O Shopping de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias inaugurou hoje o shopping center City Creek Center, que culmina o seu projeto de revitalização do centro de Salt Lake City, cujos custos atingiram a marca de 5 bilhões de dólares. [1]

USD 5.000.000.000,00. R$ 9.118.396.169,16 no câmbio de hoje.

O projeto do shopping inclui prédios residenciais de luxo, muito similares ao que temos no Shopping Cidade Jardim em São Paulo. Preços de venda para os apartamentos variam de USD 300.000,00 a 2.000.000,00.

Ao que tudo indica, o empreendimento é um sucesso estético e poucos duvidam de seu futuro sucesso financeiro (apesar de alguma dificuldade na venda imobiliária).

Estas  fotos aqui e os vídeos aquiaqui, e aqui (este último incluindo uma entrevista com o Bispo Presidente David Burton) mostram, indubitavelmente, um empreendimento de alta qualidade.

O Complexo City Creek Center fica notoriamente ao lado do Templo de Salt Lake e dos escritórios gerais da Igreja.

Ao que tudo indica, o projeto deverá cumprir bem sua missão de revitalizar o centro da cidade de Salt Lake City, que vem passando por um processo de decadência desde a emigração dos centros urbanos nos EUA começando nos finais dos anos 60.

Mesmo após controvérsias sobre influência indevida da Igreja sobre vereadores durante as fases de aprovação municipal, a construção seguiu adiante, com 248.423 metros quadrados de área construída, a um custo exorbitante de 20.127,00 dólares por metro quadrado.

Repetidos anúncios oficiais da Igreja negam o uso de fundos públicos (i.e., todo o financiamento veio da Igreja) e de fundos de dízimos — embora esta não passe de um truque de contabilidade, onde o dinheiro de dízimo é quase em sua totalidade investido, e após alguns anos, retornado ao fundo oficial de dízimos, enquanto todos os juros e dividendos são realocados para as empresas da Igreja (e.g., Deseret Co., Reserve Inc., Hawaii Reserves, Farmland Reserve, Bonneville International, etc.), constituindo então um fundo “extra” dizimal. [2] Com estes fundos liberados diretamente das doações religiosas, a Igreja pode então investir em hotéis multi-milionários de luxo no Havaí, reservas de luxo para caça esportiva de animais, e latifúndios bilionários, etc. [3][4][5]

Não obstante todo o sucesso do empreendimento, cabe aqui, em fórum aberto e racional, fazer alguns questionamentos. O projeto foi anunciado oficialmente há pouco mais de 5 anos, embora planos já perdurem uma década, e seus custos não deveriam exceder 500 milhões de dólares. Os valores foram sendo reajustados gradualmente com o passar dos anos, até chegar ao valor de 1,5 bilhões (para apenas parte do projeto) e 5 bilhões no total (embora há analistas que acreditam que o valor total real chegará a 8 bilhões).

Para se colocar em perspectiva, a Igreja gastou em ajuda humanitária e doações para caridade USD 1,212 bilhões entre 1985 e 2010, inclusive. [6][7]

Ironicamente, coincidindo com a inauguração de um shopping multi-bilionário hoje, a edição atual da Liahona traz um discurso recente do Apóstolo Dallin Oaks onde, falando a uma audiência Africana, enfatiza a importância de se pagar dízimos antes e acima de se gastar com tradições culturais como festas de casamentos.

Então, comparemos: 1,2 bilhões em 26 anos para ajuda humanitária versus 5 bilhões de dólares em 6 anos para shopping center de luxo.

[Comparando mais ainda para ganhar perspectiva, vemos que a Fundação Bill e Melinda Gates (voltada para ajuda nas áreas de saúde, como vacinações e remédios; pesquisa agrária e sustentabilidade; assistência direta a pobres; ajuda a empreendedores pobres e minoritários, como mulheres, etc.) conta com um fundo geral de 33 bilhões de dólares.]

Quem acha que investir 5 bilhões de dólares em um shopping center com apartamentos de luxo irá ajudar a Igreja a cumprir sua missão tríplice de 1) proclamar o evangelho, 2) redimir os mortos, e 3) fortalecer os Santos?

Quem acha que investir 5 bilhões de dólares em um shopping center com apartamentos de luxo contribui para o alívio humanitário de sofrimento, miséria, fome, e doença para bilhões de pessoas mundo afora, sem contar nos milhões de americanos (e mesmos milhares de Utahnos)?

Quanto sofrimento humano não poderia ser aliviado com 5 bilhões de dólares?

Quantas escolas ou universidades não se poderiam montar para os SUD (e, quem sabe, não-SUD) em países pobres e populosos (de SUD) como o Brasil, o México, e as Filipinas? Não seria isso uma ajuda humanitária *e* uma alavanca para a missão tríplice?

Quem acha que investir 5 bilhões de dólares em um shopping center com apartamentos de luxo ao lado de principal Templo Mórmon na atualidade não traz lembranças de como Jesus reagiu quando viu mercadores comprando, vendendo, e lucrando ao lado do Templo de Jerusalém?

City Creek Center em construção, meados de 2009, com o Templo de Lago Salgado e o Tabernáculo Mórmon.
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[1] Antes de mais nada, eu gostaria de pedir desculpas para aqueles que se ofenderem com o título do post. Ele é um trocadilho infame para chamar atenção para um paradoxo ético e moral sério. A revista TIME usou o título “LDS Inc.” para o mesmo propósito, mas meus dotes cômicos são muito inferiores. Aliás, a melhor piada que eu ouvi até agora sobre o CCC foi que a Igreja iria começar a chamar missionários para servir na missão City Creek Shopping, como minha cunhada que serviu como missionária de Centro de Visitantes.
[2] Eu consegui confirmação de um funcionário da Reserve, Inc. que essa prática é comum e corrente, porém este solicitou anonimato. Não consegui encontrar dados para confirmação oficial, ainda mais porque as finanças da Igreja são mais sigilosas que as ordenanças do Templo! Não obstante, enviei comunicado para a firma de contabilidade que faz a auditoria da Igreja, e assim que tiver alguma informação oficial, colocarei aqui como update. Se alguém tiver acesso à esta informação oficialmente, solicito encarecidamente sua ajuda.

243 thoughts on “O Shopping de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

  1. Eu gostaria que a Igreja tivesse usado esse dinheiro pra construir uma Universidade semelhante a BYU no Brasil. Assim aumentaria a educação de futuros líderes da Igreja, ganharia um retorno bom na oferta de dízimo e jejum e diminuiria o gasto pra mandar jovens Brasileiros pra missão via subzídio.

    Os apartamentos luxuosos — não sei se há mercado para eles. Vc pode comprar uma casa com o dobro ou triplo do tamanho desses apartamentos em áreas nobres como na montanha em Bountiful ou North Salt Lake, as duas opções à 15-20 minutos do centro, ou uma casona em Park City, 40 minutos do centro.

    • Sem dúvida! Sem falar que iria reduzir drásticamente o problema de retenção entre jovens (especialmente homens), e sem falar no bem social que faria para países como Brasil, México, Chile e as Filipinas (que são pobres e têm grandes números de Mórmons)!

    • Patrick, eu também gostaria ver a Igreja usar esse dinheiro para construir uma Universidade no Brasil. Mas eu tenho que reconhecer que não sei bastante sobre o que uma universidade vai enfrentar no Brasil, nem quantos alunos seria necessário para ser bem sucedido, nem quanto esses alunos podem pagar, nem quanto vai ser o gasto anual para tal projeto. A Igreja agora paga 2/3 dos custos anuais da BYU. Vai fazer a mesma coisa no Brasil (merece até uma percentagem mais alta, pois o que pode ganhar no Brasil é muito menos do que pode ganhar nos EUA). Algo assim precisa ser feito com cuidado e com uma boa análise.

      Mas, se os apartamentos vendem ou não depende muito do mercado. Para mim, o tamanho do apartamento não tem tanta importância. Acho que poucas pessoas necessitam mais de 50 metros quadrados por pessoa na família (mais talvez 50 metros quadrados de espaço familiar). A minha família tem um apartamento de 100 metros quadrados, e eramos 5 (antes de meu filho sair em missão e para a universidade). Mas os meus irmãos tem mais como 300 metros quadrados para uma família de 5 — algo que é mais como as casas do que você fala no Bountiful ou North Salt Lake.

