Minha religião me aproxima de Deus?

Calma, não seja apressado(a) em dar a resposta. Vamos antes entender juntos o contexto do que quero dizer com ‘aproximar de Deus’, depois vamos à nossa própria consciência e buscar a resposta.

Detalhe de A criação de Adão, de Michelangelo (aprox. 1512).

Detalhe de A criação de Adão, de Michelangelo (aprox. 1512).

Essa pergunta me ocorre já há algum tempo, e quase sempre tem relação com a atitude de algum ‘santo dos últimos dias’ (entre os quais mais convivo) ou algum membro de alguma outra denominação (cristã ou não).

O contexto para a pergunta quase sempre se dá em ocasiões onde percebo casos de intolerância, mesquinhez, insensibilidade aos problemas alheios, egoísmo e coisas do tipo, sem contar os casos de artimanhas sacerdotais e ‘domínio injusto’. Tudo isso, pasmem, em defesa do ‘nome do bom deus’ e ‘sua vontade’. Pelo menos é o que dizem ou mentem a si mesmos.

Não raras vezes sinto emoção profunda ao lembrar ou ouvir ou cantar as estrofes de um belo hino com o qual tive experiências espirituais profundas:

“Não me entrego a julgamentos,
Imperfeito sou também
Nos recônditos da alma,
Dores há que não se veem.”
E não raras vezes vejo em discursos, lições e conversar informais a dádiva do ‘puro amor de Cristo’ simplesmente inexistir. Eu vejo mais espalhar do que ajuntar, e não raro percebo o quanto o valor dar almas é algo completamente desrespeitado. Alguns chegam ao cúmulo de se posicionarem no papel do próprio Pai como juízes e sentenciadores sobre o pecado dos outros.
Nesse ponto já posso fazer algumas afirmações com base em experimentação pessoal e algum pouco conhecimento das escrituras:
  • Se alguém acha que é mister fazer algum tipo de vingança, retaliação ou coisa do tipo para outrem que errou, este alguém não tem fé em Deus e SUA justiça. Logo, sua religião não o aproximou de Deus.
  • Se você acha que a frase “ama o pecador, mas abomina o pecado” endossa situação de achar que esse pecado a ser abominado é o que foi praticado pelo pecador, além de estar muito enganado, sua religião não o aproximou de Deus. Esse pecado a ser abominado é o que VOCÊ pode vir a praticar, pois o pecado do OUTRO já foi cometido, e abominá-lo não vai de modo algum ajudar você a amá-lo (ou até ser uma ferramenta de cura nas mãos de Deus).
  • Se você acha que os fins justificam os meios, ou que o ‘jeitinho brasileiro’ pode ser aplicado na administração da igreja, desculpa, você não só não conhece Deus como provavelmente o está lesando.
  • Se você acha que o pecador não sente dor, ou o oprimido pelas fraquezas que a natureza ou más escolhas lhe trouxeram, que não é um ferido que precisa ser amado e respeitado, mesmo que essas lições o tornem rebelde, você ainda não está perto de conhecer Deus. E penso que talvez você precise descobrir o que é ser perdoado, pois duvido que alguma vez tenha sabido o que isso significa.
  • Se você escuta (ou lê, ou assiste) algo já pensando em defender, refutar, rebaixar ou humilhar, além de um SURDO ESPIRITUAL, você com certeza ainda não ouviu a voz de Deus.

Eu poderia seguir numa lista maior, mas aos meus objetivos esta listagem me basta até aqui.

Infeliz é aquele que utiliza de discursos de preconceito, discriminação ou até ódio para manter domínio sobre mentes fracas e até mesmo fanáticas (listo no final pensadores sobre isso).
“Cuidarei do irmão que sofre,
Sua dor consolarei
E ao fraco e ferido
Meu auxílio estenderei.”

Eu entendo que a primeira defesa das pessoas quando veem suas crenças (ou mundo em que vivem) serem confrontadas é partir para a ‘ignorância’, ou usar do que chamam de dissonância cognitiva (não querer ver o que é claro, que você pode até estar no caminho certo, mas não está andando pela estrada), MAS se você realmente conhece Deus, essa atitude negativa será uma coisa rara na TUA vida.

