AO VIVO: 184a Conferência Geral (Sessão de Sacerdócio)

Com este artigo, durante a sessão de conferência, vocês podem fazer comentários enquanto ouvem os discursos da 184a Conferência Geral da Igreja.

Ouviu algo que merece ênfase? Comente! Acha que algo dito vai provocar reações de críticos ou que mereça crítica? Comente! Será que o discurso não é relevante para a vida no Brasil? Comente! Não gosta do cor da gravata do orador? Comente!

Mulheres do Ordene as Mulheres aguardam no Largo do Templo para entrar na 184a Sessão do Sacerdócio da Conferência Geral

Mulheres do Ordene as Mulheres aguardam no Largo do Templo para entrar na 184a Sessão do Sacerdócio da Conferência Geral

[Traduções rápidas — não vai ser igual ao que se publica na Liahona]

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Primeiro de Abril

01 de abril de 2014. Esta data entrou para a história do Mormonismo no Brasil, e talvez no mundo.

Orson Wells anuncia para o mundo a descoberta da Zarahemla

Orson Wells anuncia para o mundo a descoberta da Zarahemla

O diretor americano Orson Wells, repetidamente eleito como um dos melhores cineastas na história do cinema, adaptou a novela ‘Guerra dos Mundos’ de H.G. Wells para o rádio em 1938. Em seu primeiro episódio, em 30 de outubro, a primeira metade da encenação consistia em boletins de noticiário cobrindo a fictícia invasão da Terra por alienígenas de Marte. Apesar do aviso no início do programa, muitos ouvintes pegaram o show já em andamento, e uma parcela deles acreditaram no que ouviam como se fôra noticiário normal, resultando em um pequeno pânico público. Centenas de pessoas ligaram ansiosas para as estações da CBS para confirmar as notícias, e nos dias seguintes, para reclamar de haverem sido enganadas.

Da mesma maneira que 30 de outubro de 1938 entrou para história do rádio, este 01 de abril p.p. entrou para a história do Mormonismo. O site Vozes Mórmons publicou uma brincadeira de Primeiro de Abril que se espalhou rapidamente (viralizou, como se diz em internetês) enganando dezenas de milhares de Mórmons no Brasil e mundo afora. Até o presente momento, mais de 27 000 pessoas acessaram o artigo, com quase 10 000 compartilhamentos na rede social Facebook e mais de 30 000 visualizações por lá, tornando-a a “pegadinha” Mórmon mais bem-sucedida no Brasil e talvez no mundo (se alguém souber de uma que tenha conseguido maior divulgação e penetração, comente dela abaixo, por favor).

Piadas bem-sucedidas à parte, o que realmente permanece de importante são as questões levantada por este episódio. Por que a brincadeira foi tão crível? Como os Mórmons brasileiros reagiram? O que suas reações dizem a respeito da cultura Mórmon? Quais conceitos científicos podem iluminar nosso entendimento dele?

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Joseph Smith: Abolição da Escravatura

No começo de 1836, o Profeta Joseph Smith redigiu e enviou uma carta a Oliver Cowdery, então editor do jornal oficial da Igreja Mórmon¹ O Mensageiro e Defensor dos Santos dos Últimos Dias, para publicação. Com ela, Smith desejava deixar clara e pública a sua posição – e, assim, a posição oficial da Igreja – sobre a questão da “Abolição da Escravidão Negra”.

A carta foi publicada em 09 de abril de 1836, e nela Smith explorava todas as grandes questões e dilemas do maior problema social e político dos Estados Unidos na época: escravidão negra e o movimento abolicionista.

Assim como o Brasil, os Estados Unidos da América foram inicialmente colonizados por europeus que, percebendo oportunidades agrícolas (e não encontrando jazidas de metais preciosos), instauraram a hedionda prática de escravidão africana para exploração agrária em prol das metrópoles. Durante o movimento de independência norteamericana (1775-1783) e durante a Convenção Constituinte (1787) propôs-se repetidas vezes abolir a instituição da escravidão negra, sempre com forte oposição dos estados da região Sul, mais caracterizados por latifúndios e mais dependente de trabalho escravo (ao contrário dos estados da região Norte, mais caracterizados por minifúndios e fazendas familiares). Não obstante, com o passar das décadas os estados do Norte passaram a abolir escravidão em seus estados respectivos, aumentando pressão sobre o governo federal para aboli-la nacionalmente.