      Pessoalmente, eu não vivia nem em Bountiful nem em North Salt Lake. A única área no estado de Utah em que eu viveria seria mesmo perto do centro de Salt Lake City. Não é que eu quero um apartamento luxuoso, mas que eu odeio a vida suburbana que é o normal em Utah. Eu quero uma vida urbana — que só existe em Utah perto do centro.

      O ponto é que o tamanho da casa não é sempre o mais importante. O local da casa é que importa, e quem quer uma casa perto desse shopping e o templo vai pagar, sim.

      Tenho certeza que o pessoal da City Creek que está encarregado desses imóveis já fizeram análises muita detalhadas (mais detalhada que a análise que você ou eu temos feito) sobre o mercado para tais apartamentos luxuosos. Não teriam construido esses apartamentos se não venderiam.

      • Se não uma universidade no Brasil, que tal uma escola técnica na Bolívia ou no Paraguai, os dois mais pobres da America do Sul? Enfim, poderíamos ir longe listando coisas que poderia ser feitas com um valor bem menor e que faria sentido com a missão da Igreja.

      • Concordo com Antônio e com Marcello. Há muita pobreza na base da piramide mórmon que justificaria a construção e manutenção de várias escolas técnicas em vários países da América Latina.

    • Minha família pertence a igreja há mais de 30 anos. Tenho visto muitas coisas estranhas ao envangelho pregado aos domingos desde sempre. Decidimos que sempre iremos em frente, mas nem todo mundo pensa assim. Meu ex marido trabalhou nos escritórios da igreja aqui em São Paulo e viu “tantas coisas” que nunca mais levou a igreja a sério, algum tempo depois ele acabou se afastando e meu casamento acabando. Minha irmã serviu missão em 1990 em Porto Alegre, ficou doente, não teve apoio dos Pres. de Missão, quase morreu, precisamos ir visitá-la e contribuir o tempo todo com recursos para que ela não morresse. Ela não quis vir embora, para não desagradar o Senhor. Mas a sua saúde foi prejudicada até hoje. A igreja não investe no futuro dos ex-missionários. Apenas alguns conseguem um pouco de financiamento para os estudos, assim mesmo dependendo do curso, não pode faze-lo. Tenho ouvido que tudo fica mais fácil para os filhos de líderes. Assim como conheço alguns líderes que seus filhos estão servindo fora do Brasil. Somos membros ativos. Contribuimos com o trabalho missionários. Servimos na igreja. Nossa família é numerosa na igreja. Temos tios, tias, primos. Muitos de nossa família já serviram missão. No momento temos um membro de nossa família em fortaleza e mais um sobrinho que vai sair ainda neste semestre. Isso significa que contribuimos tb para que mais membros entre para igreja e contribua com dízimos e ofertas. Mas a maioria não suporta quando fica sabendo o que realmente a igreja faz com o dinheiro. Ou se afasta e se torna um anti mormon feroz (como muitos que tem blogs e sites) difamando a igreja na internet. Ou se torna aquele membro morno que gosta da igreja, tem amigos na igreja, trabalha na igreja e a gente nota que ele vai mais como se fosse em clube. É o membro light, que não se compromete com nada. Faz apenas o mínimo, como um membro de um clube que paga a mensalidade (dízimo) para continuar frequentando. Tenho um membro assim na minha própria família. Já perguntei a ele porque ele paga o dízimo e a ofertas então e ele me disse que ele e sua família usa semanalmente as instalações da igreja e que isso consome luz, água, material das reuniões, seminários, etc. Quer dizer, um clube! Às vezes eu prefiro pensar assim: o dinheiro não é meu mesmo. Porque é difícil a gente ouvir uma coisa e ver os “grandões” líderes de Salt Lake, fazendo outra. Como diz meu esposo. Onde há muito dinheiro, há muita corrupção!

      • E nós ainda acreditamos que uma igreja dessa é verdadeira? Só muito delírio mesmo para acreditar em tudo isso. Estamos na verdade diante de uma empresa extremamente alienante, que sufoca e adormece seus membros.

      • engraçado a Universal tem tvs, hoteis ,Iates e igrejas em todo mundo e ninguem fala nada. Todas as denominaçõs tem predios e muito mais e so perseguem aos SUds, Muitos suds querem conhecer a sede da igreja por um sonho, e este shoping se é que é shoping e´para as necessidades dos membros de forma a pagarem preços baixos em realação aos hoteis em geral e não luixo como muitos dizem, tenho uma irma que mora lá e não tem nada de sofisticado apenas um predio moderno

      • Kadu, acho mal dizer mal do “delírio” dos outros. Você quer que falamos mal dos seus “delírios”??

      • Quem era o presidente de sua irmã, seria a besta quadrada do Presidente Cristensen?
        Fiquei doente na missão (1989), caxumba, fiquei na casa de uma irmã que me deu toda assistência, depois que melhorei e passei em uma entrevista a primeira coisa que ele perguntou foi se eu não tinha fornicado com ninguém da casa! Brincadeira!

      • Concordo plenamente com você. Já passei por poucas e boas nesta Igreja. Mas o que importa é que como nos comportamos diante disso. Eu sei que a Igreja é verdadeira e que mais coisas irão acontecer que muitos duvidará de sua veracidade mas o que realmente importa é o que nós estamos fazendo nossa parte, aos responsáveis por mal uso do meu dízimo, eles com certeza vão pagar por isso.

      • Jacob, já pensou se Joseph Smith fosse largar a obra que estava fazendo toda hora que alguém próximo dele o traía? Jamais teria terminado o que o Senhor queria dele para nós.

        Os sentimentos de dúvida, quando conduzem ao estudo sincero, é seguramente uma coisa boa. Quem de nós, ao ver “coisas estranhas”, como dizem, pela Igreja, somos rápidos em desanimar? Porém, eu acho que você e eu TEMOS A CERTEZA que Deus não opera em dúvidas, mal-estar, e outros sentimentos ruins, correto? Adivinha quem usa essas armas constantemente. Exato. O opositor.

        Mas o Senhor inspira seus Profetas em toda Conferência a dizer-nos algo que acaba com a dúvida de todos aqueles que REALMENTE procuram a verdade, e esse é o caso deste discurso maravilhoso do Presidente Utchdorf: http://www.lds.org/liahona/2013/11/saturday-morning-session/come-join-with-us?lang=por&country=br Que tal lê-lo COM SINCERIDADE E MEDITAR SOBRE ELE? Que suas dúvidas o levem a estudar mais e buscar o Espirito. Feliz Ano Novo!

      • entendo o seu desabafo, pois quando retornei de missão, fiquei totalmente abandonado,não tive apoio de nenhum lider, se hoje ainda continuo ativo, foi porque contrui um testemunho ao longo de minha vida sofrida e sem oportunidades de progresso, e quando pensei que teria oportunidade de fazer um curso técnico pelo sistema de bolsa da igreja, fui discriminado pela idade, e pensei e meus anos de contribuição como missionário, como bispo, não tem valor nenhum? fiquei a me perguntar, e isso me causou um profundo sentimento de discriminação e minha fé, meu testemunho foi colocado a prova, sendo que presenciei tantas coisas absurdas entre a liderança, infelismente existe grupos privilegiados em nossa religião, que prefiro não comentar para não destruir a fé ingenua das pessoas. Quanto mais conhecimento voce adquiri, mais voce sofre, porque vê coisas que não gostaria de saber infelismente.

    • Se houver um abaixo assinado para impedir a obra serei o primeiro a assinar!! Queremos Auditores pra ver que tipo de retorno essa obra vai trazer! Agora me deu vontade de protestar!! E ficar na frente do trator!! Se centenas de membros acampam lá quero ver se a verdade não aparece!

    • A Igreja não mexeu no fundo humanitário, apenas investiu uma parte do seus lucros com demais investimentos afim de poder aumentar os ganhos e, por fim, poder se manter e abranger mais os seus programas de ajuda e demais. O que é melhor investimento? Usar 1.5 bilhão de uma única vez no programa de ajuda humanitária ou investir os lucros deste projeto e assim poder manter os investimentos por mais tempo?