Deus já esteve em minha vida mesmo em meus dias mais escuros, quando o busquei ele se mostrou – “eis-me aqui”. Foi por conhecê-lo um pouquinho que soube que o magoei, que soube que precisava estar em seus braços, sentir de novo sua alegria por mim. É assim que também descobri como ser útil ao meu irmão. Depois de várias demonstrações de Seu amor, foi que descobri que o destino de minha vida é de buscá-Lo, na esperança de a cada dia conhecê-Lo melhor. E nesse processo, tenho aprendido que muitas coisas que religiosos dizem ou fazem não se encaixam nem um pouco com o Deus que eu conheço.
Então, você realmente conhece Deus, ou está se tornando apenas mais um marionete fanático religioso?

 Citações:

“O fanatismo tem produzido mais males que o ateísmo.” (Voltaire)

“O fanatismo consiste em redobrar o próprio esforço quando nos esquecemos do objetivo.” (Jorge Santayana)

“Fanático é o sujeito que não muda de ideia e não pode mudar de assunto.” (Winston Churchill)

“O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos.” (Friedrich Nietzsche)

“A mente de um fanático é como a pupila do olho: quanto mais luz incide sobre ela, mais se irá contrair.” (Oliver Wendell Holmes)

“O fanatismo é um estado d’alma, em que a paixão do crente se converte em alucinações.” (Leoni Kaseff)

“Não querer associar-se senão com aqueles que aprovamos em tudo é uma quimera, é mesmo uma espécie de fanatismo.” (Émile-Auguste Chartier, “Alain”)

“O fanatismo é para a religião o que a hipocrisia é para a virtude.”
(Charles Palissot de Montenoy)

21 comentários sobre “Minha religião me aproxima de Deus?

  1. “Ninguém se preocupa no que Jesus faria, MAS sim no que eu faria no lugar de Jesus.”

    A resposta para a pergunta do Gerson é: Depende.

    Como membro ativo de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, participei de reuniões de conselho,bem-estar, disciplinares etc, e o que mais me incomodava era atitude descrita acima por você irmão Gerson, de estar mais preocupado em condenar do que salvar, menos preocupado em amar a alma do transgressor. Atitudes que na minha opinião não são dignas de qualquer que se denomine Cristão, presenciei em conselhos o assunto tratado mudar, de ajudar determinada irmão,irmã ou família para rapidamente aquilo que chamo de assunto de “mal-estar”, onde a liderança das auxiliares buscavam formas de justificar através de desculpas do tipo:

    “A e B ou ABC não querem ajuda, afinal estão cometendo pecados(ainda que saibamos que a dignidade do membro deve ser tratada apenas com o Bispo) X e Y e a Igreja não deveria ajudá-los”

    A falta de amor,caridade e responsabilidade para com as famílias da ala, muitas vezes remetia ao que Caim disse a Deus após ter matado Abel seu irmão: “Porventura sou eu guardador de meu irmão?”

    Enquanto membro destes conselhos sempre busquei maneiras de ir de encontro a esta tipo de pensamento e ações e sugeria atitudes e reflexões do tipo: ” Qual o propósito deste conselho?” ” Já que o irmão,irmã,família está passando por este problema, o que este conselho pode fazer para ajudá-los?”, “Amanhã vamos a casa desta família, vamos servi-los, amá-los e estimá-los até que eles saibam com toda certeza que nós os amamos para que assim possamos ajudá-los a libertarem-se.

    Sei que ainda estamos longe de ter “o puro amor de Cristo” com relatados no Livro de Mórmon, porque não rogamos ao Pai com toda energia de nossos corações, mas presto o meu testemunho que vi o semblante de Cristo em líderes ao tomarem decisões,fazerem discursos e partirem em auxílio a ovelha perdida, a esperança deve ir adiante e nós precisamos fazer a diferença dentro de nossas alas.

    • Pois é Bezerril,

      Parece que é o tipo de coisa que não conseguimos mudar, porque é humano, é ‘da carne’… sempre ficaremos chocados com pessoas que creem que ter uma posição de liderança ou ter aceitado uma ordenança sobre si o torna por si só ‘superior’ aos demais e sem mais necessidade de aperfeiçoamento. É triste quando nos julgamos mais santos que os demais. E. Uchtdorf em um discurso certa vez citou algo sobre isso: “Não me julgue só porque o meu pecado é diferente do seu”.

      Mas o importante é que em meio isso tudo, surjam pessoas que realmente se permitam ser iluminados pelo ‘céu’ e cresçam á altura de seu verdadeiro potencial divino, deixando um marca indelével em sua família, relacionamentos e comunidade, ainda que imperfeitos, mas buscando a perfeição em Deus.

