Mulheres e o sacerdócio

Não deixo de me sentir um pouco constrangido ao parabenizar as mulheres no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Isso porque originalmente é uma data que tem mais a ver com denúncia e reivindicação do que com uma celebração em que se pode enviar flores. É mais ou menos como dar parabéns aos negros pelo Dia da Consciência Negra, ou aos indígenas pelo Dia do Índio. Soa um pouco irônico.

De qualquer forma, eu expresso a minha gratidão pelas mulheres que estão à minha volta e que tornam a minha vida bem mais rica e interessante,  numa sociedade que ainda abusa delas de tantas formas diferentes -física, emocional, espiritual. Será que participamos e perpetuamos algumas formas de abuso?

Entre nós, mórmons, há a percepção – pouco elaborada, geralmente -, de que a mulher partilha do sacerdócio com o seu esposo. No templo, mulheres administram ordenanças umas às outras – outro assunto sobre o qual pouco se reflete a respeito. Algumas pessoas, no entanto, entendem que ordenar exclusivamente homens ao sacerdócio é uma forma de manter a mulher subjugada.

Existe algum forma pela qual a mulher possua o sacerdócio sem ser a ele ordenada? Existem ordenações de mulheres a ofícios do sacerdócio? A Igreja sud um dia terá ordenações formais para as mulheres, assim como acontece hoje com os homens?

Para encerrar esta postagem, uma citação de Brigham Young:

Agora, irmãos, o homem que honra seu sacerdócio [his priesthood], a mulher que honra seu sacerdócio [her priesthood],receberão uma herança eterna no reino de Deus. (Brigham Young, Journal of Discourses 17:119)

Leia também

John Taylor de fala anjos da guarda e convênios matrimoniais feitos na pré-existência

Doutrina sobre a Mãe Celestial é “redescoberta” na Igreja

31 comentários sobre “Mulheres e o sacerdócio

  1. Eu acho que já passou da hora de se ordenar mulheres ao Sacerdócio!

    Uma outra igreja Mórmon, a Comunidade de Cristo (antiga RSUD), ordena mulheres ao Sacerdócio há mais de 25 anos, e a experiência deles foi fenomenal. É impossível ir à uma reunião dominical ou a uma Conferência Mundial deles sem perceber a diferença palpável que uma liderança mais feminizada faz.

    Afinal das contas, se havia mulheres Apóstolas e Diáconas no Novo Testamento, por que não poderia haver hoje?

    • Marcello,

      como você sabe, eu nutro profundo respeito por todos os ramos da restauração, inclusive pela Comunidade de Cristo. No entanto, como igreja eles perderam muito da sua identidade como um grupo originário do movimento de Joseph Smith e acabaram por se identificar mais com o protestantismo. Não posso deixar de dizer, claro, que vejo o mesmo processo, em outros aspectos ou de outras formas, dentro da igreja a qual pertenço.

      Eu não sei que benefícios a ordenação formal ao sacerdócio poderia trazer às mulheres,quando o sacerdócio é utilizado na igreja para fazer rotinas administrativas, relatórios, entrevistas, etc., coisas que não exigem o sacerdócio. Tirando a realização de ordenanças, eu me pergunto para que o sacerdócio tem sido usado na Igreja sud? O sacerdócio aarônico já foi remodelado como um programa para adolescentes e o sacerdócio maior parece ser uma formalidade vazia para os homens adultos.

      Caso o princípio de revelação fosse buscado, não teríamos regras sobre idade e ofício, ou que grupo humano ordenar. Mas na ausência de revelação temos regras e manuais que forçam ordenações e excluem outras.

      Ou seja, para mim a discussão de fundo aqui é para que serve o sacerdócio.

      • Antônio,

        Pra mim, o começo da questão do Sacerdócio, esta no conceito de autoridade. As decisões sobre absolutamente tudo dentro da Igreja (doutrinas, ensinamentos, foco corporativo, correlação, programas, gastos, angariação e distribuição de fundos, políticas públicas, etc.) são tomadas por homens, sem quaisquer participações femininas.

        Mesmo em nível congregacional, mulheres não tem voz participativa nos processos decisórios. Todas as vezes que eu participei de “comites executivos”, as mulheres nas unidades respectivas sempre foram tratadas como “líderes” de segunda-classe, cujas opiniões não carregavam o mesmo peso que as dos homens do Sacerdócio.

        Esse não é o tipo de ambiente que favorece igualdade entre os gêneros.

        Afinal, os Cristãos do primeiro século tinham mulheres Apóstolas e Diáconas…

      • Marcello, concordo plenamente com o que você disse sobre a questão de autoridade. Para mim, também o ato de dar o sacerdócio às mulheres teria um significado simbólico bem grande–seria uma refutação clara da hegemonia na base de gênero que ainda exista na sociedade como todo, não somente na igreja. Mesmo que o trabalho do dia-a-dia na igreja não mude, o fato de ter mulheres sacerdotas, mulheres dirigindo reuniões, mulheres sentado na frente da capela–uma imagem conta por mil palavras, e esta imagem seria poderosa mesmo.

