Juiz Mórmon Remove Filha de Casal Gay

Na mesma semana em que milhares de membros da Igreja SUD saem em protesto contra uma nova política oficial recente da Igreja discriminando contra crianças em famílias LGBT, um juiz Mórmon da Vara da Família em Utah decide retirar uma criança de 9 meses de idade de suas mães adotivas apenas por serem um casal homossexual.

April Hoagland e Beckie Peirce (Foto por Steve Griffin para o The Salt Lake Tribune)

April Hoagland e Beckie Peirce (Foto: Steve Griffin do The Salt Lake Tribune)

April Hoagland e Beckie Peirce são amasiadas há vários anos e oficialmente casadas há um ano, desde que a Suprema Corte de Utah legalizou casamento homossexual no estado. Elas são mães de duas outras lindas crianças (filhas biológicas de Peirce), e há três meses assumiram os cuidados temporários dessa bebê de 9 meses de idade.

Antes de poder assumir a guarda da criança, elas passaram por todos os testes e checagens exigidas por lei e conduzidas pelo órgão público responsável, o Departamento de Serviços de Família e Crianças de Utah. Havendo passado sem problemas pela triagem oficial, e havendo adaptado a sua vida familiar à nova criança e vice-versa, o casal entrou com o processo legal de adoção definitiva, com recomendações oficiais do DSFC-Utah e pessoal da mãe biológica da criança.

Contudo, a despeito do sucesso de todo o processo de adoção temporária, adaptação e cuidado parental da criança, o localmente famoso Juiz  Scott N. Johansen da “Corte Juvenil” (que serve a função equivalente à nossa Vara da Família) decretou ordem judicial no dia 10 p.p. para remover a criança de seu lar para os cuidados do Estado enquanto se procura uma “família mais tradicional” que a possa e queira adotar.

As mães, o DSFC-Utah, e até a mãe biológica imediatamente protestaram e tentaram em vão dissuadi-lo dessa injusta sentença. Mesmo após o término dos procedimentos, oficiais do DSFC-Utah tentaram acordar extra-oficialmente uma mudança de sentença, sem sucesso. Eles entraram, então, com um pedido formal de invalidação da sentença:

“É a posição oficial do DSFC que esta remoção não serve o melhor interesse da criança.”

O juiz Johansen alegou que “em seus estudos descobriu que crianças em lares homossexuais não crescem tão bem quanto em lares heterossexuais”, embora se recusasse veementemente a citar a quais estudos se referia.

É inteiramente possível que Johansen estivesse mencionando estudos citados pela Igreja SUD durante sua campanha anti-gay, estudos que foram inequivocadamente desprovados pela totalidade das pesquisas científicas e rechaçadas pela Suprema Corte de Utah.

Curiosamente, a Igreja SUD manteve-se em absoluto silêncio sobre esse caso que está causando furor em seu estado-sede de Utah, possivelmente por causa do furor em âmbito nacional causado pelo vazamento de sua própria política discriminatória contra crianças em lares LGBT.

Assista vídeo de entrevista com as mães aqui.

[UPDATE: No dia 13 de novembro, após 3 dias de deliberação e pressão da mídia, do público, das famílias envolvidas, do DSFC-Utah, de grupos de direitos civis e até do Governador do Estado, o Juíz Johansen rescindiu a ordem para removê-la imediatamente de seu lar. Contudo, o caso ainda irá para julgamento no mês de dezembro p.f., e ele ainda pode determinar sua remoção definitiva. Todos os advogados envolvidos e os oficiais do DSFC, que citam as mães como uma “boa família”, planejam se preparar para desafiar Johansen na próxima audiência.]


Leia mais sobre a política oficial da Igreja SUD aqui.

Leia mais sobre as resignações de membros SUD aqui.

Leia reações e histórias pessoais de membros SUD aqui.

Leia mais sobre a reação oficial da Igreja ao vazemento aqui.

Leia mais sobre a reação extra-oficial da Igreja SUD a isto aqui.

Leia pronunciamento da Primeira Presidência sobre Casamento Tradicional aqui.

5 comentários sobre “Juiz Mórmon Remove Filha de Casal Gay

  1. Não sei lá, mas aqui no Brasil, um dos pressupostos de validade para julgar, é a imparcialidade. Isto é, a imparcialidade é uma garantia de justiça para as partes, embora não expressa nos processos, ela é garantia constitucional. O Estado reserva para si o exercício da função jurisdicional que corresponde ao dever de agir com imparcialidade na solução das causas lhe são submetidas. Cabe o direito das partes exigir um juiz imparcial para o processo, abre-se prazo para arguição deste direito, e também o próprio magistrado pode alegar também.O processo vai para outra vara.
    É obvio que ele foi totalmente parcial neste julgamento. Mas é certo que a Suprema Corte vai invalidar a decisão dele, se elas recorrerem. Enquanto isso, a criança, sua familia que se lixe! Triste demais ver aonde pode chegar a insensatez humana em nome de Deus!

    • Escrevi tão rápido, que alguns erros ortográficos acabaram ficando no texto:1- faltou o “que” lhe são submetidas. 2- repeti a palavra “também” na mesma linha.3- faltou o “e” na frase a criança e sua família. 4- e lixem no lugar de lixe. Se puderem corrigir aí, agradeço!

  2. Nossa como as pessoas distorcem o que foi dito no vídeo. Dizendo que as crianças estão sendo discriminas. Eu assisti e entendi tolamente ao contrário, sendo que estão preocupados com a criança e não as discriminando-as. Muito triste ver esse tipo de situação. Sendo que todos querem ter o direito, ser respeitados, mas esquecem de respeitar o direito e a decisão do seu próximo.

    • Joelma, você acha que “as pessoas distorcem” apenas porque você não lê com atenção.

      O vídeo não diz que as crianças serão discriminadas. O texto do artigo tampouco afirma que o Christofferson disse isso no vídeo.

      Você acha, de verdade, que eles assumiriam que estão pregando discriminação contra crianças? Quando eles pregavam discriminação contra negros, eles assumiam que estavam discriminando? Não! Falavam o quê? Que estavam “protegendo a sagrada instituição da família“.

      É óbvio que ele não disse isso no vídeo e falou que “estão preocupados com as crianças”, da mesma maneira que eles estavam preocupados com a “família tradicional” ao invés de discriminar contra negros.

      A nova política discrimina contra crianças e qualquer leitor e observador alfabetizado e honesto apenas precisa ler o manual da Igreja para ver isso. A Igreja estabelece regras distintas para crianças em lares homoafetivas e para crianças em todos os outros tipos de lares, ou mesmo sem lares. Isso é a própria definição de discriminação.

    • Joelma,
      A discriminação ocorre quando seleciono pessoas e não permito que outras por ideologia, raça, crença, família entre outros possam participar de atividade,realizar ordenaças(no caso batismo) entre outros.
      A igreja está discriminando sim filhos de homossexuais não so as crianças mas os adolescentes e adultos
      A igreja esta ferindo gravemente o estatuto da criança e adolescente.
      E ai a igreja pode ser contra a lei?

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