Desastres Naturais, Parte do Castigo de Deus?

Ao ver a devastação do furacão Harvey, o pastor cristão conservador John McTernan argumentou recentemente que “Deus está destruindo sistematicamente a América” devido à sua ira com a “agenda homossexual”.

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Desabrigados em Houston, Texas. | Foto: Adrees Latif/Reuters

Outros discordaram dos motivos da ira de Deus, mas não necessariamente com a suposição de que Deus pode estar furioso.  Ann Coulter, comentarista política conservadora, por exemplo, brincou que a eleição de uma prefeita lésbica em Houston era uma causa mais “crível” para o furacão do que o aquecimento global. E, do outro lado do espectro político, um professor da Universidade de Tampa twitou que Deus havia punido os texanos por elegerem republicanos. Ele posteriormente expressou arrependimento, mas foi demitido. Continuar lendo

Mesmo Pondo de Lado a Evolução, Geologia Básica Refuta o Criacionismo

No conflito em curso entre ciência e criacionismo, a evolução geralmente é um ponto principal de contenção. A ideia de que toda a vida na Terra evoluiu de um antepassado comum é um grande problema para os criacionistas. Como geólogo, porém, penso que as rochas sob nossos pés oferecem argumentos ainda melhores contra o criacionismo. Pois o modelo criacionista não se ajusta com o que você pode ver por si mesmo. E isso já era conhecido antes de Darwin escrever uma palavra sobre evolução.

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Gravura usada em diversas publicações da Igreja SUD. Construindo a Arca, de Harry Anderson. © 2015 Intellectual Reserve, Inc.

O que dizem as rochas

Não preciso viajar muito longe para argumentar este caso. Há uma laje de rocha polida na parede do meu gabinete que refuta a chamada Geologia Diluviana: a visão de que uma inundação global e destruidora explica a história geológica após a criação inicial da Terra por Deus. Essa laje de quase dois metros e meio de comprimento é um conglomerado, uma rocha feita de fragmentos de rochas mais antigas trabalhadas com água. Continuar lendo

O Oue Diz a Bíblia Sobre Acolher Refugiados

Na sexta-feira, 27 de janeiro, o presidente Donald Trump assinou um decreto que veta temporariamente refugiados de sete países de maioria muçulmana. Entretanto, a entrada de refugiados da Síria será proibida pelos próximos 120 dias.

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Crianças sírias em campo de refugiados na Turquia, abril de 2016. Foto: Lefteris Pitarakis/AP

Dois dias antes, ele comprometeu os Estados Unidos a construir um muro em sua fronteira com o México. Pouco depois da ordem, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto cancelou uma viagem programada aos Estados Unidos.

O presidente Trump também propôs que bens mexicanos sejam tributados à alíquota de 20% para prover fundos à construção do muro. Isso cumpriria sua promessa de campanha de que o México de fato pagaria pela construção do muro, apesar dos protestos dos vizinhos ao sul dos EUA.

Para os cristãos, as questões sobre a construção do muro de fronteira ou a admissão de imigrantes e refugiados aos Estados Unidos envolvem uma série de considerações associadas, não apenas sobre as especificidades da lei de imigração, sobre a economia da mão-de-obra barata que atravessa a fronteira ou potenciais ameaças terroristas. Continuar lendo

A Espada do Anjo do Senhor

O anjo com a espada flamejante. Edwin Howland Blashfield, 1893.

O anjo com a espada flamejante. Edwin Howland Blashfield, 1893.

Em uma das primeiras vezes que saí com meus irmãos mais novos após retornar da missão, fomos a um evento de anime e mangá, o SANA. Lá, além de matar a saudade de meus heróis da infância, como Jiraya e Jaspion, fui apresentado a vários desenhos animados de produção nipônica.

Lembro-me de ter gostado bastante de uma dessas animações chamada Death Note. Tratava-se da estória de Yagami Raito, um jovem estudante que possuía um caderno mágico, com o qual se podia matar uma pessoa tão somente escrevendo o nome desta nele, desde que se visualizasse mentalmente o rosto da vítima. O poder sobrenatural do caderno decorria de ele pertencer a um shinigami – espírito da morte.

Alheio à cultura do extremo oriente, confesso que desconhecia os shinigamis. Porém, com algum conhecimento da Bíblia, tradição cristã e mórmon, a ideia da existência de entidades relacionadas à morte não me era tão estranha assim.

