Mórmons Dão Esmola?

Superficialmente, pode parecer uma pergunta simples, mas não é: Mórmons dão esmolas?

Recentemente nós debatemos os gastos públicos da Igreja SUD e, mais notoriamente, o fato da Igreja haver gasto 1,2 bilhões de dólares em ajudas humanitárias entre 1985 e 2010, enquanto gastou 5 bilhões de dólares em investimentos imobiliários na forma de um shopping center e um condomínio de luxo entre 2006 e 2012.

Durante essa conversa, um assunto surgiu — que eu já vi recorrer diversas vezes, tanto online, como em próprias reuniões dominicais — sobre a questão se dar esmolas é uma boa coisa ou não.

Há quem diga que dar esmolas faz mal para o recipiente e a sociedade, pois encorajaria a preguiça e a dependência. Cita-se fartamente, assim, o dito popular “dê um peixe, e estará alimentando por um dia, ensine a pescar, e alimentará para sempre.”

Por outro lado, os textos sagrados Mórmons indicam que sim, um preceito básico do Mormonismo é dar esmolas liberalmente.

Vejamos o que o Novo Testamento registra como os ensinamentos de Jesus Cristo sobre o assunto:

“Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.” (Mt 5:42)

“Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue- me.” (Mt 19:21)

“Vendei o que possuís, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não envelheçam; tesouro nos céus que jamais acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.” (Lc 12:33)

“Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti… Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita…para que a tua esmola fique em secreto…” (Mt 6:2-4)

Vejamos o que o Livro de Mórmon ensina sobre o assunto:

“…socorrereis os que necessitarem de vosso socorro; dareis de vossos bens aos necessitados e não permitireis que o mendigo vos peça em vão, afastando-o para que pereça.” (Mosias 4:16)

“…Ora, se Deus, que vos criou, de quem depende vossa vida e tudo o que tendes e sois… oh! então, quanto mais não deveríeis repartir os vossos bens uns com os outros!” (Mosias 4:21)

“… quisera que repartísseis vossos bens com os pobres, cada um de acordo com o que possui, alimentando os famintos, vestindo os nus, visitando os doentes e aliviando-lhes os sofrimentos, tanto espiritual como materialmente, conforme as carências deles.” (Mosias 4:26)

Vejamos o que Doutrina & Convênios ensina sobre o assunto:

“E eis que te lembrarás dos pobres e consagrarás de tuas propriedades, para sustento deles, aquilo que tiveres para lhes dar, com um convênio e uma promessa que não poderão ser violados. E se deres de teus bens aos pobres, a mim o farás… E também, se houver propriedades nas mãos da igreja ou de qualquer de seus membros após esta primeira consagração, mais do que o necessário para seu sustento, o que for um resíduo a ser consagrado ao bispo será conservado para que, de tempos em tempos, seja dado aos que não têm, a fim de que todo homem necessitado possa ser amplamente suprido e receba de acordo com suas necessidades.” (D&C 42:30-33)

“E em todas as coisas lembrai-vos dos pobres e necessitados, dos doentes e dos aflitos, porque aquele que não faz estas coisas não é meu discípulo.” (D&C 52:40)

“Portanto, se algum homem tomar da abundância que fiz e não repartir sua porção com os pobres e os necessitados, de acordo com a lei de meu evangelho, ele, com os iníquos, erguerá seus olhos no inferno, estando em tormento.” (D&C 104:18)

Não obstante esses ensinamentos canonizados, ao meu ver claros e inequívocos, muitos Mórmons modernos discordam!

Uma pesquisa recente sobre as preferências políticas de Mórmons nos Estados Unidos mostra que 74% de Mórmons são filiados ou simpatizantes do Partido Republicano. Nas últimas décadas, e especialmente nos últimos anos, o Partido Republicano vem se posicionando como o partido político *contra* programas de bem-estar social, como Saúde Pública (i.e., SUS para todos), Previdência Social, Seguro Desemprego, Programas de Afirmação de Minorias (ajuda para mobilidade social de Negros, Latinos, e mulheres), Sindicatos e Leis Trabalhistas, e taxação proporcional (onde ricos pagam mais que pobres, proporcionalmente).

Em outras palavras, parece que as preferências políticas de Mórmons Americanos pende mais para o equivalente de “não dar esmolas” ou “não ajudar pobres”.