  2. Marcello, você esqueceu de completar sua análise. Não indicou nem porque a Igreja está fazendo esse investimento, nem o que a Igreja faça com esses investimentos que é tão mal assim.

    A verdade é que até os investimentos da Igreja beneficiam tanto a Igreja quanto os membros da Igreja. Os lucros dos investimentos ou permanecem nos investimentos, ou vão aumentar os fundos disponíveis para a igreja, junto como os fundos do dízimo.

    Não entendo o que você pensa que a Igreja deve fazer com os fundos do dízimo que é diferente do que estão fazendo! A política é muito conservador, mais que qualquer outra empresa sem fins lucrativos.

    Sim, eu gostaria que a Igreja gastasse esses fundos para fins caridosas. E também quero que a gaste os fundos necessários para criar uma universidade no Brasil. Mas não tenho todo o conhecimento que eles tem sobre as finanças da Igreja e o futuro que a Igreja vai enfrentar.

    Mas eu conheço um pouco. Parece-me óbvio que o dízimo que a Igreja recebe da família média está caindo — por que a maior parte dos conversos estão em países pobres. Enquanto as despesas necessárias para fornecer os serviços básicos da Igreja ao membro médio estão aumentando, por membro o dízimo está caindo. Tal problema há de acontecer quando os novos membros da Igreja ganham 1/4 ou menos do que os membros em Utah ganham! Não é difícil ver que é este problema é algo que vai continuar para o futuro previsível. A Igreja vai precisar os fundos gerados pelos investimentos.

    Não sei com certeza, mas eu acho que já lhe expliquei sobre a dificuldade que a Igreja enfrenta no futuro. Acho que a sua análise falta uma visão bastante ampla da Igreja e da sua situação futura.

    • Kent,

      1) Eu indiquei o motivo principal da Igreja, sim! Cito do meu texto acima:

      “o projeto deverá cumprir bem sua missão de revitalizar o centro da cidade de Salt Lake City, que vem passando por um processo de decadência desde a emigração dos centros urbanos nos EUA começando nos finais dos anos 60.”

      2) Eu concordo que, financeiramente, pode ser um investimento muito rentável. Como eu escrevi no texto acima:

      “o empreendimento é um sucesso estético e poucos duvidam de seu futuro sucesso financeiro”

      3) O que *eu* acho que a Igreja “deve[ria] fazer com os fundos do dízimo que é diferente do que estão fazendo”? Novamente, cito do meu texto acima:

      “Quantas escolas ou universidades não se poderiam montar para os SUD (e, quem sabe, não-SUD) em países pobres e populosos (de SUD) como o Brasil, o México, e as Filipinas?”

      Como eu e o Patrick discutimos nos comentários acima, isso aumentaria a taxa de retenção de jovens (especialmente homens, e especialmente missionários retornados, que você sabe que é um grupo demográfico difícil de reter), aumentaria o poder de ganho futuro desses jovens, consequentemente aumentaria as entradas futuras de dízimos, melhoraria a imagem pública da Igreja nestas comunidades, o que aumentaria o sucesso missionário, e assim por diante. Um ciclo virtuoso!

      Além disso, aumentaria as missões humanitárias para menos “mãos que ajudam e fazem relações públicas” para um modelo mais duradouro, mais voltado para infra-estrutura e problem-solving (como é o modelo da B&MGF que eu citei no texto acima), e mais parecido com os Peace Corps. Além de fornecer uma ajuda humanitária de real impacto, isso aumentaria tremendamente a imagem pública da Igreja, o que aumenta sucesso missionários, etc.

      4) Eu acho bastante questionável o quanto esse investimento irá adicionar para a economia de Utah. Se estivéssemos falando de investimentos em fábricas de alta tecnologia, por exemplo, seria outra conversa. Mas um shopping e um condomínio? Pode ser, mas eu acho pouco provável. E a Igreja — ou os “membros” — não é mais Utah! A Igreja quer se projetar como uma Igreja mundial, mas pensar como uma igreja regional/municipal?

      5) Eu concordo com você sobre as dificuldades futuras da Igreja. O que eu acho vale ponderar — e ponderar sériamente — é se a Igreja quer ser uma Igreja financeiramente estável com shoppings de luxo, condomínios de luxo, hotéis de luxo, reservas-de-caça de luxo, mas com crescente problemas populacionais e morais (i.e., retenção), ou se ela quer investir na qualidade e quantidade e no bem-estar de membros.

      Eu não tenho respostas, mas eu acho que são perguntas e ponderações importantes, e eu não sei se elas estão sendo feitas.

      • Gente essas discórdias ñ vão levar vcs a nada…isso é coisa do inimigo, façam a suas partes sei que a Igreja é verdadeira e Jesus Cristo está no comando, se alguém faz errado vai cai na cabeça de cada um.

      • E continuam “jogando pérolas aoa porcos”, discutindo esse assunto que já deu o que tinha que dar (eu infelizmente estou fazendo o mesmo neste momento). A Igreja é verdadeira, é a única Igreja de Cristo na Terra e o Profeta Monson é o Profeta de Deus na Terra. Os Doze sabem o que estão fazndo. Ponto final. O resto é coisa do opositor e seus “discípulos”, que não vão mudar de opinião crítica nem de crença. Usem seu tempo para discussões mais úteis. PONTO! Eu já até coloquei esse assunto na minha caixa de spam… Gosto dos assuntos deste blog, mas isso do shopping já passou das medidas…

    • Nossa!! muito bom, não estou por dentro das finaças da igreja, mas o pouco que sei já é suficiente, Observo como as outras igrejas trabalham com os dizimos e ofertas, nada comparado com a organizaçao da igreja de jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.Tenho muito orgulho de sr membro dessa igreja e fico muito triste com pessoas malissiosas que falam contra este evangelho, lamentavel.

      • como voce é inocente, pense quantas clinicas de dependentes quimicos poderiam ser construidas e mantidas pela igreja, pense tambem o quanto o SENHOR quer bem a essas pessoas que se encontram dependentes das drogas, bebidas alcoolicas. esses não são as ovelhas que o senhor manda pastorar, ou são escluidos pelo SENHOR, e voce acha o maximo a construção de um shopping. é incrivel como as pessoas ficam embotadas nessa igreja. é o dinheiro que sai pela porta de frente de paises pobres para sustentar a mordomias de alguns americanos que lideram e cobram dizimos em nome do SENHOR. QUE PENA…..

      • São ministros de Cristo? Eu ainda mais em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte muitas vezes. Recebí dos judeus cinco quarentenas de açoites, três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofrí naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes em perigo de rios, em perigo de salteadores, em perigo dos da minha nação, em perigo dos gentios, em perigo na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigo entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede em jejum muitas vezes, em frio e nudez. II Coríntios 11: 23 – 27 ESTE É UM DEPOIMENTO DE UM VERDADEIRO CRISTÃO DA VERDADEIRA IGREJA DE JESUS CRISTO e isto sem falar das péssimas condições em que nasceu, viveu e morreu Jesus Cristo. Note que a vida de um verdadeiro seguidor de Cristo não é nada fácil. E aí esse monte de dinheiro sendo usado para o luxo e a ostentação. Vários vídeos na internet mostram o sofrimento de pessoas sendo mortas, torturadas, queimadas vivas e aprisionadas por não negarem Jesus, e muita gente morrendo de fome nos países pobres. Quando o jovem rico perguntou a Jesus como obteria a salvação, Jesus disse: vende tudo quanto tens e reparte com os pobres. Então esta não é a igreja de Jesus Cristo. Em Mateus 24:35 Jesus diz: O céu e a terra passarão mas as minhas palavras não hão de passar. Jesus falou: Eu Sou o Caminho a Verdade e a Vida, ninguém vai ao PAI senão por Mim. Irmãozinho, se Jesus falou isso pra que precisamos de uma religião, um monte de dogmas, um monte de preceitos de homens…O Novo testamento detona as falsas doutrinas. Devemos ir a Jesus para pedir o perdão de nossos pecados e a salvação. Fora de Cristo não há salvação! Sua religião não te salva, seu dinheiro não te salva, suas boas obras não te salvam. Somente a Fé em Cristo te salva. Quando você tem um encontro com Jesus você verá que fora Ele, tudo que você buscou para ser feliz é inútil, inclusive a religião. Se sentir falta de congregar, se reúna com 3 ou 4 amigos e falem de Jesus pois ele disse que quando pessoas se reúnem para falar de Deus Ele estará presente.

