Professor é desobrigado da Escola Dominical por usar textos oficiais sobre negros

Brian Dawson foi desobrigado após utilizar textos do site e revista oficiais da Igreja

Em 09 de junho de 1978, Spencer Woolley Kimball anunciava o fim da longa exclusão de negros do sacerdócio e das cerimônias do templo mórmon. Após 37 anos dessa importante mudança, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias parece ainda não lidar apropriadamente com esse aspecto de sua história. Pelo menos, é o que ilustra uma recente polêmica local na Igreja em Honolulu, no estado americano do Havaí.

O casal Brian e Ezinne Dawson com seus filhos

O casal Brian e Ezinne Dawson com seus filhos

Questionado por seus alunos de 12 a 14 anos sobre o banimento dos negros antes de 1978, Brian Dawson decidiu apresentar à classe da Escola Dominical o conteúdo de Raça e Sacerdócio, ensaio publicado em inglês no site lds.org em dezembro de 2013 (e traduzido para o português cerca de um ano depois como As Etnias e o Sacerdócio). De acordo com a reportagem do jornal The Salt Lake Tribune, Dawson também utilizou artigos da revista oficial Ensign (publicação americana equivalente à Liahona) para falar dos pioneiros negros Elijah Abel, Green Flake e Jane Manning James, enfatizando que especialmente os futuros missionários deveriam entender essa história.

Um pai reclamou da aula ao bispo, o qual teria declarado a Dawson que “qualquer coisa sobre história negra antes de 1978 é irrelevante e uma questão sem importância”. Em uma entrevista em fevereiro passado, seu bispo pediu que Dawson nunca mais ensinasse sobre a história dos negros no mormonismo, ao que Dawson respondeu não.

Dawson e sua esposa requisitaram uma reunião com o bispo e o presidente de estaca. Os líderes acabaram reconhecendo a legitimidade das informações usadas pelo professor, mas insistiram que não fossem mais usadas nas aulas da Igreja. Posteriormente, Dawson foi dispensado de suas obrigações na Escola Dominical.

34 comentários sobre “Professor é desobrigado da Escola Dominical por usar textos oficiais sobre negros

  1. O que irrita é que aparece uns “desmemoriados” aqui para defender a igreja dizendo que tudo é permitido… Ou seja, ficam tentando “tapar” o sol com peneira. Sempre falei que a igreja se diz verdadeira, mas esconde sua própria verdade. Sempre falei que nem tudo é permitido falar dentro da igreja… Realmente lamentável…

    • Silvio, a situação parece mais nuanceada do que uma igreja que tenta esconder versus membros que tentam descobrir. E mais insólita também!

      Em primeiro lugar, a Igreja publicou uma material que representa um enorme avanço para a maneira como conta sua história. Por outro lado, é um material que não é divulgado dentro da própria Igreja, sendo difícil até mesmo de localizá-lo no site.

      Em segundo, foi o uso de textos oficiais que provocou a ação dos líderes locais contra o membro que ousou ser um bom instrutor para os adolescentes da ala. Ou seja, os líderes desconheciam a origem e exatidão daquelas informações e tomaram uma decisão oposta não apenas ao membro mas também contrária à própria iniciativa da Igreja com as publicações.

      Embora tenha sido um incidente local, ele mostra um problema mundial da Igreja, causado pela atitude “quem quiser que ache e leia”. Esses textos deveriam ser anunciados em Conferência Geral e impressos periodicamente na Liahona.

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