Igreja Mórmon Hasteia Bandeira Libanesa

Ver as reações de solidariedade ao redor do mundo frente aos ataques em Paris nos relembram da capacidade humana de sentir empatia e compaixão, apesar de diferenças de nacionalidade e cultura. Por outro lado, também sugerem que sofremos de empatia e compaixão seletivas.

Mórmons. Bandeira da França. Atentado terrorista. Salt Lake. Paris.

Bandeira da França tremula a meio mastro na sede da Igreja SUD, em Salt Lake.

No dia anterior ao terror na França, 43 pessoas haviam sido mortas em um ataque suicida em Beirute, capital do Líbano. Boa parte da mídia enfatizou que os terroristas do Daesh (ou Estado Islâmico) haviam atacado um reduto do rival Hezbollah. Tal abordagem provavelmente contribuiu para desumanizar as vítimas e normalizar a percepção da violência. Como observou um jornalista sobre seus compatriotas, “muitos americanos ouvem ‘Paris’ e pensam na Torre Eiffel; ouvem ‘Beirute’ e immediatamente a associam à guerra”.

Ironicamente, Beirute já foi apelidada de Paris do Oriente Médio. E apesar da percepção no ocidente de ser um “país muçulmano”, o Líbano é um dos países com maior diversidade religiosa na região – contando até um pequeno ramo SUD na capital¹ – e que exige que seu chefe de estado seja um cristão maronita.

Ainda que pese – e como pesa – o número de mortos quase três vezes maior em Paris, não há dúvida de que a proximidade que sentimos – ou almejamos ter – dos franceses nos faz mais interessados nas atrocidades perpretadas lá do que na distante Beirute. Talvez essa compaixão seletiva seja produto de nossa herança genética que nos impele a ver a humanidade dividida entre “nós e os outros”, em detrimento de pessoas cuja aparência ou cultura nos agrade menos. Talvez seja um dos fatores que constituam o “homem natural”, o qual a escritura informa ser “inimigo de Deus”.

A Primeira Presidência d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias emitiu uma declaração no dia seguinte à tragédia parisiense, expressando solidariedade ao povo francês e conclamando os membros em todo o mundo a orarem para que “a paz do Salvador Jesus Cristo possa proporcionar conforto, cura, compreensão e esperança.” Bandeiras francesas foram hasteadas a meio mastro na Praça do Templo.

Não, não houve bandeiras do Líbano. O título acima, hoje falso, apenas aguarda um futuro em que sejamos menos seletivos em nossa compaixão e o novo mandamento esteja acima das relações públicas e das limitações de cada um.

NOTA

1. O trabalho dos membros SUD libaneses em prol de refugiados sírios é tema deste vídeo da LDS Charities.

 

 

6 comentários sobre “Igreja Mórmon Hasteia Bandeira Libanesa

  1. Interessante a proposta do site
    Também nos leva a ficar indignado ainda mais por ser brasileiro e saber que simultaneamente ao ataque à Paris, tivemos um desastre de escala muito maior em Minas Gerais, onde também não tivemos uma bandeira brasileira levantada a meio mastro na praça do templo.
    Talvez seja pelo fato de não estarmos entre as economias de primeiro mundo.
    Pois em contraste com o libano somos declaradamente cristãos.

  2. Interessante essa reflexão.
    Mas também não podemos deixar de levar em consideração que hastear a bandeira libanesa na praça do templo, no território americano,vai muito além do que saudar os mortos libaneses em ataques terroristas.

    • Pode ser medo de certa forma.
      Apoio direto ao líbano chamaria a atenção de maneira contrastante com o resto do mundo. Todos levantaram a bandeira francesa.

      Já na regiao mineira devastada por uma avalanche mortal, a única coisa que levantaram foi o preço da agua mineral.

      O povo desabrigado, com vizinhos ou familiares mortos, com sede e o que é que os brasileiros fazem? Aumentam o preço dos produtos! A desgraça alheia é oportunidade de lucro!!!

      É de cortar o coração.

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