New York Times Critica Igreja Mórmon

O conselho editorial do The New York Times, um dos jornais mais prestigiosos do mundo com o maior número de Prêmios Pulitzer,  publicou hoje uma crítica aberta à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

New York Times

O conselho editorial do The New York Times primeiro resume e explica as recentes mudanças na política oficial da Igreja SUD com relação a casais e famílias LGBT, ressaltando a preocupação da liderança essa política em sigilo e a aspereza com a qual trata famílias e crianças:

“A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não parecia ansiosa para chamar a atenção para as suas políticas recentemente atualizadas sobre o casamento gay. Em um memorando compartilhado de forma confidencial, a igreja instruiu os líderes que os mórmons em relações do mesmo sexo deveriam ser tratados como “apóstatas“. As crianças sendo criadas por duas mães ou dois pais, o edital determina, devem ser banidos da igreja até que se tornem adultos e possam renunciar a união de seus pais.”

O jornal, então, resume as reações negativas e públicas de membros e não membros ao que ele descreve como sendo discriminatória e preconceituosa, especialmente quando contrastado com o resto da sociedade autóctone:

“A resposta de centenas de membros da igreja foi poderosa. Nos últimos dias, os mórmons têm deixado a igreja em massa, dizendo que eles não se sentem mais em casa em uma instituição que tão resolutamente exclui um segmento da população que vem se tornando cada vez mais visível, legalmente protegida e socialmente aceita nos Estados Unidos.”

Demonstrando respeito pelos direitos religiosos da liderança e da Igreja SUD para determinar políticas discriminatórias e preconceituosas, não obstante explica que esses direitos não os exime de crítica pública:

“As organizações religiosas têm o direito de definir doutrina. Líderes mórmons veem o casamento heterossexual como vital para a salvação eterna. Mas aqueles que continuam a estigmatizar as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo como um pecado, e perpetuar estereótipos nocivos, devem esperar reações de suas congregações.”

O jornal brevemente resume o histórico de ativismo anti-gay da Igreja SUD:

“Durante a última década, a Igreja Mórmon tem usado o seu poder social e sua tesouraria para injetar-se na luta política sobre os direitos dos homossexuais. A igreja financiou a Proposição 8 da Califórnia, uma iniciativa que buscou invalidar a decisão judicial de 2008 que legalizou o casamento homossexual no estado. Os eleitores aprovaram a proposição por uma pequena margem, um revés que galvanizou partidários do casamento homossexual e moldou as estratégias jurídica e cultural, levando até Suprema Corte a legalizar o casamento gay neste verão.”

E descreve o contexto histórico recente de falsa esperança de evolução, o que preparou muitos para o desapontamento atual:

“Após a Proposição 8 ter sido considerada inconstitucional em 2010, a Igreja Mórmon em grande parte desapareceu do debate político sobre o casamento gay. No início deste ano, a igreja parecia dar um passo adiante na questão de igualdade em orientação sexual e identidade de gênero, apoiando um projeto de lei anti-discriminação em todo o estado.”

Condenando a atitude da Igreja e justificando as reações negativas de muitos Mórmons:

“Essa evolução faz a sua nova política particularmente chocante. A exclusão das crianças, em particular, tem alimentado doloroso exame de consciência entre os mórmons devotos e os não praticantes, incluindo muitos que tinham desaparecido da igreja, mas estavam contentes em permanecer em seus elencos. Kate Kendell, uma ativista dos direitos gay que foi criada mórmon, escreveu que ela nunca esperava cortar formalmente os laços com a igreja até que ela soube da nova política.”

Os editores escolhem  citar uma reação emblemática, ao mesmo tempo pessoal para Kate Kendell e sua família, quanto simbólica de milhares de outros Mórmons:

“Foi o tratamento gratuitamente cruel e estigmatizante das crianças que me empurrou a repudiar a igreja da minha infância … É impossível para mim ser parte de uma religião que atacaria seus próprios membros e os pune negando o envolvimento de crianças na Igreja.”

Encerrando com um contraste de como outras igrejas (inclusive outras igrejas de denominação Mórmon) abordam a questão com mais ética e justiçam, enquanto a Igreja SUD é vista como exclusivista e preconceituosa:

“Ms. Kendell, sua esposa e seus três filhos não têm falta de opções quando se trata de locais de culto. Um número crescente de igrejas de várias denominações têm evoluído para abraçar todas as pessoas.

O conselho editorial do The New York Times decidiu registrar publicamente sua crítica à Igreja SUD e sua nova política de discriminação contra famílias LGBT. Durante quase duas semanas, o prestigioso jornal publicou artigos sobre o desenrolamente dos eventos. Hoje, os editores criticam de maneira explítica e aberta, embora sutil e educada, a postura Mórmon.

(Ênfases nossas nas citações acima do editorial do The New York Times)

 

11 comentários sobre “New York Times Critica Igreja Mórmon

  1. A igreja foi tão ignorante nessa de dizer que crianças, porque tem pais do mesmo sexo, que é algo do que eles não tem culpa nenhuma, independente da discussão de ser certo ou não, não poderem se batizar é a mesma coisa que lançar uma maldição sobre os pequenos. é uma doutrina/dogma repugnante e insana. Depois os missionários vão nas casas das pessoas e quando alguém pergunta se pecado passa de uma pessoa pra outra, ou seja, de pai pra filho, e eles respondem de cara lavada que “não”. Mas é mentira!

    • Diego se você não foi informado sobre a decisão da Igreja deveria se informar, não se trata de “amaldiçoar” as crianças, mas sim de protegê-las; imagine se esta criança vai a igreja todo o domingo e aprende que, o casamento e a família é composta de um casal heterossexual e em casa ele vê algo diverso que ele aprende, como seria a vida desta criança ?? seria sim um tormento ele teria que escolher entre a igreja e sua família então a igreja para não causar “transtorno” na vida deste indivíduo preferiu adotar esta prática, SALIENTANDO QUE É DEVER DOS PAIS SENDO MEMBROS OU NÃO, AGORA HETERO OU HOMOSSEXUAL ensinar os filhos a igreja é apenas um complemento na vida dos membros mesmo acreditando que é o Reino de Deus aqui na Terra

  2. Agora a Igreja deve se pautar pelos padrões do mundo? A Igreja está correta em seguir os padrões do Senhor. Quanta apostasia é em aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

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