cita o Dr. SherifAbdelAzeem Mohammed da SBMRJ (Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro): “Os judeus europeus continuaram a praticar a poligamia até o século XVI. Os judeus orientais praticavam a poligamia regularmente até a chegada a Israel (Nota: a partir de 1948!), onde ela foi proibida por lei. Contudo, na lei religiosa, que sobrepuja a lei civil em tais casos, a poligamia é permitida.” O texto é riquíssimo sobre o assunto, vale a pena a leitura atenciosa: http://www.amai.jc.nom.br/Poli_Isla.htm

    Leonel: a escritura que citou (I Timóteo 3:2) é muitas vezes mal compreendida, e usada indevidamente como consequência. Duas citaçãos a elucidam e dão o verdadeiro entendimento dela:

    “Interpretamos que isso significa que um bispo deva ser irrepreensível, o marido de uma esposa ao menos (…) Agora, essa escritura não prova que um homem deveria ter uma só esposa. Prova apenas que um bispo deveria ser um homem casado. (…) o Salvador denunciou o adultério; ele denunciou a fornicação; denunciou a luxúria; também o divórcio; mas há uma única frase afirmando que a pluraliddae de esposas é errada? Se há, onde está? Quem pode encontrá-la? por que ele não disse que era errada?” (George A. Smith, Journal of Discourses, 13:39, 1869)

    “Ao invés de acreditar por um momento que Paulo quisesse dizer a Timóteo que ele deveria selecionar um homem para ocupar o ofício de bispo que tivesse uma só esposa, acredito exatamente o contrário; (…) ele não disse ‘de uma só esposa’ – não é essa leitura; mas ele deveria ter uma para começar”. (Brigham Young, Journal of Discourses, 2:88-89, 1854)

    Emanuel: Entendo que o Cristianismo abraçou muito do que há de “amável e louvável” (RF 13) de outras culturas e crenças, e continua a fazê-lo (“A verdade está em toda parte!” [BY]), bem como, uma vez já não liderada pelo divino sacerdócio (apostasia), tenha também aceito doutrinas, práticas e entendimentos distorcidos e destonados da verdade… Repito novamente que apenas citei o concílio pra elucidar que a prática ainda acontecia, mesmo após a apostasia, como foi o caso do batismo vicário também, no entanto, com respeito a todos os católicos que possivelmente nos lêem, seguramente afirmo que não reconheço autoridade divina neste concílio e em nenhum dos outros, o que foi decidido neles pra mim não tem importância alguma, exceto o valor histórico…

    Portanto, na minha humilde opinião, o casamento plural recebe apropriadamente o nome de casamento celestial, e que todos os deuses o praticam (e praticarão) (Isaías 4 e 2 Néfi 14), e Cristo obviamente também!

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