Perguntas Em Teologia Mórmon: Batismo Pelos Mortos

Mormonismo não tem uma longa tradição em teologia sistemática. [1]

Não obstante, querendo ou não, todo religioso crente instintivamente elabora para si conceitos teológicos de modo a firmar suas crenças pessoais e organizar, em suas mentes, as crenças institucionais.

Esta série é dedicada a propor questões teológicas dentro do contexto Mórmon que nunca foram abordadas sistematicamente, através de perguntas elaboradas para estimular discussões abertas e o pensamento crítico. [2]

A pergunta de hoje é:

Propondo que:

  • Deus é onisciente;
  • Deus é onibenevolente;
  • Deus ressuscitou Jesus dos mortos;
  • Todas as pessoas, por causa disso, ressuscitarão dos mortos;
  • Batismo é essencial para adentrar o Reino Celestial.

Pergunta-se, então:

  • Por que realizar batismos pelos mortos hoje, ao invés de esperar a ressurreição dos mortos para batizar aqueles que qualificam para adentrar o Reino Celestial?

Considerando que:

  • A onisciência de Deus define que Ele já saiba quem aceitará o Seu plano e os Seus mandamentos;
  • A onibenevolência de Deus determina que Ele tem o melhor interesse de cada ser humano e não adere a motivações mesquinhas ou dogmáticas;
  • A ressurreição de Jesus é definida como uma ressurreição física e material;
  • A universalidade da ressurreição humana independe de adesão prévia a rituais ou sacramentos religiosos por ser universal;
  • A única justificativa para batismos por procuração é a falta de materialidade física dos atuais mortos em contraste com a materialidade física dos vivos, e que tal justificativa ignora a eventual e inevitável ressurreição universal.

Deixe nos comentários as suas conjecturas teológicas sobre como responderia à pergunta acima. [3]

 


[1] Teologia Sistemática é uma disciplina acadêmica destinada a formular uma estrutura intelectual coerente, ordeira, e racional para as crenças e as fés religiosas. Como movimento carismático nas primeiras décadas, e verticalizado no carisma institucional desde então, o Mormonismo não ofereceu muita oportunidade para o crescimento da disciplina. Os Apóstolos Orson Pratt e Bruce McConkie são os que mais se aproximaram de teólogos na história do Mormonismo, e ainda assim enfrentaram forte oposição dos Profetas e demais Apóstolos contemporâneos.

[2] Pensamento crítico é a prática de elaborar ideias envolvendo uma forma de pensar que seja analítica, clara, racional, e que envolve a crítica cuidadosa dos méritos racionais e lógicos dos argumentos que estruturam o pensamento. Pensamento crítico pode ser definido como “…o processo intelectualmente disciplinado para ativa e hábilmente conceitualizar, aplicar, analisar, sintetizar e/ou avaliar informações adquiridas com, ou geradas por, observação, experiência, reflexão, raciocínio, ou comunicação, com guia para crença ou ação”.

[3] Teologia é uma disciplina subjetiva, amplamente determinada por fatores e crenças que não são necessariamente substanciadas por fatos ou provas evidenciárias. Portanto, diferentemente das disciplinas nas ciências físicas (e.g., Física, Química, Biologia, Medicina, etc.) e humanas (e.g., História, Sociologia, Antropologia, etc.), não se espera que teologia seja absolutamente restrita por fatos e evidências e, consequentemente, admite-se que haja grandes variedades de discordâncias mesmo entre posições articuladas e razoáveis. Respeitemos, assim, essas limitações em nossas discussões teológicas.

75 comentários sobre “Perguntas Em Teologia Mórmon: Batismo Pelos Mortos

  1. 22 Porque eis que todas as criancinhas estão vivas em Cristo, assim como todos os que estão sem a lei, porque o poder da redenção atua sobre todos os que não têm lei; portanto, o que não foi condenado, ou seja, o que não está sob condenação, não pode arrepender-se; e para tal o batismo de nada serve.

    Moroni 8:22

      • Se conforme escrito aqueles que não recebem a lei não estão sob a condenação do pecado, então os que morreram sem conhecimento não tem pecado, sabemos que a lei informada no Livro de Mórmon é o evangelho verdadeiro de Jesus Cristo, logo se não tem pecado, batizar para redimir do que?

      • Já disse a necessidade do batismo acima, a qual não é somente para remissão dos pecados. Porém em romanos 3:23 diz que todos somos destituídos da glória de Deus, necessitando a remissão. Cada Reino de glória tem a sua Lei, e o mais alto há necessidade de um cumprimento mais fiel. Todos possuem a Luz de Cristo, portanto algumas leis são inerentes a Luz de Cristo, como não matar.

