O Shopping de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias inaugurou hoje o shopping center City Creek Center, que culmina o seu projeto de revitalização do centro de Salt Lake City, cujos custos atingiram a marca de 5 bilhões de dólares. [1]

USD 5.000.000.000,00. R$ 9.118.396.169,16 no câmbio de hoje [março de 2012].

O projeto do shopping inclui prédios residenciais de luxo, muito similares ao que temos no Shopping Cidade Jardim em São Paulo. Preços de venda para os apartamentos variam de USD 300.000,00 a 2.000.000,00.

Ao que tudo indica, o empreendimento é um sucesso estético e poucos duvidam de seu futuro sucesso financeiro (apesar de alguma dificuldade na venda imobiliária).

Estas  fotos aqui e os vídeos aquiaqui, e aqui (estes últimos incluindo uma entrevista com o Bispo Presidente David Burton) mostram, indubitavelmente, um empreendimento de alta qualidade.

O Complexo City Creek Center fica notoriamente ao lado do Templo de Salt Lake e dos escritórios gerais da Igreja.

Ao que tudo indica, o projeto deverá cumprir bem sua missão de revitalizar o centro da cidade de Salt Lake City, que vem passando por um processo de decadência desde a emigração dos centros urbanos nos EUA começando nos finais dos anos 60.

Mesmo após controvérsias sobre influência indevida da Igreja sobre vereadores durante as fases de aprovação municipal, a construção seguiu adiante, com 248.423 metros quadrados de área construída, a um custo exorbitante de 20.127,00 dólares por metro quadrado.

Repetidos anúncios oficiais da Igreja negam o uso de fundos públicos (i.e., todo o financiamento veio da Igreja) e de fundos de dízimos — embora esta não passe de um truque de contabilidade, onde o dinheiro de dízimo é quase em sua totalidade investido, e após alguns anos, retornado ao fundo oficial de dízimos, enquanto todos os juros e dividendos são realocados para as empresas da Igreja (e.g., Deseret Co., Reserve Inc., Hawaii Reserves, Farmland Reserve, Bonneville International, etc.), constituindo então um fundo “extra” dizimal. [2] Com estes fundos liberados diretamente das doações religiosas, a Igreja pode então investir em hotéis multi-milionários de luxo no Havaí, reservas de luxo para caça esportiva de animais, e latifúndios bilionários, etc. [3][4][5]

Não obstante todo o sucesso do empreendimento, cabe aqui, em fórum aberto e racional, fazer alguns questionamentos. O projeto foi anunciado oficialmente há pouco mais de 5 anos, embora planos já perdurem uma década, e seus custos não deveriam exceder 500 milhões de dólares. Os valores foram sendo reajustados gradualmente com o passar dos anos, até chegar ao valor de 1,5 bilhões (para apenas parte do projeto) e 5 bilhões no total (embora há analistas que acreditam que o valor total real chegará a 8 bilhões).

Para se colocar em perspectiva, a Igreja gastou em ajuda humanitária e doações para caridade USD 1,212 bilhões entre 1985 e 2010, inclusive. [6][7]

Ironicamente, coincidindo com a inauguração de um shopping multi-bilionário hoje, a edição atual da Liahona traz um discurso recente do Apóstolo Dallin Oaks onde, falando a uma audiência Africana, enfatiza a importância de se pagar dízimos antes e acima de se gastar com tradições culturais como festas de casamentos.

Então, comparemos: 1,2 bilhões em 26 anos para ajuda humanitária versus 5 bilhões de dólares em 6 anos para shopping center de luxo.

[Comparando mais ainda para ganhar perspectiva, vemos que a Fundação Bill e Melinda Gates (voltada para ajuda nas áreas de saúde, como vacinações e remédios; pesquisa agrária e sustentabilidade; assistência direta a pobres; ajuda a empreendedores pobres e minoritários, como mulheres, etc.) conta com um fundo geral de 33 bilhões de dólares.]

Quem acha que investir 5 bilhões de dólares em um shopping center com apartamentos de luxo irá ajudar a Igreja a cumprir sua missão tríplice de 1) proclamar o evangelho, 2) redimir os mortos, e 3) fortalecer os Santos?

Quem acha que investir 5 bilhões de dólares em um shopping center com apartamentos de luxo contribui para o alívio humanitário de sofrimento, miséria, fome, e doença para bilhões de pessoas mundo afora, sem contar nos milhões de americanos (e mesmos milhares de Utahnos)?

