Nifai

Ler o mesmo texto em diferentes traduções pode nos dar diferentes leituras e novos entendimentos. É comum que textos clássicos sejam o objeto de diversas traduções para a mesma língua. Cada tradução refletirá as intenções do tradutor, sua época, linguagem, etc..

O mesmo pode acontecer com as escrituras. Muitos de nós, por exemplo, gostamos de consultar diferentes traduções da Bíblia, para tentar buscar diferentes ângulos de compreensão, diferentes nuances.

Abaixo, apresento uma nova tradução para uma conhecida escritura do Livro de Mórmon, I Néfi 3:7. Não se trata de uma proposta de traduzir todo o Livro de Mórmon para o português. Apenas um exercício de tradução, com o objetivo de ampliar os significados contidos no versículo. A idéia foi realizar uma tradução mais literal, ainda que produzisse um texto maior do que a tradução consagrada e oficial.

E aconteceu que eu, Nifai, disse a meu pai: eu irei e farei as coisas que o Senhor ordenou, pois sei que o Senhor não dá mandamentos aos filhos dos homens, a não ser que ele lhes preparare um caminho para que possam realizar o que ele lhes ordenou.

Este é o versículo em inglês:

And it came to pass that I, Nephi, said unto my father: I will go and do the things which the Lord hath commanded, for I know that the Lord giveth no commandments unto the children of men, save he shall prepare a way for them that they may accomplish the thing which he commandeth them.

Esta é a mesma passagem como publicada pela Igreja sud:

E aconteceu que eu, Néfi, disse a meu pai: Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas.

Há algo que venha à tona nessa nova tradução?

14 comentários sobre “Nifai

    • Então, Daniel, essa era a minha proposta. A tradução oficial é com certeza bem mais “elegante”, no sentido que utiliza menos palavras.

      Por ex., ao invés de traduzir literalmente “as coisas que o Senhor ordenou”, está lá “as ordens do Senhor”.

      Eu tampouco consegui reproduzir a relação que há no versículo em inglês entre o verbo “command” (comandar, ordenar, mandar) e o substantivo “commandments”. Mas achei que seria útil traduzir “mandamentos” ao invés de “ordens”.

      • Discordo que a segunda tradução seja “com certeza” a mais elegante. A tradução da Igreja deixou o texto mais enxuto, mas tem muita repetição da palavra “ordem”. A primeira é mais amena, mais simpática, até pela escolha de substituir “ordens” por “mandamentos”. Além disso, ordem e mandamentos são diferentes, não são? Entendo de forma diferente, não sei se estou dizendo alguma bobagem.

  1. Há quem diga que toda tradução por si já é uma exegese, e de fato, quando se conhece o idioma original e se compara com tradução feita, muitas vezes o sentido real se” perde” em sua exencia. No caso da biblia, e em particular o VT nota-se facil, um ex. é a criação de Adão, (Adam) Gen. 2-7 diz — Vaietzer YHWH Elohim et haadam=(Adão) afar min haadamá) = solo, humus ..

    Claudio.

    • Com certeza, Cláudio, há escolhas que são feitas que refletem a leitura do tradutor. No caso da tradução de textos religiosos, isso se torna muito delicado. Especialmente quando o texto é considerado sagrado. Note, que as publicações da Igreja (os “manuais”, como as pessoas chamam) não trazem os nomes dos editores, tradutores ou revisores.

      Quando abrimos a edição do Livro de Mórmon em português lá está o nome de Joseph Smith como o tradutor. Mas quem a traduziu para o português? Quantas pessoas estiveram envolvidas? Que critérios usaram, etc?

      Dificilmente alguém publicaria hoje uma edição bilíngue da Torá sem o nome dos tradutores. Existe, é claro, a questão da autoridade da figura a que traduziu. Esta é a tradução do Rabino Aryeh Kaplan, aquela é do Rabino Meir Melamed e por aí vai.

      No caso sud, talvez o sutil anonimato da tradução seja mais um recurso que reforce a autoridade da publicação, uma vez que não há aparentemente apóstolos que pudessem efetuar as traduções, únicas figuras que poderiam imprimir uma aparência de tradução divinamente dirigida.

      Seu exemplo acima, claro, vai bem mais além do que estamos discutindo sobre ser mais ou menos literal. Só com a definição de “Elohim” entraríamos em muitas outras discussões sobre a “carne” do evangelho, para no dizer num belo “osso duro de roer”! Por ex., quem é Elohim? Ou quem são Elohim? Quem é YHWH? Que “solo” é esse? Quais as dimensões literais e simbólicas?

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