A adoção

Que tipo de selamento era a adoção? Como essa doutrina fazia parte do pensamento de Joseph Smith? Que implicâncias ela tinha na redenção dos mortos e organização do povo do convênio? Este post introduz o desconhecido tema da adoção.

Foi na cidade de Nauvoo, durante a década de 1840, que as ordenanças do templo atingiram uma maior elaboração,

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Um Diagrama do Reino de Deus

Um Diagrama do Reino de Deus

Orson Hyde

O diagrama acima mostra a ordem e a unidade do reino de Deus. O Pai eterno senta-se à cabeça, coroado Rei dos reis e Senhor dos senhores. Onde quer que as outras linhas se encontrem, senta-se um rei e sacerdote para Deus, possuindo governo, autoridade e domínio abaixo do Pai. Ele é um com o Pai, pois seu reino é somado ao de seu Pai e torna-se parte dele. Continuar lendo

Vinho no sacramento

wine-glassAtualmente, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias usam água e pão para simbolizar o sangue e o corpo de Cristo em suas cerimônias dominicais. Entende-se hoje que o uso da água em substituição ao vinho está em concordância com os preceitos da chamada Palavra de Sabedoria, a revelação de Doutrina e Convênios 89 sobre o consumo de alimentos e bebidas. A própria seção 89 e os registros históricos nos dizem, no entanto, que o vinho continuou a ser usado durante muito tempo pela Igreja SUD na ordenança do sacramento, como mostram as citações abaixo. Continuar lendo

Patriarcas: Pais Para Os Órfãos

John_Taylor_seated_in_chairO texto a seguir é a tradução de partes do editorial escrito por John Taylor em 1845, sobre a natureza do ofício patriarcal. O texto suscita alguns pontos interessantes, especialmente o fato de patriarcas ordenados estarem reparando, por assim dizer, uma situação problemática na Igreja. Para John Taylor, a bênção patriarcal é a bênção de um pai sobre seus filhos. Dessa forma, é direito do pai administrar tal bênção para sua própria família. O patriarca ordenado seria apenas um “procurador”, agindo em favor daqueles que são órfãos do sacerdócio. Continuar lendo

Jeová, o Pai

No meu post anterior, mostrei como, de acordo com algumas escrituras bíblicas, Cristo não pode ser considerado o Deus que interagiu com os antigos israelitas. O “Deus de Abraão, Isaque e Jacó” para os autores do Novo Testamento é o próprio Pai e não seu Filho. Nesta continuação do tema, busco novamente na relação do Novo Testamento com a bíblia hebraica a identidade de Jeová como o Pai; também utilizo uma importante escritura de Doutrina e Convênios para mostrar como Joseph Smith também usava o termo Jeová para se referir ao Pai. Continuar lendo

Jeová e Jesus Cristo são o mesmo ser?

A diversidade de nomes e títulos atribuídos à deidade pelas escrituras e as diferentes interpretações que estas recebem podem tornar difícil a identificação exata de quem é quem e gerar um longo debate teológico, como tem acontecido na tradição cristã. Os santos dos últimos dias, os quais acreditam na existência de seres distintos e na consequente distinção entre o Pai e o Filho, também são apanhados nesse debate, especialmente no que se refere à identidade do Deus adorado pelos antigos patriarcas e as gerações de israelitas descritos na Bíblia hebraica ou Velho Testamento.  Continuar lendo

Uma Posteridade Branca e Deleitosa: Origens do Casamento Plural

William W. Phelps

William W. Phelps

A crença na origem israelita dos povos ameríndios e a prática do casamento plural são certamente duas características marcantes da experiência mórmon. Embora nenhuma das duas tenha uma origem exclusivamente mórmon, Joseph Smith deu a elas aplicações e sentidos únicos. Poucos entre nós estão familiarizados, no entanto, com a conexão histórica entre as duas doutrinas; tampouco a influência do Livro de Mórmon na instituição do casamento plural parece ter sido avaliada com a devida consideração.

A primeira revelação conhecida a aludir à prática da poligamia (ainda que sem mencioná-la explicitamente) ordenava que um grupo de missionários da jovem Igreja de Cristo buscasse esposas indígenas para que sua descendência pudesse retornar a um estado de pureza e retidão, conforme profetizado no Livro de Mórmon. O casamento divinamente ordenado entre mórmons e índios seria o meio de tornar isso realidade. Continuar lendo

Revelação inédita de 1831


"Mulher Sioux", de Howard Terpning

Trecho da revelação dada por intermédio de Joseph Smith, no Condado de Jackson, Missouri, em 17 de julho de 1831, conforme o relato de William W. Phelps.