Portanto, a pergunta acima mostra-se mais complexa do que aparenta ser. Por um lado, parece haver uma maioria Mórmon que, culturalmente, não acredita que esmolas são importantes ou benéficas. Por outro lado, seus textos sagrados não deixam dúvidas sobre o quão importante e fundamental são para uma vida ética ou moral.

Então eu coloco essa pergunta para o nosso estimado fórum: É a coisa Mórmon dar esmolas, ou não?

21 comentários sobre “Mórmons Dão Esmola?

  1. Marcello, a aula do Sacerdócio Domingo passado foi sobre o plano de Bem-Estar da Igreja — discurso do Pres. Uchtdorf. Como vc sabe muito bem, aqui em Utah a população é, na grande maioria Republicana; o que é engraçado, pois a média salarial no estado é equivalente à frações do salário dos CEOs e presidentes de empresas que eles tanto apóiam — esmolas, na realidade. Apóiam o pessoal que foi subzidiado por dinheiro público durante a crise, mas reclamam de pessoas que usam fundo desemprego. Faz sentido não?

    Durante a aula, TODO mundo comentou sobre “ensinar a pescar é melhor que dar o peixe.” O engraçado é que, como vc apontou, não me lembro de nenhum episódio nas escrituras onde Cristo, depois do milagre ou uma dádiva, diz ao povo que deveria pagá-lo de volta, ou que daria aos poucos à pessoa, para a pessoa não se sentir mal.

    Acho que uma lição melhor, é a lição que a esposa de um Bispo que eu tive na BYU ensinou: “Pay it forward!” (“Pague” de volta para outros que precisem, e não para a pessoa que te ajudou.)

    • sábia essa senhora! Nem sempre o senhor da uma benção que so serve para nós… e quando compartilhamos esta esma benção com outro estamos multiblicando o milagre.

  2. Sim as vezes eu dou.Mas o melhor a se fazer na minha opinião é simplesmente se oferecer para comprar algo de comer para a pessoa,se ela estiver interessada em outra coisa como por exemplo comprar drogas,ela logo recusa a ajuda.Geralmente é o que acontece comigo.

    • Concordo Mari. Não gosto também de dar dinheiro por causa do receio da verdadeira intenção do irmão pedinte.Principalmente,por causa da praga do álcool e da droga alarmante. Mas devemos sim,responder de alguma forma possível ás necessidades daqueles que nos abordam em busca de algo.

  3. Eu axo isso muito relativo, primeiramente eu não cumpro o que diz mt. 19:21 e não conheço nenhum membro SUD que tenha feito isso.

    Eu dou esmolas quando sinto que devo dar, exemplos: um mendigo bateu na minha porta pedindo alguma camisa usada e eu dei, outro apareceu pedidindo alguma coisa para comer e eu dei.
    Porém, já me apareceram pedindo dinheiro para ajudar no leite da criança, numa viajem, numa operação e não dei.

    Enfim, às vezes dou esmola e às vezes não.

  4. Marcello,

    como você mesmo bem colocou no início de seu post, a questão não é tão simples assim, na verdade, em minha opinião é bem complexa. Acredito que assim seja, justamente por existir esta contradição entre o que encontramos na doutrina ensinada nas escrituras e aquilo que é ensinado na Igreja e que muitas vezes acaba sendo a interpretação que líderes e professores fazem e tem sobre a doutrina encontrada nas escrituras. Também é inegável que a liderança geral da Igreja tenha como um dos grandes objetivos tornar os membros autossuficientes em sua vida material. Isto é notável, é louvável, acho incrível. Mas ao mesmo tempo sei que por causa das diferenças na interpretação deste mandamento, existem ensinamentos contraditórios. Ora já ouvi que devemos “dar esmolas”, ora que não devemos “dar esmolas”, porque já fazemos “nossa parte” ao pagar ofertas generosas de jejum.

    Particularmente acredito sim que devemos ajudar aos pobres e necessitados, conforme mostram as escrituras, principalmente quando tal necessidade é urgente como comer e se abrigar ou se proteger do frio, por exemplo. Conheço alguns membros da Igreja que já levaram pessoas que estavam nas ruas para suas casas, lhes deram comida, roupas limpas e banho.