      • Afirmação redundante e desnecessária. Para os propósitos dessa discussão, já se havia presumido que batismo fosse um ritual necessário e indispensável. A questão aqui é por que o ritual não pode ser realizado após a ressurreição.

      • Não creio que se faz desnecessária, uma vez que se foi novamente levantado tal questionamento nos comentários.

  2. Entendo que este trabalho de ordenanças pelos mortos será efetivamente realizado no Milênio. O trabalho que fazemos hoje mal arranha a superfície do todo e não tem a menor possibilidade de ser diferente dada a falta de informações registrais. A quantidade de pessoas às quais não chegaremos é infinitamente maior do que as que conseguiremos atingir. Portanto, compreendo que o trabalho de realização de ordenanças pelos mortos é assunto para o Milênio. O objetivo de estabelecê- lo agora é, ao meu ver, mais para fortalecer os vivos, que em suas experiências de trabalho vicario atingem um nível maior de espiritualidade, humildade, amor pela família, esperança e fé, do que propriamente pelos mortos em si. Este é meu entendimento. Já fui e sou imensamente beneficiada pelo trabalho vicario, seja realizando-os diretamente nos templos, seja pesquisando minha história, trabalhando como diretora do CHF, ou acompanhando jovens ao batisterio ou em investidoras próprias. O benefício é para mim. Creio que é por isso que somos incumbidos de trabalhar na redenção dos mortos: para salvar a nós mesmos.

    • Servir os vivos não aperfeiçoa os vivos? Todas as horas de voluntarismo, todo o esforço pessoal, todos os recursos materiais investidos em ordenanças vicárias não poderiam ser dedicadas a servir os pobres, os famintos, os desabrigados? Esse serviço voluntário não estabeleceria “um nível maior de espiritualidade, humildade, amor pela família, esperança e fé”?

      • Também. Mas aí entra uma outra questão. A de desvirtuarmos as coisas para nossa conveniência. Não é o trabalho vicario em si que nos impede de trabalhar com os vivos, mas o nosso comodismo. Servir a um morto a quem não vejo, que não me incomoda, não tem cor, nem voz, nem cheiro, é muito mais fácil. Arregaçar as mangas e fazer algo pelos vivos exige muito mais. O problema é fazer apenas um e esquecer do outro. Os dois tipos de trabalho são bons e não se excluem.

      • Serve para cumprir as profecias sobre a missão de Elias.
        A obra vicária serve também para converter os corações dos filhos aos pais. Unindo afetivamente através da genealogia e por meio das ordenanças as gerações que não puderam conviver neste mundo. Criando laços para a vida eterna. Concordo contigo Suzana Nunes.
        Servir aos vivos não impede o trabalho vicário e faz parte das 3 missões básicas da Igreja (Proclamar o evangelho, aperfeiçoar os santos e redimir os mortos), elas são complementares, não excludentes.

      • “Serve para cumprir as profecias sobre a missão de Elias. A obra vicária serve também para converter os corações dos filhos aos pais.”

        Milhares de não-Mórmons se interessam por genealogia sem quaisquer pretensões de rituais vicários para os falecidos. E selamentos familiares podem ser realizados após a ressurreição sem quaisquer problemas.

        “Servir aos vivos não impede o trabalho vicário”

        Sem dúvida, e ninguém argumenta isso. Mas, certamente, ninguém argumentaria que há vivos necessitados em números suficientes que as horas-trabalho e os materiais dedicados aos mortos não poderiam ser todos dedicados a servir os vivos e ainda assim faltar muito. Ademais, volta-se ao assunto em questão: É o trabalho vicário fundamentalmente necessário, ou ele poderia ser realizado após a ressurreição, diretamente com as partes envolvidas?

        “3 missões básicas da Igreja (Proclamar o evangelho, aperfeiçoar os santos e redimir os mortos), elas são complementares, não excludentes”

        Esse argumento é circular. A Igreja faz obras vicárias porque faz parte das 3 missões, e as 3 missões incluem as obras vicárias, portanto precisamos fazer as obras vicárias.

      • Aqui entra uma linha de argumentação de aperfeiçoamento que não pode ser feita de outra forma.
        Creio que carregamos por assim dizer maldições de nossos antepassados, e quando os redimimos, aos poucos somos libertados dessas maldições. Na linha terapêutica de constelações familiares e sistémica há um embasamento que corrobora com esta visão.

      • É uma grande falta de conhecimento das coisas de Deus esse batismo (mortos) pois o batismo refere arrependimento, e tem que ser voluntário, a pessoa tem que expor sua vontade de ser batizado, nessa igreja ou em outra, ela tem que assumir essa responsabilidade e não outrem, não tem validade nenhuma diante de Deus, inclusive esse batismo feito em recém nascidos na ICAR. abraço.

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