Sacerdotisas

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(…) o homem que honra seu sacerdócio [his priesthood], a mulher que honra seu sacerdócio [her priesthood], receberão uma herança eterna no reino de Deus. (Brigham Young, Journal of Discourses 17:119)

Santos dos últimos dias estão acostumados a pensar o sacerdócio como sendo algo exclusivo para os homens. Muitas vezes até ouvimos a palavra “sacerdócio” para designar coletivamente os homens membros da Igreja sud. A citação acima de Brigham Young, porém, nos faz questionar nossa compreensão do que é o sacerdócio e de como ele pertence a homens e mulheres. E olha que Brigham não era exatamente um feminista.

O uso do sacerdócio por parte das mulheres é um dos temas mais fascinantes – e, mais do que nunca, atuais! – da história mórmon. As percepções que herdamos – ou “tradições dos homens”, literalmente – , porém, bloqueiam nosso entendimento; ou ainda, nos fazem ver o passado mórmon a partir das doutrinas e práticas da Igreja sud no presente. Continuar lendo

Missionárias terão chamado de liderança

Missionárias sud terão novo chamado na hierarquia das missões

Enquanto aguardamos a confirmação de que mulheres poderão orar na Conferência Geral, a Igreja anuncia uma mudança que dá mais inclusão para as mulheres no serviço missionário. Jovens solteiras em missão de um ano e meio (“sisters”, no jargão sud brasileiro) poderão receber um chamado para liderar e treinar outras missionárias. A “Sister Líder de Treinamento” também integrará um novo Conselho de Liderança da Missão, juntamente com outros missionários homens. Abaixo, apresentamos a tradução do comunicado de imprensa publicado ontem. O original em inglês pode ser lido aqui.

missA Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está fazendo ajustes no modo como suas 405 missões são organizadas, para melhor utilizar as competências e habilidades de todos os missionários em formação e liderança. A mudança se deve, em parte, ao afluxo de milhares de jovens missionários que estão respondendo à redução da idade requerida para o serviço missionário, anunciada pelo Presidente da Igreja, Thomas S. Monson, em outubro passado.

Cada missão na Igreja irá organizar um Conselho de Liderança da Missão que incluirá líderes missionários élderes (homens) e sisters (mulheres). O novo conselho de liderança da missão consistirá do presidente da missão e sua esposa, assistentes do presidente, líderes da zona e as sisters líderes de treinamento – um cargo recém-criado. Continuar lendo

Novidade na Conferência Geral

Nos próximos dias 06 e 07 de abril, uma mulher poderá orar pela primeira vez numa  Conferência Geral

De acordo com o jornal Salt Lake Tribune, mulheres irão orar na próxima Conferência Geral sud. Pela primeira vez na história, até onde se tem registro. A Igreja não confirmou nem negou oficialmente a notícia.

Embora não haja nada na doutrina mórmon que justifique a excluir as mulheres de oferecer orações nas Conferências Gerais, essa tem sido a prática. Convém ressaltar que em 1978, durante a presidência de Spencer W. Kimball, a Igreja reverteu uma prática que perdurou durante parte do séc. XX: mulheres não podiam oferecer orações nas reuniões sacramentais!

Logo da campanha "Deixe as Mulheres Orarem"

Logo da campanha “Deixe as Mulheres Orarem”

É difícil não ligar a possível novidade de abril com a campanha Let Women Pray (“Deixe as Mulheres Orarem”), lançada nos EUA, e que conseguiu reunir mais de 1600 cartas, as quais foram enviadas para Autoridades Gerais, incluindo o apóstolo Jeffrey R. Holland e presidentes de organizações auxiliares. A campanha pedia a inclusão de mulheres nas orações da Conferência Geral, como um símbolo de igualdade dentro da Igreja.

Obviamente,é difícil determinar que influência direta a campanha teve sobre a hierarquia da Igreja ou há quanto tempo a mudança tem sido cogitada. Seja como for, caso haja uma mulher orando em uma sessão geral da Conferência, estará se quebrando uma pequena barreira – que talvez antes tenha passado até despercebida para muitos leitores -, mas de grande valor simbólico.

Mulheres

MORMON-articleLargeA história mórmon é geralmente escrita pela perspectiva de seus líderes. Ou seja, é uma narrativa majoritariamente masculina.