    Mas voltando à questão da esmola, acho complexo, porque vivemos numa sociedade capitalista e que repudia a esmola. Então vejo que se torna uma questão não só de cunho religioso, mas também social. Porém sei que não é esse o ponto que você quis abordar. Outro ponto que torna o “dar esmola” complexo é que vivemos em tempos em que vários males sociais assolam a sociedade contemporânea, como as drogas, tanto as lícitas (bebidas alcoólicas, cigarro) como as ilícitas (crack, cocaína, etc.). Ocorre que muitas pessoas estão “perdidas” nesse males e buscam na esmola um dos métodos para conseguirem saciar seus vícios. Da mesma maneira, existem pessoas de má índole que realmente se aproveitam para explorar crianças e conseguir dinheiro por este meio, e outras que literalmente se fingem de pobres, para poder viver por meio de esmolas. É claro que ninguém vem com uma tarja colada na testa dizendo se está mentindo ou dizendo a verdade. Então, acredito que devemos usar de bom senso ao “dar esmolas”. Eu prefiro também oferecer o alimento, se a pessoa estiver com fome, mas dependendo posso até dar o dinheiro. Não é fácil, mas creio que deveríamos ser como Cristo que procurava se inteirar sobre a vida e sobre as reais necessidades das pessoas e depois ele as ajudava. Em nosso mundo da tecnologia, da internet, das redes sociais, do virtual, penso que o se preocupar com o nosso semelhante a ponto de ouvir suas necessidades e depois ajudá-lo soa como “perda de tempo” e o que o tempo vale em nossa época: dinheiro!

  5. Os Deuses santos se agradam dos nossos atos de bondade. “Não negues o bem àqueles em necessidades, quando estiver no poder da tua mão fazê-lo. Não digas ao teu próximo: ‘Vai, e volta, e amanhã te darei’, quando tens as coisas contigo.” Provérbio 3:27, 28; contraste com 28:27.

    Assim, devemos dá de bom grado ao nosso semelhante em necessidade. Jeová não tem dinheiro como nós*, então, o que Eles dão? ‘Dão espírito santo aos que lhes pedem’ (Lucas 11;13) É claro que não nos é fácil identificarmos o que os pedintes farão com nossas dádivas, mas não é também verdade que não sabemos o que os nossos ‘representantes’ políticos fazem com o que lhes ‘damos obrigatoriamente’? Assim, creio que dá sem questionar, é dá sem deixar que sua mão ‘esquerda saiba o que faz sua direita’ – Mateus 6:3.

    Por fim, Jesus, muitíssimo admirado com as dádivas de Seus Pais, disse: “Eu te louvo publicamente, ó meus Pais, Senhores do céu e da terra, porque escondestes estas coisas [(as verdades reveladas)] dos sábios e dos intelectuais [aos seus próprios olhos], e as revelastes aos pequeninos [aos humildes]. Sim, ó meus Pais, porque fazer assim veio a ser o modo aprovado por vós”. Os Deuses santos escolhem os que são “pequeninos” dentre seus povos e os revela verdades que nem aos líderes são revelados. Deuses tão santos e bons assim, é pra se ‘louvado publicamente’ mesmo. Assim, é por isso que Eles têm me capacitado a ser um dos servos Seus para dá entendimento a muitos de hoje sobre as coisas anteriormente ‘ocultas em Cristo’ mas que é chegada a hora de serem conhecidas. – Mateus 11:25, 26; Colossenses 2:3.

    __________
    *A moeda Deles deve de ser algo muito mais avançado.
    PS.: Todas as citações são da mais moderna tradução atual: A Tradução dos Deuses Santos das Escrituras Sagradas, em fase de produção.

  6. Marcello, não acredito que essa percepção negativa sobre esmolas seja compartilhada pela maioria dos membros da Igreja sud. Não pelo menos no Brasil, onde tradicionalmente os indivíduos tendem a ser generosos frente ao sofrimento alheio e até mesmo tomar para si responsabilidades que seriam do Estado.

    As evidências doutrinárias que você cita acima são por demais claras e não abrem brechas para nenhuma ambiguidade. Há apenas a ressalva de não chamar atenção para o seu gesto caridoso, como em Mateus 6:2 – o que nos levaria também a outro questionamento: é correto fazer publicidade de ajuda humanitária ou programas de serviço, como o Mãos que Ajudam?

    • Olha, Antônio, longe de mim fazer o trabalho dos apologistas, mas nesse caso eu acho que você esta equivocado.

      Mateus 6:2 segue sendo cumprido, uma vez que o projeto ‘Mãos Que Ajudam’ faz ajuda humanitária de uma campanha de publicidade. Não há nada nas escrituras contra isso!

      • Mãos que Ajudam é uma pequena parte do apoio que a Igreja presta a humanidade,Nem sempre ela é colocada para todo o povo,só as vezes,aqui na minha cidade já fizemos varias vezes os Mãos que Ajudam,e não foram todas as vezes que a mídia acompanhou,Algumas vezes sim,e isso é uma prova que a igreja presta apoio as pessoas.

