Nifai

Ler o mesmo texto em diferentes traduções pode nos dar diferentes leituras e novos entendimentos. É comum que textos clássicos sejam o objeto de diversas traduções para a mesma língua. Cada tradução refletirá as intenções do tradutor, sua época, linguagem, etc..

O mesmo pode acontecer com as escrituras. Muitos de nós, por exemplo, gostamos de consultar diferentes traduções da Bíblia, para tentar buscar diferentes ângulos de compreensão, diferentes nuances.

Abaixo, apresento uma nova tradução para uma conhecida escritura do Livro de Mórmon, I Néfi 3:7. Não se trata de uma proposta de traduzir todo o Livro de Mórmon para o português. Apenas um exercício de tradução, com o objetivo de ampliar os significados contidos no versículo. A idéia foi realizar uma tradução mais literal, ainda que produzisse um texto maior do que a tradução consagrada e oficial.

E aconteceu que eu, Nifai, disse a meu pai: eu irei e farei as coisas que o Senhor ordenou, pois sei que o Senhor não dá mandamentos aos filhos dos homens, a não ser que ele lhes preparare um caminho para que possam realizar o que ele lhes ordenou.

Este é o versículo em inglês:

And it came to pass that I, Nephi, said unto my father: I will go and do the things which the Lord hath commanded, for I know that the Lord giveth no commandments unto the children of men, save he shall prepare a way for them that they may accomplish the thing which he commandeth them.

Esta é a mesma passagem como publicada pela Igreja sud:

E aconteceu que eu, Néfi, disse a meu pai: Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas.

Há algo que venha à tona nessa nova tradução?

14 comentários sobre “Nifai

  1. Boa observação, Cláudio. Joseph Smith utilizou esse mesmo exemplo sobre “James” no NT.

    Tradução é um processo complexo. Diferentes épocas, línguas, culturas, ideias se entrelaçam. Há também a questão de poder. Quando se fala do tradutor como potencial traidor, se fala do mal uso do poder que ele tem ao intermediar a leitura.

    Há como traduzir sem trair? Creio que sim.

    Como traduzir sem trair? Deixando que a voz do autor fale, ao invés de impôr a voz do tradutor (ou da instituição que publica a obra) acima de tudo.

    Uma vez que o tradutor é o primeiro leitor do texto, ele deve tomar muito cuidado com essa “investidura de poder” que recebe, para que o leitor final não seja privado de ler o que o autor de fato escreveu.

  2. Concordo com você Antonio, quando diz que que o tradutor deve ter cuidado ao traduzir um texto, é por isso que detesto tradução ma feita, pelo menos quando é possivel ao tradutor dar de si o melhor em seu trabalho.
    Foi comentado aqui na discussão sobre tra. de nomes, eu particularmente de uma forma geral sou contra a traduzir literalmente nomes, embora em certas situações é ate possivel, como por ex. a tradução dos nomes Moshe = Moisés, Yaakov = Jacó, nos quais há uma similidade fonética, e por ai vai.
    Tenho o livro Exodo de Leon Uris em 4 linguas, me chamou a atenção a tradução portuguesa no nome de uma localidade da Russia de Jitomir. Na qual o livro menciona, em Ingês a combinação de ZH, no caso citado fica, Zhitomir, em portugues ficou igual, sendo que quem traduziu penso eu que deveria saber desta regra, ja que a letra Russa ж =Житомир tem o som de G de Geraldo ou Jarra, dai pergunto, como um leigo lusofonico leria Zhitomir ? claro que é irrelevante esta questão, em se tratando de um simples nome de uma cidade, mas…porque não já que se está traduzindo uma obra, traduzi-la da melhor forma possivel?

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