Esta é a América capitalista, não? Sheri Dew, CEO da Deseret BookAs finanças da Igreja sud mais uma vez têm sido objeto de discussão na mídia, especialmente desde a candidatura de Mitt Romney e a construção de um super shopping em Salt Lake. Na semana passada, a revista Bloomberg Businessweek, especializada em economia e negócios, publicou uma reportagem de capa sobre o assunto. A revista destaca principalmente a alta lucratividade de algumas empresas mantidas pela Igreja e a falta de transparência de suas finanças. Assinada por Caroline Winter, “Dentro do império mórmon” não é sensacionalista, apresentando opiniões diversas e dados concretos (ver lista abaixo). Ou seja, bom jornalismo. Continuar lendo
Cultura Mórmon
Aquisição do Conhecimento que Salva
Eu apenas ouso repetir as palavras de Joseph Fielding Smith, quando o mesmo escreveu o que mais tarde viria a ser a coleção Doutrinas de Salvação. Eu sempre me questionei a respeito disso, sempre coloquei em xeque algumas das coisas que aprendemos durante nossa experiência na vida, especialmente a experiência como SUD. E, se me permitem, gostaria de desenvolver um pouco o assunto.
A aquisição de conhecimento é parte da vida do ser humano desde que ele entrou no mundo. Não me lembro, duvido que alguém lembre; mas deve ter sido uma experiência assustadora e ao mesmo tempo excitante sentir o ar gelado inflar os pulmões pela primeira vez, ao nascer. Deve ser por isso que os bebês choram tanto quando nascem. Não deve ser lá muito agradável no começo, mas realmente é uma dádiva incrível poder respirar. E como vítima de bronquite, sei bem o valor do ar. Continuar lendo
Apologética e estatísticas
Os números do último censo do IBGE continuam dando o que falar. Depois do excelente artigo do Marcello Jun aqui no Vozes Mórmons, foi a vez do jornal The Salt Lake Tribune publicar sobre a discrepância entre os dados do censo brasileiro e os registros oficiais da igreja neste país. Com o bem-humorado título “Mistério brasileiro: o caso dos mórmons desaparecidos (913,045 deles, para ser exata)“, o artigo da jornalista Peggy Fletcher Stack apresentou as opiniões de Matt Martinich, gerente de projetos da Cumorah Foundation, instituição sem vínculos oficiais com a igreja que estuda seu crescimento internacional. Continuar lendo
A moderação em todo o sal
Como em muitas famílias mórmons, meus irmãos e eu ajudamos a preparar o jantar. Nos domingos, eu gostava de preparar o purê de batatas. Foi em fazer purê de batatas que eu aprendi cedo que enquanto um pouco pode ser bom, muito não é necessariamente melhor.
Logo no início de fazer purê de batatas, eu servi uma tigela grande (éramos 8) de purê de batatas depois de pensar que se um pouco de sal era bom, então…
Neutralidade política ameaçada
A Igreja sud afirma ter uma neutralidade política, não endossando partidos ou candidaturas. Por isso, um membro da igreja que se candidate a cargo eletivo não é apoiado oficialmente como um representante da igreja. Mas será que os membros não veem tais pessoas como representantes quando tais são líderes proeminentes?
Recentemente desobrigado como presidente de missão em Portugal, o ex-deputado federal Morôni Torgan está de volta à política eleitoral brasileira, concorrendo à prefeitura de Fortaleza pelo DEM. Mas Torgan é também um líder eclesiástico: na última Conferência Geral, ele foi um dos novos setentas de área chamados. Continuar lendo
Ter fama importa?
Nós todos temos visto essas listas. De vez em quando alguém cria uma lista de “mórmons famosos” — aqueles de que todo mundo já ouviu falar e que são membros da Igreja SUD. E a lista é feito com um tom de espanto, “legal, né?”
Daí, no decorrer da conversa sobre a lista, outros nomes são adicionados, alguns são criticados como não mórmons na verdade e inevitavelmente alguém critica o conceito todo, dizendo que se alguém é ou não é famoso não deve importar.
E podem ter razão, pois muitas vezes parece que a lógica empregada é: Você gosta de fulano famoso. Ele é mórmon. Portanto você deve se converter. Essa lógica é tola. Não deve importar se alguém famoso é mórmon.
Ou será que importa?
Quantos Mórmons no Brasil?
Há pouco mais de um ano nós havíamos postado uma pergunta muito simples, porém ao mesmo tempo surpreendentemente complexa: Quantos mórmons há no Brasil?
Em parte, o problema para respondê-la reside na falta de estatísticas disponíveis sobre as centenas de igrejas e grupos mórmons menores e menos conhecidos. Contudo, sem dúvidas a maior dificuldade está na completa falta de transparência por parte da Igreja Mórmon mais famosa e mais popular no Brasil (e no mundo).
Agora temos dados estatísticos recentes e confiáveis para considerar essa questão.
O resultado do Censo de 2010 sobre religiões finalmente foi publicado essa semana pelo IBGE (órgão federal vinculado ao Ministério da Economia e responsável pelo censo demográfico do governo federal), e temos um número estatístico de quantas pessoas se auto-denominam membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias:
BYU vs. Apologistas
Joseph Smith, Interrompido
As traduções feitas pela Igreja no Brasil são confiáveis? São sempre traduções ou às vezes adaptações do conteúdo? A seguir apresento o estudo de uma tradução que alterou ensinamentos de Joseph Smith sobre Adão.
