Entre mórmons brasileiros, há muitas palavras e expressões que podem ser pouco usadas ou mesmo totalmente desconhecidas dos demais falantes da língua portuguesa. Entre essas estão alguns empréstimos ou adaptações do inglês para o português. Ou, pensando melhor, talvez fosse mais adequado dizer “mormonês”.
Proponho aqui, caro(a) leitor(a), um teste: peço que escreva nos comentários o significado literal em português das seguintes palavras:
– élder;
– garment;
– sister.
Como em todo teste, não vale colar! 🙂
Após os resultados do teste, estarei escrevendo mais a respeito desses empréstimos e como eles agem para comunicar significado.
Agradeço a participação de todos nesta pequena pesquisa informal.
Minha hipótese – que não se confirmou aqui – era de que a maioria dos membros suds desconhece o significado literal dessas palavras. Imagino que se perguntasse à maioria dos élderes da minha ala, poucos saberiam que esse ofício do sacerdócio significa “ancião”. Esperaria desinformação semelhante daqueles que usam garments. Talvez a palavra “sister” fosse a mais simples de identificar, para aqueles que conhecessem a palavra em inglês. (Imagino também que “élder” e “garment” não sejam identificadas como palavras tomadas da língua inglesa, mas que numa pesquisa maior seriam identificadas talvez como vindas da língua hebraica ou mesmo adâmica!)
Talvez o público aqui, leitor do Vozes Mórmons, não represente de forma perfeita a maioria dos membros da Igreja no Brasil. Estamos num país com índices de escolaridade crescente e com a internet popularizada, mas não possuimos dados, por exemplo, sobre o nível de escolaridade predominante entre os membros, quantos possuem acesso regular à internet, etc.
E mesmo a ideia de que maior escolaridade seja uma das causas de entender o significado literal de uma palavra inglesa usada como parte do “mormonês brasileiro” não passa de uma mera hipótese. Talvez tenha mais a ver com, digamos, curiosidade ouainda conhecimento das escrituras.
Mas até aqui estou falando sobre problemas para sanar um problema que os mórmons brasileiros herdaram da Igreja. Sim, considero um problema usarmos “sister” ao invés de “irmã” para nos refirimos a uma missionária; “élder” ao invés de “ancião” e “garment” ao invés de “vestimenta”. Até hoje nunca vi um argumento convincente para tais empréstimos. Tenho muita curiosidade também para saber como se tornaram oficiais.
Tenho uma “ideia” o simples fato de os “brasileiros”( nao generalizando) acharem tudo o que nao é de seu pais o maximo, entao ao inves de usar os termos corretos seria mais “interessante ” usar termos como estes… fazer o que! Quando se vive em um mundo imperfeito, imperfeiçoes acontecem… rsrsrsr.
O suposto charme da palavra estrangeira é uma forte possibilidade, dadas as características da nossa cultura. Condomínios têm “playground” e não “pracinha”. Há algumas décadas “brim” passou a ser “jeans” e até “algodão” tende a ser substituído por “cotton” no mundo da moda, digo, mundo “fashion”.:) Os exemplos do cotidiano seriam muitos.
Isso tem a ver com a percepção de um país rico/desenvolvido/de primeiro mundo ser melhor do que um país pobre/subdesenvolvido/de terceiro mundo. Afinal, os empréstimos linguísticos do português nas últimas décadas não são provenientes do espanhol ou guarani. Não queremos ser parecidos com quem é tão ou mais pobre do que nós.
Também faz sentido que suds brasileiros queiram se paracer mais com suds norte-americanos, copiando alguns aspectos daquela cultura (ou como a percebem), incluindo a linguagem. E isso não se limitaria apenas aos empréstimos de “sister, “élder” e “garment”, mas se reflete até mesmo em questões gramaticais e de uso do idioma.
Por exemplo, quanto maior o grau hierárquico do indivíduo, mais frequente o uso de título e sobrenome (por ex., Presidente Silva, Élder de Tal, da Presidência de Área), o que reflete uma influência da cultura norte-americana. No Brasil raramente conseguimos chamar sequer o presidente da República pelo sobrenome! (Dos presidentes civis eleitos, apenas Collor foi a exceção até agora.)
Há um tempo atrás também notei uma tendência de evitar artigo ao se referir ao nome de uma unidade. Por ex., “quantos batismos tivemos em Parque dos Maias?” ao invés de “na [ala] Parque dos Maias”. Talvez isso não seja tão comum, mas também parece reproduzir a maneira como um norte-americano falaria português.
É importante notar que nada disso é totalmente consciente, mas algo que se absorve pelo meio. Tampouco é algo necessariamente negativo, embora eu acredite que seria saudável ter mais clara uma diferenciação entre o evangelho de Cristo e a cultura norte-americana (ou a cultura sud norte-americana).