Thomas Monson: Fugindo de Minorias Raciais

Em sua autobiografia, o 16° Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Thomas Spencer Monson admitiu ter mudado de endereço apenas para não ter que morar na mesma ala com vizinhos que pertenciam a outras raças ou etnias, particularmente negros.

Thomas S. Monson serviu como 16º Presidente (2008-2018) e Apóstolo (1963-2008) da Igreja SUD

Em 1985, Monson publicou essa memória:

“Em torno de 1956 nós nos demos conta que a nossa vizinhança estava deteriorando. Nós observamos isso em determinado Halloween¹ pelo perfil das pessoas que estavam passando sob o disfarce de ‘Gostosuras ou Travessuras’².  O elemento das minorias estava se mudando para a região onde morávamos³, e muitas das famílias antigas já haviam se mudado dali há algum tempo. Procurando por um conselho, eu visitei o [Apóstolo] Mark E Petersen¹¹, que por muitos anos trabalhara como Gerente Geral do [jornal onde eu trabalhava] Deseret News. O Preston Robinson, meu antigo professor de marketing na Universidade de Utah, havia tomado o lugar do Irmão Petersen como Gerente Geral do [Deseret] News [quando este fora chamado como Apóstolo]. Quando eu mencionei ao Mark o meu dilema, pensando se não seria injusto da minha parte mudar-me dali, ele simplesmente me disse: ‘Sua obrigação com a área já foi concluída. Por que você não constrói uma casa na minha ala?'” — Thomas S. Monson (On the Lord’s Errand: Memoirs of Thomas S. Monson, Publicação Própria, 1985, p 184)¹²


NOTAS

[1] Halloween é uma festa típica norte-americana que celebra a véspera do feriado cristão do Dia de Todos os Santos.
[2] “Gostosuras ou Travessuras” é uma tradição norte-americana durante o Halloween onde crianças batem de porta em porta em suas vizinhanças, usualmente fantasiados, pedindo doces ou pegadinhas (nos vizinhos ou nas crianças).
[3] Já em 1945 a Primeira Presidência discutiu como incentivar membros da Igreja SUD a participar de grupos civis para “reuniões [para se discutir] como evitar que negros se tornem vizinhos”, mas o Presidente George Albert Smith optou por negar acesso às capelas para tais reuniões. [Ver Quinn, Michael. The Mormon Hierarchy: Extensions of Power. Signature Books, 1997, p. 832.]
[11] Mark E. Petersen serviu como Apóstolo da Igreja SUD entre 1944 e 1984, e ficou famoso por sua ferrenha apologia a práticas racistas como segregação e discriminação raciais, especialmente contra negros. Veja, por exemplo, este discurso.
[12] A expressão “elemento das minorias” (no original “minority element”) é ambíguo o suficiente para poder se aplicar a qualquer outra raça não branca, mas dentro do contexto histórico é muito provável que seja uma alusão a negros. Além da óbvia questão racial para a Igreja SUD numa época quando a política oficial da Igreja era excluir negros, e apenas negros, de participação plena, e da então persistente pregação pelas Autoridades Gerais para que brancos evitassem contato social com negros, e apenas negros,  havia a questão demográfica. Nesse período, mórmons em Utah pressionaram legisladores a passar leis que dificultasse para negros a compra de imóveis e, em alguns locais, obrigassem-no a morarem em bairros especialmente designados para negros e apenas nestes. O aumento do fluxo migratório para Utah entre 1930 e 1960 ocorreu mais pronunciadamente entre negros quando comparado com outros grupos étnicos. Ademais, uma análise de publicações literárias sugere que o têrmo “negro” ou “negros” estava caindo em desuso durante a década em questão, década de fervor causado pelo movimento pelos direitos civis de negros, sendo substuído pelo têrmo “minoria” ou “minorias”. A mesma análise ainda sugere que a preocupação com “latinos” e “hispânicos” começou a surgir no final da década de 1980. E, ainda, a evolução histórica de têrmos comumente utilizados para negros e outras raças não-brancas nos EUA também sugere isso.

5 comentários sobre “Thomas Monson: Fugindo de Minorias Raciais

  1. Antes da morte do presidente Hinckley e sem saber dessa estória que foi postada agora eu já via o E. Monson como alguém desse nipe.
    Em todas as viagens que ele acompanhava presidente Hinckley somente presidente Hinckey e presidente Faust cumprimentava as pessoas no idioma local. Quando eles vieram para cá o E. Monson só ficava na dele(pelo menos é a impressão que tive). Nas conferências eu percebia que os discursos do presidente Hickley e Faust era mais preenchido com experiências com outros povos, dava para perceber que eles tinham boas lembranças quando encontraram outros povos no passado. No caso do presidente Hinckley(Inglaterra, América do Sul, Hong Kong, Japão, Coréia, e outros países que ele visitou) e no caso do presidente Faust(Brasi e demais países latinos), mas os discursos do E. Monson, não que não prestasse, mas era muito sem sal para mim pois ele só falava as coisas pertinentes sua vida como autoridade geral, a familia dele, vida militar e outras coisas que para mim não havia nenhum interesse em saber.
    Sei que E. Monson faleceu,mas sinto mais falta dos discursos do presidente Hinckey e Faust pois eles parecem que tinham realmente amor por outros povos. Pessoas como esses dois dificilmente irá aparecer.

  2. Sabia!!!
    Obrigado pela nota [12]. Seria possível, por favor, verificar se foi nesse período de 1930 a 1960 que saiu a citação de que “os membros devem estabelecer Sião em sua nação”?
    Muito obrigado.

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