Quanto sofrimento humano não poderia ser aliviado com 5 bilhões de dólares?

Quantas escolas ou universidades não se poderiam montar para os SUD (e, quem sabe, não-SUD) em países pobres e populosos (de SUD) como o Brasil, o México, e as Filipinas? Não seria isso uma ajuda humanitária e ainda uma alavanca para a missão tríplice?

Quem acha que investir 5 bilhões de dólares em um shopping center com apartamentos de luxo ao lado de principal Templo Mórmon na atualidade não traz lembranças de como Jesus reagiu quando viu mercadores comprando, vendendo, e lucrando ao lado do Templo de Jerusalém?

O complexo do City Creek Center incluindo shopping e prédio em construção, meados de 2009, com o Templo de Lago Salgado e o Tabernáculo Mórmon.


NOTAS
[1] Antes de mais nada, eu gostaria de pedir desculpas para aqueles que se ofenderem com o título do post. Ele é um trocadilho infame para chamar atenção para um paradoxo ético e moral sério. A revista TIME usou o título “LDS Inc.” para o mesmo propósito, mas meus dotes cômicos são muito inferiores. Aliás, a melhor piada que eu ouvi até agora sobre o CCC foi que a Igreja iria começar a chamar missionários para servir na missão City Creek Shopping, como minha cunhada que serviu como missionária de Centro de Visitantes.
[2] Eu consegui confirmação de um funcionário da Reserve, Inc. que essa prática é comum e corrente, porém este solicitou anonimato. Não consegui encontrar dados para confirmação oficial, ainda mais porque as finanças da Igreja são mais sigilosas que as ordenanças do Templo! Não obstante, enviei comunicado para a firma de contabilidade que faz a auditoria da Igreja, e assim que tiver alguma informação oficial, colocarei aqui como update. Se alguém tiver acesso à esta informação oficialmente, solicito encarecidamente sua ajuda.

259 comentários sobre “O Shopping de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

  1. Eu acho esta discussão bastante pertinente, todavia há considerações. A Igreja possui claramente dois tipos de companhias: as que pagam impostos e as que não pagam.

    Property Reserve, Inc., Hawaii Reserves, Inc., City Creek Reserve, Inc., e Zions Securities Corporation são administradoras de “real state”, com gestão ou co-gestão de propriedades da Igreja (ou afiliadas à Igreja) destinadas a fins lucrativos, como exploração e revenda. A Zions Securities, por exemplo, tem como principal negócio a administração de lotes e mais lotes de estacionamentos em SLC, inclusive alguns utilizados exclusivamente para finalidades eclesiásticas da Igreja.

    AgReserves, Inc. (com subsidiárias no mundo todo, inclusive a brasileira AgroReservas do Brasil Ltda., com sede em Unaí, MG) e Farmland Reserve, Inc. (com a maioria de suas operações nos Estados Unidos) operam como uma única empresa na administração de milhões e milhões de hectares de terras produtivas de agricultura ou de reserva natural. Mais de dez por cento do território do Estado da Flórida pertence a uma dessas duas companhias, cujas fazendas e “ranchos” são capazes de atingir milhares de quilômetros à vista.

    Na área de Mídia a Igreja administra a Bonneville International e todas as suas divisões (baseadas em produção e distribuição de conteúdo e administração de satélites de transmissão de rádio e TV), a casa editorial Deseret Book Company e suas divisões, a cadeia jornalística Deseret News Publishing Company, a recém constituída Deseret Digital Media, Inc., responsável pelos websites das empresas afiliadas e de serviços online para algumas dessas empresas e a também nova KSL Broadcast Division, cuja responsabilidade é a de administrar as mídias de rádio e TV apenas na região central de Utah, potencializando sua utilização fora do domínio mais generalista da Bonneville.

    Além dessas companhias, a Temple Square Hospitality, Inc. e a Beneficial Financial Group também encontram-se em plena operação.