        Agora em relação as esmolas sei que na época de Cristo não havia tantos males quanto hoje,e também creio que não havia tantos grupos de apoio humanitário quanto hoje, temos muitas ONGs de apoio humanitário,e a parte das escrituras na minha opinião cabe muito bem doar as essas ONGs,pois estamos dando dinheiro as pessoas que podemos confiar que irá ajudar,e também não estaremos dando dinheiro em público.
        creio que Doar á Orfanatos,Albergues,Apoiar com materiais e dinheiro á esses lugares estaremos apoiando muito mais os necessitados,do que a famosa esmola dos tempos de hoje.

      • Você óbviamente não leu o artigo, Diego. Leia o artigo antes de comentar da próxima vez, por favor.

        O artigo não discute “esmolas”. Esmola, como têrmo e como conceito, aparece apenas no título. O artigo discute ajuda humanitária e apoio (em curto, médio, e longo prazo) material e financeiro aos pobres e destituídos. Absolutamente ninguém aqui está sequer discutindo esmolas no sentido literal do têrmo.

        Ademais, o artigo não contesta o fato da Igreja “presta[r] apoio [à]s pessoas” e por isso não precisa de “prova” desse fato. Inclusive, o artigo cita quanto a Igreja gasta anualmente, em média, prestando esse apoio, sendo o problema justamente na quantidade pífia e absolutamente medíocre gasta por uma Igreja mega-multi-bilionária.

        E, mais importantemente, o ponto central do artigo não é o quanto a Igreja gasta com ajuda humanitária, nem porquê ela gasta tão pouco para ajudar pessoas, mas como Mórmons (em geral, e não a Igreja) vêem a questão de ajuda humanitária e serviços sociais protegendo os pobres e como a postura da Igreja influencia, ou não, essa visão dos membros.

        Em suma, Diego, ler o artigo antes de comentar nele ajuda a contribuir para a discussão do assunto em questão. Leia o artigo.

        No que diz respeito aos seus outros pontos:

        A noção de que “na época de Cristo” não havia “tantos males quanto hoje” é simplesmente absurdo e ridículo. Na Palestina durante a Pax Romana a expectativa de vida estimada era de 29 anos de idade, enquanto que a nossa expectativa atual no Brasil é de 75 anos. Óbviamente há muito menos males hoje.

        Com relação ao uso propagandístico do projeto Mãos Que Ajudam, simplesmente é impossível para qualquer pessoa inteligente deixar de perceber que este é seu desígno central. As jaquetas uniformizadas em amarelo brilhante são simplesmente óbvias demais e, sinceramente, eficiente e esperta demais para ser apenas mera coincidência. A propaganda ocorre em vários níveis, tanto localmente (para as pessoas que ali estão presentes), como regional, nacional, ou internacionalmente, dependendo da possibilidade e/ou capacidade de conseguir o interesse das mídias estabelecidas (e.g., jornais, televisões, rádios, etc.). Muitas vezes o departamento de relações públicas da Igreja não consegue gerar esse interesse, e a propaganda permanece apenas em âmbito local. Além disso, para qualquer pessoa que acompanha o jornal oficial da Igreja Deseret News, ou as publicações do Relações Públicas online, todo evento e toda doação é fartamente explorada e anunciada.

        Eu concordo com você que devemos doar tempo e dinheiro a ONGs assistencialistas. O que eu gostaria de saber é se isso é algo que seja incentivado pela Igreja SUD e/ou pela comunidade Mórmon em geral. A minha experiência pessoal é de que não é: Mórmons são incentivados a doar tempo e dinheiro para a Igreja Mórmon, e basta. Mórmons acreditam (errôneamente, como podemos ver pelos dados oficiais) que a Igreja se responsabiliza por investir consideravelmente em ajudas humanitárias, e não se pede para checar as finanças da Igreja. Mórmons (especialmente nos EUA) acreditam que a maioria dos pobres é pobre porque é pecadora, ou não é justa, ou Deus os está testando, ou são preguiçosos. Tudo isso eu vejo e escuto com frequência, mas quase nunca escuto “vamos doar para ONG x, y, ou z” ou “precisamos amparar os pobres e desempregados”.

