Não somos todos mendigos? (E se você se chamasse Amy Winehouse?)

Amy Winehouse aos oito anos

A cantora britânica Amy Winehouse acaba de falecer e não são poucos os comentários que vemos e ouvimos sobre como ela “cavou a própria sepultura”. Com certeza, é necessário num momento como este relembrar os danos que o alcoolismo e o vício em drogas causam ao indivíduo e a todos à sua volta. Um problema surge, no entanto, quando nos falta aquele entendimento que só a compaixão pode nos dar e esquecemos que o álcool e as drogas geralmente não são o início em si da autodestruição, mas o meio.

Em seu belo artigo Compaixão para os que não merecem, Kent Larsen escreveu sobre o perigo espiritual a que nos sujeitamos a ter uma compaixão seletiva: Continuar lendo

Missionários Robôs?

(…) se tendes OU NÃO o desejo de servir a Deus, sois chamados ao trabalho.

Muitos detectarão no verso acima uma edição sacana da escritura em Doutrina e Convênios 4:3. Quem quer que o compare com o original, perceberá uma mudança total de significado, onde a condição individual de querer ou desejar servir simplesmente perde seu sentido. No entanto, foi basicamente isso que ouvi em um discurso na sacramental, na semana passada.robotsAo falar sobre a importância de compartilhar o evangelho através da missão de tempo integral, o discursante disse “É por isso que aqueles que têm o desejo…”, quando então pausou e se corrigiu: “Não! Para os rapazes que têm ou não o desejo e para as moças que tiverem o desejo…”.

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Escrituras como “armas”

Muitas vezes escutei na Igreja a metáfora das escrituras como armas. Nunca simpatizei muito com a ideia, mas tampouco havia sentido tão fortemente seu aspecto negativo até ouví-la umas quatro vezes seguidas na mesma aula da Escola Dominical.

Apesar de narrativas sangrentas ou metáforas que evocam imagens bélicas, as escrituras em si não apresentam tal metáfora de serem armas. Armas são feitas para ferir alguém ou destruir algo ou, no mínimo, ameaçar que alguém será ferido ou algo será destruído, ainda que em defesa própria. Fica difícil pensar nas escrituras como tendo semelhante propósito. Continuar lendo

Buscas pessoais

E como nem todos têm fé, buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria; sim, nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé.” Doutrina & Convênios 88:118

Hoje quero comentar um pouco a respeito desta busca por conhecimentos, por sabedoria que observo ter vários desdobramentos. Alguns buscam mais saber sobre os mistérios dos céus, da astronomia, outros buscam as origens do homem, outros os complexos cálculos matemáticos, já outros a física e a química dos elementos, outros ainda os variados ecossistemas do planeta ou ainda o intrincado comportamento humano. Continuar lendo

Salvação e revelação

Salvação não pode vir sem revelação; é vão para qualquer um "A moeda perdida", pintura de J. Kirk Richardsministrar sem isso.  Nenhum homem é um ministro de Jesus Cristo sem ser um profeta.  Nenhum homem pode ser um ministro de Jesus Cristo a não ser que tenha o testemunho de Jesus e este é o Espírito de Profecia.  Sempre que a salvação tenha sido administrada o foi por testemunho. Homens no presente testificam de céu e inferno e nunca viram nenhum. (Joseph Smith, 08 de agosto de 1839, registrado por Willard Richards, Words of Joseph Smith, p. 10.) Continuar lendo

Pílula azul x pílula vermelha

Num dia destes estava relembrando do filme Matrix que foi lançado em 1999 e na época iniciou-se uma febre pelos efeitos especiais extraordinários do filme e sua estória que se passava num futuro em que as máquinas que ganharam inteligência artificial começaram
a se rebelar contra os humanos e a dominar nossa raça, nos usando como fonte de energia para sua existência.

Neste cenário, as máquinas conseguiram colocar os humanos em um estado de hibernação aonde impulsos elétricos eram usados para emular uma existência paralela aonde todos acreditavam estar vivendo seus cotidianos de maneira natural. Continuar lendo

Osama, Obama e um monte de perguntas

Segunda-feira de manhã peguei o jornal no balcão da padaria por costume. Queria ver as manchetes enquanto esperava o sanduíche que seria meu café-da-manhã. A manchete sobre a morte de Bin Laden parecia quase ficção. “Sério que isso aconteceu?”, pensei comigo num misto de admiração e perplexidade. Continuar lendo

Seguir, seguir, seguir

Em uma tradição religiosa em que a autoridade é um princípio essencial, a ideia de obedecer e seguir a fonte correta de autoridade é fortemente enfatizada. Os efeitos potencialmente perigosos de tal ideia surgem ao serem esquecidos os parâmetros e critérios da obediência – em outras palavras, a quem obedecemos e por que obedecemos. Continuar lendo

Compaixão para com os que não merecem

Posso lembrar-nos de uma coisa?

A retórica aqui e acolá nos foros mórmons, na Internet e, evidentemente, nas vidas pessoais de muitos de nós, parece se basear muitas vezes na ideia de que existe um teste de merecimento para a nossa compaixão. Continuar lendo

Quem são nossos samaritanos?

Hoje, na Escola Dominical, uma das parábolas abordadas foi a do samaritano socorrendo o judeu à beira da morte, em Lucas 10. A radicalidade do ensinamento de Cristo ao colocar o samaritano como próximo do judeu só pode ser entendida a partir da exclusão mútua entre os dois povos. Falando como judeu a uma audiência judaica, Cristo escolhe como exemplo de misericórdia um indivíduo Continuar lendo

O Abismo Moral

Abril é época de Conferência Geral para a Igreja Mórmon, e não se pode falar sobre o mormonismo atual sem discuti-la.

O Presidente da Igreja, Thomas Monson, durante a reunião especial para o Sacerdócio, queixou-se do “abismo moral” entre o “mundo” e a Igreja:

“O compasso moral das massas mudou-se gradualmente para quase uma posição de vale-tudo. Eu já vivi o suficiente para acompanhar muito dessa metamorfose moral da sociedade. Antigamente, os padrões da sociedade e os padrões da Igreja eram em geral compatíveis. Agora, há um abismo entre nós, e este cresce cada vez mais.”

Dentre as falências morais da sociedade, Monson escolheu mencionar estas:

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