A Escola Dominical: o Casamento e a Homossexualidade

Texto de Jamil Jorge Jarjura Jr.

fly happy family on blue skyComo faço todas as manhãs de Domingo, fui à IJCSUD neste dia 08/12/2013. Logo cedo participei da reunião do comitê executivo do Sacerdócio. Logo após, participei do ensaio do Coral da ala. Gosto muito de cantar. Na verdade, posso dizer que sei cantar. Não sou excelente, mas no mínimo posso dizer que sou afinado. Aprendi a cantar na Igreja, na Primária e ao participar do coral da estaca lá pelos meus 17 para 18 anos.

A Reunião com os rapazes foi excelente. O bispo e o presidente dos rapazes buscaram três rapazes que são os “fujões” da Organização dos Rapazes da ala. Os três são a antítese do rapaz sud. Falamos sobre nos tornarmos amigos dos rapazes “afastados” da ala e de como ajudá-los retornarem a frequentar as reuniões da Igreja. Os rapazes se comprometeram juntamente conosco a irem atrás dos “perdidos”.

Hoje, por incrível que pareça eu não tinha nenhuma entrevista ou qualquer outra responsabilidade administrativa a ser realizada no horário da Escola Dominical. Por isto, pude assistir a aula dos “membros antigos”. No início da aula nossa professora lançou uma pergunta sobre “as coisas” que tem atacado as famílias tanto SUD, como as famílias em geral. Para minha surpresa, uma parte dos alunos que abriram suas bocas para participarem e responderem aos questionamentos de nossa professora passou a atacar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sabemos que a doutrina da Igreja ensina enfaticamente no documento escrito pela primeira presidência e o quórum dos 12, que “a família é ordenada por Deus”, sendo que o casamento foi ordenado por Deus para ser perpetuado entre “um homem e uma mulher”.

Fiquei muito espantando com tal fúria de alguns membros em querer mostrar seu descontentamento com o casamento homossexual. Foi tal a celeuma causada, que quando a professora percebeu, 80% do tempo de sua aula havia passado. O engraçado é que eu iria opinar, dizendo que atualmente vivemos um paradoxo, pois ao mesmo tempo em que há uma facilitação via legal para o divórcio, há pesquisas que apontam que uma grande porcentagem das pessoas tem se casado, pois ainda acreditam no casamento. É um dado sociológico.

Pois bem. O ponto no qual quero chegar é que, segundo minha visão, grande parte dos membros da Igreja ainda não está preparada para lidar com irmãos e irmãs que lutam internamente com seus sentimentos e afeições por pessoas do mesmo sexo. Percebi que os membros da Igreja, claro sem generalizar, ainda acreditam que ser homossexual é “pura sacanagem” e que é possível deixar de “ser homossexual” como se abandona o vício do cigarro ou do jogo, por exemplo. Menos mal que houve dois irmãos que foram menos “ortodoxos” em seus comentários e que acabaram minimizando um pouco o discurso colérico contra os homossexuais e a união homossexual.

 

  • Em sua opinião, porque muitos membros ainda possuem uma visão tão “pequena” e “estreita” em relação à homossexualidade e as conquistas dos homossexuais mundo a fora?
  • Se temos que respeitar as leis de nosso país, conforme as escrituras (vide as regras de fé, escritas por Joseph Smith), estariam os membros da Igreja, que se colocam ferozmente contra a união homoafetiva, indo na direção contrária da própria história e doutrina da IJCSUD?
  • Se temos que amar, como Jesus Cristo nos ama, porque não aceitar os membros homossexuais com os seus “problemas” e “espinhos na carne” como membros efetivos de nossas alas e estacas? Segundo Dieter F. Uchtdorf, na IJCSUD há “espaço” para todas as pessoas, todos são bem vindos. Na realidade, ele convidou em seu discurso na Conferência Geral da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em outubro de 2013, todos os membros que abandonaram a Igreja a retornarem à atividade.
  • Tais problemas seriam resolvidos apenas com mudanças doutrinárias? Como poderia ser modificada a visão dos membros da Igreja em relação a este assunto tão polêmico, mas também tão urgente, visto que a Igreja tem perdido milhares de membros homossexuais que não suportam a pressão interior e exterior, e que assim acabam abandonando a igreja?

