Presidente Cristo

Quem nunca sofreu uma saia-justa por causa de algumas práticas exclusivamente Mórmons que soam estranhas a outros — ou a Brasileiros, mesmo? Quem nunca sofreu uma desavença ou desencontro numa reunião dominical, ou mesmo atividade cultural da Igreja, por conta de opiniões pessoais passadas por “questões de evangelho”?

Eu gostaria de contar uma experiência pessoal minha, que por si só, ilustra um ponto importante:

Há muitos anos atrás, eu estava conduzindo uma reunião sacramental, e durante as boas-vindas, enquanto lia os anúncios, disse:

– …e reconhecemos a presença do irmão [Fulano], 1o conselheiro na presidência de Estaca, quem preside sobre a reunião.

E dei prosseguimento aos demais anúncios e hino, oração, etc. Quando eu me sentei de volta, e durante o primeiro hino, recebi um bilhete que me foi passado de mão-a-mão, onde estava escrito:

“Da próxima vez, endereçar-me como Presidente [Sobrenome], e não pelo meu primeiro nome [Fulano].”

Enviei o bilhete de volta, e contrito, prossegui com a reunião como se nada ocorrera. Ao anunciar a última parte da reunião, antes de passar o número do último hino e a última oração, disse:

– … e agora, passaremos ao nosso último orador, irmão [Fulano], 1o conselheiro na presidência de Estaca, após quem cantaremos…

E sentei-me, novamente. Finda a reunião sacramental, o estimado representante da Estaca me aborda diretamente, segundos após o término da última oração, sequer me havia levantado de minha cadeira:

– Você nunca deve desrespeitar-me assim. Você esta desrespeitando o Sacerdócio e esta desrespeitando o Salvador, quem eu represento!

Eu, jovem e inexperiente, contra-argumentei:

– Você sabe que a gente, no Brasil, não tem o costume de chamar as pessoas pelo sobrenome, mesmo em situações formais? E que isso é coisa de gringo, e é uma tradição cultural, apenas?

– Não interessa. Não é assim que fazemos as coisas na Igreja de Cristo! Você tem que respeitar o Sacerdócio!

E eu, impetuoso como todos adolescentes são, disse:

– OK. Então, vamos combinar assim: eu lhe chamo de Presidente [Sobrenome], se você me chamar de Dr. [Sobrenome]. Combinado?

E ele fez uma expressão de desgosto, grunhiu audivelmente, virou as costas e foi embora. Na época, eu ainda estava na faculdade, o que ainda aumentava a ironia da minha resposta arrogante. Hoje, eu me arrependo de ter respondido assim. Eu deveria ter dito:

– OK. Então, vamos combinar assim: eu lhe chamo de Presidente [Sobrenome], se você terminar as suas orações “em nome de Presidente Cristo, amém.” Combinado?

Certamente você já teve desencontros curiosos, estranhos, ou engraçados durante as reuniões da Igreja. Alguns até que ilustrem bem práticas culturais unicamente Mórmons. Conte-nos suas estórias nos comentários abaixo…

48 comentários sobre “Presidente Cristo

  1. Marcello,

    sou da opinião de que é muito difícil alguém deixar de ser brasileiro. Essa tentativa de membros sud brasileiros adotarem práticas institucionais norte-americanas por vezes resulta em algo meio “híbrido”, quando não caricatural.

    Em uma reunião do quórum de élderes, eu ouvi o instrutor falar umas 4 vezes no “Presidente Lê”. Não conseguia entender quem era. Harold B. Lee? Não fechava com o contexto. Até que me dei conta que se tratava do presidente do quórum, Leandro, vulgo Lê!

    Isso me fez lembrar o interessante samba que dizia O patrão mandou cantar com a língua enrolada:
    “Everybody, macacada! Everybody, macacada!” E também mandou servir uísque na feijoada:
    “Do you like it, macacada? Do you like it, macacada?
    “.

  2. Tenho um relato interessante:

    Aqui na minha estaca, antes da visita de um setenta, a estaca mandou um e-mail aos membros com algumas orientações a serem observadas no dia da visita do setenta, uma que me chamou atenção foi essa abaixo:

    1) Não devemos buscar monopolizar o tempo da Autoridade Geral, não devemos buscá-lo para pedir bênção, conselhos ou qualquer outra coisa do tipo. Não precisamos apertar a sua mão. VAmos lembrar que ele é uma pessoa como outra qualquer, possui o mesmo sacerdócio que nossos presidentes de quórum de élderes, mestres familiares, professores de escola dominicais, etc.

    !!Não poder pegar na mão da autoridade!!

    Quando foi no dia, o setenta pegou na mão, conversou e abraçou a todos que pode.

    • Acho que as pessoas confudem tudo! O bispo presidente visitou minha ala uma vez… ele pediu para descer do púlpito antes de começar a sacramental. Apenas para vir onde eu estava e apertar minha mão. Ele havia gostado a aula de princípíos do evangelho que minha esposa havai ministrado. E pediu para conhecer o marido dela, pois falou que se a esposa tem um bom espirito, então é porque o marido dela é um bom homem. E que ele gostaria de conhecer um irmão da igreja assim… o engraçado é que a sacramental já estava atrasada, quando ele olha para trás (minha esposa ia fazer a primeira oração) então ele pergunta -“Onde está seu marido quero conhece-lo” ela disse -“Ok..depois lhe apresento” então ele disse, depois não agora. Então desçeu e venho onde eu estava e apertou minha mão… não foi a primeira vez que eu passei por uma experiência onde percebi que havia um abismo entre o brasil e os membros americanos em cultura e entendimento do evangelho. Temos que lembrar que aqui tudo é novo. Que os membros da igreja trazem consigo um agromerado de culturas religiosas e que isso tudo se mistura… virando um milk shake religioso. O erro está em pensar que por esse motivo, a igreja interia é igual…

    • Na minha estaca tbm veio um setenta e tivemos caso de membros ate beijarem as mãos dele… o que pra um catolico eh normal… nos brasileiros temos alguns costumes bem estranhos.

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