Mórmons acreditam que o Profeta é literalmente a Voz de Deus na Terra. Obediência cega e absoluta aos ditames dele é esperado de todo membro da Igreja.

Heber J. Grant, Profeta Mórmon e Presidente da Igreja SUD (1918-1945)
O Apóstolo Marion Romney relatou algo que o Presidente Heber J. Grant lhe havia ensinado sobre obediência ao Profeta:
“Meu filho, você sempre mantenha seus olhos fitos no Presidente da Igreja, e se ele lhe pedir para fazer algo errado, e você o fizer, o Senhor lhe abençoará por isso.”
Mórmons são ensinados que obediência é a “primeira lei do céu” e, portanto, o princípio mais importante de sua religião. Devem os membros da Igreja ignorar suas próprias consciências, seus instintos e seu julgamento pessoal e apenas obedecer o Presidente da Igreja sem hesitação ou questionamento?
Um profeta jamais desencaminhará o povo. Nenhum profeta vai pedir pra fazer algo errado. Foi apenas uma frase para destacar a importância de se obedecer o profeta, e ter plena confiança nele.
Alguém sabe de algum mal conselho ou determinação dados por algum profeta? Não me lembro de nenhum.
Marco Aurelio, A igreja recentemente publicou que todos os Profetas e Apostolos do passado estavam errados quanto a doutrina do Sacerdocio negado as pessoas de cor. Isso nao se trata de apenas um erro humano mas sim uma doutrina que foi pregada por muitos anos e agora os lideres atuais declararam que os lideres do passado estavam equivocados. Isso e apenas um erro gravissimo, como podemos saber se os lideres atuais estao certos no que eles ensinam hj? Quem sabe daqui 50 ou 100 anos lideres no futuro nao diram o mesmo sobre os lideres de hoje? A igreja apoia os lideres como Profetas, Videntes e reveladores mas ninguem consegue achar nenhuma profecia, visao ou revelacao feita nos ultimos 100 anos.
Fábio, como o Pres. Mckay disse: “Nós acreditamos que temos um precedente nas escrituras para impedir o sacerdócio ao negro. É uma prática, não uma doutrina, e a prática, algum dia irá mudar. E isso é tudo.”[Sterling M. McMurrin affidavit, March 6, 1979. See David O. McKay and the Rise of Modern Mormonism by Greg Prince and William Robert Wright. Quoted by Genesis Group] . Esta questão diz respeito à uma prática reservada aos líderes, que é a de conceder ou não o sacerdócio. Não induziu ninguém a fazer algo de errado. Young declarou pessoalmente que o Senhor proibiu o Sacerdócio aos negros.(“O Senhor amaldiçoou a semente de Caim com a negritude e proibiu o Sacerdócio a eles”. discurso feito em 13 de fevereiro de 1849).
Para ser justo, eis declaração de Kimball: “A doutrina ou a política não mudaram na minha memória. Eu sei que ela assim o poderia. Eu sei que o Senhor poderia mudar Sua política e liberar o banimento e perdoar o possível erro que trouxe a privação [do sacerdócio]”[ Kimball, Edward L.. The Teachings of Spencer W. Kimball. Bookcraft. p. 448-9.] Profetas tem suas opiniões que não se misturam com revelações.
Interessante essa discussão sobre a obediência. O post mostra até onde homens mortais e falhos, mas em posições de liderança, podem levar outros em nome de uma ideologia de sentido religioso como a nossa, e a fim de defender a hierarquia e a estrutura de poder em que se encontram inseridos. Os comentários mostram, por sua vez, que pouca gente hoje estaria disposta a fazer o mal somente para cumprir um suposto dever de lealdade com quem quer que seja, mesmo com alguém que seja reconhecido como o porta-voz de Deus na Terra. Mostra-se, também, como são diferentes as mensagens doutrinárias de um presidente da Igreja face a outro presidente da Igreja, o que passa a sensação de que ou Deus muda de opinião, ou as mensagens não têm nada de divinas, sendo muito possivelmente produto das meras opiniões de quem as emite. Porém, acho que essa discussão, mesmo interessante, fica aquém de uma outra discussão, que poderia tratar da obediência aos preceitos deixados por Jesus e Elohim. Pois, na minha opinião, há para todos nós que desejamos obedecê-los dois problemas, um de autenticidade, outro de legitimidade. O primeiro diz respeito a se ter certeza se aquilo que está registrado na Bíblia e outros livros sagrados é realmente proveniente daqueles dois personagens e não produto de erros de tradução, interpretação ou de simples acréscimo por parte dos responsáveis pela sua compilação. Assumindo-se que o que está lá escrito é verdadeiro, então nos encaminhamos para o segundo problema, que é de considerar legítimo (e por consequência aplicável) aquilo que é verdadeiro. Digo isto devido às inúmeras contradições encontráveis tanto no Velho Testamento como no Novo — e sem se considerar que os dois Testamentos já guardam, entre eles, um enorme paradoxo: enquanto o primeiro trafega pelo território da guerra e da exclusão, o segundo focaliza a paz e a inclusão. Os possíveis exemplos são muitos, e por razões de tempo e espaço irei me deter em apenas dois. O primeiro é este: imagine o leitor que Deus desce dos céus e lhe manda matar o próprio filho em um ritual de sacrifício, como fez com Abraão.Você concorda, mas aí se lembra que Deus havia assinado antes e entregue a Moisés os Dez Mandamentos, o primeiro dos quais diz, clara e insofismavelmente: “Não matarás”. O segundo exemplo é este: em suas andanças, Jesus é abordado por alguém muito rico, que lhe pergunta o que fazer para entrar no reino dos céus. Jesus então lhe responde que ele deve vender tudo o que possui e lhe seguir. Se isto acontecesse com você, leitor, você obedeceria? E, uma vez obedecendo, e diante da nova situação de miséria, como faria para continuar ajudando aquela família pobre e realizando a caridade, que segundo o próprio Jesus, é a mãe de todas as virtudes. São exemplos capciosos, reconheço, mas eles têm o dom de chamar a atenção para a necessidade de processarmos inteligentemente as ordens que recebemos, antes de cumpri-las. E se aquele que mandou você matar o próprio filho não for Deus, mas um simples demônio? E o dinheiro que você possui, aplicado corretamente não seria mais eficiente para a realização de obras filantrópicas do que simplesmente doado? Sinceramente, fico muito feliz por haver pessoas que se recusam a cumprir ordens cegamente, sejam elas dadas por um presidente de igreja, por Jesus ou pelo próprio Elohim. Afinal, ele, Deus, nos deu inteligência como um dos componentes da deidade que ele próprio deseja que incorporemos. E seria um desperdício cumprir ordens cegamente, como um autômato, e não como um ser feito à sua imagem e semelhança. O Evangelho, tenho certeza, é uma trilha, não um trilho.