Bruce McConkie: A Heresia do Relacionamento Pessoal com Cristo

O Apóstolo Bruce R. McConkie denunciou a crença popular que devemos ter um relacionamento pessoal e especial com Jesus Cristo como uma heresia, em discurso no serão para alunos da BYU em 2 de março de 1982.

Bruce R. McConkie, Apóstolo (1972-1985) e Setenta (1946-1972)

Bruce R. McConkie, Apóstolo (1972-1985) e Setenta (1946-1972)

Heresias entre nós

Agora, apesar de todas estas verdades, que deveria ser óbvio para todos as pessoas espiritualmente iluminadas, heresias hediondas surgem entre nós de tempos em tempos.

Há aqueles sectários iludidos, e outros que, se não se arrependerem, estão no caminho para se tornar sectários, que escolhem acreditar que devemos adorar a Adão. Eles descobriram ou deverão encontrar seu caminho para fora da Igreja.

Há outros, que em termos gerais são intelectuais sem fortes testemunhos, que vem postulado que Deus não conhece todas as coisas, mas está progredindo em verdade e conhecimento e vai fazê-lo eternamente. Estes, se não se arrependerem, irão viver e morrer fracos na fé e ficarão aquém de herdar o que poderia ter sido deles na eternidade.

Há ainda outros que têm um zelo excessivo que provoca-os a ir além da marca. Seu desejo de excelência é desmedido. Em um esforço para ser mais fiéis que fiel, se dedicam à obtenção de uma relação especial e pessoal com Cristo que é imprópria e perigosa.

Eu digo perigosa porque este curso, especialmente na vida de alguns que são espiritualmente imaturos, é um hobby do evangelho que cria uma atitude doentia de ser mais reto que os outros. Em outros casos, leva ao desânimo porque o buscador da perfeição sabe que ele não está vivendo da maneira como ele supõe que deveria.

Outro perigo é que aqueles assim envolvidos muitas vezes começam a orar diretamente a Cristo por causa de alguma amizade especial que sentem ter sido desenvolvida. Neste contexto um livro atual e imprudente, que defende adquirir-se um relacionamento especial com Jesus, contém a seguinte frase:

“O Salvador é nosso mediador, nossas orações passam por Cristo ao Pai, e o Pai responde a nossas orações através de Seu Filho.”

Isso é simples tolice sectária. Nossas orações são dirigidas ao Pai, e só a Ele. Elas não passam por Cristo ou a Virgem Santa, ou Santa Genevieve ou ao longo das contas de um rosário. Temos o direito de “chegar com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16).

E eu prefiro supor que aquele que está assentado no trono vai escolher Seus próprios caminhos para responder a Seus filhos, e que eles são numerosos. A oração perfeita é dirigida ao Pai, em nome do Filho; e é proferida pelo poder do Espírito Santo; e é respondida da maneira que parece adequada a Ele cujo ouvido está em sintonia com as necessidades de Seus filhos.

Mainstream da Igreja

Agora eu sei que alguns podem se sentir ofendidos com o conselho de que eles não devem se esforçar para obter um relacionamento especial e pessoal com Cristo. Vai lhes parecer como se eu estivesse falando contra o amor de uma mãe, ou o americanismo, ou a pequena escola vermelha. Mas eu não estou. Há uma linha fina aqui além da qual os verdadeiros adoradores não vai pisar.

É verdade que se pode, com propriedade, ter uma relação especial com a esposa, com os filhos, com os amigos, com os professores, com os animais do campo e as aves do céu e os lírios do vale. Mas no exato momento que alguém destaca um membro da Trindade como o quase único destinatário de sua devoção, com a exclusão dos outros, esse é o momento em que a instabilidade espiritual começa a substituir senso e da razão.

O curso apropriado para todos nós é permanecer no mainstream da Igreja. Esta é a Igreja do Senhor, e ela é conduzida pelo espírito de inspiração, e a prática da Igreja constitui a interpretação da escritura.

E você nunca ouviu alguém da Primeira Presidência ou dos Doze, que possuem as chaves do reino, e que são nomeados para certificar que não sejamos “atirados para lá e para cá, e levados ao redor por todo vento de doutrina” (Ef 4:14) – você nunca ouviu um deles defendendo este zelo excessivo que convida à obtenção de uma assim chamada relação especial e pessoal com Cristo.

Você já ouviu falar deles ensinando e testificando do ministério e missão do Senhor Jesus, usando a linguagem mais persuasiva e poderosa a seu comando. Mas nunca, nunca em qualquer momento, eles ensinaram ou endossaram o zelo exagerado ou imoderado que incentiva intermináveis orações, às vezes de um dia inteiro, a fim de obter uma relação pessoal com o Salvador.

Aqueles que realmente amam o Senhor e que adoram o Pai em nome do Filho pelo poder do Espírito, de acordo com os padrões aprovados, mantém uma barreira reverente entre si e todos os membros da Trindade.