Neste Dia Internacional da Mulher, quais mulheres você destacaria na história mórmon?

Igreja reconhece ordenação de negros no séc. XIX mas insiste em “nós não sabemos”

O novo cabeçalho da Declaração Oficial 2

Elijah Abel (1808 -1884)

Elijah Abel (1808 -1884)

Recentemente, a Igreja SUD lançou em formato digital os novos cabeçalhos para suas obras-padrão. Entre as mudanças mais significativas, está a nova introdução para a Declaração Oficial 2, documento que encerrou, em 1978, um longo período de exclusão de membros negros da ordenação ao sacerdócio, investidura e selamentos.

O texto, disponível apenas em inglês até o momento, diz

Durante a vida de Joseph Smith, uns poucos membros negros da Igreja foram ordenados ao sacerdócio. No início de sua história, líderes da Igreja pararam de conferir o sacerdócio a negros de origem africana. Os registros da Igreja não oferecem uma compreensão clara sobre a origem dessa prática. Líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática e buscaram por oração uma orientação. Continuar lendo

Machismo no Mormonismo

Anotem a data: 16 de Dezembro de 2012 é dia das mulheres da Igreja SUD irem às reuniões dominicais vestindo calças!

A campanha ‘Vista Calças Para Sacramental’ foi organizada por um grupo de mulheres SUD ativas que, apesar de valorizar a Igreja em suas vidas, sente-se discriminadas dentro de uma cultura religiosa patriarcal:

Cremos que muito da inigualdade cultural, estrutural, e mesmo doutrinária que persiste na Igreja SUD hoje em dia advém da dependência de — e persistência em — modelos de genêro rígidos que não tem qualquer relação com a realidade.

Vista Calças Pra Sacramental

A opção de vestuária pode parecer uma questão absolutamente trivial e inconsequente, mas infelizmente ela é uma pequena amostra — a proverbial ponta do iceberg — do que é um assunto muito não-trivial e importante.

A Igreja SUD e a cultura Mórmon são, fundamentalmente, machistas.

Dizem que o primeiro passo para se mudar um problema é admitir sua existência. Continuar lendo

“O Evangelho da Esposa de Jesus”

Papiro copta faz referência à esposa de Jesus Cristo

Uma historiadora da Universidade de Harvard, especializada em cristianismo primitivo, identificou um pequeno fragmento de papiro em que Jesus Cristo é citado falando de sua esposa. A Dra. Karen L. King e sua equipe trabalharam sobre o pequeno fragmento de apenas oito linhas, partindo da ideia de que poderia ser uma fraude. Mas a conclusão unânime foi de que não era. O fragmento de “O Evangelho da Esposa de Jesus”, como foi nomeado o texto, é um documento autêntico em um dialeto do copta, idioma egípcio escrito com caracteres gregos, provavelmente do séc. IV.  O recorte do fragmento faz com que nenhuma frase esteja completa. Mas em meio à narrativa de um debate entre Cristo e seus discípulos, é possível ler “Jesus disse a eles: ‘Minha esposa…'”. Essa é a primeira alusão na primeira pessoa ao matrimônio de Cristo em um evangelho apócrifo. Logo abaixo, lê-se “e ela será capaz de ser minha discípula”. Continuar lendo

Mãe e solteira

Imagem: Wikimedia.

Imagem: Wikimedia.

Quais os problemas enfrentados por mães divorciadas ou solteiras dentro da Igreja sud? Há preconceito contra essas mulheres? O que pode ser feito para que sejam melhor recebidas e tenham plena cidadania na Igreja?

Numa instituição que valoriza a família tradicional e que percebe o casamento e a paternidade e maternidade como passos para a deificação, sabemos que podem surgir certos “efeitos colaterais”: Continuar lendo

Mórmons que se candidataram à presidência dos EUA

Mitt Romney não é o primeiro mórmon a almejar a  presidência dos Estado Unidos. Antes dele, outros oito mórmons tentaram a corrida presidencial, sem contar outros dois que à época de sua candidatura não eram membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Começando com Joseph Smith, que concorreu sem filiação partidária, os candidatos listado a seguir refletem a ampla diversidade de posições politicas ao longo da história mórmon. Continuar lendo

Uma Posteridade Branca e Deleitosa: Origens do Casamento Plural

William W. Phelps

William W. Phelps

A crença na origem israelita dos povos ameríndios e a prática do casamento plural são certamente duas características marcantes da experiência mórmon. Embora nenhuma das duas tenha uma origem exclusivamente mórmon, Joseph Smith deu a elas aplicações e sentidos únicos. Poucos entre nós estão familiarizados, no entanto, com a conexão histórica entre as duas doutrinas; tampouco a influência do Livro de Mórmon na instituição do casamento plural parece ter sido avaliada com a devida consideração.

