Uma noite de reflexão

Há 189 anos atrás, na véspera do equinócio que traria o outono à sua vizinhança, o adolescente Joseph Smith recebeu a visitação de um mensageiro celestial. Sua noite foi iluminada por um conduto de luz e pelas palavras do anjo, que lhe prometeu a tarefa de traduzir um antigo livro. Continuar lendo

Tradição ou Doutrina?

chaoAinda hoje, acho incrível como um povo é capaz de produzir costumes. O fato de que um hábito muito disseminado numa sociedade – principalmente quando existe algum tipo de princípio por trás dele – vira uma tradição em relativamente pouco tempo é quase inquestionável. Todos os povos, grandes e pequenos, têm tais hábitos. Nem sempre eles são saudáveis, mas significam muito para eles.

Os japoneses da época feudal são um exemplo clássico. Desenvolveram todo um código de conduta para seus guerreiros samurais que, de tão rígido e respeitoso, virou tradição. Uma de suas maiores tradições, o Seppuku (também conhecido como Harakiri), dizia que era preferível que uma pessoa cometesse suicídio e morrer com honra do que cair em mãos inimigas; também servia como pena capital por insurreição ou insubordinação. Todos concordamos que suicídio não é lá muito saudável, mas, ainda assim, é uma tradição do código Bushido que, de tão forte, ninguém se atrevia a questionar.

Os Mórmons, como povo, possuem tradições? A pergunta chega a ser tola de tão óbvia que é a resposta. Sim, nós temos. Muitas. Tantas que, se fossem listadas, dariam um livro. Uma outra pergunta não tão óbvia seria: essas tradições são saudáveis? Bem, isso cabe a cada um analisar – de preferência, alguém que não esteja atrelado a ela. Continuar lendo

Sem censura

Se uma revista da Igreja hoje chega a modificar uma obra de arte para torná-la mais “recatada” e doutrinariamente correta, no passado essa tendência à censura era ainda mais forte nos antigos periódicos mórmons, certo? Errado! Pelo menos é o que nos sugere esta capa da revista Juvenile Instructor, de 1926.

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Romper os grilhões

Muitos mórmons iniciaram neste sábado um jejum, preparando-se para o domingo de jejum e testemunho. O jejum  apresenta um elo entre o físico e o espiritual, não só por ser uma prática que envolve os dois aspectos da vida do indivíduo mas também porque o faz pensar no bem-estar físico e espiritual de outros. Aliás, especialmente o físico de outros. Aqui nos relembramos dos conselhos no livro de Isaías:

“Por que temos jejuado e tu não o vês? Temos mortificado as nossas almas e tu não tomas conhecimento disso?” A razão está em que, no dia mesmo do vosso jejum, correis atrás dos vossos negócios e explorais os vossos trabalhadores; Continuar lendo

Como vai o Fundo Perpétuo de Educação?

Gordon B. Hinckley

Quando lançado pelo presidente Hinckley, o Fundo Perpétuo de Educação (FPE) foi
recebido por membros no Brasil com grande euforia. Seu próprio nome procurava fazer uma ligação com o antigo Fundo Perpétuo de Imigração e portanto com seu potencial de ajudar novos pioneiros na construção de Sião. O programa destinado a fomentar o estudo vocacional de suds em países em desenvolvimento não demorou muito para ser chamado localmente de revelação (mesmo sem ter sido chamado de tal pelos líderes mundiais da Igreja) e ser incluído em declarações nos domingos de jejum e testemunho.

Hoje, dez anos depois do lançamemto do FPE, já escutei relatos positivos e negativos de jovens adultos que utilizaram esse financiamento educacional a juros baixos, mas não tenho acesso a dados concretos que mostrem em que situação está hoje. No entanto, noto que é cada vez mais rara a sua menção como uma revelação; aliás, é cada vez mais rara a sua simples menção nas reuniões da Igreja. Continuar lendo

Anjos “fora dos padrões”?

A pintura original de Bloch e sua versão com photoshop na revista da Igreja

Na Igreja sud nota-se uma grande preocupação com o vestuário e aparência pessoal, incluindo desde a cor de camisa que homens deveriam usar no domingo até o número de brincos para as mulheres. Tal preocupação algumas vezes parece beirar o exagero, como no exemplo da edição de uma obra de arte ilustrando as revistas da Igreja. Continuar lendo

Mãe e solteira

Imagem: Wikimedia.

Imagem: Wikimedia.

Quais os problemas enfrentados por mães divorciadas ou solteiras dentro da Igreja sud? Há preconceito contra essas mulheres? O que pode ser feito para que sejam melhor recebidas e tenham plena cidadania na Igreja?