Em 1808, o Congresso Federal proibiu a importação de escravos africanos e na década de 1820 o movimento religioso que percorreu a nação, hoje denominado de “Segundo Grande Despertar” (que tanto influenciou Joseph Smith), inspirou vários movimentos de reformas sociais com fervor religioso (entre os quais, o movimento de temperância), inclusive o Abolicionismo. Em 1833, a Sociedade Americana Anti-Escravidão, primeira organização formal, foi fundada por nomes que se consagraram no consciente coletivo americano, da época e na história: William Lloyd Garrison, Robert Purvis, Theodore Weld, etc.

Mapa dos EUA, 1837

Mapa dos EUA, 1837, indicando estados escravocratas e estados livres — sem escravidão — e o Condado de Jackson para contextualização geográfica (clique no mapa para aumenta-lo).

O movimento cresceu muito com o passar das décadas, chegando a completamente dominar o debate público em menos de duas décadas e causando diretamente uma ruptura completa entre as duas secções que dividiriam o país entre estados “livres” e estados “escravocratas” e levando a uma sangrenta guerra civil. Antes disso, contudo, na década de 1830, o movimento era pequeno demais para impactar o país inteiro, mas grande o suficiente para influenciar a Igreja Mórmon e o Mormonismo.

Em 1831, Smith ordenou parte de seus seguidores a estabelecerem-se no Condado de Jackson, no Missouri, bem na fronteira dos Estados Unidos. Porém, os colonizadores mórmons entraram em repetidos conflitos com os seus vizinhos em Missouri por, entre outras coisas², uma suspeita de que mórmons fossem abolicionistas. O Missouri era um estado escravocrata. Cinco anos depois, após a forçada relocação dos colonos mórmons do Condado de Jackson (para um condado criado especificamente para protegê-los em Caldwell), Smith sentiu a necessidade de publicar uma declaração pessoal, oficial, e inequívoca sobre o abolicionismo e a instituição da Escravidão.

Abaixo segue uma tradução do texto do Profeta Joseph Smith, como publicado originalmente no jornal O Mensageiro e Defensor (cujas cópias escaneadas encontram-se na Biblioteca de História da Igreja). Incluí o texto original em inglês, como publicado na História da Igreja, volume 2, capítulo 30, nas notas de rodapé.

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Capelas do Brasil

Fotos das Capelas SUD do Brasil

Ala Ipomeia (2)

Placa comemorativa da 1a unidade da Igreja SUD no Brasil, na capela de Ipoméia em Santa Catarina

Eis a nossa (não permanente) coleção de fotos de capelas SUD espalhadas pelo Brasil.

Há um mês lançamos um concurso para fotografar as capelas SUD e em breve anunciaremos o vencedor na nossa página do Facebook e entraremos em contato para enviar o prêmio de áudio-CDs do Livro de Mórmon.

Mas o verdadeiro vencedor somos todos nós, com (apenas) o começo de uma coleção — que, esperamos, crescerá com o tempo — de fotografias para comemorar as muitas capelas SUD distribuídas Brasil afora.

As fotos abaixo estarão organizadas em órdem alfabética (pelo nome da unidade principal) com exceção da primeira foto, que serve de homenagem à primeira unidade da Igreja na história do Mormonismo no Brasil.

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Por que você é firme na Igreja?