      • Temos de parar de rotular a igreja como uma instituição infalível….e se fazem mal uso do dinheiro sagrado…isso é problema deles ….pagarão por isso. Não adianta questionar e brigar …no final o “líder” sempre vai ter a razão…porque estará em nome Daquele que tudo criou e organizou.

  3. Eu acho esta discussão bastante pertinente, todavia há considerações. A Igreja possui claramente dois tipos de companhias: as que pagam impostos e as que não pagam.

    Property Reserve, Inc., Hawaii Reserves, Inc., City Creek Reserve, Inc., e Zions Securities Corporation são administradoras de “real state”, com gestão ou co-gestão de propriedades da Igreja (ou afiliadas à Igreja) destinadas a fins lucrativos, como exploração e revenda. A Zions Securities, por exemplo, tem como principal negócio a administração de lotes e mais lotes de estacionamentos em SLC, inclusive alguns utilizados exclusivamente para finalidades eclesiásticas da Igreja.

    AgReserves, Inc. (com subsidiárias no mundo todo, inclusive a brasileira AgroReservas do Brasil Ltda., com sede em Unaí, MG) e Farmland Reserve, Inc. (com a maioria de suas operações nos Estados Unidos) operam como uma única empresa na administração de milhões e milhões de hectares de terras produtivas de agricultura ou de reserva natural. Mais de dez por cento do território do Estado da Flórida pertence a uma dessas duas companhias, cujas fazendas e “ranchos” são capazes de atingir milhares de quilômetros à vista.

    Na área de Mídia a Igreja administra a Bonneville International e todas as suas divisões (baseadas em produção e distribuição de conteúdo e administração de satélites de transmissão de rádio e TV), a casa editorial Deseret Book Company e suas divisões, a cadeia jornalística Deseret News Publishing Company, a recém constituída Deseret Digital Media, Inc., responsável pelos websites das empresas afiliadas e de serviços online para algumas dessas empresas e a também nova KSL Broadcast Division, cuja responsabilidade é a de administrar as mídias de rádio e TV apenas na região central de Utah, potencializando sua utilização fora do domínio mais generalista da Bonneville.

    Além dessas companhias, a Temple Square Hospitality, Inc. e a Beneficial Financial Group também encontram-se em plena operação.

    Todas essas companhias possuem fins lucrativos e, portanto, são administradas por uma holding company Deseret Management Corporation (DMC) (www.deseretmanagement.com). Existem outras companhias, porém, que são subsidiárias diretamente da Igreja, porquê trabalham sem fins lucrativos, ou com finalidades mais próximas à experiência eclesiástica de fato. Essas empresas estão diretamente envolvidas com The Corporation of the President of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints (CoP) ou The Corporation of the Presiding Bishop of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints (CPB) A Intellectual Reserve, Inc. é um modelo de uma companhia subsidiária diretamente da Igreja, mas existem outras variadas companhias, corporações e, especialmente, fundos e fundações vinculadas. A maioria delas apresenta, de uma forma ou de outra, a nomenclatura “Deseret”, como a Deseret International Foundation, Deseret Foundation, Deseret International Charities, Deseret Trust Company, Thrasher Research Fund, Nauvoo Restoration, Inc., entre outros.

    Além dessas companhias todas, há de se destacar companhias “independentes”. Os três campi da BYU (BYU, BYU-Hawaii e BYU-Idaho), além do Latter-day Saints Business College (LDSBC) e o Centro de Cultura Polinésia (PCC) trabalham com fins lucrativos em algumas de suas atividades, embora, no geral, sejam organizações sem fins lucrativos. Outro caso é o da Deseret Mutual Benefit Administrators (DMBA), que é responsável por administrar os planos de pensão, aposentadoria e saúde dos empregados da Igreja, das Autoridades Gerais e líderes gerais da Igreja e dos missionários norte-americanos (não se aplicam a missionários de outros países, embora cubram as despesas de missionários norte-americanos que necessitarem de serviços médicos em outros países, mesmo no Brasil).

    A história tem mostrado, contudo, que o desenvolvimento histórico das companhias da Igreja tem um senso lógico muito visível, o qual falarei abaixo.

    • Um famoso post anti-mórmon encontrado em http://www.exmormon.org/mormon/mormon410.htm dá uma idéia de como a Igreja envolveu-se com negócios em determinado momento de sua história. Isso se deu, primeiramente, pelo isolamento. Lembremo-nos de que quando os santos chegaram ao Vale do Lago Salgado, encontraram o nada, e tiveram de criar toda uma sociedade em meio ao deserto.

      Brigham Young, “o Moisés das Américas”, estava literalmente entre a cruz e a espada. De um lado, os Estados Unidos de fato, do outro a Califórnia e a corrida do ouro. Salt Lake City queria se manter aos moldes de Nauvoo, tornando-se um isolamento tão grande quanto as colônias mórmons que se esparramavam do Canadá ao México, contudo, rápidamente se tornou um entreposto para os viajantes pelo norte, com St. George se tornando rápidamente um entreposto pelos caminhos mais ao sul. Os mórmons não podiam manter-se completamente isolados. Além disso, precisavam de mantimentos e manufaturados que eram incapazes de produzir diretamente em suas terras, tendo de “importá-los” do leste. Para regular suas relações (primeiramente) comerciais e (em seguida) industriais, começaram a desenvolver companhias empresariais, normalmente sob a lógica capitalista comunialista instituída pela semelhança à lei de consagração e à Ordem Unida como apresentadas pelo Profeta Joseph Smith, a quem Brigham Young tentava vincular toda a vida religiosa e social da Igreja florescente no deserto.

      A criação da ZCMI, a Zions Cooperative Merchantile Institution demonstra o primeiro empreendimento comercial sólido de Utah e o rápido desenvolvimento de seus negócios. A Igreja, grande proprietária da região, investia nas companhias criadas pelos seus membros para fornecer água, energia e serviços públicos. Recebia bem investidores externos que quisessem investir na região e instigava seus membros a serem industriosos. Contudo, como a maioria dessas corporações novas acabavam recebendo dinheiro da Igreja (especialmente depois do estabelecimento formal da “lei do dízimo” com Lorenzo Snow e do pagamento completo de todas as dívidas da Igreja, o que inclui as multas e compras de propriedades expropriadas pelas leis anti-poligamia norte-americanas), os líderes da Igreja acabavam se envolvendo consideravelmente em sua gestão e administração.

      Nos anos 1970, com o movimento de modernização de Salt Lake City que também ocorre na Igreja com o movimento de correlação, iniciado de fato nos anos 1960, a liderança convenciona desligar-se da maioria das companhias inservíveis às causas eclesiásticas de primeira necessidade da Igreja, especialmente iniciativas locais (ou bairristas). Nesse interim, são vendidas as participações da Igreja em variadas instituições bancárias, especialmente no Zion’s Bank 9cuja Igreja ainda é dona de algumas ações), além do LDS Hospital e outras casas de saúde de propriedade da Igreja históricamente ligadas à Primária, à Sociedade de Socorro e mesmo às Associações de Melhoramentos Mútuos dos Rapazes e das Moças. Companhias e participações em companhias elétricas, de açúcar, de beneficiament, de automóveis e veículos e várias e várias outras operações são vendidas ou encerradas. Com isso, os líderes gerais da Igreja deixam de ter de atuar como administradores dessas empresas e podem se dedicar mais facilmente às obras de fato religiosas.

      Com a necessidade, contudo, de manter algumas empresas lucrativas ou de gestão de algumas operações (empresas essas cuja venda seria menos interessante do que a manutenção nas mãos da Igreja) e visando diminuir os gastos com impostos e taxas inerentes ao pertencimanto de empresas com fins lucrativos por instituições religiosas, a igreja cria a Deseret Management Corporation para operacionalizar essas empresas restantes, fazendo com que o grosso dom trabalho corporativo não se mantenha mais sobre os ombros da primeira presidência e do bispado presidente, mas de administradores comerciais competentes, com a liderança atuando como uma junta governativa superior.

