Essa é uma pergunta mais complexa do que se pode imaginar.
Atualização: clique aqui para ler sobre o Censo de 2010 e a contagem atual de mórmons
A resposta mais fácil, mais tentadora, e mais comum é buscar nos dados publicados oficialmente pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. As estatísticas oficiais publicadas para o ano de 2010 contavam como membros 1 060 556.

Essa resposta não me parece suficiente por dois motivos:
1) Nem todos os mórmons são membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (doravante SUD). Há muitas outras igrejas ou grupos que se consideram mórmons, que reverenciam o Livro de Mórmon como escrituras e Joseph Smith como seu Profeta fundador!
O maior grupo mórmon, afora os SUD, pertencem à Comunidade de Cristo (doravante CDC), que era denominada A Igreja Reorganizada de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias até o ano 2000, e que não apenas contavam com Joseph Smith como seu Profeta fundador, mas com seu fiho Joseph Smith III como seu Profeta reorganizador!
Sua presença no Brasil não é grande, mas tampouco inexistente. Contavam com 358 membros até 2009 — os números para 2010 serão publicados ainda esse mês!
Eu ainda não consegui confirmar a presença dos demais grupos no Brasil, mas isso não significa que não existam por aqui. Entre os mais conhecidos estão a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (IJCSUD) popularmente conhecida como Strangita, a Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (FSUD), a Igreja Remanescente de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (IRJCSUD), a Igreja Viva e Verdadeira de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (IVVJCSUD), A Igreja de Jesus Cristo (AIJC), A Igreja Reorganizada de Jesus Cristo (IRJC), A Igreja de Cristo (AIDC) popularmente conhecida como Templária, A Igreja de Jesus Cristo (AIJC-C) popularmente conhecida como Cutlerita, entre outras.
Quando eu era adolescente no Rio de Janeiro, eu fiz amizade com um rapaz que era membro da FSUD. Não sei se continuou no Brasil, pois perdemos contato, e tampouco sei se conseguiu estabelecer uma congregação por aqui. Continuarei procurando.
2) As estatísticas oficias da Igreja SUD não me parecem uma medida transparente e honesta, pois inclui uma quantidade enorme de pessoas que deixaram a Igreja ou deixaram de ser considerar SUD (ou mórmons), mas não se deram o trabalho de resignar oficialmente como membros da Igreja SUD.
Além disso, a Igreja segue considerando nessas estatísticas os membros “desaparecidos” (com os quais não se tem mais contato) até a idade de 120 anos, após o que são considerados falecidos e não mais contados. 120 anos é 47 anos a mais que a taxa de expectativa de vida brasileira, o que significa que esses dados incluem muitas pessoas já falecidas.
Para se ter uma idéia da diferença estatística, para o ano de 2000 um total de 775 822 pessoas eram contadas oficialmente pela Igreja SUD como membros. Contudo, o Censo de 2000 do IBGE publicou apenas 199 645 pessoas que se auto-denominavam SUD.
Para aqueles que já trabalharam como Bispos ou Secretários de Ala, uma taxa de “inatividade” de 75% não parece muito fora da realidade, não?
Os dados para o Censo de 2010 do IBGE só devem ser contabilizados e publicados em 2012, então teremos que aguardar um pouco para atualizar nosso conhecimento concreto sobre os nossos dados demográficos atuais.
Enquanto isso, especularemos. Quantos mórmons vocês acham que há no Brasil?
Eu vou especular: 265 139 para SUD (Censo 2010, cadê você?), 370 para CDC, para um total de 265 509!
O que vocês acham?
Saiu o resultado do censo, dando conta de que 226 mil pessoas se declararam como membros da “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Considerando uma margem de erro, pois o quesito religião foi abordado por amostragem (1 em cada 10 lares), o número de membros que talvez não tenha se identificado corretamente, bem como o número de denominações mórmons menores, ainda assim dificilmente esse número passaria de 250 mil… bem menos do que a igreja SUD tem divulgado a anos!
