Quem nunca se sentiu assim ao organizar uma atidade na Igreja?
Especialmente quando não envolve comes e bebes ou futebol…
Um comentarista nos enviou esta preciosa reação ao vídeo acima:
Olha , eu já discordei de posts seus aqui, mas sinceramente eu não consigo parar de rir. É a melhor metáfora sobre atividades da igreja que já vi.
Claro, há em minha memória algumas boas e até ótimas atividades que ocorreram na Igreja, mas esse vídeo é a síntese, é exatamente assim que acontece nas atividades na Igreja.
A propósito, como isso aqui é uma lista de discussão, alguém sabe me responder porque acontece isso na Igreja? Me lembro que durante a missão convidamos um cara pra ir a uma reunião de integração. Ele era um engenheiro, tinha uma familia legal, mulher e dois filhos. Chegando lá tinha meia dúzia de crianças, fizemos oração e depois alguem começou a fazer uma brincadeira de “passar o anel” ! Meu Pai ! O cara nunca mais recebeu a gente . Fico pensando, por que será que é tão dificil realizar atividades na igreja?
A infra-estrutura da Igreja é excelente, as capelas contam com cozinha, palco, salas de aula, multimídia, etc. Mas sabe, eu sinto que há um espírito tipo assim, sempre, via de regra, a regra é: “Não pode! O manual diz que não! Não pode isso, não pode aquilo”.
Aqueles lideres, aqueles que só sabem delegar (aliás não fazem mais nada que delegar) chegam só pra “FISCALIZAR” e dizer que não pode. Geralmente, esse pessoal vai nas atividades, levam a família, comem, e saem de mansinho… Daí entra em ação quem realmente faz as coisas acontecer na Igreja, ou seja, velhos, irmãs viúvas, algumas crianças do sacerdócio, visitantes pobres. Esses ficam pra varrer o salão, dobrar as cadeiras, passar pano de chão, limpar os banheiros… Será que são esses os verdadeiros humildes seguidores , discípulos de Cristo?
Outra coisa, via de regra, também computadores e projetores existem, mas pra ficarem guardados no armário. Claro, até que alguem roube e a Igreja tenha que comprar outros. Mas usar que é bom, nunca pode. Salvo algumas excessões. Por exemplo, quando há alguma festa de algum parente de bispos ou presidente de estacas, as portas das capelas se abrem, o salão cultural é decorado e usado. Mesas e cadeiras são abertas. (E assim economizam aluguel de salão de festas e mesas e cadeiras, etc.)
Outro dia em minha estaca, que é uma estaca onde a regra é o “não pode”, a filha do ex-presidente da estaca comemorou os “15 anos”. Não tinha nem lugar no estacionamento da capela. Na festa tinha muito mais não-membros do que membros. Engraçado, na hora de fazer alguma atividade onde as três metas da Igreja (i.e., aperfeiçoamento dos Santos, obra missionária, obra vicária) vão ser realizadas, atividades onde aquelas “pessoas esquisitas” (e.g., velhos, viúvas, crianças, etc.) vão participar, quase nunca pode se fazer nada.
Fora isso ainda tem as regras absurdas (hilárias até) do tipo, pode usar a cozinha mas não pode ligar o fogo (obs: tem fogão na capela, comprado pela Igreja!) que de tão ridículo é até engraçado. Mas, voltando a festa de 15 anos do ex-presidente de estaca. Foi uma festa de arromba. Ele deve ter economizado pelo ao menos uns R$ 4.000,00 (quatro mil reais) com aluguel de salão , mesas e cadeiras.
Só pra não perder a oportunidade, como sou cria da Igreja, me sinto super a vontade em falar. Fala sério, tem coisa mais chata de se ouvir na Igreja do que o tal de “DELEGAR”? Existe uma classe de pessoas na Igreja, de líderes que realmente são espertos, geralmente são compostas por alguns bispos e presidentes de estaca, até mesmo porque abaixo de bispos, incluindo os mesmos, só tem mão de obra operária.
