Quando lançado pelo presidente Hinckley, o Fundo Perpétuo de Educação (FPE) foi
recebido por membros no Brasil com grande euforia. Seu próprio nome procurava fazer uma ligação com o antigo Fundo Perpétuo de Imigração e portanto com seu potencial de ajudar novos pioneiros na construção de Sião. O programa destinado a fomentar o estudo vocacional de suds em países em desenvolvimento não demorou muito para ser chamado localmente de revelação (mesmo sem ter sido chamado de tal pelos líderes mundiais da Igreja) e ser incluído em declarações nos domingos de jejum e testemunho.
Hoje, dez anos depois do lançamemto do FPE, já escutei relatos positivos e negativos de jovens adultos que utilizaram esse financiamento educacional a juros baixos, mas não tenho acesso a dados concretos que mostrem em que situação está hoje. No entanto, noto que é cada vez mais rara a sua menção como uma revelação; aliás, é cada vez mais rara a sua simples menção nas reuniões da Igreja.
O que vocês notam nesse sentido? Ainda se fala muito do FPE em suas alas e ramos? Ele é citado como uma revelação? Estará sendo menos procurado pelos brasileiros? Nossos leitores estrangeiros têm notícias sobre o FPE em outros países em desenvolvimento- Angola, Bolívia, Argentina, etc?
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Geralmente os americanos vem para a Missão já com 1 ano de faculdade, onde a trancam por 2 anos para fazer Missão. Este deveria ser o normal também aqui no Brasil, infelizmente o jovem brasileiro sai para a Missão em sua maioria ainda sem terminar o 2o Grau, o que é um grande erro. Eu saí para a Missão após formado (aos 22 anos), mas isto porque por ser bolsista do ministério da Aeronáutica, minha faculdade não permitia trancar a matrícula por 2 anos, o que eu teria de fazer no fim do 2o ou 3o ano.
Há uma ênfase na Igreja para que os jovens façam cursos técnicos profissionalizantes, ênfase esta baseada em dois dados:
a) Há escassez deste tipo de profissional no Mercado Hoje
b) Seria o caminho mais rápido para o jovem arrumar uma profissão e já poder se auto-sustentar, preparando-o para um casamento logo após a Missão.
Apesar destes 2 dados terem a sua lógica, ele tem um problema de generalizar todos os jovens, como se todos tivessem aptidões para os cursos técnicos ou para as ciências exatas. Ora, muitos jovens querem fazer medicina, direito ou seguir outras carreiras que nada tenham a ver com os atuais cursos técnicos profissionalizantes de hoje.
Então, o que vejo de maior problema no FPE é a “generalização”, ao invés de se estudar cada caso de ajuda de educação. Por exemplo, em muitos casos, uma ajuda para um curso de Inglês poderia ser de maior ajuda para o jovem do que a ajuda para que ele possa fazer um curso técnico em prótese dentária. Muitos jovens após fazer o curso profissionalizante percebem que aquela não vai ser sua carreira, então o curso se perde e todo o conhecimento aprendido nunca mais será usado. Por outro lado, se ele aprendesse Inglês, com certeza este conhecimento seria usado de alguma forma no futuro.
Como eu acho que deve ser o programa:
1) O jovem deve passar antes por um teste vocacional o qual apontará suas aptidões em diversas áreas do conhecimento.
2) Partindo deste teste, o jovem escolherá os cursos ou faculdades que gostaria de fazer para desenvolver sua profissão.
3) Um consultor educacional, já com os resultados do teste vocacional, entrevistará o jovem e avaliará:
a) A escolha da faculdade e dos cursos que deverá fazer
b) Como será a ajuda de Custo do FPE.
c) Traçar metas a ser alcançada pelo jovem para que possa renovar sua ajuda anual do FPE.
Por exemplo, um jovem que queira ajuda para fazer cursinho, deve fazer uma meta de passar no vestibular das faculdades A, B ou C para que sua bolsa possa continuar no ano que vem.
Após passar na Faculdade o jovem deveria se comproter a manter uma nota mínima na média geral (6,5 ou 7,0), para demonstrar que realmente está levando seu curso a sério.
Colocar como requisito para o FPE apenas a freqüência no Instituto creio eu ser uma forma simplista para se tentar resolver um problema muito mais complexo.
Os diretores e coordenadores do seminário e instituto deveriam ser voluntários como os presidentes de missões e setentas de área. Aí nossos jovens seriam instruidos a buscarem a autossuficiência desde cedo… A utilização de qualquer bolsa ou fundo seria pra eles um último recurso, que somete deveria ser usado quando todas as outras portas (governo, ongs, família) tivessem fechadas. A autoestima adquirida de uma vitória pessoal sobre suas limitações não tem preço. E não vale apenas pagar por isso, muito menos com a moeda do SEI.
Hélio, concordo plenamente com você, no que diz respeito a questão social dentro da Igreja. Mas eu acho que educação é um tema importante, e eu acho válido investir na educação dos jovens, mas para isso eu acho que o mínimo seria os profissionais do SEI terem educação acadêmica formal, preferencialmente em escolas seculares ou semi-seculares. Se é pra serem amadores e despreparados, que sejam voluntários. Se é pra ser remunerados, que sejam profissionais — inclusive com competência e educação suficiente para ensinar em institutos não-Mórmons, se quiserem.