      • (para encerrar): Assim, a lógica comercial SUD, até hoje, está ainda atrelada à necessidade de manter Utah viva. Embora essa necessidade não se mostre tão efetiva assim hoje em dia, existe um forte senso de que Utah e a Igreja, em algum momento, voltarão a ser uma só, como, no fundo, foram no passado. Alguns piamente acreditam que Utah poderá converter-se na Sião moderna que poderia ter sido Jackson County, Missouri, ou seja, que esta poderia converter-se naquela, já que aquela poderia não mais ser tão útil assim.

        Em suma, de qualquer forma, é algo a se refletir. Talvez o senso de investimento da Igreja seja nada mais do que um senso de sobrevivência, de forma semelhante com o armazenamento que fazemos. “É melhor lucrar com os gentios enquanto podemos e depois podermos ajudar-nos e ajudá-los do que viver com eles sem envolver-nos e depois viver num oásis enquanto os outros sofrem”… enfim, essa discussão ainda dará “muit pano-pra-manga”…

      • Diego, eu concordo com absolutamente tudo que você escreveu acima. Mas eu gostaria de fazer 4 apartes nos seus comentários:

        1) Ninguém questiona a legalidade dos investimentos da Igreja. O que se questiona é a moralidade: 5 bilhões de dólares para um shopping center? É assim que se idealiza a Igreja de Cristo?

        2) O contexto histórico realmente coloca perspectiva e explica algumas coisas, mas não justifica. Não vivemos no Velho Oeste do meados do século XIX, mas na Era da Informação no século XXI. Os desafios que os SUD — e o mundo — mudaram muito. Não seria a hora de revisitarmos alguns conceitos básicos?

        3) Certamente, do ponto-de-vista histórico e cultural Utah esta vinculada à Igreja. Porém, alimentar esse vínculo (com mais de 5 bilhões de dólares) ajuda ou atrapalha a Igreja para transicionar de uma Igreja paroquial para uma Igreja mundial?

        4) Sim, a Igreja fez o “deserto desabrochar como uma rosa” no século XIX. Isso é inquestionável. O que não deixa inquestionável também que Brigham Young chegou em Utah paupérrimo e morreu um dos homens mais ricos do Oeste dos EUA, enquanto a maioria de Utah — e os Santos — seguiam pobres. Bispos hoje se desdobram em 5 pra trabalhar, sustentar suas famílias, e cuidar de suas congregações, enquanto Apóstolos recebem “mesadas” de $ 600.000 com moradias milionárias. É assim que se idealiza a Igreja de Cristo? Não valeria a pena repensar alguns valores para um mundo onde responsabilidade social e ecológica são nossas maiores preocupações?

      • Marcello, de onde vc tirou a informação do valor da “mesada” de 600.000? Alguem poderia nos informar em média quanto é a “mesada” das autoridades gerais, presidentes de missão e os salários dos funcionários da igreja?

      • Eles vivem a lei da consagracao e recebem o suficiente para seus gastos, bem menos do que receberiam se continuassem em suas profissoes.

      • É muito importante, Diego, colocar uma perspectiva histórica e ver tanto as origens do empreendedorismo da Igreja quantos os diferentes contextos desse empreendedorismo hoje e no passado.

        Uma coisa é a Igreja estar envolvida na perfuração de poços de água ou construção de moinhos e tantas outras coisas que eram necessárias para os membros da Igreja que viviam em comunidade, seguindo uma concepção muito específica de coligação (“cremos na coligação literal de Israel”). Ou seja, surgem diversas diferenças entre o passado pioneiro e o presente: (1) isolamento da Igreja versus igreja mundial, (2) coligação geográfica versus “dispersão” no “campo missionário”, (3) investimento em necessidades básicas de comunidades versus investimentos de natureza especulativa.

        O bispo Burton afirmou que fundos do dízimo não seriam utilizados na construção do shopping center. Se isso se manteve de fato e o dinheiro para o investimento vem de outras empresas de propriedade da Igreja, deve-se perguntar mesmo assim qual a origem do dinheiro em si dentro da Igreja. Qualquer centavo que tenha dado início a uma empresa da Igreja ou veio do dízimo ou de propriedades consagradas a ela.

      • Essa é uma boa colocação, Antônio. Na verdade, no meu texto eu procurei refletir a gênese do pensamento comercial mórmon sem, contudo, refletir mais a respeito da visão global, em outras palavras, eu respondi como um funcionário da Igreja em Salt Lake responderia, e não como um membro isolado no Brasil o faria.

        Com isso, quero dizer que é necessária uma discussão profunda sobre as finanças da Igreja a nível global, mas, lá no fundo, não creio que isso seja realizável. Como li recentemente, as finanças da Igreja são um assuto privado da liderança da Igreja.

        Essa condicionante se repete no Brasil. Quem tiver acesso, sugiro que leiam o Estatuto da ABIJCSUD. alterado em 2004, se não me engano, ele coloca o diretor geral da ABIJCSUD apenas abaixo do profeta, citando o querido e saudoso Presidente Hinckley. Porém, fica claro que o diretor geral pode dispor dos bens da Igreja como bem quiser. Ele administra a associação como quiser, porquê lá no fundo, a associação é formada por uns três ou cinco membros apenas. obviamente, todos são líderes da Igreja de confiança da Presidência de Área e da primeira Presidência e, por conseguinte, não dispõe de efetiva autoridade para discussões, mas sim apenas para a implantação legal no Brasil das normas instituídas por cima.

        Em suma, não creio que a Igreja abrirá seus arquivos financeiros. Isso realmente não interessa a ela. Por maiores especulações que fizermos, quem cuida do dinheiro que doamos, em último grau, é o americano que ainda pensa que Salt Lake City será Sião. Por isso, a Igreja Mundial ainda vive no embrião de Utah, ao meu ver.

      • Excelente colocações. Mas, em têrmos de práticas administrativas e financeiras, não seria mais uma Igreja de Utah com filias espalhadas pelo Mundo?

      • Ótimas colocações, Marcello! Mas a questão que talvez tenha faltado nos meus argumentos é que a Primeira Presidência, os Doze e o Bispado Presidente não veem o mundo. Viajar não é morar fora. A experiência de trazer os apóstolos para presidir áreas, como foi feito no final da administração Hinckley não surtiu muitos efeitos práticos. Ou seja, eles não conhecem a realidade mundial pois, como cidadãos de Utah, Utah é seu mundo. Meus argumentos tinham por intenção dizer que eles ainda pensam (e continuarão pensando) com a racionalidade do Velho Oeste porquê essa é sua cultura, este é o “modus operandi” de sua vivência, aplicada, inclusive, à administração da Igreja mundial… essa lógica se faz visível quando toda a literatura técnica da Igreja chama os EUA e o Canadá de “domestic” e “as outras áreas’ de “international”, compreende?
        Eu apoio seus argumentos por achar necessário a Igreja “sair” de Utah (no jargão, claro, não necessáriamente mover sua sede pra outro lugar), mas pela própria cultura de quem preside a Igreja, não creio que isso vá acontecer. Ora, o profeta pode ser um homem de Deus, mas isso não invalida sua condição humana. Isso não significa tomar decisões administrativas erradas ou questionáveis, desde que isso não interfira primariamente na doutrina.
        Tomemos por exemplo o seguinte: O corpo do Presidente Hinckley mal gelou no Salt Lake City Cemetery e o Presidente Monson, que trabalhou com ele lado a lado por quase trinta anos simplesmente empreendeu uma das reformas administrativas mais pujentes dos últimos anos! Fechou departamentos, abriu outros, moveu outros entre a Primeira Presidência e o Bispado Presidente, empreendeu a reforma do S&I (cujo um de seus filhos é um grande gerente), empreendeu a reforma da Deseret Management Corporation, e assim por diante. Ele podia amar e servir ao Presidente Hinckley, mas pensava diferentemente e pôs essa diferença em prática assim que pôde. Isso destrói a doutrina? Não. Vem do Senhor? Não creio, pois, afinal, Ele mesmo disse que não é bom que Ele interfira em todas as coisas. Assim, a decisão final em muitas matérias administrativas é deles enquanto pessoas físicas, plenipotenciárias em uma organização cujo dogmatismo lhes dá poderes sem contestação. Como cidadãos de SLC, eles vão privilegiar SLC por morarem lá, e ponto. O resto, é “ajuda humanitária em áreas internacionais”.
        Ou seja, concordo com todas as suas afirmações, Marcello, e almejo ver o dia em que eles olharão mais “por nós”, mas, meu caro, infelizmente não creio que isso seja culturalmente possível entre uma liderança que vive o século XXI ainda pensando no xerife Young do século XIX e nas múltiplas companhias que ele presidiu (fora o governo, uma casa cheia de mulheres, etc., etc., e etc.)…

