Sem censura

Se uma revista da Igreja hoje chega a modificar uma obra de arte para torná-la mais “recatada” e doutrinariamente correta, no passado essa tendência à censura era ainda mais forte nos antigos periódicos mórmons, certo? Errado! Pelo menos é o que nos sugere esta capa da revista Juvenile Instructor, de 1926.

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Romper os grilhões

Muitos mórmons iniciaram neste sábado um jejum, preparando-se para o domingo de jejum e testemunho. O jejum  apresenta um elo entre o físico e o espiritual, não só por ser uma prática que envolve os dois aspectos da vida do indivíduo mas também porque o faz pensar no bem-estar físico e espiritual de outros. Aliás, especialmente o físico de outros. Aqui nos relembramos dos conselhos no livro de Isaías:

“Por que temos jejuado e tu não o vês? Temos mortificado as nossas almas e tu não tomas conhecimento disso?” A razão está em que, no dia mesmo do vosso jejum, correis atrás dos vossos negócios e explorais os vossos trabalhadores; Continuar lendo

Anjos “fora dos padrões”?

A pintura original de Bloch e sua versão com photoshop na revista da Igreja

Na Igreja sud nota-se uma grande preocupação com o vestuário e aparência pessoal, incluindo desde a cor de camisa que homens deveriam usar no domingo até o número de brincos para as mulheres. Tal preocupação algumas vezes parece beirar o exagero, como no exemplo da edição de uma obra de arte ilustrando as revistas da Igreja. Continuar lendo

O nervinho

Texto de Sueli Patelli

670px-Put-Shoes-on-a-Baby-Step-6Numa época em que a Igreja costumava alugar casas para iniciar seus “ramos”, meu pai foi chamado para ser o presidente de um ramo no interior de São Paulo. A casa era grande, tinha cômodos amplos que acomodavam de maneira adequada toda a congregação. Para uma criança de sete anos, não importava tanto o tamanho da casa, mas o grande quintal que ela tinha.

Era lá que, depois da sacramental, brincava com meus irmãos, enquanto meu pai ficava em reuniões e entrevistas. Corríamos pelo quintal cheio de pedregulhos e gastávamos toda a energia contida durante a manhã de domingo. Tínhamos muitos amiguinhos que brincavam conosco, os filhos dos conselheiros e de outros líderes também. As mães muitas vezes ralhavam com a gente, principalmente com as meninas por causa dos vestidos, meias e sapatos. Continuar lendo

Um Diagrama do Reino de Deus

Um Diagrama do Reino de Deus

Orson Hyde

O diagrama acima mostra a ordem e a unidade do reino de Deus. O Pai eterno senta-se à cabeça, coroado Rei dos reis e Senhor dos senhores. Onde quer que as outras linhas se encontrem, senta-se um rei e sacerdote para Deus, possuindo governo, autoridade e domínio abaixo do Pai. Ele é um com o Pai, pois seu reino é somado ao de seu Pai e torna-se parte dele. Continuar lendo

Êxodos: um lamento

Walk away, de Lietinga Diena, site Deviant Art.

Walk away, de Lietinga Diena, site Deviant Art.

O êxodo é um tema constante nas escrituras judaico-cristãs e sud. Esse êxodo consiste na busca de uma “terra prometida” ou “terra de promissão”, deixando para trás uma sociedade corrompida que promove o mal e oprime os justos. Trata-se não apenas de uma fuga ou migração mas, sobretudo, de um processo de transformação daqueles que entram na jornada. Continuar lendo

Jesus e Joseph hoje

Aqui vão dois cenários puramente imaginários.

1) Se o homem a quem chamamos Jesus Cristo vivesse hoje entre nós, com outro nome, de modo humilde e sem revelar de forma sobrenatural seu papel de messias, ele seria melhor aceito pela sociedade? Ou seria de novo vítima da intolerância e perseguição? Ele seria condenado à morte de novo? Legal ou ilegalmente? Como ele seria tratado pela mídia? Pelo governo? Pelas religiões? Ele seria aceito pelos cristãos (incluindo os santos dos últimos dias)? Quem o perseguiria? Continuar lendo

Apostasia pessoal

Apostasia é um conceito frequentemente empregado por santos dos últimos dias para se referir, (1) num sentido histórico, à transformação do cristianismo original e sua perda de autoridade divina e, (2) num sentido individual, a uma forma de decadência espiritual ou desobediência a princípios divinos. Continuar lendo

06 de abril: o que Joseph Smith não disse

O dia 06 de abril é uma data de importância inquestionável na história da Igreja, começando pela própria organização formal da Igreja de Cristo em 1830. Uma explicação oferecida por alguns membros da Igreja sud para a importância de 06 de abril é de que seria a verdadeira data de nascimento de Jesus Cristo.

Joseph Smith, Profeta fundador do Mormonismo (1805-1844)

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Jeová, o Pai

No meu post anterior, mostrei como, de acordo com algumas escrituras bíblicas, Cristo não pode ser considerado o Deus que interagiu com os antigos israelitas. O “Deus de Abraão, Isaque e Jacó” para os autores do Novo Testamento é o próprio Pai e não seu Filho. Nesta continuação do tema, busco novamente na relação do Novo Testamento com a bíblia hebraica a identidade de Jeová como o Pai; também utilizo uma importante escritura de Doutrina e Convênios para mostrar como Joseph Smith também usava o termo Jeová para se referir ao Pai. Continuar lendo

Jeová e Jesus Cristo são o mesmo ser?

A diversidade de nomes e títulos atribuídos à deidade pelas escrituras e as diferentes interpretações que estas recebem podem tornar difícil a identificação exata de quem é quem e gerar um longo debate teológico, como tem acontecido na tradição cristã. Os santos dos últimos dias, os quais acreditam na existência de seres distintos e na consequente distinção entre o Pai e o Filho, também são apanhados nesse debate, especialmente no que se refere à identidade do Deus adorado pelos antigos patriarcas e as gerações de israelitas descritos na Bíblia hebraica ou Velho Testamento.  Continuar lendo

A Errônea Associação do Catolicismo à Corrupção das Escrituras

Um dos fundamentos doutrinários dos santos dos últimos dias é a afirmação de que as escrituras bíblicas não permaneceram intactas desde a pena de profetas e apóstolos até nossos dias, mas sofreram adulterações de forma que passagens foram retiradas, editadas ou acrescentadas.

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Estudo do Retrato do Papa Inocêncio X por Velázquez, de Francis Bacon (1953)

Em 1 Néfi 13, lemos sobre a visão recebida por Néfi da instituição responsável pela corrupção do Novo Testamento, chamada de “grande e abominável igreja”. Muitos santos dos últimos dias interpretam essa instituição como sendo a Igreja Católica Apostólica Romana, embora a ação da “grande e abominável igreja” sobre as escrituras, descrita no Livro de Mórmon, não possa ter nenhuma relação histórica com o catolicismo romano. Continuar lendo

Quem são nossos samaritanos?

Hoje, na Escola Dominical, uma das parábolas abordadas foi a do samaritano socorrendo o judeu à beira da morte, em Lucas 10. A radicalidade do ensinamento de Cristo ao colocar o samaritano como próximo do judeu só pode ser entendida a partir da exclusão mútua entre os dois povos. Falando como judeu a uma audiência judaica, Cristo escolhe como exemplo de misericórdia um indivíduo Continuar lendo