Racismo na BYU

Meu professor de “Fundações da Restauração” justificou a proibição do sacerdócio aos negros, dizendo: “Não vamos fingir que Deus não havia feito restrições raciais para o sacerdócio e o evangelho antes. Ele não queria que o evangelho fosse ensinado aos gentios em um ponto. Não sei por que Deus faz essas restrições, mas Ele deixou as duas continuarem por um longo tempo.” Embora eu possa não conhecer bem o histórico dessas restrições, fiquei ofendida com a sua declaração e com a sua tentativa de ignorar as perguntas sobre o assunto. Eu era a única afro-americana nessa classe de 200 pessoas, mas todos os que fizeram alguma pergunta tinham problemas com a proibição, e o professor respondeu defensivamente a todos eles. Sua abordagem para encerrar as perguntas dos alunos e insistir que não criticassem os profetas do passado impediu nossa capacidade de fazer perguntas e não aceitar tudo com “fé cega”.

O atual Apóstolo e Profeta Dallin Oaks, então Presidente da BYU, vestido como o mascote da universidade mórmon ‘Cosmo o Puma’, em 1979.

Um amigo meu da BYU¹ (que é branco) e eu estávamos conversando sobre a ressurreição e o que aconteceria fisicamente conosco. Ele me perguntou: “Você não acha que após a ressurreição você ficará branca como o Pai Celestial e Jesus Cristo?” Suas suposições incorretas eram que 1) para sermos perfeitos, todos nós Continuar lendo

Harold Lee: A Supremacia da Raça Branca

O Profeta Harold Bingham Lee, 11º Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, deixou claro em seus ensinamentos que a raça branca é superior a todas as demais raças humanas, preferida por Deus, e recompensa por obediência e retidão na vida pré-mortal.

Harold Bingham Lee, 11º Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Foto: Intellectual Reserve)

Tão importante é essa doutrina de supremacia branca para o Apóstolo e Profeta que, além de ensiná-los pessoalmente a seus seguidores, Lee a expos em programas de rádio, e depois publicou em formato impresso para a posteridade mórmon.

Em seu livro Decisions for Successful Living, Lee primeiramente parece criticar o conceito nazista de “raça-mestra”:

Ouvimos muito na comunidade mundial sobre as chamadas raças-mestras. O sentimento de superioridade nas mentes dos líderes desses auto-proclamados grupos superiores que fizeram campanha pelo domínio do mundo mergulhou o mundo em poderosos e terríveis conflitos mundiais. O mistério de sua superioridade imaginada foi agora amplamente explodido pela força das armas das nações opostas que eles procuravam conquistar. A arrogância assumida por essas raças-mestras, assim chamada, gerou o preconceito racial mais amargo da história do mundo.

Porém, imediatamente segue com uma condenação de miscigenação racial:

Existem outras forças que varrem esse e outros países que derrubariam todas as barreiras sociais entre as raças e anulariam as leis existentes que proíbem o casamento legal entre certas raças.  Ainda existem outros que colocam interpretações aparentemente errôneas na declaração, encontrada nos parágrafos iniciais da Declaração de Independência, no sentido de que “Todos os homens são criados iguais”. É bom que vocês, como jovens do nosso país, tenham da fonte da verdade infalível, a Igreja de Jesus Cristo, as verdades das escrituras sobre esses importantes problemas que envolvem o relacionamento dos seres humanos entre si e com Deus, nosso Pai Celestial.

Lee especula sobre o conceito social de raça antes de determinar que todos humanos são “filhos espirituais de Deus” e descendentes de “Adão e Eva, nossos primeiros pais terrestres no Jardim do Éden”.

Quantas raças existem? A maioria dos cientistas dividiu a humanidade em cinco grupos: as raças branca, preta, marrom, amarela e vermelha. Outros agruparam as raças marrom, amarela e vermelha como “subgrupos” de uma única raça.

Não obstante sermos todos “filhos espirituais de Deus” e descendentes de “Adão e Eva, nossos primeiros pais terrestres no Jardim do Éden”, Lee articula as doutrinas mórmons da vida pré-mortal, do conflito após o Conselho dos Céus entre os seguidores de Jesus e os seguidores de Lúcifer, da pré-ordenação de espíritos “grandes e nobres” na pré-existência, e os une todos em seu argumento de que a raça branca é a escolhida por Deus para Seus filhos mais espirituais, obedientes, e valentes, e que demais raças como as negras ou ameríndias (“preta” e “vermelha”) foram reservadas para os refugos menos valentes, menos espirituais, menos obedientes, menos valorosos, menos fiéis:
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N. Eldon Tanner: A Lei de Deus Discrimina Contra Negros

O Presidente Nathan Eldon Tanner admitiu em uma entrevista de 1967 que a “lei de Deus” era discriminar contra os negros.