Estou bem ciente de que alguns que têm orado por horas intermináveis sentem que têm uma relação especial e pessoal com Cristo, que eles nunca tiveram antes. Pergunto-me se isso é algo muito diferente, no entanto, dos sentimentos de sectários fanáticos que, com os olhos vidrados e línguas em fogo, nos asseguram que eles foram salvos pela graça e são garantidos de um lugar com o Senhor em uma morada celestial, quando em verdade, eles nunca sequer receberam a plenitude do evangelho.

Eu me pergunto se isso não faz parte do sistema de Lúcifer para fazer com que as pessoas sintam que são amigos especiais de Jesus, quando na verdade eles não estão seguindo o padrão normal e habitual de adoração encontrada na verdadeira Igreja.

Deixe-me lembrá-los a permanecer no curso determinado pela Igreja. É a Igreja do Senhor, e Ele não vai permitir que ela seja desviado. Se tomarmos o conselho que vem dos profetas e videntes, vamos prosseguir no curso que é agradável ao Senhor.

Seria errado se eu lembrasse que Jesus manteve uma reserva entre Ele e os seus discípulos e que Ele não lhes permitiu a mesma intimidade com Ele que eles tinham uns com os outros? Isso foi particularmente verdadeiro após Sua ressurreição.

Por exemplo, quando Maria Madalena, em um grande derramamento de amor e devoção, tentou abraçar o Senhor ressuscitado, suas mãos foram interrompidas. “Não me toque”, disse Ele. Entre ela e Ele, não importa o que o grau de seu amor, havia uma linha além da qual ela não podia passar. E, no entanto, quase imediatamente depois, todo um grupo de mulheres fiéis abraçou o mesmo Senhor pelos pés, e, não podemos duvidar, banharam Seus pés feridos com suas lágrimas.

É uma linha muito tênue e sagrada, mas é evidente que há uma diferença entre uma relação pessoal e íntima com o Senhor, que é impróprio, e uma de adoração venerada, que ainda mantém a reserva necessária entre nós e Ele, quem nos comprou com o Seu sangue.”


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4 comentários sobre “Bruce McConkie: A Heresia do Relacionamento Pessoal com Cristo

  1. O discurso teve um propósito, contudo minha abordagem seria outra.Vi na minha Elderes realmente zelosos de Orar o dia todo.Por qualquer coisa, até se devia comer sobremesa.Sei q existem membros extremamente”monges” vivendo “super retidão” sempre na segunda milha em alguns mandamentos “escolhidos”.Não vou julgar e nem desanimar alguém a Aumentar sua relação com Cristo.Mas Elder McConkie não abordou o aspecto psicológico da religião uma pessoa pode perfeitamente estar usando esse fanatismo para cobrir alguma carência, algum trauma de infância ou obsessão por algo, casos q devem receber atenção medica especializada.A liderança SUD nessa época não tinha essa visão que temos hoje.Por isso o Elder usou o discurso dessa maneira.Sigo a dica do livro de Mosias no Livro de Mórmon”Não caminhe alem que sua capacidade” penso que a felicidade esta no equilíbrio, bom senso …Não no exagero.

  2. O Elder Mckonkie disse como citado no Artigo:E você nunca ouviu alguém da Primeira Presidência ou dos Doze, que possuem as chaves do reino, e que são nomeados para certificar que não sejamos “atirados para lá e para cá, e levados ao redor por todo vento de doutrina” (Ef 4:14) – você nunca ouviu um deles defendendo este zelo excessivo que convida à obtenção de uma assim chamada relação especial e pessoal com Cristo.

    Diferentemente dele eu já vi e não é coisa antiga ter ouvido e lido que devemos sim nos aproximar do Salvador.

  3. Engraçado. Será que só eu percebi que junto com a ênfase de que é heresia buscar ser ‘amigo pessoal de Cristo’ também é importante redobrar esforços para terceirizar nossa fé através da organização política denominada ‘igreja e seus oráculos’? Visando uma verdadeira e obediente relação com Deus?

  4. “é importante redobrar esforços para terceirizar nossa fé através da organização política denominada ‘igreja e seus oráculos’?”

    gersonsena tocou no ponto essencial. A religião exige a terceirização das escolhas existenciais por parte do devoto.

    A analogia do pastor de ovelhas é perfeita para apresentar a relação de dependência que o fiel deve ter em relação aos funcionários do sagrado – sejam esses chamados de sacerdotes, pastores, sheiks, rabinos, médiuns ou gurus.

    O que é a tal “formação religiosa” senão o aprisionamento das mentes à fôrma dos dogmas repetidos ad nauseam?

    A atitude que as “ovelhinhas” esperam do “pastor” é “diga-nos o que fazer e em que acreditar, e o faremos.”. Os “pastores”, por sua vez, assumem tom paternalista, autoritário, melodramático e puritano, e asseguram, prioritariamente, os interesses sectários da instituição religiosa em detrimento das necessidades dos fiéis.

    Não é assim?

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