  4. Interessante que a igreja começo sem $$$ e depois investiu o $$$ do povo. E hoje, te joga na cara que não precisa do $$$ do povo ! E vai e gasta nesta parafernalha toda! com tanta gente sem teto. sem ter o que comer etc… ? (Não junteis tesouros na terra mas sim tesouros no céu…) blalbalblalba. Pra mim isso é desperdício e não tem nada haver com a a obra de Deus. ou vai ver ele ja comprou um apartamento lá…kkkkk

    • Discordo. Eu acho que a Igreja tem o dever de maximizar os fundos dados ao senhor. Se esse investimento seja algo rentável, é isso que a Igreja está fazendo.

      Podemos discutir se este investimento é o melhor uso dos recursos da Igreja, sim. [Aliás, devo notar que sabemos bem pouco das detalhes.] Mas, mesmo assim, no fim esses investimentos só beneficiam a Igreja. Ou agora ou no futuro esses investimentos vão beneficiar a Igreja e seu membros.

      Mesmo se a Igreja tem mal empreendido este investimento (e eu entendo esse ponto de visa, e até concordo com isso em parte), o investimento volta no futuro.

      Pessoalmente, eu acho que a Igreja tem planeada muito cuidadosamente para o futuro. Não tenho bastante informação para criticar a posteriori esses investimentos. Não sei quantos investimentos a Igreja tem, quanto dízimo recebe, quanto ganha dos investimentos, etc. etc., etc. E, mais importante, não sei quanto a Igreja vai precisar da renda desse investimento no futuro, dado as mudanças na Igreja previsíveis.

      O problema com as universidades e outras escolas que muitos aqui surgem como usos alternativos é que elas todas consumam dinheiro sem dar muita renda no futuro. Esse investimento vai, sim, dar rendas futuras, desde o começo. Creio que a renda deve superar US $250 milhões cada ano (e talvéz até US $500 ou mais ao ano) Em 20 anos no máximo (com certeza vai ser menos) deve receber os US $5 bilhões em renda, mas as rendas vão continuar por muitos anos ainda.

      Como sei muito pouco das finanças da Igreja, não posso dizer com certeza, mas parece-me que a renda desse investimento poderá dar os recursos necessários para fazer a universidade da qual estamos falando, pois o dono da Dominos Pizza iniciou a Ave Maria University na Florida com um investimento de só $220 milhoes — menos de que a renda anual desse investimento.

      Fazer tal investimento não proibe o uso caridoso do dinheiro — adianta-o e facilita muito mais no futuro.

      • Outra coisa importante acho que ninguém levou em consideração nesse assunto é:

        Nós temos um Profeta que recebe revelações do Alto, se ele recebe revelções sobre como proceder em vários assuntos da Igreja de Jesus Cristo, porque seria diferente em relação a como aplicar os dízimos e ofertas?

      • SUD,

        isso, vamos torcer para que os investimentos deem lucro, não? Porque nada nos garante que a igreja, ao investir na Babilônia, não seja atingida pela recessão e a oscilação da taxa de juros. Em 2008, muita gente perdeu dinheiro investido nas bolsas de valores. A Igreja investe no mercado de ações. Vamos cruzar os dedos para que isso não aconteça de novo!

        Se for a vontade divina, meu netos poderão ser selados ao ar livre, em bosques, ou no interior de uma simples casa, como tantas vezes aconteceu na história mórmon. O que eu não gostaria é o o mormonismo dos meus netos venha a ser algo com pouca ou nenhuma relação com o que foi restaurado por Joseph Smith.

        Lemos nas escrituras que o mundo está em pecado mas fazemos essa aliança com esse mesmo mundo para inflar o dinheiro dado pela viúva ao Senhor? Mas – quem sabe – visões e revelações não serão recebidas no grande e espaçoso City Creek Center?🙂

      • “Em 2008, muita gente perdeu dinheiro investido nas bolsas de valores. A Igreja investe no mercado de ações. Vamos cruzar os dedos para que isso não aconteça de novo!”

        Seu comentário fez-me lembrar de uma palestra que tive na BYU com um Diretor financeiro da Igreja. Isto foi no começo de 1999, após a famosa crise da Ásia em 1998. Este diretor contou uma conversa com um Diretor dos fundos de Investimento com quem a Igreja trabalhava (acho que Merryl Lynch, não lembro direito) em que este se admirava por ter sido a Igreja um dos seus poucos clientes que não haviam perdido dinheiro com a crise da Ásia em 1998. Ele então nos contou que havia recebido um telefonema do pres. Hinckley antes do estouro da crise para que se desfizesse de todos os investimentos da Igreja em empresas Asiáticas ou correlacionadas…

        Bom, isto foi o que ele nos contou. Claro que a Igreja já perdeu dinheiro em vários investimentos (Kirtland Bank, PANAM, etc.) e ganhou em outros.
        Claro que todo mundo sabe que qualquer investimento possui riscos, mas não vejo como um investimento não-lucrativo seja menos arricado do que outro que busque lucros. Um hospital ou univeridade sem fim lucrativos precisam constamente de subsídios externos para se manter, basta uma infiltração na parede ou um aumento de inadimplência não previsto no orçamento e pronto, a Instituição entra no vermelho e se não houver um resgate externo a Instituição morre. E também qualquer investidor em bolsa sabe que seus investimentos são de longo prazo, perde-se dinheiro nas crises (México, Ásia, sub-primes, etc.) mas no longo prazo a bolsa de valores rende mais do que qualquer outro investimento, tanto que a grande maioria de nossas aposentadorias está quase toda lá depositada…

      • Concordo com vocês. Já batizamos mortos em riachos, fizemos endowments em casas de líderes, reuniões sacramentais embaixo de figueiras… o Senhor proverá um meio, certamente, como já proceu no passado. Um templo luxuoso só mostra nossa veneração ao Senhor e o quanto queremos que sua casa seja bela e formosa, mas não é artigo essencial para a salvação e a realização de ordenanças salvadoras.
        Em não acreditar que o City Creek Center seja inspirado, não quero dizer que não será um bom investimento. Pode ter sido inspirado e pode ser um péssimo investimento! Ou pode ter sido inspirado e dar sorte de ser um bom investimento… ou pode ser um péssimo investimento sem inspiração alguma. Só o futuro dirá e o futuro ao Senhor pertence. Mas que acredito que a liderança deveria olhar mais por nós, ou seja, pelos outros, os filhos dos lugares distantes, ah, isso com certeza acho!

  5. “(…) isso aumentaria a taxa de retenção de jovens (especialmente homens, e especialmente missionários retornados, que você sabe que é um grupo demográfico difícil de reter), aumentaria o poder de ganho futuro desses jovens, consequentemente aumentaria as entradas futuras de dízimos, melhoraria a imagem pública da Igreja nestas comunidades, o que aumentaria o sucesso missionário, e assim por diante. Um ciclo virtuoso!”

    =/

    essa é a grande verdade… pena que ninguém pensou nisso por lá ainda…

  6. Podemos tomar como exemplo nossos irmãos adventistas: suas escolas de primeiro e segundo grau têm proporcionado não só a retenção como também a conversão de muitos jovens, fazendo com que seus números sejam superiores a SUD no Brasil . Cresci rodeado de amigos discipulos de Ellen White e tenho notado que dá certo.