Nathan Eldon Tanner, Conselheiro na Primeira Presidência (1963-1982) sob os Presidentes David O McKay, Joseph Fielding Smith, Harold B Lee, e Spencer W Kimball

Tanner, que serviu na Primeira Presidência entre 1963 e 1982 como Conselheiro dos Profetas David O McKay, Joseph Fielding Smith, Harold B Lee, e Spencer W Kimball, admitiu em entrevista para a revista Seattle Magazine em dezembro de 1967 que a crença prevalente sobre a segregação racial imposta pela Igreja era uma lei divina.
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Gary Stevenson: Negros Possuem Gene Extra para Espiritualidade

O Apóstolo Gary Stevenson recentemente afirmou em discurso de devocional no Distrito Dar Es Salaam Tanzania, na cidade de Dar Es Salaam, Tanzania, que negros teriam geneticamente mais espirituais que outras raças.

Apóstolo Gary Evan Stevenson do Quórum dos Doze Apóstolos d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias desde outubro de 2015 (Foto: LDS.org)

Ou que tanzanianos seriam geneticamente mais espirituais que outros povos? Não ficou absolutamente claro. Veja por si, mesmo: Continuar lendo

Ezra Taft Benson: Quem Era Martin Luther King

Comemora-se, hoje, o Dia de Martin Luther King, Jr.

King foi um dos norte-americanos mais proeminentes no século 20, figurando entre os principais líderes do Movimento pelos Direitos Civis de Negros. Vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1964, King foi o idealizador e principal proponente do conceito de protestar injustiças através da desobediência civil não-violenta, e uma das maiores figuras públicas a defender a proposição que o combate à pobreza seja um tema religioso cristão predominante.

King foi assassinado em 1968, aos 39 anos, e subsequentemente seu nome ficou eternizado como síntese dos princípios que esposava de justiça social e igualdade racial, além de um cristianismo compassivo. Tão importante é seu legado que uma data comemorativa tornou-se feriado federal nos EUA por lei assinada em 1983 pelo Presidente Ronald Reagan e é celebrada na terceira segunda-feira de janeiro, próximo à sua data de nascimento em 15 de janeiro.

O Presidente Hugh B Brown, da Primeira Presidência era um fã de King, sua filosofia, e o que ele representava. Contudo, o primeiro Apóstolo SUD a discorrer sobre King e sua filosofia de pacifismo ativista em plena Conferência Geral não foi Brown, mas sim Ezra Taft Benson.

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Depoimento de um Mórmon à Eleição do Bolsonaro

Carta de um leitor, que desejou manter-se anônimo, sobre sua experiência mórmon do momento da eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República do Brasil.

Hoje fui fazer o meu dever como irmão ministrador e fui visitar um irmão adoentado para lhe ministrar uma bênção de saúde.

Hoje também foi o dia do segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Continuar lendo

40 Anos do Fim da Segregação Racial Mórmon

Celebramos hoje 40 anos desde o fim oficial do racismo institucional n’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Spencer Woolley Kimball, 12o Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (30 Dezembro 1973 – 5 Novembro 1985), Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos (1972-1973), Apóstolo (1943-1973)

Nessa data, há 40 anos, o Profeta Presidente da Igreja SUD Spencer Woolley Kimball anunciou publicamente que a Igreja não mais discriminaria contra negros e encerraria a política de proibir a ordenação de homens afrodescendentes ao sacerdócio, a sua inclusão em cargos de liderança, e a inclusão de homens, mulheres, e crianças negras nos cultos em seus templos sagrados.

Capa do jornal universitário The Universe da Universidade de Brigham Young (Provo, Utah) em edição extra no dia 9 de junho de 1978 anuncia acima de uma foto do Profeta-Presidente Spencer W Kimball: PRETOS RECEBEM SACERDÓCIO – Deus revela nova política a Profeta SUD

Introduzindo Segregação Racial (1852)

Se a data do fim oficial da segregação racial SUD, popularmente conhecida como “proibição ao sacerdócio”, está claramente marcada nos anais da história como 9 de junho de 1978, o seu início é um pouco mais convoluto. A data mais aceita entre historiadores é 23 de janeiro de 1852, quando Brigham Young anunciou à Continuar lendo

Thomas Monson: Fugindo de Minorias Raciais

Em sua autobiografia, o 16° Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Thomas Spencer Monson admitiu ter mudado de endereço apenas para não ter que morar na mesma ala com vizinhos que pertenciam a outras raças ou etnias, particularmente negros.

