Por favor, Querido Bispo

Recentemente, eu fui banida das reuniões do conselho da ala. Gostaria de compartilhar a minha perspectiva sobre o que aconteceu e o que isso significou para mim.

Mulheres são importantes ou relevantes nos Conselhos da Ala?

Mulheres são importantes ou relevantes nos Conselhos da Ala?

Quem Sou Eu

Eu tenho bacharelado em Química pela BYU e um mestrado em Pedagogia pela Universidade Estadual de Cleveland. Ensino ciências em uma pequena escola pública rural. Sou uma esposa dedicada, casada com um professor de Física e mãe de quatro filhos. Tenho servido em uma ampla variedade chamados. Aprendi espanhol como estudante de intercâmbio no ensino médio. Tenho quase sempre votado como democrata [partido político de centro-esquerda], mas não tinha fortemente me associado com feministas até muito recentemente. Eu não sou nem fofa nem agressiva. Trabalho duro e gosto de servir diligentemente com paciência.

Prólogo

Há um ano atrás, como a primeira conselheira da presidente da Sociedade de Socorro, servi de consoladora e aconselhadora para a minha presidente. Ela estava angustiada sobre conflitos com o nosso bispo, se sentia constantemente esnobada por ele, e se sentia excessivamente controlada em todas as coisas como as escalas de professoras-visitantes. Apoiei-a o melhor que pude e encorajei-a a comunicar-se com os líderes da Sociedade de Socorro da estaca e com o próprio bispo. Ela chegou a um ponto de ruptura logo após um incidente em que ela orou fervorosamente sobre quem seria a nossa próxima segunda conselheira, já que a nosso atual tinha sido desobrigada. Ela sentiu uma confirmação muito forte para chamar uma certa irmã, mas foi lhe dito que ela precisava chamar a irmã X. Em vez de ser convidada a orar de novo ou chegar com outro nome, a ela simplesmente não foi dada uma escolha sobre a sua conselheira.

O Banimento

Eu moro em uma ala que está espalhada por pelo menos 100 quilômetros quadrados de área rural no Centro-Oeste Americano. Temos um grande contingente de falantes de espanhol nativos e somos um grupo socioeconomicamente diversificado. Temos um monte de necessidades. Cerca de nove meses atrás, eu fui desobrigada da presidência da Sociedade de Socorro e apoiada como a primeira conselheira da Primária. Em ambos os chamados, houve muitas ocasiões em que fui convidada a participar do conselho da ala na ausência da presidente da auxiliar.

Na verdade, a atual presidente da Primária pediu que eu comparecesse a cada terceiro domingo do mês, por duas razões: 1) o seu inglês não é muito bom e 2) toda a presidência tem filhos pequenos e maridos que também devem estar no conselho da ala. Sentia que uma rotação era apropriada e isso é feito atualmente em nossa ala com as outras auxiliares também.

Nossa pequena ala é abençoada com quatro pares de missionários. Todos os oito desses missionários assistem a todas as reuniões do conselho da ala, a pedido do nosso bispo. Todos os domingos que eu fui, os missionários tiveram mais da metade da reunião para coordenar e discutir investigadores. Eles são maravilhosos homens e mulheres que trabalham duro.

Com esse foco em pesquisadores, a conversa girou em torno de correlação com o Quorum de Élderes e, por vezes, com alguma participação da Sociedade de Socorro sobre as investigadoras do sexo feminino. Nos momentos em que eu estava presente, os membros atuais da nossa ala da Sociedade de Socorro, Primária e das Moças e Rapazes não foram discutidos. Nenhuma informação ou sugestão foi solicitada sobre a Primária. Eu não me sentia confortável em interromper o fluxo da reunião para oferecer informações sobre a Primária quando claramente não era solicitado ou quisto.

Um domingo eu fiquei me sentindo particularmente frustrada porque havia uma situação com uma criança na Primária que teria se beneficiado de uma colaboração de todo o conselho da ala. Eu estava tão frustrada e triste com a total falta de oportunidade de  falar que o meu marido, que estava sentado ao meu lado e entendeu as lágrimas transbordando em meus olhos, fez um sinal para o bispo para falar com a gente em particular quando estávamos todos saindo da sala. Com apreensão, expliquei-lhe os meus desejos de ter as necessidades das crianças e de outros membros da ala abordados durante a reunião, quando apropriado.