    Diferente dos EUA, onde todas as universidades são pagas e a educação básica é de qualidade, um dedicado aluno mórmon brasileiro pode estudar em uma boa escola de nível superior pública. Talvez seja uma boa seguir o exemplo adventista e investir no ensino básico no nosso país, onde as escolas públicas são ruins e onde as pessoas com um pouco mais de grana optam por colocar seus filhos no setor privado.

    Lembrando que instituições de nível superior ligadas a igrejas, como a PUC, Mackenzie e Metodista pouco tem conseguido proporcioanar retenção ou levar o nome de suas religiões.

    • Ótimas colocações, Emanuel! Estou me formando professor, e analisando seu comentário ao crivo da necessidade, se a Igreja investisse em escolas de ensino fundamental e médio e, quem sabe, em instituições de ensino técnico (como já comentado acima), tivéssemos melhores resultados do que investimentos em universidades neste momento.
      De fato, as relações de conversão e retenção que você coloca entre o ensino básico e o superior em instituições confessionais é bem este mesmo. No caso das instituições de ensino superior, o povo não tá nem aí para dogmatismos, mas sim pela qualidade do ensino fornecido e pela marca que o diploma carregará. É na formação básica que a influência religiosa pode mostrar resultados mais eficazes.

  7. Resposta à Antônio Trevisan Teixeira

    Antônio disse:
    Lemos nas escrituras que o mundo está em pecado mas fazemos essa aliança com esse mesmo mundo para inflar o dinheiro dado pela viúva ao Senhor? Mas – quem sabe – visões e revelações não serão recebidas no grande e espaçoso City Creek Center?

    Antônio, veja as empresas que o Diego citou e note que tratam-se de Fazendas, Empresas Agropecuárias, Administradoras de terras, Estações de Rádio e TV, Jornais, Restaurantes, Fundo de Pensões e o Shopping agora.

    Não sei porquê você acha que a igreja ter empressas nesses ramos a faz “ter uma aliança” com “o mundo que está em pecado”, afinal, não estamos todos em pecado?
    “Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado;” Romanos 3:9

    Se a igreja estivesse abrindo cassinos e motéis aí eu concordaria com você mas, é um shopping, acho que eu e você vamos a shoppings não?

    Por fim, reafirmo que nós temos um Profeta que recebe revelações do Alto, se ele recebe revelções sobre como proceder em vários assuntos da Igreja de Jesus Cristo, porque seria diferente em relação a como aplicar os dízimos e ofertas?

    • Caro SUD, não querendo colocar mais lenha na fogueira, mas pra abrir ainda mais a reflexão, gostaria só de colocar uma coisinha: Todo o complexo comercial do City Creek Center estará fechado aos domingos, por ser o Dia do Senhor, mas os restaurantes e lojas de alimentos vendem bebidas aucoólicas e café. Mesmo nos restaurantes do Joseph Smith Memorial Building, dentro do que chamamos de Praça do Templo clássica, é possível tomar vinho com as refeições, desde que os apreciadores tenham certificados válidos (e pagos) de aquisição de bebidas alcoólicas, de acordo com as leis de Utah. Ou seja, vivemos no mundo e temos de estar um pouquinho no mundo se queremos ser vistos pelo mundo não como excentricos, mas como parte dele.

      • Ora, porquê, talvez, lá no fundo, eu preferiria que bebidas alcoólicas não fossem vendidas tão perto de um templo…
        Enfim, só um pensamento qualquer, sem qualquer fundamento senão sentimental… ^_^

      • Hahahahaha!!! O mais importante é ter esse tipo de auto-conhecimento!

        Sinto lhe contar que o Templo de Nova Iorque tem uma cafeteria no *mesmo* prédio que o Templo! Mais perto, impossível…😉

      • Sério??? No mesmo prédio??? Que dó… ¬_¬
        Ainda se fosse o “Central Perk” do seriado Friends… ^_^

      • Diego,

        lembrei de você e sua preocupação sobre o consumo de bebidas alcoólicas ao ler sobre o seguinte fato: aguarda-se a abertura de uma loja de jeans no City Creek Center chamada “True Religion” (Religião Verdadeira). Que tal? ;0

      • Ah, então, Antônio… esse “poder de marketing” é curioso… Imagine a frase “Salt Lake is the place of the True Religion”… será que a questão é de auto-afirmação de um mercantilista mórmon ou será que é uma piada para com os mórmons, que creem ser sua Igreja a “true religion” (religião verdadeira)??? Alguém aí já foi aos Estados unidos e conhece essa loja a fim de dizer qual concepção seria a mais correta??? ^_^
        Pelo que vi na internet, acho que tá mais pra provocaçãozinha barata ou trollada pra fazer dinheiro, hahahahhaha!

      • Hahahaha, deixa pra lá, Marcello! Minha praia mesmo é a educação… publicidade é pra quem tem estômago pra estar dentro do mercado, e isso verdadeiramente eu não tenho!

        Então, Antônio, eu entrei no site da “firma” e vi os precinhos deles… Um shortinho usado por uma bela modelo com belos pares de pernas à mostra (denotando muito pouco jeans de verdade na foto) saía por oitenta dólares! A mesma modelo, vestindo uma calça de “lavagem” simples (que também não usa lá muito jeans, já que a modelo é bem magrinha ^_^) saía pela bagatela de trezentos dólares… Das duas uma, ou o aluguél que o CCC vai receber é bem voluptuoso ou a City Creek Reserve, Inc. tá é perdendo dinheiro mesmo, hahahahahah!!!!!!!!!

    • SUD,

      entendo sua argumentação e vejo que ela faz sentido; entendo também que eu possa estar soando aqui como um zelote ou fanático religioso por sugerir que a economia tem implicações espirituais. Mas acredito que as escrituras de fato sugerem fortemente uma ligação entre o material e o espiritual, uma distinção, aliás, que nós fazemos pela nossa compreensão humana limitada.

      Acho que é pecaminoso (imoral, se preferirem) desconsiderar que hoje muitos santos dos últimos dias ao redor do mundo passarão o dia com uma ou duas refeições, e refeições precárias. Da mesma forma, acho pecaminoso que uma roupa ou acessório de grife, vendido por muito dinheiro, seja manufaturado por trabalhadores pobres de Bangladesh ou da Guatemala que recebem centavos de dólar por hora, muitas vezes crianças. Isso não é “moer a face do pobre”?

      Os suds são muito rápidos para apontar a Babilônia numa minissaia ou piercing, mas são lentos para reconhecer a Babilônia que de fato detém o poder econômico, bélico e político, porque essa veste terno e gravata e parecem bem sóbrios.

      Acredito que, como disse Joseph Smith, “um profeta só é um profeta quando fala como tal”. O resto do tempo está sujeito á diversas outras influências, assim como qualquer um de nós.

      Abraço!

      Abraço!