      • “Não posso deixar de dizer, claro, que vejo o mesmo processo, em outros aspectos ou de outras formas, dentro da igreja a qual pertenço.” Será que isso não aconteceu justamente porque sempre tivemos profetas e que as revelações jamais deixaram de cessar?

      • Marcelllo, obrigado por responder. Sendo simples assim como o amigo(ou nem tanto assim), I Cor. 16:19 não diz nada sobre mulheres “apostolas” ou “diáconas”.
        Sobre Andrônico e a Júnias, se é que o nome Júnias é feminino, apenas figuravam entremeio os apóstolos, no meio destes, por respeito, mérito, etc.. e não como apóstolos.
        Vemos Paulo claramente dando recomendações aos bispos e diáconos, nada de mulheres em suas recomendações para ocupação de tais chamados.

        Sinceramente, para quem ler o NT em sua totalidade, vemos os chamados eclesiásticos sendo de responsabilidade masculina, sendo assim, não podemos pegar um texto para tentar derrubar todo um conjunto de ensinamentos e exemplos sobre o caso, e com tanta clareza.

      • Na boa, Pedro. Antes de comentar sobre o Novo Testamento, deixe de ser preguiçoso e/ou ignorante e vá estudar um pouco.

        Junias era uma mulher Apóstola. Sim, o nome é de uma mulher.

        Phoebe era uma Diácona, na cidade de Cenchreae.

        Priscila eram Missionária em pé de igualdade (συνεργός) com demais Apóstolos.

        Para o Apóstolo Paulo, essa mulheres eram tão, se não mais importantes, que muitos dos demais Apóstolos, e isso é auto-evidente para qualquer estudioso do Novo Testamento.

        Se você esta lendo o Novo Testamento “em sua totalidade”, você esta lendo o Novo Testamento de maneira errada. O Novo Testamento não é uma obra coesa, única, e internamente coerente. Ele é uma coleção de livros independentes, escritos por autores independentes que muitas vezes não conheciam os demais livros, ou quando conheciam, desconfiavam uns dos outros. Apenas uma leitura ignorante e preguiçosa do Novo Testamento acha “um conjunto de ensinamentos” com “clareza”.

    • “Afinal das contas, se havia mulheres Apóstolas e Diáconas no Novo Testamento, por que não poderia haver hoje?” No Novo Testamento nunca observei isso, se puder me indicar as referências eu agradeço. Aliás, além do Novo Testamento, há outras fontes de estudo que falam a respeito disso?

  2. No passado mórmon, mulheres falavam em línguas e interpretavam línguas, davam bênçãos de cura, muitas até afirmavam de fato já possuir o sacerdócio em virtude da investidura, independente de ordenações, etc. Tais práticas cessaram na Igreja. Ou seja, aparentemente, as mulheres acompanharam o declínio dos dons espirituais junto com os homens.

    Isso será recuperado por ordenações e outros procedimentos prescritos em manuais? (Alguém tem escutado a afirmação “manuais são escrituras”?)

    Joseph Smith organizou a Sociedade Feminina de Socorro de forma bastante independente da hierarquia da Igreja – elas tinham suas finanças, sua própria liderança, não eram uma “organização auxiliar”. Ele utilizou uma inspiração maçônica (sim, aquela sociedade à época cheia de pompa e circunstância, exclusivamente masculina) para organizar tal sociedade e prometeu que lhes seriam dadas chaves do sacerdócio. O Profeta também aconselhou as mulheres a abençoarem umas às outras e administrar aos doentes, impondo as mãos.

    O que sobrou de tudo isso na Igreja contemporânea?

    Por um lado, usa-se o sacerdócio para fazer o que pode ser feito pela fé – por exemplo, curar. Por outro, usa-se o sacerdócio para seguir rotinas administrativas, dar conselhos e outras coisas que são feitos por conhecimento de administração ou sentimentos de caridade, compaixão ou até bom senso.
    Talvez a única situação em que o sacerdócio tem de fato sido exercido para sua finalidade e dentro do seu domínio exclusivo são as ordenanças. Mas mesmo aí voltamos ao problema inicial: a falta de revelação.

    Pessoas são batizadas, casais são selados, ordenações são feitas, etc, para atingir metas, para cumprir o que dizem “os manuais” e manter algo acontecendo.

    O que o Profeta tinha em mente para as mulheres não é o que elas recebem hoje. E pensando na relação entre sacerdócio e revelação, o profeta também tinha em mente algo diferente para os homens também.

Deixe um comentário abaixo:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.