    Todas essas companhias possuem fins lucrativos e, portanto, são administradas por uma holding company Deseret Management Corporation (DMC) (www.deseretmanagement.com). Existem outras companhias, porém, que são subsidiárias diretamente da Igreja, porquê trabalham sem fins lucrativos, ou com finalidades mais próximas à experiência eclesiástica de fato. Essas empresas estão diretamente envolvidas com The Corporation of the President of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints (CoP) ou The Corporation of the Presiding Bishop of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints (CPB) A Intellectual Reserve, Inc. é um modelo de uma companhia subsidiária diretamente da Igreja, mas existem outras variadas companhias, corporações e, especialmente, fundos e fundações vinculadas. A maioria delas apresenta, de uma forma ou de outra, a nomenclatura “Deseret”, como a Deseret International Foundation, Deseret Foundation, Deseret International Charities, Deseret Trust Company, Thrasher Research Fund, Nauvoo Restoration, Inc., entre outros.

    Além dessas companhias todas, há de se destacar companhias “independentes”. Os três campi da BYU (BYU, BYU-Hawaii e BYU-Idaho), além do Latter-day Saints Business College (LDSBC) e o Centro de Cultura Polinésia (PCC) trabalham com fins lucrativos em algumas de suas atividades, embora, no geral, sejam organizações sem fins lucrativos. Outro caso é o da Deseret Mutual Benefit Administrators (DMBA), que é responsável por administrar os planos de pensão, aposentadoria e saúde dos empregados da Igreja, das Autoridades Gerais e líderes gerais da Igreja e dos missionários norte-americanos (não se aplicam a missionários de outros países, embora cubram as despesas de missionários norte-americanos que necessitarem de serviços médicos em outros países, mesmo no Brasil).

    A história tem mostrado, contudo, que o desenvolvimento histórico das companhias da Igreja tem um senso lógico muito visível, o qual falarei abaixo.

    • Um famoso post anti-mórmon encontrado em http://www.exmormon.org/mormon/mormon410.htm dá uma idéia de como a Igreja envolveu-se com negócios em determinado momento de sua história. Isso se deu, primeiramente, pelo isolamento. Lembremo-nos de que quando os santos chegaram ao Vale do Lago Salgado, encontraram o nada, e tiveram de criar toda uma sociedade em meio ao deserto.

      Brigham Young, “o Moisés das Américas”, estava literalmente entre a cruz e a espada. De um lado, os Estados Unidos de fato, do outro a Califórnia e a corrida do ouro. Salt Lake City queria se manter aos moldes de Nauvoo, tornando-se um isolamento tão grande quanto as colônias mórmons que se esparramavam do Canadá ao México, contudo, rápidamente se tornou um entreposto para os viajantes pelo norte, com St. George se tornando rápidamente um entreposto pelos caminhos mais ao sul. Os mórmons não podiam manter-se completamente isolados. Além disso, precisavam de mantimentos e manufaturados que eram incapazes de produzir diretamente em suas terras, tendo de “importá-los” do leste. Para regular suas relações (primeiramente) comerciais e (em seguida) industriais, começaram a desenvolver companhias empresariais, normalmente sob a lógica capitalista comunialista instituída pela semelhança à lei de consagração e à Ordem Unida como apresentadas pelo Profeta Joseph Smith, a quem Brigham Young tentava vincular toda a vida religiosa e social da Igreja florescente no deserto.

      A criação da ZCMI, a Zions Cooperative Merchantile Institution demonstra o primeiro empreendimento comercial sólido de Utah e o rápido desenvolvimento de seus negócios. A Igreja, grande proprietária da região, investia nas companhias criadas pelos seus membros para fornecer água, energia e serviços públicos. Recebia bem investidores externos que quisessem investir na região e instigava seus membros a serem industriosos. Contudo, como a maioria dessas corporações novas acabavam recebendo dinheiro da Igreja (especialmente depois do estabelecimento formal da “lei do dízimo” com Lorenzo Snow e do pagamento completo de todas as dívidas da Igreja, o que inclui as multas e compras de propriedades expropriadas pelas leis anti-poligamia norte-americanas), os líderes da Igreja acabavam se envolvendo consideravelmente em sua gestão e administração.

      Nos anos 1970, com o movimento de modernização de Salt Lake City que também ocorre na Igreja com o movimento de correlação, iniciado de fato nos anos 1960, a liderança convenciona desligar-se da maioria das companhias inservíveis às causas eclesiásticas de primeira necessidade da Igreja, especialmente iniciativas locais (ou bairristas). Nesse interim, são vendidas as participações da Igreja em variadas instituições bancárias, especialmente no Zion’s Bank 9cuja Igreja ainda é dona de algumas ações), além do LDS Hospital e outras casas de saúde de propriedade da Igreja históricamente ligadas à Primária, à Sociedade de Socorro e mesmo às Associações de Melhoramentos Mútuos dos Rapazes e das Moças. Companhias e participações em companhias elétricas, de açúcar, de beneficiament, de automóveis e veículos e várias e várias outras operações são vendidas ou encerradas. Com isso, os líderes gerais da Igreja deixam de ter de atuar como administradores dessas empresas e podem se dedicar mais facilmente às obras de fato religiosas.