Uma das cenas mais famosas do Velho Testamento é a morte dos primogênitos egípcios no contexto do êxodo israelita. Segundo o texto bíblico, uma sombria entidade chamada Destruidor foi a responsável pela matança. De acordo com o mesmo relato, Deus impede a entidade de entrar nas casas onde se havia aspergido sangue nas portas[1].

Em outras passagens Veterotestamentárias, a ira do Todo Poderoso se volta contra os próprios israelitas, e o carrasco é apresentado como Anjo do Senhor, portador de uma poderosa arma cortante, capaz de ferir mortalmente milhares de pessoas. Após desagradar Iahweh, Davi “olhou para cima e viu o ANJO DO SENHOR entre o céu e a terra, com uma ESPADA na mão, erguida sobre Jerusalém”.[2]

Nas primeiras páginas de Gênesis, lemos que após Adão e Eva serem expulsos do paraíso, o caminho que conduzia à árvore da vida passou a ser protegido por uma entidade angelical e a chama de uma espada fulgurante.[3] Continuar lendo

Davi, Golias, Néfi e Labão

No Vale de Elá estavam os israelitas e os filisteus num impasse que durou semanas, nem avançavam e nem recuavam, dos dois lados. Até que resolveram o problema da maneira tradicional de combate único, sem precisar entrar em batalha e derramar muito sangue.

E o filisteu enviado para o combate era o seu gigante. Ele tinha 2,05 metros, vestido com uma armadura de bronze, uma espada, um escudo e uma lança e bradou por 40 dias:

“Hoje desafio as companhias de Israel, dizendo: Dai-me um homem, para que ambos pelejemos.”

Nenhum israelista desejou enfrentá-lo. E finalmente, o único que se apresenta para enfrentar Golias é um jovem pastor de ovelhas; Davi disse a Saul:

“Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu servo irá, e pelejará contra este filisteu”

Mas você ainda é moço e sem experiência de batalha, dizia Saul. Mas Davi argumentava que ele estava preparado, pois já matara ursos e leões. Então você usa esta armadura e este capacete, orientava Saul. “Não posso andar com isto, pois nunca o experimentei”, disse Davi

Davi pega seu cajado. Escolhe cinco pedras e guarda na sua bolsa de pastor. Segura a sua funda e caminha em direção ao gigante filisteu “Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas do campo.”, insultou Golias

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Pessach — A Páscoa Judaica

Hoje comemora-se o Pessach ou, como é popularmente conhecido, a Páscoa Judaica.

Tocando um shofar, feito de chifre de carneiro, anuncia-se o sacrifício de pessach

Tocando um shofar, feito de chifre de carneiro, anuncia-se o sacrifício de Pessach

O Pessach (do hebraico פֶּסַח significando “passagem”; das raízes de passar através ou passar por sobre”) é um feriado religioso judaico que comemora o conto do Exodo Israelita presentemente narrado na Bíblia Hebraica (ou, como é conhecido entre Cristãos, o Velho Testamento), especialmente no Livro de Exodo. Comemorado no décimo-quinto dia do mês de Nisan (que neste ano de 2014 é hoje), este festival milenar celebra a estória do profeta Moisés libertando o povo Hebreu de sua escravidão no Egito e une milhares de judeus religiosa e culturalmente até hoje. Ademais, o impacto religioso e cultural desta festa pode ser sentido, profundamente, tanto no Cristianismo como no Mormonismo moderno.

Portanto, mesmo que não celebremos hoje o Pessach com uma ceia especial (chamada de Seder) ou os 7 dias de festividades (conhecidos como as festas de pães ázimos ou Chag Matzot), devemos revisitar suas origens, seus significados, e celebrar seus impactos residuais em nossas próprias religiões e culturas.

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As Diferentes Vozes Nas Escrituras (Parte II)

Conforme comentamos na primeira parte da série, ao incorporar o mundo feminino e priorizar seu ministério nos excluídos, Jesus resgatava sentimentos e práticas que existiam no judaísmo, mas que ainda sim causavam escândalo para muitos: “(…) chegaram seus discípulos e admiravam-se que falasse com uma mulher”[1], no contexto do diálogo com a samaritana; “por que come vosso mestre com publicanos e pecadores?”[2], perguntou um grupo de fariseus, em um tom crítico à baixa reputação dos que compartilhavam a mesa com o Salvador.