  2. Vou copiar e colar o comentário que fiz em outro tópico pq acho que se encaixa muito bem aqui:

    Ultimamente eu tenho pensado muito nisso: o quanto eu preciso saber ou fazer pra ser um bom cristão? Eu disse cristão e não SUD. Pq eu vejo que eu perco muito tempo lendo e debatendo e isso e aquilo e exercer minha cristandade que é bom, nada! E eu só acordei pra isso agora que passei por uma situação terrível na minha vida (perdi uma pessoa muito amada) e vi que eu não faço nada de cristão além de frequentar a Igreja e falar falar falar e pregar e ir nas atividades mas eu não vou num hospital confortar os doentes, não participo de voluntariado, enfim… nesse tempo todo que fiquei no hospital acompanhando essa pessoa eu não vi UM membro da Igreja ir lá enquanto todo horário de visita, todo dia, iam Espíritas, Católicos, Evangélicos de várias denominações… e nós, onde estavámos? Na Igreja, falando, falando, falando e fazendo que é bom, nada! A Cristandade é muito mais prática do que falar e saber muito! Tanto que tomei algumas decisões sobre isso e a principal é dar uma relaxada quanto ao que eu tenho que saber e ter mais afinco no que eu preciso fazer! Ir na Igreja todo domingo é muito importante mas e aí? Acaba aí! Por favor gente! Lá fora dos muros da Igreja tem muita gente desesperada, precisando de socorro, de ajuda, de apoio, de um sorriso que seja e nós nos preocupamos com essas coisas pequenas e que sinceramente não valem muita coisa! Eu terei um lugar melhor “no céu” sabendo tudo sobre Joseph Smith? Se sim, tudo bem, mas acho que todos concordamos que a resposta é não!
    No velório dessa pessoa que eu perdi, eu contei nos dedos os membros da Igreja. Pouquíssimos. Não podiam ir pq iam perder a aula da Soc Soc ou da Primária. O Quórum tinha que ensinar os irmãos né, não dá pra perder tempo indo em velório! Depois quando eu fui na Igreja muitos conjugavam seus bonitos verbos com aquele triste final, o “ia”: eu queria ter ido, eu poderia ter te ligado, eu devia ter te visitado… nem sei quem são minhas professoras visitantes e meus mestres familiares! Sinceramente irmãos, é lamentável essa situação, é terrível! Cadê nossa cristandade? Cadê nossa humanidade? Joseph Smith morreu há muito tempo, já tá lá com o Pai Celestial e o Salvador, numa boa, e nós, que estamos buscando nossa salvação, ficamos aqui nos degladiando em palavras e não fazendo nada! Ou achando que fazemos muito ao pagar nosso dízimo e nossas ofertas. Meu vizinho não precisa de uma oferta de jejum que vai passar por todo um processo até chegar nele na forma de uma cesta básica daqui nem sei quanto tempo: ele precisa de comida agora, pq a fome tem pressa!
    É lindo né, ir no Templo, postar fotinhas no facebook, instagram; legendas bonitas: “a casa de meu pai”, “lugar santo”, “amo estar no templo”… Depois disso tudo que eu vivi, eu percebi que os membros da Igreja precisam muito mas muito mesmo aprender a ser cristãos de verdade, ir lá e dar a cara a tapa. Somos tão frescos com algumas coisas, cheios de picuinhas, pequenos de alma e coração. Amar do púlpito é lindo. Ir num velório… “ah, desculpa… não gosto de velórios”: Cristo faria isso? Com certeza haviam coisas que Ele não gostava de fazer e mesmo assim fez. Ele passou pela Expiação rindo, foi? Qd um amigo está em dor, guardamos os nossos medos, receios e tristezas no bolso e vamos lá ajudá-lo. Foi fácil pra mim ir no cemitério bem pouco tempo depois para ajudar um amigo que perdeu seu bebezinho? Foi não, foi muito duro! A terra ainda estava remexida, nem plaquinha no túmulo haviam colocado. Mas fui, pq é o que Cristo faria. Então, vamos parar de falar e fazer mais. Mais amor, por favor.

    • Muito bom. Gostaria que mais pessoas visem a simplicidade de ser cristão assim, mas parece pedir demais. Sobra “frescura e ego” e falta religião prática. Obrigado por seu depoimento.

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