      Com a necessidade, contudo, de manter algumas empresas lucrativas ou de gestão de algumas operações (empresas essas cuja venda seria menos interessante do que a manutenção nas mãos da Igreja) e visando diminuir os gastos com impostos e taxas inerentes ao pertencimanto de empresas com fins lucrativos por instituições religiosas, a igreja cria a Deseret Management Corporation para operacionalizar essas empresas restantes, fazendo com que o grosso dom trabalho corporativo não se mantenha mais sobre os ombros da primeira presidência e do bispado presidente, mas de administradores comerciais competentes, com a liderança atuando como uma junta governativa superior.

      • (para encerrar): Assim, a lógica comercial SUD, até hoje, está ainda atrelada à necessidade de manter Utah viva. Embora essa necessidade não se mostre tão efetiva assim hoje em dia, existe um forte senso de que Utah e a Igreja, em algum momento, voltarão a ser uma só, como, no fundo, foram no passado. Alguns piamente acreditam que Utah poderá converter-se na Sião moderna que poderia ter sido Jackson County, Missouri, ou seja, que esta poderia converter-se naquela, já que aquela poderia não mais ser tão útil assim.

        Em suma, de qualquer forma, é algo a se refletir. Talvez o senso de investimento da Igreja seja nada mais do que um senso de sobrevivência, de forma semelhante com o armazenamento que fazemos. “É melhor lucrar com os gentios enquanto podemos e depois podermos ajudar-nos e ajudá-los do que viver com eles sem envolver-nos e depois viver num oásis enquanto os outros sofrem”… enfim, essa discussão ainda dará “muit pano-pra-manga”…

      • Diego, eu concordo com absolutamente tudo que você escreveu acima. Mas eu gostaria de fazer 4 apartes nos seus comentários:

        1) Ninguém questiona a legalidade dos investimentos da Igreja. O que se questiona é a moralidade: 5 bilhões de dólares para um shopping center? É assim que se idealiza a Igreja de Cristo?

        2) O contexto histórico realmente coloca perspectiva e explica algumas coisas, mas não justifica. Não vivemos no Velho Oeste do meados do século XIX, mas na Era da Informação no século XXI. Os desafios que os SUD — e o mundo — mudaram muito. Não seria a hora de revisitarmos alguns conceitos básicos?

        3) Certamente, do ponto-de-vista histórico e cultural Utah esta vinculada à Igreja. Porém, alimentar esse vínculo (com mais de 5 bilhões de dólares) ajuda ou atrapalha a Igreja para transicionar de uma Igreja paroquial para uma Igreja mundial?

        4) Sim, a Igreja fez o “deserto desabrochar como uma rosa” no século XIX. Isso é inquestionável. O que não deixa inquestionável também que Brigham Young chegou em Utah paupérrimo e morreu um dos homens mais ricos do Oeste dos EUA, enquanto a maioria de Utah — e os Santos — seguiam pobres. Bispos hoje se desdobram em 5 pra trabalhar, sustentar suas famílias, e cuidar de suas congregações, enquanto Apóstolos recebem “mesadas” de $ 600.000 com moradias milionárias. É assim que se idealiza a Igreja de Cristo? Não valeria a pena repensar alguns valores para um mundo onde responsabilidade social e ecológica são nossas maiores preocupações?

      • Marcello, de onde vc tirou a informação do valor da “mesada” de 600.000? Alguem poderia nos informar em média quanto é a “mesada” das autoridades gerais, presidentes de missão e os salários dos funcionários da igreja?

      • Eles vivem a lei da consagracao e recebem o suficiente para seus gastos, bem menos do que receberiam se continuassem em suas profissoes.

      • É muito importante, Diego, colocar uma perspectiva histórica e ver tanto as origens do empreendedorismo da Igreja quantos os diferentes contextos desse empreendedorismo hoje e no passado.