Compromisso, Coerência e Aprovação Social

O primeiro contato com a Igreja é com os missionários. Logo eles pedem para você orar e ler o Livro de Mórmon. Fazem esse primeiro compromisso, além de marcarem a segunda visita. Os vizinhos já viram eles entrando na sua casa e a sua família já sabe ou esteve presente. Então, por ter gostado, achado eles lindos ou pra não ser anti-social, você marca a segunda visita. Com a próxima visita agendada, você fica preocupado em ler o Livro de Mórmon e orar daquele jeito que ensinaram pra perguntar a Deus se o livro é verdadeiro.O dia da segunda palestra chega. Você aguardou eles porque, afinal de contas, não quer parecer uma pessoa “sem palavra”, mas “eu não quero me batizar”, você pensa consigo. Os missionários  perguntam se você leu o livro e se orou. Você responde que sim, pois você assumiu um compromisso e cumpriu. Te convidam pra visitar a Igreja. Você vai, acorda cedo, é cumprimentado pelo pessoal da Igreja e fica lá nas três horas, mesmo não entendendo nada.

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Podcast Mórmon #101 – O Conselho dos 50

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons anunciam o início de um projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: O Podcast Mórmon.

Neste primeiro episódio Antônio Trevisan e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um importante capítulo na história Mórmon: a fundação e o crescimento do Conselho dos 50, estabelecido por Joseph Smith em março de 1844 para servir como o braço político do Reino de Deus na Terra.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Reação Contra Mulheres

medalhaoCelebrando o Dia Internacional das Mulheres com uma ‘Semana das Mulheres Mórmons‘ aqui no Vozes Mórmons, recebemos algumas reações que são ilustrativas e representativas, que valem ser exploradas e analisadas.

A própria Igreja SUD reagiu com uma nota oficial (endereçada ao movimento de mulheres SUD conhecido como ‘Ordene às Mulheres’, representado aqui no Vozes Mórmons pela articulada Kristy Money). Esta reação merece ser explorada e analisada.

A triste realidade é que a cultura Mórmon (dentro do contexto SUD) persiste embuído de um profundo senso de preconceito contra mulheres. Expressões populares como sexismo, machismo, e misoginia descrevem aspectos do que, na realidade, é nada mais que um preconceito enraízado na consciência coletiva Mórmon. Continuar lendo

O Conselho dos 50

podcast 1
Em 1844, apenas três meses antes de sua morte, Joseph Smith estabeleceu uma nova organização composta por 53 indivíduos – incluindo três “gentios” (não-mórmons). Tratava-se de uma instituição teocrática, cuja existência era desconhecida dos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Tal organização secreta deveria preparar o governo milenar de Cristo na Terra, constituindo um núcleo político inicial do Reino de Deus. Continuar lendo

Quem Eu Acho Que Sou?

Texto por Kristy Money

“Sinto muito por ela, ela deve se sentir bem envergonhada. Ela deve se achar muito de si se acha que é o papel dela criticar a Igreja. Quem ela acha que é, mesmo?”

Este é o comentário mais recente que recebi da minha comunidade SUD depois que saiu um artigo no The New York Times com a minha história, junto com as incríveis histórias de várias mulheres  SUD, falando sobre as experiências delas na Igreja. Recebi este comentário simplesmente por contar minha história, a história de querer segurar minha filhinha recém-nascida enquanto ela fosse abençoada na capela pelo meu marido, e tive este desejo recusado por meu bispo, mesmo que tal pedido nem seja contra o Manual Geral de Instruções.

Também saiu no artigo esta foto de mim com minha filhinha, Rosemary.

Também saiu, no artigo do The New York Times, esta foto minha, com a minha filhinha Rosemary.

Sei que não estou sozinha em receber críticas como esta: sei que muitas outras Continuar lendo

Ordenação às Mulheres

mulheresCresce, aos poucos, na Igreja SUD uma conscientização coletiva de que mulheres SUD não vêm sendo tratadas ou consideradas com a mesma igualdade de respeito e oportunidade que os homens SUD. Tais reflexões não são novas ou originais, mas o que mais impressiona no presente momento é a penetração social desta ideia. Além de uma crescente mobilização entre mulheres SUD, parece haver uma recíproca preocupação entre a liderança (exclusivamente masculina) SUD.

Não obstante o progresso visto nos últimos anos, há mulheres na Igreja que finalmente estão reinvindicando equalidade total através de um (gigante) passo simbólico: ordenação de mulheres ao Sacerdócio. Continuar lendo

Prova dos Noves: Apóstolos e Profetas

bibliaDécadas atrás, era comum no ensino da aritmética no ensino fundamental o uso de um truque matemático: A prova dos noves, ou mais popularmente, os noves-fora.