Mas, voltando a falar dos “espertos”, eles sabem muito bem “DELEGAR”. Mandam, mandam, mandam e não fazem praticamente nada. Desafiam as pessoas inclusive a adotar missionários da ala que vão pro campo, e eles mesmos não dão um tostão. Tive um bispo que fazia isso, ele desafiava famílias pobres que já pagavam o dizimo e as ofertas com dificuldade , a contribuir com despesa de missionários e eles próprios mal-e-mal pagavam o dízimo. São esses líderes que sobem no púlpito e fazem discurso dizendo que a Presidência da Igreja não aconselha que os irmão migrem para os EUA, porque o “SENHOR” precisa dos portadores do sacerdócio pra fazer com que a Igreja cresça aqui, em nosso País. Daí, na semana seguinte ele manda o filho estudar na BYU. Claro, com bolsa, financiada pela Igreja. Só que daí as pessoas se esquecem, a Igreja, é formada por membros, e ela é tão rica quanto o dízimo dos mesmos. Mas não nos esqueçamos a “obediencia” é o primeiro principio dos céus…
No fundo, acho que é uma questão de maturidade. Conheci um presidente de missão que entrevistava enfaticamente os seus missionários e dizia sempre que nunca deveriam se casar com pessoas de outra nacionalidade. Encontrei com ele há algum tempo. Ele se divorciou da esposa, tem 5 filhos, todos casados no templo. Veio pro Brasil, se casou com uma brasileira 30 anos mais jovem. Levou ela pros EUA. Claro, não vou citar nomes. Não o critico, invejo-o.
Mas, onde estávamos mesmo? Ah sim, nas atividades da Igreja…
[citação na íntegra, apenas com correções gramaticais]

“Sabemos que o povo que estava na terra de Jerusalem era um povo justo, porque guardava os estatutos e juizos do Senhor e todos seus mandamentos” (1Nefi 17:22) Essa declaracao feita por Lama e Lemuel indica que o povo que estava em apostasia em Jerusalem era um povo que obedecia as regras da Igreja de acordo com a lei de Moises. Em Matteus 7:21-23, o Senhor fala que nem todos que diz “Senhor, Senhor” herdara o reino Celestial, e que muitos podem fazer muitos milagres e ainda nao ser reconhecido pelo Senhor. Para mim essas regras e excessiva enfase nas leis e mandamentos pode de certa forma dar nos uma sensacao falsa de seguranca espiritual. Quando eu me filei a Igreja nos anos 80, eu era muito critico dos meus familiares Catolicos por causa da dependencia em rituais desnecessarios, eles achavam que podiam simplesmente rezar repetitivamente ou fazer procissao ou promesas e que tudo estava resolvido, hoje muitos anos depois eu percebo que nos na Igreja de Jesus Cristo dos SUD tambem temos uma forte dependencia em procedimentos e rituais, de alguma forma achamos que por irmos ao templo, fazermos visitas familiares, servirmos missoes etc.. tudo esta resolvido, eu me lembro numa ala algum tempo atras um irmao prestando seu testemunho que apesar da crise nos EUA ele estaria seguro financeiramente porque ele pagava o dizimo. Nao estou dizendo nada contra pagar o dizimo ou fazer trabalho missionario, simplismente estou alertando quanto ao fato de acharmos que podemos realizar nossa salvacao atraves de obras sejam elas quais forem.
Cara,
Meus parabéns, é um puta post! Me diverti muito, pois enquanto lia parecia passar um filme em minha mente da minha experiência na igreja até hoje. Assino em baixo em tudo o que você diz.
Lembrei-me de que certa vez como Bispo, um casal me pediu para fazer o casamento deles na capela. Eu fui pedir autorização ao presidente da estaca, e adivinha? Não pode! Meses depois o filho dele fez o casamento na capela da estaca! Até hoje fico com vergonha quando encontro esse casal da minha ala.