O Profeta Índio. Ou Joseph Smith?

A evolução da doutrina mórmon ao longo da história deixou muitas marcas nas obras publicadas pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, incluindo o próprio Livro de Mórmon. O exemplo a seguir mostra como uma profecia específica em 2 Néfi 3:24 teve sua interpretação reformulada em décadas recentes.

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Esquecendo os lamanitas? Imagem: John Rocha.

Numa porção do Livro de Mórmon que santos dos últimos dias acreditam se referir à restauração do evangelho original, há a menção a um personagem futuro:

E levantar-se-á entre eles um poderoso que praticará o bem, tanto em palavras como em obras, sendo um instrumento nas mãos de Deus, com fé extraordinária para operar grandes maravilhas e fazer o que é grandioso aos olhos de Deus, a fim de levar muita restauração à casa de Israel e à semente de teus irmãos.

Alguns mórmons dos séc. XIX e XX identificavam esse personagem como um futuro “profeta índio” ou “profeta lamanita”. Na edição em espanhol do Livro de Mórmon lançada pela missão mexicana em 1920, por exemplo, as notas de rodapé elaboradas por Rey Lucero Pratt, então presidente da missão, faziam questão de esclarecer aos modernos descendentes dos lamanitas que o hombre poderoso referido no versículo acima era un profeta Lamanita.

Livro de Mórmon da missão mexicana, 1920.

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Aquisição do Conhecimento que Salva

Eu apenas ouso repetir as palavras de Joseph Fielding Smith, quando o mesmo escreveu o que mais tarde viria a ser a coleção Doutrinas de Salvação. Eu sempre me questionei a respeito disso, sempre coloquei em xeque algumas das coisas que aprendemos durante nossa experiência na vida, especialmente a experiência como SUD. E, se me permitem, gostaria de desenvolver um pouco o assunto.

A aquisição de conhecimento é parte da vida do ser humano desde que ele entrou no mundo. Não me lembro, duvido que alguém lembre; mas deve ter sido uma experiência assustadora e ao mesmo tempo excitante sentir o ar gelado inflar os pulmões pela primeira vez, ao nascer. Deve ser por isso que os bebês choram tanto quando nascem. Não deve ser lá muito agradável no começo, mas realmente é uma dádiva incrível poder respirar. E como vítima de bronquite, sei bem o valor do ar. Continuar lendo

Apologética e estatísticas

Os números do último censo do IBGE continuam dando o que falar. Depois do excelente artigo do Marcello Jun aqui no Vozes Mórmons, foi a vez do jornal The Salt Lake Tribune publicar sobre a discrepância entre os dados do censo brasileiro e os registros oficiais da igreja neste país. Com o bem-humorado título “Mistério brasileiro: o caso dos mórmons desaparecidos (913,045 deles, para ser exata)“, o artigo da jornalista Peggy Fletcher Stack apresentou as opiniões de Matt Martinich, gerente de projetos da Cumorah Foundation, instituição sem vínculos oficiais com a igreja que estuda seu crescimento internacional. Continuar lendo

Neutralidade política ameaçada

“É proposto que apoiemos como novo prefeito…”

A Igreja sud afirma ter uma neutralidade política, não endossando partidos ou candidaturas. Por isso, um membro da igreja que se candidate a cargo eletivo não é apoiado oficialmente como um representante da igreja. Mas será que os membros não veem tais pessoas como representantes quando tais são líderes proeminentes?

Recentemente desobrigado como presidente de missão em Portugal, o ex-deputado federal Morôni Torgan está de volta à política eleitoral brasileira, concorrendo à prefeitura de Fortaleza pelo DEM. Mas Torgan é também um líder eclesiástico: na última Conferência Geral, ele foi um dos novos setentas de área chamados. Continuar lendo

Investidura II

Erastus Snow

O sentimento expresso por Brigham Young sobre a necessidade de administrar a investidura em partes e sem apressar as ordenações ao sacerdócio maior foi ecoado também pelo apóstolo Erastus Snow (1818-1888).

