me vejo no espelho
e imagino que pareço meu avô
no fundo queria ter um nariz mais parecido com o dele
e aquele azul raro do olho
minha desorganização de remédios
e livros e lâminas de barbear
me fazem parecer mais
Pedro
vivendo em mim
parte do meu corpo
e ideias
e contradições
sempre nos meus sonhos
acordo e levo um tempo
até saber se é sonho
talvez seja um tipo de vida eterna
ele vivendo em mim
sem eu sentir que ele se foi
ou que eu me vou
mas sim que estamos
esperando quem sabe
a próxima rodada
Ótimo poema e subsequente comentários amigos…
Foi este sentimento que objetivei estimular em meu recente artigo:
http://vozesmormons.com.br/2012/11/09/salvadores-no-monte-siao/
Em duas das muitas citações usadas, falam bem do mesmo conteúdo que o Antonio foi inspirado a escrever o poema:
“As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados.” (Edmund Burke – Político Inglês)
“Nós todos, inclusive os expostos, temos todos as nossas árvores genealógicas do mesmo tamanho. Lá no tamanho das árvores somos todos iguais. Mas é precisamente nas árvores que está a nossa diferença. Vê-se perfeitamente que a cada um aconteceu qualquer coisa que não se passou com mais ninguém. E aconteceu-nos ainda antes de nós termos nascido. É a árvore genealógica. Esse segredo do nosso segredo. Esse mistério do nosso mistério. Nós somos hoje o último fruto dessa árvore secular, secularmente secular!” (Almada Negreiros)
abs
Eu tenho amigos que fazem o trabalho vicário e o que eles acham mais importante são as histórias dos antepassados que eles aprenderam.È tudo maravilhoso.Na última conferência geral me senti tocada a começar a fazer a história da família.Só não sei por onde começar.
Mas é um belo poema,Antônio.
Eu acredito que eu sou cheia de traços de personalidade dos meus antepassados.