  8. Eu li os comentarios dos irmãos e a preocupação de todos por o bem-estar da igreja e das pessoas mais pobres da terra. Debemos cuidar tambem da imagem da igreja no mundo inteiro. Só quero lembrar que os investimentos na igreja tem a mesma quantidade de anos que tem a igreja, sempre tentando usar a sabedoria para ter maiores fundos e ajudar aos irmãos e irmás por toda a terra. Os comentarios, criticas, preocupações, e boas palavras tambem, são parte de nossa natureza mortal, e bemvindo tudo isso para manter o equilibrio nas coisas, porque é o principio aqui na terra, ter oposiçao em todas as coisas. Quero tambem lembrar que nos estamos na Igreja do Salvador, e temos profetas que falam direitamente com Ele. Quando Brigham Young foi para Utah com certeza huveram muitas criticas, mas ele sendo o profeta do Senhor levou para frente o plano, não importando a pouca visão que tenham nessa epoca membros e não membros. No tempo do nosso profeta Joseph Smith tambem huveram problemas similares, e criticas e reclamos. Alguem de vocés ja contaram os zeros que tem aquela quantidade de dinheiro que a igreja tem usado em ajuda humanitaria para o mundo enteiro?. Vocés acham que seria possivel juntar essa quantidade só com os dizimos dos membros?. Precissaria ser um contador e fazer a contabilidade da igreja para ter certeza. Estamos falando da ajuda que da igreja a cada lugar onde acontece um desastre natural o producido pela mão do homem. Como falou um irmão aqui, a igreja usa sabedoria para aproveitar as coisas do mundo para beneficio dos membros e dos proprios gentius, que no futuro podem ter a oportunidade de ajudar e ser ajudados. Ter confiança em nossos lideres, foi o pedido do presidente George Albert Smith, nas liçoes que estamos levando este ano. Lembremos que o presidente Monson, que toda a sua vida foi um homem caridoso, que se importa sempre com o bem-estar das familias, com certeza não deixaria acontecer um erro tão grande e não ajudar a toda a humanidade. Alguém de nos ja conhece “a plenitude da sabedoria de Deus”?. Não aconteceu acasso com Noé que foi tal vez criticado de louco ao aconselhar as pessoas subir na arca para se salvar, quando em aquele tempo tenham uma seca tao grande que cuasi era impossivel acontecer o que aconteceu? . Acho que vocés tem maior conhecimento do que eu tenho, e tal vez estão certos naquilo que pedem; ter uma faculdade como a BYU aqui no Brasil, seria maravilhoso. Penso que tal vez os lideres da igreja estão sendo inspirados pelo Senhor para ter os recursos necessarios, e poder construir não sómente um, mas varias universidades em varios paises, e beneficiar muitos membros da igreja, e tornaremse lideres em seus respeitivos paises, para ter maior influencia no mundo, e combater e ganhar a guerra contra o inimigo. Faz poucos dias mostrei a revista Liahona para uma aluna minha que esta estudando inglés, e ficou sorpresa quando falei do valor da assinatura: sómente R$ 6.50 por ano. Ela disse: ” tão baratinho e com essa qualidade?, é para não acreditar!” Eu falei que a igreja com certeza sub-venciona o valor para que ate o membro mais pobre tenha no seu lar a Liahona, e saber os mensagens do profeta e os lideres da igreja em todo o mundo.
    Meus queridos irmáos, eu tenho decidido confiar em nossos lideres, que tem uma comunicação maior com nosso Pai Celestial, sem que isso signifique que seja cego e não analise as coisas, porque eu gosto de ver as coisas claras, e ter maior conhecimento dia a dia; mas tambem quero ter o conhecimento que Jesus Cristo tenha quando estava na terra, e que tem, com uma visão mais amplia de toda a verdade. Todos sempre queremos ver o final quando reciem se dio a largada; queremos ver o fundo do mar desde a praia. Se nos ensino paciencia, fé, esperança e caridade.
    Não coloco meu comentario aquim para criticar, só para aprender eu mesmo sobre todas as coisas, e com vocés sé que eu aprendo.
    Desculpem meus erros no português, que ainda estou aprendiendo neste país maravilhoso. Mando meu amor e abraços para vocés. Obrigado.
    DANNY O.

  9. Olá, Danny! Bem vindo ao Brasil!
    Só pra clarificar um pouco meu ponto de vista nos seus comentários, eu creio no profeta de Deus, e com certeza tenho um testemunho da Igreja, contudo, como você e o SUD colocam, seus comentários refletem sobre a infalibilidade do profeta e da Igreja, sobre tudo ter de vir dos céus. Sinceramente, não penso assim. Em muitas das questões administrativas, não é necessário ter de buscar a intervenção do Senhor. Creio que nem mesmo o Presidente Brigham Young tenha feito isso, que era bem mais típico do Profeta Joseph Smith. Penso que a Igreja administrativamente tenha alguma autonomia em relação aos céus. O próprio Senhor disse que não é bom que Ele interfira em todas as coisas, Penso que os profetas sabem disso e, portanto, não O busquem se não julgarem isso necessário. Isso não invalida a obra, não tira a verdade da Igreja e do evangelho, mas não creio que tudo venha incondicionalmente dos céus. Espero, contudo, que o Senhor abençoe as decisões de seus profetas e líderes inspirados.

    • Olá Diego,

      Peço desculpas se meus comentários refletem sobre a infalibilidade do profeta e da Igreja, sobre tudo ter de vir dos céus, eu também não penso assim.
      Na verdade levantei uma pergunta sobre a possibilidade de o profeta receber revelações sobre como dispor do sagrado fundo do dízimo (questão que não havia sido ainda levantada) e que considero pertinente de ser considerada.
      E sobre a infalibilidade do profeta e tudo ter que vir dos céus, acredito no seguinte:

      1) Líderes da Igreja não alegam ser infalíveis. Elder Faust disse claramente: “Nós não fazemos alegações de que somos infalíveis ou de perfeição nos profetas, videntes e releladores” (James E. Faust, Revelação Contínua; Ensign, Nov 1989. Igualmente, Elder Hales disse: “Eu não sou um homem perfeito, e a infalibilidade não vêm com o chamado.” (Robert D. Hales, The Unique Message of Jesus Christ; Ensign, May 1994. Então devemos esperar que ocasionalmente achar nossos líderes sendo seres humanos, pecando e comentendo erros.

      2) Nem tudo o que um líder da Igreja diz é inspirado por Deus. O profeta Joseph Smith tinha conhecimento disto “algumas revelações são de Deus: algumas são do homem: e algumas revelações são do opositor.” (B. H. Roberts, Comprehensive History of the Church, 1:163.) Similarmente o site oficial da Igreja recentemente declarou: “Um simples pronunciamento feito por um simples líder em uma simples ocasião muitas vezes representa uma pessoal, bem-considerada, opinião, mas não significa ser oficialmente aceita por toda a Igreja”.

      3) Profetas não alegam que todas suas inspirações vêm de experiências de conversas face a face com Deus. Quando dizemos que o profeta fala por Deus, Não necessariamente significa que tudo o que ele diz foi dito por Deus diretamente, face a face. Melhor, profetas esclareceram que sua inspiração normalmente vem do Espírito Santo. Elder Packer declarou: “Esta instrução vem através de pensamentos, como sentimentos, através de impressões e insinuações. Nem sempre é fácil descrever inspiração. As escrituras nos ensinam que nós poderemos “sentir” as palavras de comunicação espiritual mais do que ouví-las, e ver com os espirituais mais do que com os olhos mortais. Os padrões de revelação não são dramáticos. A voz da inspiração ainda é uma voz doce, uma voz pequena. Não precisa estar em transe, nem de uma declaração formal. É mais silenciosa e simples que isto.” (Boyd K. Packer, “Revelation in a Changing World” Ensign, Nov 1989, 14.) Então, como primeiro ponto, devemos esperar algumas imperfeições sempre que alguém toma a decisão de uma tarefa de grandes proporções de reduzir pensamentos divinos em termos humanos. E porque existe algum “espaço para interpretação” em dicernir impressões espirituais, devemos esperar que líderes da Igreja divirjam em suas percepções e visões

      4) Algumas vezes Deus dá aos líderes da Igreja a discrição de tomar suas próprias decisões de acordo com o seu “melhor julgamento”. Brigham Young ensinou: “Se eu pergunto a [Deus] para me dar sabedoria concernente a qualquer requisito da minha vida, ou sobre o meu próprio rumo, ou dos meus amigos, minha família, meus filhos, ou àqueles que eu presido, e não obtenho nenhuma resposta Dele, então faço o melhor que meu julgamento irá me ensinar, ele irá limitar e honrar minha decisão.” (Teachings of the Presidents of the Church: Brigham Young, p. 46) Em outras palavras, às vezes Deus deixa líderes da Igreja decidirem o que fazer e os coloca seu selo divino de aprovação nele. Então, não se surpreenda se a decisão de um líder da Igreja parecer um reflexo do seu julgamento pessoal em oposição a uma instrução divina.

      • Olá, SUD… fenomenais esclarecimentos.
        De fato, eu tinha sorvido de seus comentários um certo “senso de que tudo vem do Senhor”, mas suas colocações combinadas com todas as citações apresentadas me mostram que não é bem assim. De fato, suas apresentações vão exatamente de encontro à minha própria crença pessoal, e fico feliz que minha crença não está tão longe assim do que de fato é ensinado por nossos próprios líderes.

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