Um converso dinamarquês registrou em seu diário pessoal o seguinte ensinamento de Snow: Continuar lendo

BYU vs. Apologistas

A BYU estaria começando uma campanha contra seus “apologistas”?

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Joseph Smith, Interrompido

As traduções feitas pela Igreja no Brasil são confiáveis? São sempre traduções ou às vezes adaptações do conteúdo? A seguir apresento o estudo de uma tradução que alterou ensinamentos de Joseph Smith sobre Adão.

JS interrompidoPara Joseph Smith, a tradução era tanto um dos meios pelo qual as antigas escrituras haviam sido corrompidas, quanto um dos meios divinos disponíveis para restaurá-las a seu sentido original, assim como para trazer à luz escrituras desconhecidas. A tradução, portanto, era percebida como um meio divino de restaurar a verdade.

Em suas reuniões dominicais, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias oferece aulas em que são abordados temas de sua doutrina através do uso de escrituras e de outros livros publicados pela Igreja. De 1998 a 2009, a Igreja utilizou uma série chamada Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, utilizados para as aulas de membros adultos. O último volume, utilizado entre 2008 e 2009, apresentou trechos de discursos de Joseph Smith.

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El, Jeová e Elohim

Uma informação e uma provocação

Na Bíblia hebraica, o nome Elohim ocorre 2570 vezes, enquanto YHWH (“Jeová”) aparece em 6823 vezes. Já o termo El aparece apenas 238 vezes. No entanto, o uso desses termos é muita vezes combinado, sugerindo a identidade única de Jeová e Elohim. Isso evidentemente passa despercebido a leitores de traduções para o português ou outras línguas ocidentais, uma vez que essas traduções acabam por uniformizar os nomes e esconder o uso dos nomes originais.

Tetragrammaton (YHWH) escrito em alfabeto paleo-hebraico no pergaminho 8HevXII, datado do primeiro século EC

Observemos esta passagem de Deuteronômio, de acordo com a tradução de Ferreira de Almeida: Continuar lendo

Mais um mórmon candidato à presidência dos EUA

Edward C. Noonan, candidato à presidência americana

Enquanto Mitt Romney segue sua campanha para suceder Obama, há mais um mórmon concorrendo à presidência dos EUA. Edward C. Noonan, um comerciante aposentado da Califórnia, é o candidato do Partido Independente Americano, o mesmo partido que nomeou Ezra Taft Benson em 1968.

Sem projeção social ou muito dinheiro, sua candidatura é bem nutrida de teorias conspiratórias. Continuar lendo

Manuais da Primária e Dieta Vegetariana

O que têm em comum manuais da Primária e dietas vegetarianas?

Quem se lembra da Primária? Eu adorava a Primária, adorava as aulas, as lições, e as músicas. Nem me incomodava que a minha mãe era a Presidente da Primária, o que significava que se não me comportasse, a bronca vinha em duplicata.

Como é de se esperar de lições voltadas para crianças, as aulas da Primária são simples, infantilizadas, e coloridas. Nada mais justo. É impossível ensinar lições de vida e moralidade para crianças sem simplificar a mensagem para ideais caricatos, vestidos em roupagens coloridas e divertidas.

Na época da minha Primária, a minha mãe gostava muito de usar as estórias e as lições de morais do seriado He-Man. E nós achávamos o máximo esse uso “contemporâneo” de cultura pop.

Mas, voltando aos manuais. Tomemos o exemplo da estória de Noé. Animais de zoológico num barco gigante numa chuva épica e um profeta que salva os bichos e sua família porque foi obediente ao Pai Celestial. Tudo muito colorido, tudo muito simples, tudo muito fantástico, e com lições claras: obediência à Deus, comportamento social ético, amor à família, respeito aos animais.

