Mórmons e a Palestina

Mórmons apóiam o Estado de Israel em seu conflito com os Palestinos? Podem membros da Igreja também apoiar os Palestinos contra a opressão do Estado de Israel?

Palestina vs. Israel

Recebemos uma pergunta de um de nossos leitores sobre esse assunto:

A igreja é pró ou contra o estado de Israel ou não se interfere? Pergunto porque eu fui expulso de um grupo só porque defendi o direito da Palestina. Eu não entendo por quê defendem tanto os judeus modernos.

Gostaríamos, portanto, de levantar essa pergunta para os nossos leitores brasileiros. Como vocês vêem a questão entre Israel e Palestina? Como vocês vêem essa questão sendo debatida por seus amigos e correligionários em suas alas ou estacas?

Para aqueles que não tem familiaridade com o assunto, um breve resumo da questão:

Os Judeus foram expulsos pelos Romanos do território da Judéia, sendo então denominado pelo Império Romano como Síria Palestina, como consequência da Segunda Guerra Judaica-Romana entre 121 e 126 EC, também conhecida como a Revolta Bar Kochba. O têrmo latino Palestina fora tomado do Grego palaistine (Παλαιστίνη) usado desde o 6o século AEC para os povos da região (e.g., Filisteus e Fenícios). Enquanto os Judeus concentraram-se na diáspora (i.e., nas várias colônias hebraicas espalhadas pelo sul da Europa e, eventualmente, norte e leste), os povos Palestinos prosperaram sob a égide dos conquistadores italianos, bizantinos, árabes, europeus (na guíza dos cruzados), árabes novamente, e turcos. Estes controlaram a região sob a bandeira do Império Otomano por 400 anos.

Durante o século 19, fervor nacionalista eboliu na Palestina, em parte inspirado nos movimentos nacionalistas europeus e latino-americanos, unindo grupos díspares de Palestinos pela causa de livrar-se de jugo Otomano. Pequenos grupos de Judeus Sionistas, que viviam na Palestina sem conflitos com seus vizinhos, também coalesceram em movimentos nacionalistas. Contudo, estes mantinham relações, e conversos, com seus correligionários na Europa.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) terminou o longo processo de colapso do Império Otomano, e os vitoriosos Britânicos e Franceses partiram entre si seus espólios turcos. Durante a guerra, Britânicos haviam estimulado insurreição árabe contra os Otomanos em troca de apoio à independência Palestina, porém numa quebra de acordo, tomaram para si o controle da região por três décadas. Os acordos de Sykes-Picot e Balfour criaram fronteiras arbitrárias que racharam e dividiram inteiras nações, prometendo ainda a futura criação de um Estado Judeu para uma população inteiramente inexistente até então.

Com o genocídio e o deslocamento de milhões de Judeus na Europa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Reino Unido mobilizou-se para a criação, através da recém-fundada Organização das Nações Unidas, dos Estados de Israel e da Palestina no então Território da Palestina. O Estado de Israel rapidamente mobilizou-se para expulsar e deslocar milhões de Palestinos de seus lares e de suas terras, onde suas famílias viviam há séculos ou milênios, com o propósito de aceitar a esperada imigração daqueles milhares de judeus europeus deslocados. Protestando a injustiça dessa imposição arbitrária, e num grave erro tático e político, o Estado da Palestina recusou-se a mobilizar-se enquanto novos acordos mais justos não fossem elaborados. Contudo, estados árabes vizinhos, também resultados da anárquica partilha de Sykes-Picot, mobilizaram-se militarmente para aproveitar-se territorialmente da instabilidade criada, não sem apoio da URSS (rapidamente evoluindo para uma Guerra Fria com os EUA), levando a conflitos armados entre Israel e seus vizinhos árabes pelas próximas décadas. Vitoriosos, com apoio norte-americano, os Israelenses quadruplicaram seu território inicial até eventualmente controlar toda a Palestina.

Presos entre os conflitos entre Israel e estados árabes, EUA e URSS, sob opressão militar e política do Estado Judeu, os Palestinos tomaram armas, incentivaram guerrilhas urbanas e táticas terroristas. Com os tratados de Oslo em 1993 e 1995, a Palestina conseguiu autonomia política nos territórios ocupados (i.e., Faixa de Gaza e Cisjordânia), porém restrições militares, conflitos armados, e a presença de colonos judeus (com fazendas subsidiadas), em grande parte infligindo miséria e fome ao povo Palestino por parte do Estado Judeu em nome de segurança nacional, mantêm um nível perene e constante de animosidade entre os dois povos. Isso, sem contar nos milhões de palestinos ainda deslocados que não puderam retornar às suas terras, e da recusa de direitos políticos aos milhões de palestinos que ainda moram em Israel.

Mórmons, Israel e a Palestina

Joseph Smith enviou o Apóstolo Orson Hyde para uma missão à Palestina.

Entre 1979 e 1988, a Igreja SUD batalhou líderes e o público judeus para conseguir construir um campus de sua universidade BYU em Jerusalém. Ostensivamente um centro acadêmico dedicado ao diálogo entre Mórmons e judeus, nas quase três décadas de funcionamento nada mais serviu para oferecer um semestre a passeio para seus alunos. A animosidade inicial cedeu, certamente, porém converteu-se em indiferença e apatia, ao invés de colaboração e intercâmbio.

A Igreja SUD posiciona-se oficialmente neutra no conflito entre judeus e palestinos. Não obstante, artigos nas publicações oficias da Igreja costumam assumir uma posição marcadamente mais positiva para os judeus que para os palestinos. Líderes da Igreja, no passado, demonstraram apoio público e doaram apoio financeiro ao Estado de Israel, e líderes políticos dentro da comunidade Mórmon (aliado ao padrão de voto ideológico da maioria dos Mórmons nos EUA) demonstra forte preferência pelo Estado de Israel.

Pergunta brasileira

Voltamos, então, à nossa pergunta: Como é a sua percepção das opiniões dos Santos dos Últimos Dias no Brasil com relação a questão da Palestina ou dos conflitos judaico-palestinos?

17 comentários sobre “Mórmons e a Palestina

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