        Uma coisa é a Igreja estar envolvida na perfuração de poços de água ou construção de moinhos e tantas outras coisas que eram necessárias para os membros da Igreja que viviam em comunidade, seguindo uma concepção muito específica de coligação (“cremos na coligação literal de Israel”). Ou seja, surgem diversas diferenças entre o passado pioneiro e o presente: (1) isolamento da Igreja versus igreja mundial, (2) coligação geográfica versus “dispersão” no “campo missionário”, (3) investimento em necessidades básicas de comunidades versus investimentos de natureza especulativa.

        O bispo Burton afirmou que fundos do dízimo não seriam utilizados na construção do shopping center. Se isso se manteve de fato e o dinheiro para o investimento vem de outras empresas de propriedade da Igreja, deve-se perguntar mesmo assim qual a origem do dinheiro em si dentro da Igreja. Qualquer centavo que tenha dado início a uma empresa da Igreja ou veio do dízimo ou de propriedades consagradas a ela.

      • Essa é uma boa colocação, Antônio. Na verdade, no meu texto eu procurei refletir a gênese do pensamento comercial mórmon sem, contudo, refletir mais a respeito da visão global, em outras palavras, eu respondi como um funcionário da Igreja em Salt Lake responderia, e não como um membro isolado no Brasil o faria.

        Com isso, quero dizer que é necessária uma discussão profunda sobre as finanças da Igreja a nível global, mas, lá no fundo, não creio que isso seja realizável. Como li recentemente, as finanças da Igreja são um assuto privado da liderança da Igreja.

        Essa condicionante se repete no Brasil. Quem tiver acesso, sugiro que leiam o Estatuto da ABIJCSUD. alterado em 2004, se não me engano, ele coloca o diretor geral da ABIJCSUD apenas abaixo do profeta, citando o querido e saudoso Presidente Hinckley. Porém, fica claro que o diretor geral pode dispor dos bens da Igreja como bem quiser. Ele administra a associação como quiser, porquê lá no fundo, a associação é formada por uns três ou cinco membros apenas. obviamente, todos são líderes da Igreja de confiança da Presidência de Área e da primeira Presidência e, por conseguinte, não dispõe de efetiva autoridade para discussões, mas sim apenas para a implantação legal no Brasil das normas instituídas por cima.

        Em suma, não creio que a Igreja abrirá seus arquivos financeiros. Isso realmente não interessa a ela. Por maiores especulações que fizermos, quem cuida do dinheiro que doamos, em último grau, é o americano que ainda pensa que Salt Lake City será Sião. Por isso, a Igreja Mundial ainda vive no embrião de Utah, ao meu ver.

      • Excelente colocações. Mas, em têrmos de práticas administrativas e financeiras, não seria mais uma Igreja de Utah com filias espalhadas pelo Mundo?

      • Ótimas colocações, Marcello! Mas a questão que talvez tenha faltado nos meus argumentos é que a Primeira Presidência, os Doze e o Bispado Presidente não veem o mundo. Viajar não é morar fora. A experiência de trazer os apóstolos para presidir áreas, como foi feito no final da administração Hinckley não surtiu muitos efeitos práticos. Ou seja, eles não conhecem a realidade mundial pois, como cidadãos de Utah, Utah é seu mundo. Meus argumentos tinham por intenção dizer que eles ainda pensam (e continuarão pensando) com a racionalidade do Velho Oeste porquê essa é sua cultura, este é o “modus operandi” de sua vivência, aplicada, inclusive, à administração da Igreja mundial… essa lógica se faz visível quando toda a literatura técnica da Igreja chama os EUA e o Canadá de “domestic” e “as outras áreas’ de “international”, compreende?
        Eu apoio seus argumentos por achar necessário a Igreja “sair” de Utah (no jargão, claro, não necessáriamente mover sua sede pra outro lugar), mas pela própria cultura de quem preside a Igreja, não creio que isso vá acontecer. Ora, o profeta pode ser um homem de Deus, mas isso não invalida sua condição humana. Isso não significa tomar decisões administrativas erradas ou questionáveis, desde que isso não interfira primariamente na doutrina.
        Tomemos por exemplo o seguinte: O corpo do Presidente Hinckley mal gelou no Salt Lake City Cemetery e o Presidente Monson, que trabalhou com ele lado a lado por quase trinta anos simplesmente empreendeu uma das reformas administrativas mais pujentes dos últimos anos! Fechou departamentos, abriu outros, moveu outros entre a Primeira Presidência e o Bispado Presidente, empreendeu a reforma do S&I (cujo um de seus filhos é um grande gerente), empreendeu a reforma da Deseret Management Corporation, e assim por diante. Ele podia amar e servir ao Presidente Hinckley, mas pensava diferentemente e pôs essa diferença em prática assim que pôde. Isso destrói a doutrina? Não. Vem do Senhor? Não creio, pois, afinal, Ele mesmo disse que não é bom que Ele interfira em todas as coisas. Assim, a decisão final em muitas matérias administrativas é deles enquanto pessoas físicas, plenipotenciárias em uma organização cujo dogmatismo lhes dá poderes sem contestação. Como cidadãos de SLC, eles vão privilegiar SLC por morarem lá, e ponto. O resto, é “ajuda humanitária em áreas internacionais”.
        Ou seja, concordo com todas as suas afirmações, Marcello, e almejo ver o dia em que eles olharão mais “por nós”, mas, meu caro, infelizmente não creio que isso seja culturalmente possível entre uma liderança que vive o século XXI ainda pensando no xerife Young do século XIX e nas múltiplas companhias que ele presidiu (fora o governo, uma casa cheia de mulheres, etc., etc., e etc.)…