O truque consiste em somar os dígitos individuais de um número em uma operação aritmética simples (i.e., soma, subtração, multiplicação, e divisão), subtraindo 9 e adicionando os remanescentes dígitos. Compara-se, então, todos os números da operação com o resultado da operação, e caso coincidam, confirma-se o resultado.

Por si só, a prova dos noves não serve para resolver nenhum problema aritmético. Contudo, o seu valor reside em checar, ou confirmar, se o seu trabalho matemático (i.e., a sua conta) está correta. Hoje, com calculadoras em qualquer celular ou computador, ninguém mais sente a necessidade de um truque que, em outra época, já serviu a muita gente.

Não obstante, resulta-nos o legado da expressão “prova dos noves” ou “noves-fora” para qualquer ferramenta que cheque ou confirme a validade de uma idéia, ou hipótese, ou instinto, ou teoria. Serve também para uma ferramenta que teste a validade de uma ensinamento religioso, uma doutrina de fé, uma crença, ou qualquer escrito por apóstolos ou profetas.

Resta, então, a indagação: Existe uma “prova dos noves” para escritos de apóstolos ou ensinamentos de profetas?

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Igreja Mórmon vs. Justiça Inglesa

A Igreja Mórmon* continua sua saga com conflitos legais na Grã-Bretanha.

Keep Calm and Carry On?

Keep Calm and Carry On?

Além do Profeta Mórmon Thomas Monson receber, recentemente, uma intimação para depor (em menos de 10 dias) num inquérito criminoso por uma juíza inglesa, a Igreja acaba de receber um julgamento desfavorável a um processo de apelação a uma decisão judicial de 2005 do governo bretão contra a Igreja.

Qual a possibilidade deste julgamento desfavorável influenciar o que inquérito esta prestes a começar? E seria possível que este influenciasse as estratégias legais do exército de advogados da Igreja se preparando para defender Thomas Monson? Caso seja relevante, como?

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Fubecagem

Vista Calças Pra SacramentalTexto de Graciela Bravo

Escutei essa palavra pela primeira vez ao passar na frente de uma igreja onde ocorria um casamento. A menina ao meu lado desaprovou as roupas das convidadas por estarem de ombros aparecendo e as chamou de fubecas.

O interessante é que essas mulheres não eram Mórmons e, mesmo se fossem, será que um ombro de fora é motivo para tal classificação? Achei contraditório a existência dessa palavra que revela preconceito, o que nada tem a ver com o Evangelho. Continuar lendo

Concurso: Fotografe Sua Capela

Concurso: Fotografe Sua Capela

Capela Mórmon

Uma das missões da Associação Brasileira de Estudos Mórmons é incentivar a documentação da experiência Mórmon cultural no Brasil.

Sendo assim, o Vozes Mórmons está lançando uma campanha para documentar as milhares de capelas Mórmons espalhadas pelo Brasil afora. Uma campanha com premiação, para um incentivo extra, além do simples prazer de montar um acerto arquitetônico e social Mórmon no Brasil. Continuar lendo

A Conversação na Capela e seus Excessos

Texto de Graciela Bravo

“O homem bem educado é aquele que escuta com interesse as coisas que sabe da boca daquele que as ignora.”

eartrumpetHá pouco tempo conversa, gostaria de compartilhar algumas de minhas experiências na capela. Ainda não estou tão bem familiarizada com o jeito SUD de ser. Nada que um tempinho a mais não resolva. Na capela renovamos energias, ouvimos testemunhos e discursos que servem de grandes ensinamentos para as nossas vidas. Portanto, é o local para nos sentirmos bem. É muito desagradável quando somos questionados com uma série de perguntas, as quais uma nada tem a ver com a outra. Perguntas que não dizem respeito a ninguém, perguntas totalmente descontextualizadas. Não são conversas que demonstram um interesse natural em estreitar laços, mas sim, uma sondagem investigativa. Acredito que essa falta de tato esteja relacionada à falta de respeito pela dignidade e individualidade do próximo. Continuar lendo