Para Joseph Smith, a tradução era tanto um dos meios pelo qual as antigas escrituras haviam sido corrompidas, quanto um dos meios divinos disponíveis para restaurá-las a seu sentido original, assim como para trazer à luz escrituras desconhecidas. A tradução, portanto, era percebida como um meio divino de restaurar a verdade.
Em suas reuniões dominicais, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias oferece aulas em que são abordados temas de sua doutrina através do uso de escrituras e de outros livros publicados pela Igreja. De 1998 a 2009, a Igreja utilizou uma série chamada Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, utilizados para as aulas de membros adultos. O último volume, utilizado entre 2008 e 2009, apresentou trechos de discursos de Joseph Smith.
Mais um mórmon candidato à presidência dos EUA
Enquanto Mitt Romney segue sua campanha para suceder Obama, há mais um mórmon concorrendo à presidência dos EUA. Edward C. Noonan, um comerciante aposentado da Califórnia, é o candidato do Partido Independente Americano, o mesmo partido que nomeou Ezra Taft Benson em 1968.
Sem projeção social ou muito dinheiro, sua candidatura é bem nutrida de teorias conspiratórias. Continuar lendo
Manuais da Primária e Dieta Vegetariana
O que têm em comum manuais da Primária e dietas vegetarianas?
Quem se lembra da Primária? Eu adorava a Primária, adorava as aulas, as lições, e as músicas. Nem me incomodava que a minha mãe era a Presidente da Primária, o que significava que se não me comportasse, a bronca vinha em duplicata.
Como é de se esperar de lições voltadas para crianças, as aulas da Primária são simples, infantilizadas, e coloridas. Nada mais justo. É impossível ensinar lições de vida e moralidade para crianças sem simplificar a mensagem para ideais caricatos, vestidos em roupagens coloridas e divertidas.
Na época da minha Primária, a minha mãe gostava muito de usar as estórias e as lições de morais do seriado He-Man. E nós achávamos o máximo esse uso “contemporâneo” de cultura pop.
Mas, voltando aos manuais. Tomemos o exemplo da estória de Noé. Animais de zoológico num barco gigante numa chuva épica e um profeta que salva os bichos e sua família porque foi obediente ao Pai Celestial. Tudo muito colorido, tudo muito simples, tudo muito fantástico, e com lições claras: obediência à Deus, comportamento social ético, amor à família, respeito aos animais.

Construindo a Arca (Pregação de Noé Desdenhada), por Harry Anderson
Após uma infância protegida, e uma adolescência prolongada, chegamos todos à fase adulta, e o mundo deixa de ser colorido para tons graduados de cinza, e nossas crenças e esperanças infantis dão lugar a conhecimento racional e científico, e uma visão do mundo mais realista e lógica. Continuar lendo
Tradição ou Doutrina?
Ainda hoje, acho incrível como um povo é capaz de produzir costumes. O fato de que um hábito muito disseminado numa sociedade – principalmente quando existe algum tipo de princípio por trás dele – vira uma tradição em relativamente pouco tempo é quase inquestionável. Todos os povos, grandes e pequenos, têm tais hábitos. Nem sempre eles são saudáveis, mas significam muito para eles.
Os japoneses da época feudal são um exemplo clássico. Desenvolveram todo um código de conduta para seus guerreiros samurais que, de tão rígido e respeitoso, virou tradição. Uma de suas maiores tradições, o Seppuku (também conhecido como Harakiri), dizia que era preferível que uma pessoa cometesse suicídio e morrer com honra do que cair em mãos inimigas; também servia como pena capital por insurreição ou insubordinação. Todos concordamos que suicídio não é lá muito saudável, mas, ainda assim, é uma tradição do código Bushido que, de tão forte, ninguém se atrevia a questionar.
Os Mórmons, como povo, possuem tradições? A pergunta chega a ser tola de tão óbvia que é a resposta. Sim, nós temos. Muitas. Tantas que, se fossem listadas, dariam um livro. Uma outra pergunta não tão óbvia seria: essas tradições são saudáveis? Bem, isso cabe a cada um analisar – de preferência, alguém que não esteja atrelado a ela. Continuar lendo
Falar com seu Deus
Duas citações de Joseph Smith sobre a revelação direta.
Ler a experiência dos outros ou as revelações dadas a eles, nunca pode nos dar uma visão ampla de nossa condição e verdadeira relação com Deus. Continuar lendo
Investidura
Será que Brigham Young tem razão ainda hoje? Esse recebimento gradual das ordenanças e as ordenações ao sacerdócio sem pressa ainda serão implementadas um dia?
A maioria de vocês, meus irmãos, são anciões [élderes], setentas ou sumo-sacerdotes; talvez não haja um só sacerdote ou mestre aqui presente. Isso se deve ao fato de que, quando damos a investidura [endowment] aos irmãos, somos obrigados a lhes conferir o sacerdócio de Melquisedeque; mas espero ver o dia em que estejamos em tal situação em que possamos dizer (…): Vão, recebam as ordenanças concernentes ao sacerdócio aarônico e depois podem sair pelo mundo e pregar o evangelho, Continuar lendo
Sem censura
Se uma revista da Igreja hoje chega a modificar uma obra de arte para torná-la mais “recatada” e doutrinariamente correta, no passado essa tendência à censura era ainda mais forte nos antigos periódicos mórmons, certo? Errado! Pelo menos é o que nos sugere esta capa da revista Juvenile Instructor, de 1926.