Em verdade, em verdade, diz o Senhor, vosso Redentor, o próprio Jesus Cristo, a luz e a vida do mundo que não podeis discernir com vossos olhos naturais, o desígnio e propósito de teu Senhor e teu Deus em trazê-los ao ermo, para uma prova de vossa fé – e para serdes testemunhas especiais para prestar testemunho desta terra, sobre a qual a Sião de Deus deverá ser construída nos últimos dias, quando for redimida. Continuar lendo

Batismo para cura

Durante o século XIX e início do XX, era comum entre santos dos últimos dias a prática do rebatismo, ou seja, eventuais batismos depois da admissão à Igreja. Havia motivos diferentes para a pessoa ser batizada mais de uma vez: para a remissão de pecados ou renovação de convênios, antes do ingresso na ordem unida, antes da investidura ou casamento, antes de sair em missão.

Dentre esses motivos também estava a busca de cura. Assim como os batismos em geral, os batismos para cura eram realizados em rios. No templo de Nauvoo, rebatismos para cura também foram realizados na sua pia batismal. Continuar lendo

Mulheres e o sacerdócio

Não deixo de me sentir um pouco constrangido ao parabenizar as mulheres no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Isso porque originalmente é uma data que tem mais a ver com denúncia e reivindicação do que com uma celebração em que se pode enviar flores. É mais ou menos como dar parabéns aos negros pelo Dia da Consciência Negra, ou aos indígenas pelo Dia do Índio. Soa um pouco irônico.

De qualquer forma, eu expresso a minha gratidão pelas mulheres que estão à minha volta e que tornam a minha vida bem mais rica e interessante,  numa sociedade que ainda abusa delas de tantas formas diferentes -física, emocional, espiritual. Será que participamos e perpetuamos algumas formas de abuso? Continuar lendo

Origem e destino da mulher

A posição da mulher na doutrina mórmon ganhou uma reflexão especial pela pena de John Taylor. Morando em Nova York para editar o jornal The Mormon, na década de 1850, John Taylor conheceu a jovem e bela Margaret Young (sem  parentesco com Brigham), então com vinte anos. Transformando em artigo do seu jornal parte do que havia escrito em cartas de amor a Margaret, Taylor publicou, em 1857, Origem e destino da mulher, traduzido abaixo. Em setembro de 1856, Margaret havia se tornado esposa plural de John Taylor, com quem ainda teria nove filhos. Continuar lendo

Mórmons, Maçons e Antimaçons

O segredo da maçonaria é guardar um segredo.

Joseph Smith

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Escada do atual templo de Nauvoo.

 

Na quarta ou quinta série, ouvi uma colega perguntar à professora de história se a maçonaria era a igreja do diabo. A surpresa que senti foi enorme, mas nada comparado ao que sentiria vinte anos depois, enquanto ensinava uma aula da Escola Dominical. Discutindo as combinações secretas descritas no Livro de Mórmon, alguém com décadas de experiência como membro da Igreja disse que a maçonaria se encaixava na descrição daquelas antigas conspirações.

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Hyrum, o Profeta Rejeitado

Maudsley_JSandHS_lg_stAo iniciar a série sobre o Patriarca Eldred G. Smith, percebi que o tema do ofício patriarcal precisaria ser explorado em maior detalhe. Para tentar explicar o receio existente em torno do ofício do Patriarca e a dramática mudança que sua extinção representou dentro de doutrina mórmon, convido os leitores para uma visita a Nauvoo, no ano de 1843, onde veremos a “reforma” iniciada por Joseph Smith e a polêmica em torno da posição de Hyrum Smith. Continuar lendo

Mãe Celestial redescoberta?

Mãe e criança, pintura de Gustav Klimt (1862-1918)

A existência de uma divindade feminina, esposa de Deus o Pai, é um dos ensinamentos mais distintos do mormonismo. Quase transformado em tabu em décadas recentes, o tema hoje parece receber pouco mais que tímidas alusões no cotidiano da Igreja sud. Sequer a palavra “Mãe” é geralmente mencionada em textos oficiais, mas apenas subentendida nas alusões a “pais celestais”, como no documento A Família: Proclamação ao Mundo e no livro Princípios do Evangelho. O hino Ó Meu Pai, escrito em 1845 por Eliza R. Snow, esposa plural de Joseph Smith,  permanece para a grande maioria dos membros como a afirmação mais acessível de tal doutrina: Continuar lendo