Thomas S. Monson serviu como 16º Presidente (2008-2018) e Apóstolo (1963-2008) da Igreja SUD

Em 1985, Monson publicou essa memória: Continuar lendo

Heber C. Kimball: Como Conseguir Um Casamento Celestial

O Presidente Heber C. Kimball, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, fez os seguintes comentários para missionários em perspectiva se preparando para sair ao campo missionário sobre como se deveriam comportar para “conseguir um casamento celestial“:

Heber C. Kimball, Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência (1847-1868)

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Igreja Mórmon Condena Racismo, Não Condena Nazistas

Respondendo ao recente atentado terrorista deste sábado (12), quando um neonazista intencionalmente atropelou 19 manifestantes pacíficos, matando uma jovem de 32 anos, protestando contra a marcha de neonazistas na pequena cidade universitária de Charlottesville, Virgínia, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias emitiu nota oficial condenando “racismo” e “intolerância”.

Neonazistas e Nacionalistas Brancos marcham pela cidade de Charlottesville, Virgina

Não obstante, para o regozijo de muitos simpatizantes deste movimento fascista norteamericano moderno, entre eles próprios membros da Igreja, ela restringiu-se a comentários genéricos e brandos, evitando direta condenação de neonazistas ou os chamados “nacionalistas brancos”. Continuar lendo

Por Que é Hora da Igreja Mórmon Revisitar Seu Passado Diverso

Numa época em que a frequência tradicional a igrejas diminuiu e a filiação religiosa de mais rápido crescimento na América são os “não” — aqueles que não reivindicam afiliação com uma fé organizada —, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias continuou a se expandir.

Missionários FIJI

Missionários SUD em Fiji (Foto cortesia d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Esse crescimento na Igreja SUD, comumente chamada de Mórmon, é em grande parte resultado do número crescente de congregações predominantemente brancas, bem como de um grande número de novos conversos latinos. Em outros lugares, as taxas de conversão mórmon diminuíram visivelmente.

Da minha perspectiva como estudioso da história religiosa e política americana, essas duas correntes para o crescimento significam uma tensão crucial no coração da experiência mórmon: a comunidade mórmon está lutando para manter sua identidade cultural, ao mesmo tempo que abraça múltiplas origens raciais, étnicas e nacionais. Continuar lendo

Racismo na BYU é Tema de Exposição de Arte

Doze retratos de alunos da Brigham Young University (BYU) estão em exposição em seu Centro de Belas Artes Franklin S. Harris. As fotos são acompanhadas de breves relatos sobre suas experiências com racismo e discriminação em Utah e dentro da própria Universidade Mórmon.

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Exposição na BYU, em Provo, Utah, traz relatos pessoais sobre racismo. Foto: Michael Hicks.

Esses relatos mostram a dificuldade existente na cultura mórmon em lidar com imigrantes e mesmo norte-americanos de diferentes origens étnicas. Leia alguns dos relatos. Continuar lendo

Racismo no Livro de Mórmon

O Livro de Mórmon é uma obra de escrituras sagrada para mórmons.

Infelizmente, é uma obra profundamente racista.

Obra de arte representando as lendárias "placas de ouro" que Joseph Smith teria encontrado e de onde teria traduzido o Livro de Mórmon (Museum of Church History and Art, Salt Lake City)

Obra de arte representando as lendárias “placas de ouro” que Joseph Smith teria encontrado e de onde teria traduzido o Livro de Mórmon (Museum of Church History and Art, Salt Lake City)

Tanto para a narrativa, como para a teologia, do Livro de Mórmon uma cor de pele escura é um claro sinal de maldição e reprovação divina. Além disso, há severas admoestações para a manutenção de pureza racial. Esses ensinamentos racistas do Livro de Mórmon são tão enraizados que levou gerações de profetas mórmons a pregarem tais ensinamentos do púlpito. [Ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui]

Essas são as passagens relevantes que permeiam o texto canônico mórmon (ênfases nossas): Continuar lendo

Spencer Kimball: O Dia dos Lamanitas (Ficarem Brancos)

O Profeta Spencer W. Kimball, então no Quórum dos Doze Apóstolos, elaborou um elogio aos índios nativo-americanos com comentários profundamente racistas  durante a Conferência Geral de abril de 1960.

Spencer Kimball Lamanitas Mórmons

Spencer W. Kimball confraternizando com membros da tribo Navajo Imagem: lds.org

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