Construindo a Arca (Pregação de Noé Desdenhada), por Harry Anderson

Após uma infância protegida, e uma adolescência prolongada, chegamos todos à fase adulta, e o mundo deixa de ser colorido para tons graduados de cinza, e nossas crenças e esperanças infantis dão lugar a conhecimento racional e científico, e uma visão do mundo mais realista e lógica. Continuar lendo

Tradição ou Doutrina?

chaoAinda hoje, acho incrível como um povo é capaz de produzir costumes. O fato de que um hábito muito disseminado numa sociedade – principalmente quando existe algum tipo de princípio por trás dele – vira uma tradição em relativamente pouco tempo é quase inquestionável. Todos os povos, grandes e pequenos, têm tais hábitos. Nem sempre eles são saudáveis, mas significam muito para eles.

Os japoneses da época feudal são um exemplo clássico. Desenvolveram todo um código de conduta para seus guerreiros samurais que, de tão rígido e respeitoso, virou tradição. Uma de suas maiores tradições, o Seppuku (também conhecido como Harakiri), dizia que era preferível que uma pessoa cometesse suicídio e morrer com honra do que cair em mãos inimigas; também servia como pena capital por insurreição ou insubordinação. Todos concordamos que suicídio não é lá muito saudável, mas, ainda assim, é uma tradição do código Bushido que, de tão forte, ninguém se atrevia a questionar.

Os Mórmons, como povo, possuem tradições? A pergunta chega a ser tola de tão óbvia que é a resposta. Sim, nós temos. Muitas. Tantas que, se fossem listadas, dariam um livro. Uma outra pergunta não tão óbvia seria: essas tradições são saudáveis? Bem, isso cabe a cada um analisar – de preferência, alguém que não esteja atrelado a ela. Continuar lendo

O problema do discurso de King Follett

Um dos documentos mórmons mais importantes que não estão disponíveis em português é também o último discurso de Joseph Smith na conferência geral e talvez o seu discurso mais famoso: o discurso de King Follett. No discurso, Joseph Smith mostrou-se como ainda o grande profeta, esclarecendo novas doutrinas de uma teologia ampla e profunda. Para quem quer explorar a doutrina da igreja, o discurso é importantíssimo. Ainda hoje ele é citado freqüentemente na conferência geral da igreja. Mas o discurso permanece disponível apenas em inglês! Por quê?

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Falar com seu Deus

Duas citações de Joseph Smith sobre a revelação direta.

Ler a experiência dos outros ou as revelações dadas a eles, nunca pode nos dar uma visão ampla de nossa condição e verdadeira relação com Deus. Continuar lendo

Investidura

Será que Brigham Young tem razão ainda hoje? Esse recebimento gradual das ordenanças e as ordenações ao sacerdócio sem pressa ainda serão implementadas um dia?

A maioria de vocês, meus irmãos, são anciões [élderes], setentas ou sumo-sacerdotes; talvez não haja um só sacerdote ou mestre aqui presente. Isso se deve ao fato de que, quando damos a investidura [endowment] aos irmãos, somos obrigados a lhes conferir o sacerdócio de Melquisedeque; mas espero ver o dia em que estejamos em tal situação em que possamos dizer (…): Vão, recebam as ordenanças concernentes ao sacerdócio aarônico e depois podem sair pelo mundo e pregar o evangelho, Continuar lendo

Romper os grilhões

Muitos mórmons iniciaram neste sábado um jejum, preparando-se para o domingo de jejum e testemunho. O jejum  apresenta um elo entre o físico e o espiritual, não só por ser uma prática que envolve os dois aspectos da vida do indivíduo mas também porque o faz pensar no bem-estar físico e espiritual de outros. Aliás, especialmente o físico de outros. Aqui nos relembramos dos conselhos no livro de Isaías:

“Por que temos jejuado e tu não o vês? Temos mortificado as nossas almas e tu não tomas conhecimento disso?” A razão está em que, no dia mesmo do vosso jejum, correis atrás dos vossos negócios e explorais os vossos trabalhadores; Continuar lendo