A primeira revelação conhecida a aludir à prática da poligamia (ainda que sem mencioná-la explicitamente) ordenava que um grupo de missionários da jovem Igreja de Cristo buscasse esposas indígenas para que sua descendência pudesse retornar a um estado de pureza e retidão, conforme profetizado no Livro de Mórmon. O casamento divinamente ordenado entre mórmons e índios seria o meio de tornar isso realidade. Continuar lendo

Mulheres e o sacerdócio

Não deixo de me sentir um pouco constrangido ao parabenizar as mulheres no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Isso porque originalmente é uma data que tem mais a ver com denúncia e reivindicação do que com uma celebração em que se pode enviar flores. É mais ou menos como dar parabéns aos negros pelo Dia da Consciência Negra, ou aos indígenas pelo Dia do Índio. Soa um pouco irônico.

De qualquer forma, eu expresso a minha gratidão pelas mulheres que estão à minha volta e que tornam a minha vida bem mais rica e interessante,  numa sociedade que ainda abusa delas de tantas formas diferentes -física, emocional, espiritual. Será que participamos e perpetuamos algumas formas de abuso? Continuar lendo

Origem e destino da mulher

A posição da mulher na doutrina mórmon ganhou uma reflexão especial pela pena de John Taylor. Morando em Nova York para editar o jornal The Mormon, na década de 1850, John Taylor conheceu a jovem e bela Margaret Young (sem  parentesco com Brigham), então com vinte anos. Transformando em artigo do seu jornal parte do que havia escrito em cartas de amor a Margaret, Taylor publicou, em 1857, Origem e destino da mulher, traduzido abaixo. Em setembro de 1856, Margaret havia se tornado esposa plural de John Taylor, com quem ainda teria nove filhos. Continuar lendo

Chieko Okazaki (1926-2011)

Chieko Okazaki faleceu na segunda-feira, aos 84 anos. Americana de origem japonesa, Chieko foi a primeira mulher não-caucasiana (não-branca) a servir tanto na presidência da Organização das Moças quanto na Sociedade de Socorro.

Criada como budista, Chieko entrou em contato com missionários mórmons aos 11 anos,  frequentando a Igreja pelos quatro anos seguintes, até sua conversão, aos 15. Na Universidade do Havaí, Chieko conheceu seu futuro esposo, Edward, veterano da II Guerra e à época um fiel congregacionalista. O casal se mudou em 1951 para que Chieko fizesse pós-graduação na Universidade de Utah. Continuar lendo

Mãe Celestial redescoberta?

Mãe e criança, pintura de Gustav Klimt (1862-1918)

A existência de uma divindade feminina, esposa de Deus o Pai, é um dos ensinamentos mais distintos do mormonismo. Quase transformado em tabu em décadas recentes, o tema hoje parece receber pouco mais que tímidas alusões no cotidiano da Igreja sud. Sequer a palavra “Mãe” é geralmente mencionada em textos oficiais, mas apenas subentendida nas alusões a “pais celestais”, como no documento A Família: Proclamação ao Mundo e no livro Princípios do Evangelho. O hino Ó Meu Pai, escrito em 1845 por Eliza R. Snow, esposa plural de Joseph Smith,  permanece para a grande maioria dos membros como a afirmação mais acessível de tal doutrina: Continuar lendo

Meaghan Smith

A cantora Meaghan Smith é considerada uma das grandes revelações da música pop canadense. Membro da Igreja sud, Meaghan compõe músicas em que surgem referências musicais das décadas de 1920 a 1940. “Eu gosto que essa música é limpa”, diz a cantora, expressando uma visão estética influenciada por sua religiosidade, ainda que suas canções não tratem de temas em si religiosos. “Quero escrever músicas que famílias possam curtir juntas”. Continuar lendo