Sim, João. Obrigado. Se você der uma olhadinha no post de dois dias atrás, verá uma análise sobre os dados do Censo 2010 ao qual se refere. Se lhe prouver, poderá comentar algo na discussão de lá, também. Abraços.
Caros amigos,
Sou líder da IJCSUD, e no último Censo do IBGE em 2010, o pesquisador que visitou minha família, não encontrou em sua lista de opções a IJCSUD, portanto não fomos reconhecidos como mórmons, tivemos que optar pela classificação evangélica.
O que concluo é que o censo do IBGE não é uma fonte confiável, pelo menos no quesito religião.
Abraços.
Sempre me entristece, João Fernando, quando Mórmons acham que mentir é uma opção válida e ética para “defender a fé”.
Essa sua “estorinha” é simplesmente inacreditável, visto que o questionário incluiu uma questão aberta (“Questão 6.12: Qual a sua religião ou culto?”), onde o respondente preencheria livremente, sem múltiplas escolhas.
Se você tivesse se dado o trabalho de ler o relatório do IBGE e/ou o meu outro artigo (sobre o Censo de 2010 propriamente dito), poderia ter evitado esta vergonha pública.
Caro amigo Marcello,
Não estou mentido para defender a fé. O aconteceu é um fato real, e torno a repetir reafirmando o meu depoimento anterior. Fui visitado por um pesquisador do IBGE em 2010. O fato é que as perguntas são feitas pelo pesquisador, foi assim comigo, não sei se funciona de outra forma, não preenchi o formulário, apenas respondi as perguntas. Quando as perguntas sobre religião foram feitas, ele procurou classificar-me na religião a que pertencia, disse então que não havia encontrado. Se o pesquisador do IBGE não tem habilidade ou não conhece o formulário, não é culpa minha. E se eles são despreparados assim, podem cometer muitos erros, o que torna a pesquisa não muito confiável.
Espero que não fiques mais triste comigo, pois não menti e muito menos faltei com a ética.
Este fato realmente aconteceu! Só espero que meu comentário seja respeitado como verdadeiro e que eu não tenha o desprazer de ser acusado de mentiroso novamente.
Então, João. Sua estória continua inacreditável. Ainda mais porque você não percebeu que os pesquisadores do IBGE (até mesmo em Natal, diga-se) trabalharam com formulários padrões em computadores-de-mão padrões, justamente para evitar esse tipo de confusão.
Quem respondeu o Censo de 2010 pessoalmente sabe que eles liam as perguntas diretamente do computador-de-mão e escreviam diretamente nele. A opção sobre religião não fornecia opções de múltipla escolha, e o pesquisador anotava o que o respondente dizia. Se você tivesse realmente sido perguntado sobre religião (ou respondido o Censo, ou mesmo lido a página do Censo que eu postei acima), saberia disso. Ele não lhe teria dito “que não havia encontrado” porque o campo para resposta não abria um menu, mas sim era um campo aberto para se escrever a resposta. Este “fato” realmente não aconteceu e seria melhor pra você parar de insistir nessa estória…
Aliás, se você tivesse lido a página do IBGE sobre o Censo 2010, também saberia que a pergunta sobre religião não estava em todos os questionários, mas apenas nas amostragens randomizadas.
Que triste seu Olhar Sobre a Igreja e que Primário Seu Olhar sobre o Ponto de Vista acadêmico/ Pesquisador.
Você acha, Wellington? Seja específico, por favor, onde o meu “Ponto de Vista acadêmico/Pesquisador” (sic) seja “Primário”. Onde eu defendo análises estatísticas populacionais representativas? Você tem alguma crítica concreta sobre o conceito matemático em si? O que você acha “triste” sobre meu “Olhar Sobre a Igreja” (sic)? O fato de eu avaliar fatos concretos e não suposições divorciadas dos fatos?
(Uma dica: Maiúscula, ou caixa alta, em geral reserva-se para nomes próprios e inícios de frases. Acima, você não precisaria escrever em maiúsculas “olhar”, “sobre”, “primário”, “ponto”, “vista” ou “pesquisador”.)