Jesus Healing BeggerAs palavras do Homem de Nazaré davam esperança e direção às pessoas, em especial, das camadas mais humildes. Quando compreendemos que foram os famintos, simples e doentes a maior parte dos pioneiros do movimento que se tornaria o cristianismo, fica mais fácil entendermos a aspereza com que a voz de Jesus se direcionava aos ricos e poderosos.
Aos que tinham bens, Jesus mandava que repartisse. Se é dos pobres o Reino de Deus [3]; para os ricos o acesso a ele é tão difícil quanto um camelo entrar no buraco de uma agulha [4]. Os lírios do campo eram mais interessantes que Salomão e sua riqueza [5].

Em uma sociedade que interpretava doenças muitas vezes como impureza, fruto do pecado ou ação de demônios, Jesus oferecia cura. Como profeta, curandeiro e exorcista, ele ganhava visibilidade. Seu projeto do Reino de Deus consistia em uma inversão de papéis, na qual os rejeitados de sua época se elevariam em detrimento dos ricos e poderosos, que teriam grandes dificuldades de pertencer a esse grupo. Todo esse radicalismo o colocou em rota de colisão com o Império, levando-o à crucificação. Continuar lendo

As Diferentes Vozes Nas Escrituras (parte I)

Era um domingo de Nisã, entre o final da década de 20 e início da de 30 do primeiro século. Segundo o texto lucano, algumas mulheres e pelo menos um dos apóstolos haviam visitado o túmulo de Jesus, e o encontram vazio. De acordo com o relato bíblico, a história de que a tumba estava vazia se espalhou, de modo que, no mesmo dia, já era possível encontrar várias pessoas comentando o evento.

O terceiro evangelho fala de dois discípulos que conversavam sobre o Salvador enquanto caminhavam em direção a Emaús. Como de apenas um foi citado o nome, Cléofas, presume-se, pelo costume da época, que o outro fosse uma mulher. [1] Jesus ressuscitado pôs-se a caminhar com o casal; este, embora conhecesse pessoalmente Jesus, não reconheceu o Mestre.

Aproximando-se do povoado para onde iam, Jesus simulou que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram, dizendo: “Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina. Entrou então para ficar com eles. E, uma vez à mesa com eles, tomou o pão(…)Então seus olhos se abriram e o reconheceram”. [2]

Com base nos três relatos de páscoa que aparecem como pano de fundo do Evangelho de João, costumamos dizer que o ministério do Salvador foi de três anos. O movimento iniciado por ele teve como palco inicialmente a Galileia, região rural onde cresceu. Como um camponês, Jesus nos transporta aos ambientes bucólicos através de suas parábolas ao mencionar aves do céu, a figueira, as ovelhas e seu pastor, o peixe, o mar, o pescador.

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El, Jeová e Elohim

Uma informação e uma provocação

Na Bíblia hebraica, o nome Elohim ocorre 2570 vezes, enquanto YHWH (“Jeová”) aparece em 6823 vezes. Já o termo El aparece apenas 238 vezes. No entanto, o uso desses termos é muita vezes combinado, sugerindo a identidade única de Jeová e Elohim. Isso evidentemente passa despercebido a leitores de traduções para o português ou outras línguas ocidentais, uma vez que essas traduções acabam por uniformizar os nomes e esconder o uso dos nomes originais.

Tetragrammaton (YHWH) escrito em alfabeto paleo-hebraico no pergaminho 8HevXII, datado do primeiro século EC

Observemos esta passagem de Deuteronômio, de acordo com a tradução de Ferreira de Almeida: Continuar lendo

Êxodos: um lamento

Walk away, de Lietinga Diena, site Deviant Art.

Walk away, de Lietinga Diena, site Deviant Art.

O êxodo é um tema constante nas escrituras judaico-cristãs e sud. Esse êxodo consiste na busca de uma “terra prometida” ou “terra de promissão”, deixando para trás uma sociedade corrompida que promove o mal e oprime os justos. Trata-se não apenas de uma fuga ou migração mas, sobretudo, de um processo de transformação daqueles que entram na jornada. Continuar lendo

Jeová, o Pai

No meu post anterior, mostrei como, de acordo com algumas escrituras bíblicas, Cristo não pode ser considerado o Deus que interagiu com os antigos israelitas. O “Deus de Abraão, Isaque e Jacó” para os autores do Novo Testamento é o próprio Pai e não seu Filho. Nesta continuação do tema, busco novamente na relação do Novo Testamento com a bíblia hebraica a identidade de Jeová como o Pai; também utilizo uma importante escritura de Doutrina e Convênios para mostrar como Joseph Smith também usava o termo Jeová para se referir ao Pai. Continuar lendo