  7. Eu acho interessante que a maioria dos respondentes aqui dizem que preferem dar algo material (comida, roupa, etc.) em vez de dar dinheiro, por que não sabemos como as pessoas que ajudamos vão usar o dinheiro. Admito que o meu instinto é fazer o mesmo. Mas isso não inclui um certo nível de julgamento, o que as escrituras nos dizem claramente que não devemos fazer? Tirando um pouco mais da citação do Rei Benjamim que Marcello colocou acima:

    “Talvez digais: O homem trouxe sobre si sua miséria; portanto, deterei minha mão e não lhe darei do meu sustento nem repartirei com ele meus bens a fim de que ele não padeça, porque seus castigos são justos.
    Digo, porém, ó homem, que quem faz isto tem grande necessidade de arrepender-se; e a menos que se arrependa do que fez, perece para sempre e não tem lugar no reino de Deus.
    Pois eis que não somos todos mendigos? Não dependemos todos do mesmo Ser, sim, de Deus, para obter todos os bens que temos, tanto alimentos como vestimentas e ouro e prata e todas as riquezas de toda espécie que possuímos?” (Mosias 4:17-19)

    Quando a gente está com medo de dar dinheiro porque não sabemos se vai ser usado para comprar algo illicito, não estamos dizendo de outra forma que achamos que a maioria dos mendigos, através de seus vícios, “trouxeram sobre si sua miséria,” e então não merecem a confiança de que vão usar dinheiro como acham próprios por si mesmos? Na verdade não tem como a gente saber, no momento de ser pedido esmola, como a esmola vai ser usada, e então eu acho que este impulso de recusar dar esmola monetária é algo que devemos tentar sobrepujar. Pois é, quem aqui sempre usa o dinheiro para o uso mais appropriado? Quem aqui não comprou algo que não precisava quando aquele dinheiro era todo que tinha para comprar algo mais importante? A verdade (e há muitos estudo económicos que dizem isso) é que quando os pobres são dado dinheiro, seu bem-estar aumenta, mesmo que não usem aquele dinheiro por aquilo que os doadores acham “appropriado.” Tenho trabalhado muito com ONGs (organizações não-governmentais) caridosas, nos EUA, no Brasil, e por um ano e meio em Moçambique, e sempre é o mesmo–a organização quer controlar como beneficiários usam o que recebem, sem confiar realmente na capacidade dos beneficiários de fazer suas próprias escolhas. Estas decisões nunca são fáceis, mas acho que os que estão numa situação de dar (em vez de receber) sempre podem confiar mais nas pessoas que estão recebendo de fazer suas próprias escolhas. Pois não é isso que queremos para nós mesmos? E “não somos todos mendigos…[dependentes] todos do mesmo Ser, sim, de Deus, para obter todos os bens que temos?”

  8. Amados irmáos.

    Penso, que os comportamentos extremistas são marginais. Não devemos ter o comportamento de não dar nada a quem realmente precissa, ou nos desfazer de tudo, ficando nós dessa forma, como pedintes.
    À vida em uma sociedade capitalista como à nossa, requer que tenhamos dinheiro para sobreviver. Vejamos:
    1. Sem dinheiro não temos água potável, ou vamos esperar para beber água somente quanto chove? E olhe, que a água da chuva nem sempre é potável, devido a poluição.
    2. Sem dinheiro, não temos comida saudável para alimentar os nossos corpos.
    3. Sem dinheiro, não vamos ter condições de nos vestir adequadamente.
    4. Sem dinheiro, não teremos condições de nos educar, pagar colégio, comprar cadernos, livros etc.
    Prudência e bom senso, talvez sejam as virtudes que devemos ter em mente e ponderar em nossos corações! Como disse o velho e sábio filósofo ” à sabedoria está no caminho do meio”.
    W.Pinto

  9. Irmão Marcello,eu particularmente,não gosto do Partido Republicano,mas embora “uma maioria Mórmon”,como vc mesmo afirma,apoiem-no,não creio que tenham ciência exata que estão,de fato,apoiando uma política contra programas de bem-estar social.Acho uma enorme radicalidade,ter esse olhar generalizado.Eu creio que os membros da Igreja de Jesus Cristo são pessoas generosas até onde possuem condições de ser. É preciso olhar as pessoas individualmente e não como grupo. Quanto á questão de dar esmolas ou compartilhar o que temos com aqueles que precisam -esse termo seria o mais exato,no meu entender- essa é a política social de Jesus Cristo e ,é claro ,que se somos cristãos como dizemos ser,devemos seguir tudo aquilo que ele nos ensinou.

Deixe um comentário abaixo:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s