Mórmons e Esquemas de Pirâmide

É quase impossível negar que mórmons gostam de um esquema de pirâmide. Apóstolos confirmam isso, os próprios membros confirmam isso, estatísticas confirmam isso, e até o FBI já confirmou isso.

Dallin Oaks alerta para o crescente problema de membros da Igreja em esquemas de pirâmides

O Apóstolo Dallin Oaks alerta para o crescente problema de membros da Igreja SUD abraçando esquemas de pirâmides.

Portanto, não há perguntas se pirâmides são populares entre mórmons. A única pergunta é por quê.

Uma interessante reportagem da KUTV levanta dois pontos que merecem consideração.Primeiramente, o que é um esquema de pirâmide?

“Um esquema em pirâmide, conhecido também como pirâmide financeira, é um modelo comercial previsivelmente não-sustentável que depende basicamente do recrutamento progressivo de outras pessoas para o esquema, a níveis insustentáveis. 

O esquema de pirâmide pode ser mascarado com o nome de outros modelos comerciais que fazem vendas cruzadas, tais como o marketing multinível (MMN), que são legais. A maioria dos esquemas em pirâmide tira vantagem da confusão entre negócios autênticos e golpes complicados, mas convincentes, para fazer dinheiro fácil. A ideia básica por trás do golpe é que o indivíduo faz um único pagamento, mas recebe a promessa de que, de alguma forma, irá receber benefícios exponenciais de outras pessoas como recompensa. Um exemplo comum pode ser a oferta de que, por uma comissão, a vítima poderá fazer a mesma oferta a outras pessoas. Cada venda inclui uma comissão para o vendedor original.

Claramente, a falha fundamental é que não há benefício final; o dinheiro simplesmente percorre a cadeia, e somente o idealizador do golpe (ou, na melhor das hipóteses, umas poucas pessoas) ganham trapaceando os seus seguidores. As pessoas na pior situação são aquelas na base da pirâmide: aquelas que assinaram o plano, mas não são capazes de recrutar quaisquer outros seguidores. Para dourar a pílula, a maioria de tais golpes apresentará referências, testemunhos e informações.

(…)

Marketing multinível (MMN), também conhecido como marketing de rede, é um modelo comercial de distribuição de bens ou serviços em que os ganhos podem advir da venda efetiva dos produtos ou do recrutamento de novos vendedores. Diferencia-se do chamado “esquema em pirâmide” por ter a maior parte de seus rendimentos oriunda da venda dos produtos, enquanto, na pirâmide, os lucros vêm, apenas ou maioritariamente, do recrutamento de novos vendedores. Nos Estados Unidos, uma forma de diferenciar os dois sistemas é a chamada regra dos 70%: se a empresa tem 70% ou mais de seu rendimento advindo dos produtos, é marketing em rede, senão é pirâmide.

De acordo com Will Marks, “O marketing de rede é um sistema de distribuição, ou forma de marketing, que movimenta bens e/ou serviços do fabricante para o consumidor por meio de uma ‘rede’ de contratantes independentes”.”[1][2]

Segundo a KUTV, 15 das maiores companhias globais de MMN estão sediadas em Utah, gerando bilhões de dólares em receitas e correspondendo à segunda maior indústria no estado (atrás da indústria do turismo), e correspondendo à maior concentração de empregos em MMN per capita nos EUA.

Por quê? A reportagem menciona duas motivações principais, além da óbvia facilidade criada pela rede social interconectada que a condição de membro de um grupo ativo e participante cria.

1) Pressão para “donas de casa” ou mulheres “do lar” 

“Há uma enorme pressão na cultura mórmon para que mulheres sejam mães donas de casa.”

Mulheres mórmons identificam uma forte pressão cultural contra carreiras profissionais e empregos, confinando-as às tarefas domésticas de criar filhos e manter lares. Contudo, famílias mórmons não são isentas das mesmas pressões financeiras que demandam rendas duplas para manter uma família. Sendo assim, mulheres mórmons acabam buscando remuneração em empregos parciais ou intermitentes, e MMN oferece-lhes justamente esse tipo de oportunidade.

De acordo com um estudo publicado pelo The New York Times, Utah tem as maiores concentrações de mulheres em idades produtivas fora do mercado de trabalho formal e de mães “donas de casa”:

“Regiões com altas concentrações de mórmons são retrógradas. A natureza da cultura mórmon dominada por homens tem mantido taxas de não-emprego entre mulheres em idades de pico produtivo extremamente altas – tão altas, em algumas áreas, quanto eram para mulheres americanas na década de 1950.”

Umas das entrevistadas da KUTV afirma que 75% de suas vizinhas, conhecidas, e membros de sua ala estão envolvidas em MMN para complementar suas rendas familiares.

2) Ganância mórmon

Muitos membros da Igreja confundem riqueza e prosperidade com espiritualidade e retidão aos olhos de Deus, o que cria um incentivo social e religioso mais forte para buscar dinheiro e lucro o mais rápido possível. Nós já havíamos notado isso em algumas atitudes sociais de membros da Igreja [ver aqui].

Escreveu o Apóstolo Dallin Oaks:

“Tem havido uma sucessão de fraudes perpetradas por empreendedores predominantemente mórmons em vítimas predominamente mórmons. (…) Seja por um excesso de confiança ou por otimismo ingênuo para um atalho à prosperidade material que muitos enxergam como um sinal de retidão, muitos Santos dos Últimos Dias são aparentemente vulneráveis demais à sedução da riqueza súbita.”

Vemos aqui no Brasil uma propensão entre mórmons para se seduzir por esquemas de pirâmide ou atalhos para prosperidade e riqueza? Vemos aqui no Brasil a percepção que prosperidade é sinal de retidão ou espiritualidade? Vemos aqui no Brasil membros usando sua condição de membros da Igreja para vender esquemas em pirâmide ou MMN para outros membros?

22 comentários sobre “Mórmons e Esquemas de Pirâmide

  1. Hahaha
    Esse tal de Hinode. Tem gente que se aproveita de cargos de liderança para oferecer a pessoa que passa por dificuldades de bem-estar. Oferecem até em entrevistas de recomendação. Caras-de-pau.

  2. Essa tal de Hinode fez um estrago em algumas alas do Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
    Membros da liderança que participam do Conselho da ala oferecem o “produto” a pessoas que claramente ñ tem condições para entrar no negócio. Se aproveitam de que as pessoas precisam de trabalho, emprestam dinheiro para pagar a entrada no esquema e depois a vítima fica na mão do “agiota” da als

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