Nosso bispo tornou-se imediatamente visivelmente chateado comigo. Ele ressaltou que “relatórios das auxiliares” tinha um lugar específico ao final da sua agenda . Eu, por minha vez, destaquei que nunca conseguíamos chegar ao final da agenda. Ele insistiu para mim que tudo deve estar bem com as crianças da nossa ala, porque os nossos números de presença são altos. Indiquei a ele que presença não corresponde necessariamente a saúde espiritual.

Ele, então, afirmou que deve haver algo mais acontecendo na minha vida para me fazer ficar chateada e que eu estava exagerando. Fiquei chocada com essa acusação, mas eu sabia da minha própria mente e lhe assegurei que a organização da igreja e do bem-estar das nossas crianças da Primária era, de fato, importante o suficiente para derramar lágrimas. O encontro não terminou de forma positiva.

Orei profundamente e decidi colocar meus pensamentos por escrito. Eu não tinha inicialmente escolhido trazer a minha preocupação ao bispo – o meu marido tinha me cutucado – para melhor ou para pior. Mas eu revi o Manual Geral de Instruções e senti que poderia ser apropriado explicar as minhas preocupações para o bispo no contexto do manual, que apoia meu ponto de vista de várias maneiras. Em minha carta, derramei lógica, amor e paciência para tentar me expressar de uma forma que seria ouvida.

A íntegra da resposta que recebi dele foi:

“Muito obrigado pelo seu feedback.”

O bispo retrucou na próxima semana, enviando seu primeiro conselheiro para a nossa reunião de presidência para nos informar que não mais estávamos autorizadas a alternar atendimento no conselho da ala. Ele disse que todas as auxiliares seriam convidadas a cumprir com esta nova regra. O primeiro conselheiro reconheceu a minha situação como sendo o catalisador para esta nova solicitação. Curiosamente após vários meses, a minha querida amiga, que é a Presidente das Moças, nunca foi abordada sobre isso e continua enviando suas conselheiras em seu lugar frequentemente. Eu nunca tive uma dúvida que meu afastamento de reuniões subsequentes do conselho da ala foi alvejado e intencional.

As Implicações

Não é minha intenção debater se devem ou não devem as presidências alternar a participação nas reuniões do conselho da ala. Quando eu era presidente, eu não pedia a minhas conselheiras para participar. É verdade que apenas o presidente é realmente um membro do conselho da ala. Se ela ou ele pode enviar conselheiros para a reunião não é directamente abordada no Manual.

Depois que eu recebi minhas duas respostas do bispo, uma direta e uma através de seu conselheiro, fui jogada para o que alguns chamam de uma “crise de fé”. Eu me senti empurrada para o canto com tanto desdém que não tinha certeza de como poderia interagir com o meu bispo novamente. Eu ainda tenho ataques de pânico cada manhã de domingo, enquanto nos preparamos para ir à igreja.

Eu continuei a analisar o que tinha acontecido e onde eu errei. Deveria ter apenas mantido a minha boca fechada, em primeiro lugar? Talvez. Deveria ter escrito a carta? Provavelmente não. Estava meu coração no lugar certo? Com certeza que sim. Estou autorizada a criticar a forma como nossa ala adere ao Manual Geral de Instruções? Se não eu, então quem?

“Tanto os homens como as mulheres devem sentir que seus comentários são valorizados como participantes plenos. O bispo deve pedir a participação da Sociedade de Socorro, das Moças e das líderes da Primária em todas as questões consideradas pelo conselho da ala. O ponto de vista das mulheres às vezes é diferente do dos homens, e adiciona perspectiva essencial para compreender e responder às necessidades dos membros.” (Manual Geral de Instruções, vol. 2, 4.6.1)

Nunca antes eu percebi o quão verdadeiramente impotentes as mulheres líderes da igreja realmente são. Se vamos ou não ter uma voz depende totalmente de quão benevolente é o bispado que temos. Tenho sido recentemente despertada para a necessidade de uma narrativa inteiramente nova da igualdade dentro da igreja. Recebi uma forte confirmação espiritual disto. Tenho nova empatia por aquelas com a coragem de se juntar ao Ordene As Mulheres, mesmo que eu atualmente não pretenda fazer pessoalmente.

