Pílula azul x pílula vermelha

Num dia destes estava relembrando do filme Matrix que foi lançado em 1999 e na época iniciou-se uma febre pelos efeitos especiais extraordinários do filme e sua estória que se passava num futuro em que as máquinas que ganharam inteligência artificial começaram
a se rebelar contra os humanos e a dominar nossa raça, nos usando como fonte de energia para sua existência.

Neste cenário, as máquinas conseguiram colocar os humanos em um estado de hibernação aonde impulsos elétricos eram usados para emular uma existência paralela aonde todos acreditavam estar vivendo seus cotidianos de maneira natural.

Alguns dos personagens conseguiram se desvencilhar desta exploração e começaram a se rebelar contra o sistema das máquinas ao se refugiarem no mundo real e construírem um sistema próprio aonde podiam entrar no sistema central das máquinas, dentro desta realidade virtual e oferecerem a outros indivíduos a possibilidade de conhecerem a verdade por trás da ilusão criada pelas máquinas.

Neste ponto da estória, o que me chamou a atenção foi uma cena aonde um dos líderes dos rebeldes do mundo real, Morpheus, reentra junto com seu grupo de revolucionários nesta realidade virtual, para oferecer ao personagem Neo, interpretado pelo ator Keannu Reeves, duas pílulas. Uma azul outra vermelha. Ele diz:

“Se tomar a pílula azul… a história acaba, e você acordará na sua cama acreditando…no que quiser acreditar.  Se tomar a pílula vermelha…ficará no País das Maravilhas…e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho.

Aí está feita a proposta, Neo tem uma importante escolha em suas mãos, a ele foi oferecida a chance de permanecer em seu mundo, seu cotidiano, suas lutas, suas vitórias, seus fracassos, amigos, família, tudo como sempre foi.

A outra opção ele teria a oportunidade de balançar os pilares da sua existência e ver e entender a origens das coisas e conhecer o mundo em seu formato real.

Para concluir a oferta de Morpheus ele conclui antes da decisão de Neo:

“Lembre-se…tudo que ofereço é a verdade. Nada mais.”

Pensando sobre o filme e esta importante pergunta de Morpheus eu me questiono, é bem possível que esta oportunidade não venha à todos, mas será que nós ao nos deparmos em nossas vidas em algum momento aonde temos a oportunidade de descobrir a verdade o que faríamos?
Daríamos um passo atrás, ao aceitar a pílula azul e preferiríamos manter tudo como sempre conhecemos? A mudança é algo a ser temido a ponto de nos deixarmos estagnar nas tradições criadas por homens e passadas de geração a geração?

Ou não, tomaríamos a pílula vermelha e veríamos aonde tudo começou, de onde realmente viemos, de onde vieram as tradições de nossos pais e nos fizeram ser quem nós somos hoje em dia nos deparando com um mundo não tão romacista como idealizamos?

Um amigo meu certa vez me disse, que tomaria a vermelha pela manhã para acordar e a azul à noite para poder dormir. Brincadeiras à parte, o que quero dizer, dentro do mormonismo, será que nos deparamos com algumas discrepâncias históricas que não nos parecem estar de acordo com os princípios que tanto falamos e ouvimos dentro das reuniões dominicais? E se as encontrarmos, quando as encontrarmos como será a nossa reação? Poderemos manter estas dúvidas guardadas dentro de uma prateleira e aguardarmos serem reveladas no Milênio? Ou devemos manter um espírito questionador
que foi pregado por Hugh B.Brown quando disse:

“Eu admiro homens e mulheres que desenvolveram o espírito questionador, que não têm medo de novas idéias, como degraus para o progresso.
Nós devemos, obviamente, respeitar as opiniões dos outros, mas devemos também não ter medo de discordar – se estivermos informados.
Pensamentos e expressões competem no mercado de pensamento, e nesta concorrência a verdade triunfa. Só o erro teme a liberdade de expressão…
Esta livre troca de ideias não é condenável, contanto que os homens e mulheres se mantenham humildes e abertos ao ensino.
Nem o medo das consequências ou qualquer tipo de coerção deve jamais ser usada para garantir a uniformidade de pensamento na igreja.
As pessoas devem expressar seus problemas e opiniões sem ter medo de pensar em consequências negativas …
Temos de preservar a liberdade de pensar na igreja e resistir à todos os esforços de suprimi-la.”  Hugh B.Brown, An Abundant Life: The Memoirs of Hugh B.Brown, Salt Lake City, 1988, pp.137-39

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