64 comentários sobre “A Escola Dominical: o Casamento e a Homossexualidade

  1. Sobre a homossexualidade

    Não há nada de errado com a homossexualidade. A homossexualidade é perfeitamente respeitável. A forma como ela vem sendo retratada, por várias tradições religiosas, como pecaminosa e prejudicial, origina-se da ignorância. Não há nada de errado em se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo. Na verdade, a preferência pelo mesmo sexo ou pelo sexo oposto não é tão fixa e rigidamente dividida, como muitas pessoas pensam. Uma pessoa pode ser heterossexual e ser atraída por pessoas do seu próprio sexo. Existe uma escala móvel entre heterossexualidade e homossexualidade, e não uma fronteira fixa. A sexualidade está na alma, e não no corpo. Não é o corpo que direciona a sexualidade da pessoa.
    O ser humano é bissexual por natureza. Há muitas teorias espiritualistas que afirmam isso, inclusive alguns estudiosos da psicologia também afirmam que o ser humano possui os dois sexos dentro de si, ou seja, que ele é andrógino. Porém, o grau de masculinidade e de feminilidade no ser humano varia. Um homem, por exemplo, pode ter dentro de si (em sua alma) uma porcentagem feminina bem maior do que a masculina. Nesse caso, a tendência de ele vir a se interessar por homens tem uma probabilidade bem maior. Mesmo um homem que tenha uma porcentagem feminina pequena dentro de si pode vir a ser homossexual. Basta que surjam oportunidades, experiências, educação, etc. É por isso que se veem homens másculos, mas homossexuais, ou seja, porque dentro de todo ser humano existem as duas sexualidades, e cada uma delas pode se sobressair por algum motivo.
    Até mesmo no reino animal existe homossexualidade. Pesquisadores afirmam que o comportamento homossexual é bastante comum na natureza, e não é restrito a mamíferos; aves e insetos também o apresentam. E quem nunca viu um cão transando com outro cão? Alguém chamaria dois animais do mesmo sexo transando de imorais? Será que eles têm consciência da moral e dos bons costumes? Não. Faz parte da natureza. E quem criou essa natureza foi Deus. Ou alguém acha que os animais são conscientes dos seus atos?
    Deus não criou apenas seres heterossexuais, criou também homossexuais, bissexuais, assexuados, hermafroditas, etc. Tudo é natural, e nada está errado.
    As pessoas precisam ser respeitadas pelo que são, e não pelo que fazem da sua vida sexual. Há homossexuais que são pessoas maravilhosas, verdadeiros seres humanos, pessoas valiosas, que ajudam muitas pessoas com seu trabalho e solidariedade. Há heterossexuais que são assassinos, ladrões, estupradores, traficantes… e que se autodenominam “homens”, “heteros”. O que é mais importante? Está aí uma prova de que preferência sexual não tem nada a ver com moral.
    É uma bobagem e perda de tempo combater a homossexualidade, porque é uma realidade da natureza que sempre existiu e que sempre existirá. Quem não tem um homossexual na família? Quem não tem, logo terá. E essa pessoa merece o desprezo, a rejeição, a crítica, a condenação?
    Os grandes mestres da humanidade, sabiamente, não se pronunciaram sobre a homossexualidade. Eles sabiam que Deus não está preocupado se a pessoa é homo, hetero ou bi. Assim como Ele não está preocupado se a pessoa é feia ou bonita, rica ou pobre, casada ou solteira, tem curso superior ou não, etc. O que interessa para Deus é o aprimoramento moral. É tornar-se bondoso, tolerante, paciente, calmo, alegre, solidário, honesto, justo, etc.
    Do ponto de vista espiritual, o que importa nos relacionamentos sexuais é como um se conecta com o outro de alma para alma. Sempre que existe uma conexão profunda, marcada por uma parceria verdadeira e respeito mútuo, o fato de o relacionamento ser entre homem-mulher, homem-homem ou mulher-mulher realmente não importa.

    Autores diversos

    Todos têm direito a ser felizes, independentemente de suas crenças ou opiniões.
    As pessoas confundem ‘incomum’ com ‘anormal’. Tudo é normal, embora nem tudo seja comum.
    Ser contra a união homossexual é andar na contramão da evolução humana e social. Essa história é velha na sociedade humana.

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