    • Como diz a Bíblia o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

      Toda igreja cobra Dízimos,mas o dinheiro dos dízimos é pra obra missionária e ajudar ao necessitados.

      • Raimundo, há 2 problemas com o seu comentário:

        1) Todos os males, não! Não sabemos aí com você, mas a raiz dos nossos males aqui é a falta de dinheiro. Falta. Não amor. 😉

        2) A Igreja SUD ganha muito, muito, muito, muito mais com dízimos e afins do que gasta com “obra missionária e ajuda aos necessitados”.

  2. Interessante que a igreja começo sem $$$ e depois investiu o $$$ do povo. E hoje, te joga na cara que não precisa do $$$ do povo ! E vai e gasta nesta parafernalha toda! com tanta gente sem teto. sem ter o que comer etc… ? (Não junteis tesouros na terra mas sim tesouros no céu…) blalbalblalba. Pra mim isso é desperdício e não tem nada haver com a a obra de Deus. ou vai ver ele ja comprou um apartamento lá…kkkkk

    • Discordo. Eu acho que a Igreja tem o dever de maximizar os fundos dados ao senhor. Se esse investimento seja algo rentável, é isso que a Igreja está fazendo.

      Podemos discutir se este investimento é o melhor uso dos recursos da Igreja, sim. [Aliás, devo notar que sabemos bem pouco das detalhes.] Mas, mesmo assim, no fim esses investimentos só beneficiam a Igreja. Ou agora ou no futuro esses investimentos vão beneficiar a Igreja e seu membros.

      Mesmo se a Igreja tem mal empreendido este investimento (e eu entendo esse ponto de visa, e até concordo com isso em parte), o investimento volta no futuro.

      Pessoalmente, eu acho que a Igreja tem planeada muito cuidadosamente para o futuro. Não tenho bastante informação para criticar a posteriori esses investimentos. Não sei quantos investimentos a Igreja tem, quanto dízimo recebe, quanto ganha dos investimentos, etc. etc., etc. E, mais importante, não sei quanto a Igreja vai precisar da renda desse investimento no futuro, dado as mudanças na Igreja previsíveis.

      O problema com as universidades e outras escolas que muitos aqui surgem como usos alternativos é que elas todas consumam dinheiro sem dar muita renda no futuro. Esse investimento vai, sim, dar rendas futuras, desde o começo. Creio que a renda deve superar US $250 milhões cada ano (e talvéz até US $500 ou mais ao ano) Em 20 anos no máximo (com certeza vai ser menos) deve receber os US $5 bilhões em renda, mas as rendas vão continuar por muitos anos ainda.

      Como sei muito pouco das finanças da Igreja, não posso dizer com certeza, mas parece-me que a renda desse investimento poderá dar os recursos necessários para fazer a universidade da qual estamos falando, pois o dono da Dominos Pizza iniciou a Ave Maria University na Florida com um investimento de só $220 milhoes — menos de que a renda anual desse investimento.

      Fazer tal investimento não proibe o uso caridoso do dinheiro — adianta-o e facilita muito mais no futuro.

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