Numa instituição que valoriza a família tradicional e que percebe o casamento e a paternidade e maternidade como passos para a deificação, sabemos que podem surgir certos “efeitos colaterais”: Continuar lendo

Apostasia pessoal

Apostasia é um conceito frequentemente empregado por santos dos últimos dias para se referir, (1) num sentido histórico, à transformação do cristianismo original e sua perda de autoridade divina e, (2) num sentido individual, a uma forma de decadência espiritual ou desobediência a princípios divinos. Continuar lendo

Joseph Smith: Obediência

O que ensinou Joseph Smith sobre o quanto devemos obedecer aos líderes da Igreja? O que ele ensinou sobre o conceito de que SUDs devem sempre obedecer aos seus líderes e seguir seus conselhos sem questioná-los?

Joseph Smith, jr., ca. 1843, por Lucien Foster.

Joseph Smith, jr., ca. 1843, por Lucien Foster.

“Ouvimos, de homens que portam o Sacerdócio, que fariam qualquer coisa que lhes dissessem aqueles que presidem sobre eles – ainda que soubessem que era errado. Mas obediência como esta é pior do que tolice para nós. É escravidão ao extremo. O homem que assim, de bom grado, se degrada não deveria reivindicar um posto entre os seres inteligentes, até que ele abandonasse esta sua insensatez. Um homem de Deus… desprezaria essa ideia… Outros, no extremo exercício de sua autoridade onipotente, ensinam que tal obediência é necessária, e que não importa o que os Santos fossem instruídos a fazer pelos seus presidentes, deveriam fazê-lo sem quaisquer perguntas. Quando os anciões [élderes] de Israel abraçam estas noções extremas de obediência a ponto de ensina-las para o povo, geralmente é porque eles têm, em seus corações, o desejo de fazer o mal eles mesmos…” — Joseph Smith (Estrela Milenar vol. 14 n. 38 Cap. Sacerdócio pp. 594-5).

 

Leia mais sobre os ensinamentos de Joseph Smith:

Sobre Liberdade de Pensamento

Sobre Abolição da Escravatura

Sobre Pecados e Caridade

Sobre o seu futuro em Utah

Hinos

Porque minha alma se deleita com o canto do coração; sim, o canto dos justos é uma prece a mim e será respondido com uma bênção sobre sua cabeça. (D&C 25:12)

Você tem um hino favorito? Ou depende do seu momento? Há um hino que lhe dê conforto? Motivação? Que inspire alegria?

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Missionários Robôs?

(…) se tendes OU NÃO o desejo de servir a Deus, sois chamados ao trabalho.

Muitos detectarão no verso acima uma edição sacana da escritura em Doutrina e Convênios 4:3. Quem quer que o compare com o original, perceberá uma mudança total de significado, onde a condição individual de querer ou desejar servir simplesmente perde seu sentido. No entanto, foi basicamente isso que ouvi em um discurso na sacramental, na semana passada.robotsAo falar sobre a importância de compartilhar o evangelho através da missão de tempo integral, o discursante disse “É por isso que aqueles que têm o desejo…”, quando então pausou e se corrigiu: “Não! Para os rapazes que têm ou não o desejo e para as moças que tiverem o desejo…”.

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Escrituras como “armas”

Muitas vezes escutei na Igreja a metáfora das escrituras como armas. Nunca simpatizei muito com a ideia, mas tampouco havia sentido tão fortemente seu aspecto negativo até ouví-la umas quatro vezes seguidas na mesma aula da Escola Dominical.

Apesar de narrativas sangrentas ou metáforas que evocam imagens bélicas, as escrituras em si não apresentam tal metáfora de serem armas. Armas são feitas para ferir alguém ou destruir algo ou, no mínimo, ameaçar que alguém será ferido ou algo será destruído, ainda que em defesa própria. Fica difícil pensar nas escrituras como tendo semelhante propósito. Continuar lendo

Meaghan Smith

A cantora Meaghan Smith é considerada uma das grandes revelações da música pop canadense. Membro da Igreja sud, Meaghan compõe músicas em que surgem referências musicais das décadas de 1920 a 1940. “Eu gosto que essa música é limpa”, diz a cantora, expressando uma visão estética influenciada por sua religiosidade, ainda que suas canções não tratem de temas em si religiosos. “Quero escrever músicas que famílias possam curtir juntas”. Continuar lendo

Compaixão para com os que não merecem

Posso lembrar-nos de uma coisa?

A retórica aqui e acolá nos foros mórmons, na Internet e, evidentemente, nas vidas pessoais de muitos de nós, parece se basear muitas vezes na ideia de que existe um teste de merecimento para a nossa compaixão. Continuar lendo

Quem são nossos samaritanos?

Hoje, na Escola Dominical, uma das parábolas abordadas foi a do samaritano socorrendo o judeu à beira da morte, em Lucas 10. A radicalidade do ensinamento de Cristo ao colocar o samaritano como próximo do judeu só pode ser entendida a partir da exclusão mútua entre os dois povos. Falando como judeu a uma audiência judaica, Cristo escolhe como exemplo de misericórdia um indivíduo Continuar lendo