Um Pedido

E assim, queridos Bispos, até que verdadeira paridade venha de cima para baixo, suplicamos a vocês para trabalhar de baixo para cima. Por favor, por favor, ouçam as mulheres em seus conselhos. Incentive-as a falar com mais frequência. Nossa doutrina nos diz que elas são valorizadas assim como qualquer homem, mas depende de vocês para realmente tratá-las como suas parceiras, companheiras, paralelas, iguais. Ouçam a inspiração delas.

Faça todas e quaisquer mudanças que você tem o poder de fazer a fim de eliminar a desigualdade de gênero dentro de sua ala. Dê às irmãs que servem com você tanta autonomia quanto você é capaz de dar. Elas não precisam de sua microgestão, apenas a sua parceria e conselho. Deixe-as usar a sua própria revelação de escolher as suas conselheiras e orientar suas mordomias. Deixe a inspiração delas influenciar a sua liderança.

Você tem um esgotante e difícil chamando para executar que é de cortar o coração e somos todas gratas por seu serviço. Por favor, ouça-nos e comunique-se conosco. Estamos tentando, com amor em nossos corações, construir o Reino de Sião e fazer a vontade do Senhor em todas as coisas.


Texto originalmente publicado no site ‘Feminist Mormon Housewives’. Traduzido e reproduzido com autorização da autora, que desejou permanecer anônima.

23 comentários sobre “Por favor, Querido Bispo

  1. Irmã, com certeza o Senhor está te ouvindo, continue firme no propósito de ajudar as crianças. Não sabemos o porque ele está fazendo isso, mas não acho que seja algo inspirado. Aqui na minha ala temos um conselho maravilhoso, o nosso bispo é uma pessoa realmente guiada pelo Senhor. Não terminamos a reunião enquanto todas as organizações não expõe seus problemas e discutimos uma solução. Mas irmã, cuidado para que por causa de um homem você e sua família seja abalada. Ore por ele, jejue e continue fazendo o seu trabalho, vc e a primária serão muito abençoados.

  2. Por mais que possam parecer casos isolados e muitos tentem achar as mais variadas ‘desculpas’ para casos como estes, eles acontecem, e não são tão raros assim.

    MAS o problema não é esse. O problema é que nós (e me incluo) homens da Igreja não temos qualquer noção desse problema todo que causamos no trato equivocado (com base em nossas crenças masculinas arraigadas) com as irmãs (seja em nossa casa ou nos conselhos da Igreja pra onde elas foram dignamente chamadas). E fica pior: em todos meus anos participando em conselhos, até hoje vi apenas um bispo (passei por mais de 10 bispados) utilizar a sociedade de socorro para fortalecer o sacerdócio, mesmo que em muitas vezes elas façam um trabalho mais amoroso e dedicado do que os ‘irmãos’. E mesmo assim, até pouco tempo atrás, eu não havia ainda me dado por conta disso.

    E temos tido uma outra ‘praga doutrinária’ espalhando-se sutilmente pela Igreja em alguns locais: “de que as mulheres é que mandam em casa” (em geral há risos quando isso é citado), e com isso vejo que nem os homens e nem as mulheres devem tratar e respeitar corretamente um aou outro, mas dá a ideia de que para que um cresça necessariamente o outro deve sr subjugado como ser individual e único. Vejo nessa prática uma tentativa equivocada de desculpar-se pelo despotismo de alguns homens (a maioria dos irmãos não é assim) pelo mal trato a suas esposas e um modo de desculpar-se por não deixar as irmãs exercerem sua autoridade nos conselhos da Igreja.

    Só que isso, a meu ver, tem criado um problema ainda maior: a crise de identidade entre gêneros, com pessoas não sabendo como posicionar-se em suas dádivas de modo a sentirem-se ‘parceiros iguais’ (em todas as esferas).

    Se depender de mim, essa conscintização (longe de ser uma cruzada e nem por uma única causa) já começou para tornar nosso futuro na Igreja um pouco melhor.

    • Pena que o irmão não faça disso uma “cruzada pessoal” (talvez não seja tão pessoal assim uma vez que muitos partilham desta mesma opinião). Temos muitos na igreja que discordam das coisas como estão indo, mas na hora “H” abaixam a cabeça e preferem manter o “espírito Santo mais próximo”.Afinal “vai que minha opinião pessoal” seja discordante dos líderes, eu posso, “sei lá” ser “demitido”…ou…. quero dizer perder o chamado.

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